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'Conexão Diamante'
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São José do Rio Preto, 8 de Dezembro, 2009 - 0:20
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‘Eu tava com R$ 1 milhão em diamante’
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Antonio Araujo Junior/ Jornal de Frutal
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Alcione Queiroz foi preso com diamante escondido na meia
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Em grampo captado pela Polícia Federal na Operação Quilate, Alcione Máximo Queiroz, 43 anos, diz ter R$ 1 milhão em diamantes no seu escritório em Frutal (MG). A conversa foi em março, no dia em que policiais deram uma blitz em vários pontos de comércio de diamantes na cidade. “Eu tava lá em cima no meu escritório, com um milhão de reais de diamante no bolso dos outros. (...) Se a polícia chega lá, e aí?”. Naquela ocasião, o escritório não foi alvo dos policiais.
Alcione é o braço direito de Isalto Donizete Ferreira, traficantes de diamantes de Franca (SP), conforme relatório da Operação Quilate, da Polícia Federal, a que o Diário teve acesso. A maioria dos diamantes comercializados por ele era proveniente do garimpo do rio Grande, entre Guaraci e Frutal.
“Alcione comprava, vendia, transportava, ocultava e guardava diamantes para Isalto, além de receber para este valores decorrentes das negociações, depositando-os em contas por ele indicadas”, escreve a procuradora do Ministério Público Federal Daniela Pereira Batista Poppi na denúncia à Justiça.
Diamante na meia
Em 7 de julho deste ano, Alcione foi para Curitiba buscar um lote de pedras de Isalto e um par de brilhantes de André Luís Cintra Alves, que Ercídio Teixeira havia oferecido para um secretário de Estado do Paraná - a PF não especifica quem seria. No retorno, por volta das 20h30, foi preso em flagrante pela PF no aeroporto de Uberlândia (MG) com os diamantes escondidos na meia. Alcione foi solto horas depois após pagar fiança de R$ 5 mil. Em 27 de julho, Isalto tenta reaver as pedras apreendidas com o uso de nota fiscal falsa.
Alcione foi o único preso da região na Operação Quilate, em agosto - procurado para informar os motivos por que não pediu a prisão dos demais envolvidos de Frutal, o delegado da PF Felipe Eduardo Hideo Hayashi não quis se manifestar, alegando que o processo tramita sob segredo de Justiça. Ele foi denunciado pelo MPF por receptação qualificada, uso de documento falso e formação de quadrilha.
Outros ligados diretamente a Isalto, conforme o MPF, são o ex-vereador de Frutal Élio Salvo Borem, o Jararaca, e Vicente Paulo do Couto. Cabia a Jararaca receber o dinheiro do comécio ilícito de diamantes em contas bancárias abertas em seu nome. Os grampos da PF, feitos com autorização judicial, revelam pelo menos três depósitos em contas do ex-vereador, que somam R$ 37.145.
Vicente é dono de uma área menor no rio Grande onde também se pratica garimpo - as maiores áreas são dos empresários Antônio Marques da Silva, o Marquinhos, e João de Deus Braga, conforme o Diário revelou ontem. Após desentendimentos em negociações com os dois últimos, Vicente passou a denunciar a atividade à polícia, o que passou a preocupar os garimpeiros. Em março deste ano, um homem não identificado telefona para o presidente da Federação Nacional dos Garimpeiros, José Alves da Silva, e diz que “pegaram três pedras na área do Vicente” no valor total de R$ 250 mil.
“Agora, o que que nós temos que fazer com essas pedras? Ele tá com negócio de polícia, não sei o quê...”, diz o interlocutor. Alves responde: “É, no momento não, né? Porque é lavra ilegal”. Alcione foi denunciado pelo MPF por receptação qualificada, uso de documento falso e formação de quadrilha. Jararaca e Couto respondem na Justiça Federal por receptação qualificada e formação de quadrilha.
Outro lado
Íris da Mata, advogada de Alcione, Borem e Couto, negou o envolvimento dos três com o tráfico internacional de diamantes. “Eles não têm nem empresa constituída”, alegou. Para ela, o crime de formação de quadrilha “não está bem caracterizado” na denúncia do MPF. “Para isso, no meu entender, deveria haver um vínculo mais forte do que o apontado nos autos.” Sobre a receptação qualificada, criticou a burocracia para a legalização do comércio de pedras preciosas no Brasil. “É tudo muito lento e complicado.”
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