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Morte de motociclista
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São José do Rio Preto, 10 de Setembro, 2010 - 8:00
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Juiz determina que polícia apreenda linha com cerol
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Elen Valereto e Maria Stella Calças
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Ferdinando Ramos
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André Pietro, que morreu na noite de anteontem, andou por 20 metros até cair
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O juiz da Vara da Infância e da Juventude de Rio Preto, Osni Assis Pereira, determinou ontem que a Polícia Militar (PM) apreenda toda linha com substância cortante, como o cerol, em pipas e leve para a delegacia, onde será lavrado Boletim de Ocorrência (BO). A medida foi embasada na morte do motociclista André Pietro, na noite de anteontem, que teve o pescoço cortado por linha de pipa presa ao fio de alta tensão na avenida que dá acesso ao condomínio residencial Quinta do Golfe, na zona sul da cidade.
De acordo com o juiz, a portaria baixada ontem visa a fortalecer a punição ao praticante da “brincadeira” que coloca em risco a vida de terceiros. “A partir de hoje (ontem), a PM irá apreender todas as pipas encontradas com cerol e encaminhar os donos do material para a delegacia. Se for criança, será levada para o Conselho Tutelar, e a família será chamada. O adolescente será levado para a delegacia, os pais serão chamados e um boletim de ocorrência será feito.”
Pereira diz que o objetivo é coibir a prática e evitar que mais vidas sejam perdidas com o uso do cerol. Caso haja reincidência na prática constatada pela PM, o pai do menor que estiver utilizando cerol na linha da pipa poderá ter a prisão decretada de três até um ano. “Os pais são responsáveis por filhos e devem estar atentos às suas ações, por isso, podem ser punidos. Nosso objetivo é normatizar a lei para esse ato infracional, coibir essa prática e resguardar a integridade física e material da população”, explica o juiz.
Quem for flagrado com linhas com cerol poderá ser enquadrado no artigo 132 do Código Penal, que dispõe sobre o perigo para a vida ou saúde de outrem. A pena prevista é detenção de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
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Rubens Cardia
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André Pietro foi enterrado ontem, no cemitério São João Batista, em Rio Preto
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Tragédia
De acordo com informações da PM, o motociclista André Pietro foi a primeira vítima fatal por acidente envolvendo cerol, em Rio Preto. O corpo do rapaz foi enterrado ontem, às 15h, no cemitério São João Batista, em meio à comoção e revolta dos amigos e familiares.
Pietro, que trabalhava em uma ótica da cidade, teve o pescoço cortado, andou por mais 20 metros e tentou pedir socorro, por meio do celular, mas não resistiu e morreu no local. Ele seguia para a casa do pai, morador em um sítio próximo ao local, onde jantaria com a família.
Segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Pietro sofreu hemorragia intensa devido à laceração da traqueia e veias do pescoço. “A noiva do meu filho só chora. No velório, ficava passando a mão no rosto dele. A minha mulher precisou ser medicada. Minha filha e genro estão desconsolados. O patrão de André também não está bem, pois disse que perdeu não apenas um funcionário, mas um filho”, conta o pai de André, Antonio Pietro.
A Lei municipal 10.331/2005 proíbe o uso do cerol em linhas de pipas, e prevê multa de até R$ 100 para o infrator. O problema é que a lei não é fiscalizada e, até hoje, nenhuma autuação foi feita. O parágrafo único da lei determina ainda que “qualquer artefato aerodinâmico que dependa, como suporte, de linha ou fio para a prática de lazer” também está proibida na cidade.
Cabe ao Poder Executivo estabelecer locais apropriados para a atividade, mas após quase cinco anos, nenhum local foi definido. Para o juiz, este é um dever da Prefeitura. “A disponibilização desse local é serviço da administração do município. A população deve cobrar.”
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Ferdinando Ramos
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Linha que cortou pescoço de Pietro estava presa a fio de alta tensão
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Acidente será investigado pelo 5º DP
O delegado João Lafayette Sanches Fernandez, do 5º Distrito Policial, instaurou inquérito policial, ontem, para apurar as responsabilidades da morte de André Pietro, vítima de linha com cerol (mistura de cola com vidro moído ). A prática é proibida e que se enquadra no artigo 132 do Código Penal, que dispõe sobre expor a vida ou saúde de terceiros em perigo direto e eminente - cuja pena é de três meses a um ano de detenção.
À princípio, segundo o delegado, a investigação vai apurar homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar. “A tipificação do crime, no entanto, pode mudar no decorrer do trabalho. “Nesse caso, o dono da pipa pode responder por homicídio doloso - quando existe intenção”, diz.
De acordo com o delegado, o primeiro passo da investigação será realizar uma perícia detalhada, com objetivo de entender as circunstâncias do acidente. Testemunhas do fato, que teriam chamado atendimento médico no local do acidente, começariam a ser ouvidas na tarde de ontem.
De acordo com o coordenador da Guarda Municipal de Rio Preto, José Duarte Dias, falta entrosamento das autoridades públicas para pôr fim à prática de soltar pipas ultilizando substância cortante. Segundo Dias, somente neste ano, foram apreendidas 148 pipas com cerol, mas há dois meses o órgão deixou de encaminhar o material e o boletim de ocorrência elaborado pela Guarda para os distritos policiais. “Eles alegam que a ocorrência está incompleta para configurar o crime do artigo 132, pois faltam a comprovação do ato, o menor e os pais presentes.”
O presidente do Sindicato dos Mototaxistas de Rio Preto, Marco Rogério Fanelli, afirma que em 2010 foram registrados 32 acidentes de trânsito com linha de cerol envolvendo motociclistas profissionais (motoboy, motofrete e mototaxista), em 57 municípios da região. Em todo o ano passado, foram 18 ocorrências.
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Rubens Cardia
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Mototaxista Carlos Alberto de Oliveira diz que antena é frágil: ‘A minha última não durou cinco meses’
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Motociclistas ignoram antena ‘anticerol’
A única forma de evitar acidentes causados por linha com cerol, como o que causou a morte do motociclista André Pietro, 30 anos, anteontem à noite, é o uso da chamada “antena corta pipa”. Trata-se de uma peça presa ao retrovisor, com uma pequena gilete, que consegue cortar fios.
Apesar de ser barato - o preço varia de R$ 8 a R$ 15 -, apenas 20% dos mais de 800 motociclistas profissionais (mototaxistas, motoboys e motofretes) de Rio Preto utilizam o acessório. “Eles alegam que enfeia a moto. Estão mais preocupados com a estética do que com a segurança”, afirma o presidente do Sindicato, Marco Rogério Fanelli.
Nem a Resolução nº 356 do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), que disciplina a instalação desse tipo de antena, conseguiu obrigar os motociclistas profissionais a utilizarem. “A resolução obriga, mas a fiscalização só começa daqui a 180 dias, então ninguém foi atrás de colocar ainda”, afirma Fanelli.
A morte de Pietro foi a primeira causada por linha com cortante (mistura de cola com pó de vidro) neste ano na região. Segundo dados do Sindicato dos Mototaxistas de Rio Preto, foram registrados, até setembro, 32 acidentes nas 57 cidades em que atua. “O rapaz que morreu é o único envolvido que não utilizava a moto profissionalmente. Todos os outros eram da categoria”, diz Fanelli.
Para o representante dos mototaxistas, os pais das crianças e jovens que usam o cerol deveriam ser responsabilizados. “O Ministério Público tinha que processar esses pais, porque é um crime o que esses menores fazem”. Em reunião na manhã de ontem, os integrantes do Sindicato dos Mototaxistas levantaram a possibilidade de pedirem às Câmaras Municipais das cidades da região a criação de leis obrigando as motos zero quilômetro a saírem das concessionárias já com a antena. “Mas eu acho difícil a lei virar, porque deve ser inconstitucional. E a própria resolução do Denatran, na minha opinião, não vai pegar”, afirma Fanelli.
Outro problema na hora de instalar o acessório, segundo Fanelli, é a falta de adaptação da antena para as motos grandes. “Não existe antena para as motos acima de 600 cilindradas”, explica. Paulo Fábio da Silva é mototaxista e não utiliza o acessório de proteção. “Eu já utilizei, mas quebra muito fácil. O material tinha que ser melhor. Não dá para ficar trocando a antena toda hora”, alega.
Quebra
A fragilidade da antena é o argumento mais usado pelos profissionais da área. “Eu uso a antena por proteção, mas ela não dura mais de um ano. Sempre quebra. A minha última não durou cinco meses”, afirma Carlos Alberto de Oliveira. Os que optam por não utilizar o acessório afirmam que sentem medo.
“Já tentei uma proteção que lançaram para o capacete, que cobria o pescoço, mas não durou muito. A gente vive com medo, mas não compensa colocar a antena”, afirma o mototaxista Jorge Fernandes. Segundo Oliveira, depois do acidente de quarta-feira, muitos mototaxistas estão repensando a colocação da antena.
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Guilherme Baffi
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Garoto flagrado pelo Diário soltando pipa com linha chilena
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Linha chilena é preferida
Dois garotos, ambos de 10 anos, foram flagrados ontem pelo Diário, no bairro Jardim das Aroeiras, soltando pipa com a substância cortante conhecida como “linha chilena”. Segundo as crianças, o fio tem maior potencial de corte que o cerol convencional (feito com vidro moído e cola). Elas dizem ter conseguido a linha pegando de outras pipas encontradas caídas pelo bairro.
O pai de um dos meninos, Edimar Honorato, de 31 anos, afirma que compra a linha tradicional para o filho utilizar nas pipas, mas desconhece o cerol e a linha chilena. “Eu compro para ele montar as pipas e brincar, mas não sei reconhecer se há cortante nos fios.” O porta-voz da Polícia Militar em Rio Preto, capitão Nedson Nobre, explica as diferenças entre cerol e linha chilena. Segundo ele, o a linha chilena tem poder de corte cinco vezes maior que o cerol.
“O cerol é uma substância produzida pela mistura de cola com vidro moído que, untada à linha de pipas, transforma-se em perigoso instrumento cortante. A linha chilena é menos comum, porém tem maior poder letal. É uma linha untada com pó de quartzo moído e óxido de alumínio”. Nobre acrescenta ainda que os pais devem sempre acompanhar e fiscalizar os filhos menores nesta prática.
Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital
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COMENTÁRIOS
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Jorge Gerônimo Hipólito
postado em
10/09/2010
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Ao legislativo de Rio Preto uma alerta sobre "A Lei municipal 10.331/2005 proíbe o uso do cerol em linhas de pipas, e prevê multa de até R$ 100 para o infrator. O problema é que a lei não é fiscalizada e, até hoje, nenhuma autuação foi feita". Percebam eloqüentíssimos "Edis" que não basta criar a lei, se não criar condição para que ela seja, efetivamente, cumprida. Diferentemente, da lei que possibilitou os radares; ah, essa sim é sempre cumprida com rigor - talvez, decorrente do retorno positivo aos cofres públicos.
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Afonso Martins Fernandes Neto
postado em
10/09/2010
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1) Linha com cerol ou Cortante, não aguenta mais que 3 dias, por isso a compra da linha 10 tem que ser constante.
2) Geralmente se compra a linha 10 nas imediações de onde se solta a pipa.
Sendo assim, é só orientar os comerciantes que no ato da venda, registre-se o nome, endereço e rg dos compradores, o mínimo esperado com esta atitude é coibir, ou intimidar os meliantes com Cerol. Além do mais, a polícia, ou guarda civil, terá uma base de informações para investigar, com este cadastro, chegar nos meliantes será fácil. E durante as investigações, pra se chegar aos compradores de Linha 10, se passará a imagem, de que há uma fiscalização
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