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Enchentes
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São José do Rio Preto, 9 de Janeiro, 2010 - 0:06
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Em tempo de chuva, só 10 bueiros são limpos por dia
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Rubens Cardia
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Funcionários da prefeitura retiram sujeira de bueiro: limpeza não ultrapassa dez unidades por dia
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Os bueiros entupidos são uma das principais causas das quatro últimas enchentes registradas nas avenidas de Rio Preto desde o dia 7 de outubro de 2009. Apesar disso, a Secretaria de Serviços Gerais só consegue limpar uma média de dez bocas-de-lobo por dia e não sabe informar quantas existam na cidade atualmente.
Mesmo assim, para o secretário da pasta, Paulo Pauléra, o número de limpezas diárias é suficiente. “É um trabalho diário. Tenho uma equipe de 12 pessoas que só faz isso. Se tivéssemos mais estrutura, faríamos mais, é claro. Mas essa média não é pequena.” De acordo com Pauléra, após dias chuvosos, a equipe de limpeza de bueiros é reforçada com mais seis funcionários. Os trabalhos se concentram nas avenidas mais atingidas pelas enchentes: Alberto Andaló, Bady Bassitt, Murchid Homsi, José Munia e Juscelino Kubitschek.
O secretário afirmou que a falta de bocas-de-lobo em bairros mais antigos de Rio Preto também colabora com as enchentes. “No Parque Industrial e na Boa Vista, por exemplo, não existem muitos bueiros. E isso é um grande problema, porque a água das chuvas, que não é captada nesses locais, corre pelas sarjetas até chegar nas avenidas, onde são formadas as enchentes.”
Lixo
Durante a limpeza dos bueiros, funcionários da Secretaria de Serviços Gerais costumam encontrar objetos descartados pelo rio-pretense no dia a dia, como garrafas e copos plásticos, panfletos e latas de refrigerante. “É uma falta de cidadania. As pessoas recebem panfletos no trânsito e não procuram guardá-los no carro. Preferem jogá-los pela janela. E isso entope os bueiros”, critica Pauléra.
Em bairros com terrenos baldios é grande a quantidade de terra que vai parar nas bocas-de-lobo depois das chuvas. “Já chegamos a encher um caminhão basculante com a terra que retiramos de um bueiro da zona norte”, afirma Antônio Carlos dos Santos, encarregado da equipe de limpeza. Para o ex-professor de hidráulica e saneamento da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) Júlio Cerqueira César Neto não existe um parâmetro para definir quantos bueiros em uma cidade do porte de Rio Preto devem ser limpos por dia.
“O trabalho tem que ser eficiente, realizado conforme a necessidade. O que a prefeitura não pode fazer é botar a culpa na população. Jogar lixo nas ruas agrava o problema das enchentes, mas uma campanha de conscientização pode ser desenvolvida para tentar diminuir esta atitude.” Para o especialista, já se tornou comum o fato de políticos culparem as fortes chuvas pelos alagamentos. “Quem erra no planejamento é a prefeitura, e não São Pedro. A coleta ineficiente do lixo que acumula nos bueiros prejudica o sistema de drenagem das cidades, o que favorece as enchentes”.
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