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São José do Rio Preto, 11 de Dezembro, 2009 - 0:08
Chuva espalha cem toneladas de lixo pelas ruas de Rio Preto

Helen Ventura, Raul Marques e Helen Ventura

 

Sérgio Menezes
Sujeira acumulada na Represa Municipal: Secretaria de Serviços Gerais mobilizou 120 funcionários e seis caminhões para fazer a coleta do material
A Prefeitura de Rio Preto coletou ontem cem toneladas de lixo espalhadas pela cidade durante a tempestade da noite de quarta-feira. A chuva provocou enchentes em três pontos e, na avenida Alberto Andaló, a força da correnteza chegou a arrastar e a tombar carros.

O lixo foi recolhido em vários pontos, principalmente nas avenidas José Munia, na Philadelpho Gouvêa Neto e na Juscelino Kubitschek. Segundo o secretário de Serviços Gerais, Paulo Pauléra, foram mobilizados 120 funcionários e seis caminhões para fazer a coleta do material. Para o secretário, falta consciência à população sobre a importância de manter as ruas limpas.

Defesa Civil

De acordo com a Defesa Civil de Rio Preto, a chuva de anteontem teve duração de uma hora e vinte minutos. Nesse espaço de tempo, choveu 90 milímetros, o equivalente a 90 litros de água por metro quadrado de solo. A quantidade corresponde a pouco menos da metade do que choveu em dezembro no ano passado (184,8 milímetros). Ainda de acordo com a Defesa Civil, nas cabeceiras do rio Preto e dos córregos Lagoa e Macaco a chuva foi de 180 milímetros, no mesmo período de uma hora e vinte minutos.

O Corpo de Bombeiros chegou a atender 30 chamadas durante o temporal. Segundo a corporação, os telefonemas foram provocados por quedas de árvores, veículos arrastados pelas águas e pessoas que ficaram ilhadas dentro de carros na avenida Alberto Andaló, o ponto mais crítico. Na avenida Philadelpho Gouvêa Neto, próximo ao posto de combustíveis Flórida, segundo os bombeiros, o nível da água do rio Preto ficou 1,80 metro acima do normal.

Município

O prefeito Valdomiro Lopes (PSB) afirmou ontem que em janeiro começam as obras de canalização do rio Preto, o que, de acordo com ele, vai minimizar o impacto das chuvas. Conforme o prefeito, serão investidos R$ 35 milhões na obra, dinheiro que será liberado pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

“Essa é a maior obra contemplada pela administração, mas não resolve todo o problema gerado pelas enchentes.” Outra medida para conter as enchentes, de acordo com o prefeito, será a aquisição de máquinas para desobstruir bueiros. O prefeito falou também que serão construídos mais bueiros, mas não soube informar quantos.

Piscinões

Valdomiro voltou a defender a construção de piscinões para conter a água que escorre pelas avenidas Brasilusa, Adhemar de Barros e da pista da Washington Luís (SP-310). Indagado se não seria importante ao município ocupar as grandes áreas vagas no perímetro urbano, em vez de expandir cada vez mais a cidade, uma das causas das enchentes, o prefeito concordou e disse que isso seria o ideal.

“Essa prerrogativa (expansão urbana) é da Câmara , mas os projetos passarão pelo crivo de um corpo técnico da prefeitura que envolve as secretarias de Meio Ambiente, Obras e Planejamento.” Valdomiro Lopes afirmou que enviou um projeto de lei à Câmara, há 60 dias, que estabelece a cobrança de IPTU para as áreas urbanas vagas, os vazios urbanos. O prefeito disse que outra medida que colabora para minimizar as enchentes é a exigência, em novos condomínios, de equipamentos que retenham as águas das chuvas.



Divulgação
Em Nipoã, ponte que dá acesso ao bairro Cachoeiras, ficou destruída
Chuva causa prejuízo de R$ 1 mi em Nipoã

O prefeito Antônio Carlos Ribeiro (PTB) afirma que vai decretar estado de emergência em Nipõa, cidade a 56 quilômetros de Rio Preto, devido aos estragos causados pela chuva nos últimos três dias. O prejuízo, segundo cálculos do prefeito, passa de R$ 1 milhão.

Os temporais que atingiram o município causaram a queda de uma ponte e a interdição de outras quatro. Todas as passagens eram de madeira. Uma cratera, com seis metros de profundidade por sete de extensão, abriu em plena rua Rio de Janeiro, uma das principais do município. A via liga a área urbana a propriedades rurais.

Os funcionários da Prefeitura trabalhavam ontem em ritmo acelerado para recuperar a ponte de acesso ao bairro Cachoeiras, o mais prejudicado com a chuva. Pelo menos 15 famílias estavam ilhadas ontem e enfrentavam dificuldades para chegar e sair de casa. O nível da água nos córregos Ferreira e Cachoeiras subiu seis metros. Apesar da gravidade dos estragos, ninguém ficou ferido.

“A situação está muito difícil. Há 30 anos a cidade não sofria tanto com a chuva. Vamos recorrer ao governo do Estado para obter verba e construir uma ponte”, afirma o prefeito. A ponte a que o prefeito se refere liga a vicinal José Sanches até a avenida Felipe Jorge e era usada por caminhões carregados com cana. Como a passagem está fechada, as carretas vão passar pelo Centro da cidade. “Será mais um transtorno para a população”.



As chuvas também causaram estragos em Fernandópolis. A escola municipal Ângelo Finotto foi uma das atingidas. O prédio teve de ser interditado. As salas foram alagadas durante as chuvas do último final de semana. As aulas foram suspensas. O prédio está em reforma há 20 dias. Um temporal que atingiu a cidade em setembro havia danificado a estrutura.

De acordo com a Prefeitura, o prédio vai ganhar nova cobertura. As salas de aula estão passando por pintura. No bairro Rosa Amarela, também em Fernandópolis, a força da água danificou parte do asfalto das ruas. O departamento de obras informa que está fazendo uma nova pavimentação.

Sérgio Menezes
Caminhão de bebidas teve as rodas parcialmente ‘engolidas’
Veículo ‘atola’ no asfalto

Um caminhão de bebidas teve as rodas parcialmente engolidas ontem, às 11h30, quando trafegava pela avenida Brasilusa, na zona sul de Rio Preto. O motorista Fábio Henrique da Cruz, 24 anos, diz que se assustou. “Fez muito barulho. Danificou um pouco a frente do caminhão, mas não prejudicou a carga.”

A funcionária pública Mônica Silva Toneti, 47 anos, mora próximo ao local e afirma ter cansado de pedir reparos na avenida. “Não vemos recape aqui há pelo menos 20 anos. Só tapam os buracos.” O secretário de Serviços Gerais, Paulo Pauléra, afirmou que já está providenciando melhorias na Brasilusa.

 
     
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