Noticias Cidades - Programa rende R$ 8 mil para universitárias- Diarioweb
Cidades
 
Prostituição
São José do Rio Preto, 27 de Dezembro, 2009 - 0:07
Programa rende R$ 8 mil para universitárias

Allan de Abreu

Guilherme Baffi
Bianca, 21 anos, divide os estudos com a prostituição em casa noturna de Rio Preto; salário mensal é de R$ 4 mil, em média
Elas conciliam a sala de aula com quartos de motel. Começam a fazer programas para bancar a mensalidade nas universidades rio-pretenses, e logo descobrem um mercado rentável. Prostitutas universitárias de Rio Preto ganham de R$ 3 mil a R$ 8 mil mensais em programas com empresários, políticos, médicos, engenheiros, juízes e advogados. São cerca de 50 na cidade, segundo agenciadores ouvidos pelo Diário, a maioria entre 18 e 25 anos.

Luana - os nomes são todos fictícios - é uma loira de olhos azuis de 24 anos, 1,67 m de altura, 53 quilos. Mudou-se em 2005 para Rio Preto, e cursa o terceiro ano de arquitetura. “Quando vim para cá, nem imaginava em me prostituir. Mas o dinheiro começou a ficar curto, e precisava pagar os R$ 800 por mês da faculdade.” Criou coragem e pôs o contato no site www.gatavirtual.com, que divulga garotas de programa na cidade. Em pouco tempo os clientes apareceram.

“Ninguém na sala de aula sonha que faço programa”, diz Luana, que tem pavor de ser reconhecida como prostituta fora da cama. Hoje ela conta com uma clientela cativa - 30 homens, a maioria empresários, prefeitos e vereadores da região, advogados e até um juiz. Todos, invariavelmente, acima de 40 anos e casados. “Gosto de sexo, e adoro conhecer pessoas diferentes. É divertido.”

Por dia, são três programas, em média, de segunda a segunda. Cada um custa R$ 170. O faturamento, diz, supera os R$ 8 mil por mês. Fora os presentes caros que ganha - o último deles uma bolsa da Victor Hugo, de R$ 2 mil. “Ele quer me namorar, mas não confundo as coisas. Sou profissional no que faço.”

Com o dinheiro dos programas, Luana comprou casa em condomínio fechado, dois terrenos e um carro zero quilômetro por R$ 40 mil. “Não sei se como arquiteta vou ter esse padrão de vida”, compara. “Mas quando me formar quero abandonar a prostituição. Tenho namorado, e não posso mentir pra ele a vida toda. Ainda quero casar, ter filhos, um escritório de arquitetura. Uma vida normal.” A família, afirma, acredita que o alto padrão de vida de Luana é bancado por um namorado rico. Ela também vende roupas para disfarçar a prostituição.

Luana garante ser boa aluna, mas admite que chega a matar aula para fazer programas. “Procuro agendar todos. Mas se surge algum em cima da hora e a aula é chata, fico sem opção.”

Estilo

Não é só a beleza física que distingue as universitárias das demais prostitutas. “Só de falar corretamente, se portar bem, ter noção de etiqueta, já seduz muito cliente”, afirma Bianca, 21 anos. Até setembro ela cursava biomedicina em Campinas. Trancou e veio a Rio Preto fazer cursinho. Aqui, conheceu uma garota de programa. “Eu estava mal de grana e ela disse que vinha dinheiro fácil. Decidi arriscar.”

O primeiro programa, diz, foi “tenebroso”. “Tive de beber para suportar. A primeira vez que você transa com alguém que você nunca viu antes é fogo. Sorte que era um cara bonito e educado.”

Hoje, ela faz de dois a cinco programas por dia, cada um por R$ 150 e uma hora e meia de duração. Ganha R$ 4,5 mil mensais. “Agora estou mais acostumada. Mas não gosto disso. Faço pelo dinheiro.” Além dos programas avulsos, ela trabalha em uma casa noturna de Rio Preto.

Morena de olhos verdes, magra, Bianca estava de shorts e óculos escuros de grife na última terça-feira, quando conversou com a reportagem. Aproveita a beleza e a etiqueta para oferecer outro serviço. “Tem homem que me contrata para posar de namorada em festa. Fico com ele a noite toda, e depois faço programa, se ele quiser.” O preço, porém, sobe para R$ 400.

No próximo ano, se passar novamente no vestibular - ela vai tentar medicina - Bianca pretende parar com a prostituição. Antes, quer comprar um carro Renault Sandero zero quilômetro. “A faculdade eu me viro depois para pagar.”

Mas ela se contradiz: no fim da entrevista, dá mostra de que foi seduzida pelo alto dinheiro dos programas sexuais. “Já me candidatei a vendedora de loja de roupa. Mas o salário de R$ 800 não me sustenta mais.”

Estudante é valorizada

Meninas universitárias são valorizadas no mercado da prostituição. “Elas se comunicam bem, são educadas”, diz Marcos Vasconcelos, dono do Café Rio, casa noturna em Cedral. O problema, afirma, é a falta de profissionalismo.

“Muitas confundem trabalho com relacionamento, e criam vínculo amoroso com o cliente, o que gera problemas para o meu negócio. Além disso, elas faltam muito, porque preferem fazer programa fora”, diz Vasconcelos, que há cinco anos deixou de contratar universitárias. Hoje, todas as 20 garotas da Café Rio são de outros municípios do Estado.

Custear os estudos, dizem os agenciadores, é só um pretexto para a entrada na profissão. “Elas começam a fazer programas para bancar a mensalidade, mas logo percebem que a atividade dá lucro, e dificilmente param. Até porque, na maioria das vezes, a profissão para que estudaram não dá nem a metade do que ganham na prostituição”, diz um fotógrafo de garotas de programa, que não quis se identificar.

Em São Paulo, boa parte das garotas de programas das casas noturnas mais sofisticadas, como a boate Bahamas e o Café Photo, é de universitárias. Lá, cada programa chega a valer R$ 1 mil, e não é raro que o ganho mensal das prostitutas com curso superior, completo ou incompleto, chegue a R$ 20 mil. (AA)

‘Não tinha dinheiro para a matrícula’, diz Pietra

Pietra, 20 anos, pele morena e seios fartos, cursa o primeiro ano de Direito e sonha ser juíza. No início de 2009, deixou o litoral sul de São Paulo e veio a Rio Preto estudar. “Briguei com a minha família e decidi que teria uma vida independente.” Trabalhou como vendedora de anúncios em um jornal da região, onde ganhava R$ 400 por mês. Como a faculdade custa R$ 700, fechava todo ano no vermelho. “Chegou junho e eu não tinha dinheiro para a rematrícula do semestre seguinte.” Decidiu então levar a sério a proposta de uma amiga, e aproveitou as férias para trabalhar em uma casa noturna de Araraquara (SP). Ganhou, em 20 dias, R$ 2 mil. “Paguei as parcelas atrasadas e a matrícula.”

Quando retornou a Rio Preto, Pietra fez anúncio em um site de garotas de programa e passou a se prostituir nos melhores hotéis da cidade. Desde então sai com advogados, empresários, políticos. “Tem cliente que se diz apaixonado, quer namorar. Mas eu sou bem franca: ‘você paga minhas contas?’ É claro que ele diz não.”

Cada programa custa R$ 150. São quatro por semana, em média, que dão a ela um “salário” de R$ 3 mil. “Não perco aula para fazer programa. A meta agora é o estudo. Tanto que nunca fiquei de exame”, afirma. Na faculdade, ninguém sabe que Pietra se prostitui. Se tem medo de topar com aluno ou professor em um programa? “Não, o constrangimento seria meu e dele. Fica um a um.”

Ela diz ser comum alunas se prostituírem no curso de Direito. “Tem uma na minha sala, inclusive. E conheço umas três advogadas que fizeram programas quando estudavam.” Os efeitos colaterais, no entanto, são profundos. “Conheço pessoas influentes só nos programas, e gostaria de ter contato com elas em outros contextos.” Quando se formar, ela pretende deixar a cidade. “Não quero encontros profissionais com quem passei alguns minutos na cama.” (AA)


Clique aqui e assista o VideoQue Piada sobre esta reportagem

 
     
24 de Novembro, 2013
Trem descarrila, atinge casas e mata oito pessoas
 
17 de Janeiro, 2010
Arrependidos pagam até R$ 2 mil para retirar tatuagem
 
18 de Janeiro, 2010
Temporal mata duas pessoas em Rio Preto
 
18 de Dezembro, 2013
Jovem de 22 anos morre em acidente na zona oeste
 
26 de Janeiro, 2010
Marido mata mulher e filhas a marretadas
 
 
› 25/07 Entregador tem afundamento de crânio após bater moto
› 25/07 Polícia apreende drogas, carro e dinheiro
› 25/07 Policiais são agredidos durante tentativa de prisão
› 25/07 Pai sequestra própria filha e vai para cadeia
› 25/07 Os peões milionários das arenas
› 25/07 Taxista é condenado a seis anos por morte
Leia mais sobre Cidades
prostituição
 
DiarioLeaks
Revista Vida e Arte
Negócios em Pauta
Locall
Imóveis
(17) 3355-1090
Condominium
Imóveis
(17) 4009-3333
 
 
Bemac
Máquinas de costura
(17) 3234-3687
Home | Institucional | Economia | Cidades | Geral | Esportes | Saúde | Política | Estradas | Tecnologia | Educação | Meio Ambiente | Sirva-se | Olá | Diário na Copa | Opinião | Opinião do leitor | Artigos | Editorial | Classificados | Divirta-se | Atendimento | Promoções | Fotojornalismo | Vídeos | PodCasts | Blogs | RSS | Jornal na Educação
Diarioweb® Todos os direitos reservados // Atendimento Design e desenvolvimento MagicSite