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Cidades
 
Infância sem presentes
São José do Rio Preto, 10 de Outubro, 2010 - 2:30
Crianças carentes usam a imaginação para brincar

Maria Stella Calças

Sérgio Menezes
Crianças do Parque da Cidadania brincam no meio da rua
Um cabo de vassoura, uma bolinha de plástico furada, quatro meninos e a imaginação. É assim que brincam esses pequenos moradores do Parque da Cidadania, que devem ficar sem presentes no Dia das Crianças. Os meninos se dividem em duas duplas, um deles bate na bola com o cabo de vassoura e outros dois são responsáveis por resgatar a pequena bola azul. O quarto menino atua como se fosse um goleiro, atrás do que acerta a bola. “Estamos jogando golf tia”, explica Samuel Thierre da Silva Matos, de 11 anos, assim que avista a equipe de reportagem do Diário.

Samuel está acompanhado dos vizinhos Brendo da Silva, 12, William da Silva, 9, e Bryan da Silva, 4. “Eles sempre brincam aqui na frente de casa durante a manhã”, afirma a mãe do três, Daniela Cristina da Silva, 28. Os meninos encontraram a bolinha e o cabo de vassoura perto de casa. “A gente gosta mesmo de jogar futebol, mas nossa bola furou e não temos outra”, explica Brendo.

Eles têm poucos brinquedos e nenhum dos eletrônicos que tanto agradam as crianças de hoje. “Não tenho dinheiro para dar brinquedos para eles. Meu marido é servente de pedreiro e está sem trabalhar por causa das chuvas. Eu tive toxoplasmose há dois anos e perdi a visão do olho esquerdo, agora estou perdendo a do olho direito mas ainda não consegui me aposentar”, conta Daniela.

Brendo, Willian e Bryan têm ainda a irmã Nataly, 10, e a família vive da renda do Bolsa Família e do Bolsa Escola (R$ 192 mensais). “Não dá para comprar presentes. Tirei R$ 30 de onde não tinha para mandar o Willian e a Nataly numa excursão da escola para comemorar o Dia das Crianças, mas os outros dois não terão nada porque a escola não organizou e eu não tenho condições.”

A família de Samuel também passa dificuldades. A mãe, Eva da Silva, é diarista, o pai está desempregado e a renda mensal da família de quatro pessoas é de R$ 520. “O Samuel é como qualquer criança. Agora ele está louco por um playstation (videogame), me pede todo dia, mas eu não tenho como dar”, afirma a mãe. Segundo Eva e Daniela, as crianças reclamam, pedem, mas acabam se divertindo usando a imaginação e o que encontram na rua. “Às vezes, eles ganham uns brinquedos usados, mas geralmente se viram com o que tem na rua mesmo”, afirma Daniela.

“A gente brinca com o que dá para brincar”, explica Samuel. Dentro de casa, as brincadeiras ficam mais intelectuais. “Quando não deixo irem para a rua por causa do movimento dos carros, eles acabam desenhando, escrevendo cartinhas, essas coisas, porque brinquedo mesmo eles quase não têm”, conta Daniela.

Essas crianças, com pouco recurso financeiro, mostram que não é preciso brinquedos caros, videogames de última linha para brincar com os amigos. Quando nos despedimos, um dos meninos aparece com duas garrafas de refrigerante vazias e o jogo de ‘golfe’ vira uma partida de bétia na mesma hora.

Sérgio Menezes
Alunos da Coopec se divertem com brinquedos produzidos por elas, com orientação de professores
Projeto resgata brincadeiras e brinquedos antigos

“Brinquedos e Brincadeiras” é o nome do projeto desenvolvido pela Coopec, de Rio Preto, para resgatar antigas brincadeiras de rua.“A intenção é apresentar às crianças brinquedos que resgatam a cultura popular”, explica a professora Andressa Pelegrino, uma das responsáveis pelo projeto. As crianças, que têm em média 8 anos, aprendem a história de cada um dos brinquedos confeccionados, como surgiram, porquê, em que época, como as crianças brincavam, etc.

Depois de aprender a história, começa o planejamento para a construção. “A partir daí, eles são responsáveis por juntar os materiais necessários para a confecção do brinquedo. Nisso os pais e outros parentes próximos acabam sendo incluídos”, afirma Andressa. Além de proporcionar a integração entre os próprios alunos, o projeto também promove aproximação entre gerações. “Esses brinquedos fizeram parte da infância dos pais, tios e avós dessas crianças e com isso, há uma aproximação. As crianças chegam em casa e vão brincar com os mais velhos, que contam histórias de quando tinham aquela idade, como brincavam. Isso aproxima dois mundos diferentes”, explica.

O professor de educação física José Válter Manhas desenvolve a parte prática das brincadeiras com os alunos. “Aqui nós ensinamos na prática como utilizar cada brinquedo e aproveitamos para desenvolver a parte motora dos alunos.” Durante o processo, os alunos também aprendem a partilhar. “Nós formulamos brincadeiras para que eles tenham que dividir os brinquedos, mesmo cada um tendo o seu”, conta. O projeto também tem uma parte ecológica. “Mostramos a eles que tudo pode ser transformado em outra coisa, que pode ser reaproveitado, estimulando a preservação do meio ambiente”, afirma Andressa.

Rubens Cardia
Policare: brinquedo com reciclável, como o boneco de tampa de garrafa


Em outra escola de Rio Preto, a Policare, os alunos entre 3 e 6 anos, também fabricam seus brinquedos com material reciclável e ainda colocam em prática outras matérias ensinadas em sala de aula. “Na produção do bonequinho de tampinhas de garrafa pet, nós treinamos as formas geométricas, as cores, quantidade, além do trabalho em equipe”, explica a professora Cláudia Queiroz. Para as professoras, o mais importante é deixar livre a imaginação dos alunos. “Com esse tipo de trabalho em sala de aula, incentivamos o desenvolvimento do lado lúdico das crianças”, afirma a professora Lenita Moura.

A diretora da escola, Nilvia Paranhos França, acredita que esse tipo de atividade serve como um inibidor do capitalismo atual. “Com essas aulas, nós começamos um trabalho para evitar o consumismo entre os alunos. Queremos ensiná-los a dar valor à parte lúdica das brincadeiras e não à parte material dos brinquedos. Assim, acabamos fazendo com que eles experimentem um pouco como foi a nossa infância.” Os brinquedos artesanais são sucesso entre as crianças. “Eu gosto muito do meu boneco de tampinha, já tem um lugarzinho para ele entre as minhas bonecas”, conta a aluna Giovanna Rizatto Juliani, 6.

Rubens Cardia
Júlia Burguete, da escola Policare, e os sapinhos de lata: é só usar imaginação e criatividade
O ideal é equilibrar tecnologia e artesanato

Atualmente, as crianças começam a interagir cada vez mais cedo com computadores, videogames e outros brinquedos com recursos eletrônicos. Com isso, brincadeiras de rua acabam ficando esquecidas. “Hoje em dia, as crianças são muito consumistas. Existe um tipo de competição para ver quem tem o brinquedo mais eletrônico, quem tem a tecnologia maior. Antes o lúdico era explorado sem tanta tecnologia. Assim, a criança fica muito materialista”, afirma a psicopedagoga Andréa Della Corte Barros.

Andréa defende a recuperação dos brinquedos artesanais, principalmente os recicláveis. “Esses brinquedos são muito saudáveis para a criança, porque podem trabalhar a questão do reciclado e essa conscientização é muito importante. Além disso, a criança passa a dar mais valor porque é uma coisa feita por ela, mais caseira, mais familiar. Essa construção do brinquedo também ajuda a diminuir o consumismo das crianças de hoje e gera prazer.”

Para a psicopedagoga, projetos que incentivam as crianças a criar seus brinquedos com sucata deveriam ser incluídos no currículo escolar nacional. Mas que os pais não se enganem: o acesso à tecnologia, segundo a educadora, também é muito importante. “A tecnologia não prejudica desde que se tenha limite para usar. O problema hoje é que vemos a criança passar a maior parte do período que não está na escola na frente do videogame. Isso é prejudicial.”

Os educadores afirmam que as crianças que têm contato com a tecnologia desenvolvem um raciocínio e uma coordenação motora mais rapidamente. “A criança que trabalha com esse brinquedo criado por ela não tem tanta preguiça de pensar. Hoje a criatividade das crianças está um pouco comprometida. Os brinquedos fazem tudo por elas, que não precisam mais pensar.

Mas as que fazem seus próprios brinquedos criam mais e desenvolvem essa habilidade imaginativa”, afirma Andréa. O ideal é que o uso de eletrônicos e de brinquedos artesanais seja equilibrado, segundo a educadora. “Os pais que conseguirem encontrar esse equilíbrio conseguirão oferecer os benefícios das duas formas de brincar aos filhos.”







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