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Calaminade pública
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São José do Rio Preto, 19 de Janeiro, 2010 - 1:30
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Rio Preto fica devastada com a chuva
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Allan de Abreu, Graziela Delalibera, Hélton Souza, Raul Marques e Vívian Lima
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Carlos Chimba
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Estrago provocado pelo temporal no canteiro central da avenida Alberto Andaló: prejuízo de R$ 40 milhões
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Rio Preto amanheceu ontem devastada pela água. Duas horas de chuva intensa na madrugada, - a maior dos últimos 10 anos, segundo a Defesa Civil - causaram duas mortes e um prejuízo estimado em R$ 40 milhões. O bombeiro Luciano Rodrigues de Souza, 24 anos, tentava salvar um homem quando foi engolido pela correnteza. Já o aposentado Lucas de Cândio, 75 anos, morreu afogado dentro do carro. A última morte provocada por enchente na cidade ocorreu há 11 anos.
A força da água foi tão grande que deixou um rastro de destruição pelas principais avenidas da cidade, principalmente Bady Bassitt e Alberto Andaló. A violenta enxurrada arrancou pedaços de calçadas, arrastou placas e semáforos. Nas avenidas José Munia e JK, foram abertas crateras de 20 metros de diâmetro. A água invadiu supermercados, bancos, escolas e lojas de veículos, provocando prejuízos que beiram R$ 1 milhão.
Clique aqui e assista na TV Diário cenas da destruição causada pela chuva
Duas bancas de jornais foram arrastadas pela correnteza. “Minha vida toda estava ali”, disse Rui Fernando Roberti, dono da banca. Duas Unidades Básicas de Saúde e o Ambulatório Regional de Especialidades (ARE) ficaram fechados e sem atendimento ao público porque foram alagados. De acordo com o Posto de Sementes, choveu 112,2 milímetros em apenas duas horas na cidade, entre 3h e 5h. O índice equivale a 112 litros despejados em apenas um metro quadrado, e soma quase a metade da chuva acumulada no mês de janeiro (288 milímetros). “Precisamos reconstruir Rio Preto”, afirmou o prefeito Valdomiro Lopes.
Ao todo, 13 pontos foram castigados pela enxurrada, entre eles as avenidas Bady Bassitt, Alberto Andaló e Philadelpho Gouveia Neto, além da Rodoviária e da Estação de Tratamento de Água (ETA). Como as bombas da estação queimaram com a força da correnteza, pelo menos 120 mil rio-pretenses estão sem água nas torneiras. O caos se repetiu no trânsito. Como parte da avenida Bady ficou interditada toda a manhã para que funcionários da Prefeitura retirassem a lama acumulada, o trânsito se afunilou na Andaló, provocando congestionamentos em toda a área central.
Na tentativa de ordenar o trânsito nesses locais, cerca de 60 policiais militares que estavam de folga e no atendimento interno foram remanejados para as ruas. Na Rodoviária, o piso inferior teve de ser interditado pela manhã para que o barro fosse removido do local. Para remover toda a lama, foram necessários oito caminhões-pipas.
Chuva ‘estaciona’ sobre Rio Preto
O temporal da madrugada de ontem foi resultado de áreas de instabilidade que se formaram sobre a cidade. O fenômeno, comum nesta época do ano, é decorrente da alta umidade do ar e do intenso calor. O ar quente sobe em média a 50 quilômetros por hora até se condensar na alta atmosfera e cair sob forma de chuva. “A raridade, neste caso, é a concentração da área de instabilidade apenas em Rio Preto. Isso gerou um volume de chuva intenso em uma área pequena”, explica o meteorologista Marcelo Schneider, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Já os raios intensos que caíram sobre a cidade, afirma Vlamir da Silva Júnior, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram causados pelo atrito de parte do ar que, em vez de se transformar em chuva, se solidifica na atmosfera. “Essas camadas de gelo entram em atrito, o que produz descargas elétricas”, diz. Para hoje, estão previstas novas pancadas de chuva no período da tarde em Rio Preto. A partir de amanhã, a chuva se torna mais generalizada na região.
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Carlos Chimba
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O prefeito de Rio Preto, Valdomiro Lopes, observa limpeza de rua suja de lama
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Enchente causa prejuízo de R$ 40 milhões
A enchente que atingiu Rio Preto na madrugada de ontem causou um prejuízo de pelo menos R$ 40 milhões. Por conta do estrago, o prefeito Valdomiro Lopes (PSB) decretou estado de calamidade pública. O objetivo, segundo ele, é conseguir verba dos governos federal e estadual. No início da noite de ontem ele aguardava telefonema do governador José Serra para negociar o repasse de dinheiro.
“O prejuízo foi sem precedentes”, disse Valdomiro logo no início da manhã, quando vistoriava o cruzamento da avenida Bady Bassitt com a rua Pedro Amaral, um dos pontos mais críticos. “Precisamos reconstruir Rio Preto.” As intervenções mais caras, segundo o prefeito, terão de ser feitas na Estação de Tratamento de Água (ETA), que teve sete bombas queimadas pela água, e o cruzamento da avenida José Munia com a rua Abraão Thomé, onde a força da água formou uma grande cratera.
Além disso, será necessário reconstruir toda a extensão das calçadas e canteiro central das avenidas Bady Bassitt e Alberto Andaló. Alguns trechos de asfalto também foram destruídos. Para amenizar o impacto das enchentes, o prefeito aguarda a liberação da verba do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), emperrada há seis meses, para o alargamento da calha do rio Preto. Para Valdomiro, porém, nenhuma obra antienchente evitaria os estragos causados pela forte chuva de ontem. “Não há intervenção humana que resista”, afirmou.
Além da atração de verbas, o decreto de calamidade assinado ontem por Valdomiro traz outra vantagem à Prefeitura, que a partir de hoje pode fazer obras sem a necessidade de abrir licitação para obras emergenciais. Ontem no início da noite, Valdomiro definiu um cronograma para as secretarias. Nos próximos dois dias, caberá ao secretário de Obras, Luís Carlos Calças, fazer um diagnóstico das obras prioritárias. O passo seguinte será elaborar projetos antienchente e pedir empréstimos à CEF.
Entre essas obras estão a ampliação dos canais sob a Andaló e a Bady, por onde passam os córregos Borá e Canela, e a construção de galerias pluviais nas vias que cruzam com essas duas avenidas. “Não adianta só consertar os estragos. São necessárias obras preventivas.” Ele negou agir apenas sob o impacto da destruição da chuva. “Desde que entrei na prefeitura estou preocupado com essa questão”, disse.
O prefeito alegou falta de verba para iniciar essas obras complementares à do PAC. O custo estimado é de R$ 100 milhões. “Não temos esse dinheiro todo.” Logo após a reunião, o chefe da Casa Civil do Estado, Aloysio Nunes, telefonou para Valdomiro e colocou a Defesa Civil estadual à disposição da prefeitura.
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Sérgio Menezes
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Trecho do canteiro central da Bady Bassitt que ficou destruído
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Burocracia emperra obra
A burocracia emperrou a liberação da verba necessária para a canalização do rio Preto, em uma extensão total de 900 metros. A obra é classificada pela administração Valdomiro como vital para acabar com as enchentes da cidade. Em 19 de junho do ano passado, o Ministério das Cidades anunciou a liberação de R$ 32,7 milhões à Prefeitura de Rio Preto, dos quais R$ 20 milhões de empréstimo por meio da Caixa e o restante a fundo perdido.
Até agora, porém, o dinheiro não foi liberado. A autorização final aguarda há um mês uma única assinatura na Secretaria do Tesouro Nacional (STN). “Assim que houver essa autorização, vamos disparar o processo licitatório”, disse ontem Milton Assis, assessor da Secretaria de Planejamento. A canalização deve começar até o fim do semestre. As obras, no entanto, só devem ser concluídas no início de 2011.
Crédito
A superintendência regional da Caixa anunciou ontem uma linha especial de crédito para os comerciantes e industriais vítimas da enchente. O prazo de pagamento é de 96 meses, com carência de um ano. Também é possível, em alguns casos, obter a liberação de parte do FGTS. Mais informações pelo telefone 2138-2700.
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