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Thomaz Vita Neto
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Seu Otávio e dona Leonilda Nizato, devotos de Nossa Senhora
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Todas as manhãs, ao acordar, o escriturário Manoel Cordeiro Filho, 48 anos, atravessa o quarto ainda escuro para se prostrar diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Diante do manto azul da padroeira do Brasil, ele pede as bençãos para começar o dia. Só depois ele acende a luz e segue a sua rotina. “Nossa Senhora Aparecida é uma santa muito querida e atenciosa. Não deixa nenhum fiel na mão. Ela faz parte da minha vida. Sem as bençãos dela, não sou nada”, diz o devoto, que reza diariamente o terço em dedicação à santa e faz questão de assistir as missas dominicais na Basílica Menor de Nossa Senhora de Conceição Aparecida, em Rio Preto. Amanhã, no dia dedicado à ela, o escriturário vai participar da missa e procissão às 18 horas. “Ela sempre socorre a gente em momentos de angústia e também compartilha as alegrias.”
Dona Leonilda Lizicri Nizato é devota desde menina. Aos 15 anos, ela ingressou na Congregação Mariana, grupo católico que tem como padroeira Nossa Senhora Aparecida. “Ela apareceu no rio, negra. É a mãe Jesus e também nossa, pela fé”, diz. “Não tenho outra vida sem amar Nossa Senhora.”
A história da padroeira do Brasil remonta ao século 16. Na primeira quinzena de outubro de 1717, pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves saíram à procura de peixes no Rio Paraíba, em Guaratinguetá. Porém nada conseguiram. Depois de muitas tentativas, as redes trouxeram das águas a imagem da santa, ainda sem a cabeça - que foi pescada em seguida. Segundo a tradição cristã, os peixes nunca mais faltaram. Em Rio Preto, as paróquias Basílica, no bairro Boa Vista, e Nossa Senhora Aparecida, no Maria Lúcia, celebram missa e realizam carreatas e procissões em louvor à santa. Na região, as cidades de Macaubal, Neves Paulista, Nipoã, Jaci e Nova Aliança, que têm Nossa Senhora como padroeira, o dia é considerado de festa. Uma das homenagens mais bonitas será em Mendonça. Uma procissão de barcos vai percorrer o rio Tietê com a imagem da santa. A partida será na prainha da Barra Mansa, às 9 horas. Ela será levada até uma gruta de pedra, que já se tornou local de peregrinação. “Muitas imagens e fotos deixados por lá por fiéis que fazem pedidos ou agradecem”, diz Artur Vignola, que organiza a procissão.
Devoção mirim
No dia das crianças , os exemplos de Nossa Senhora Aparecida, enquanto imagem da mãe de Jesus, serve de guia para pequenos devotos do grupo Frateline, braço da Legião de Maria. Semanalmente, crianças e pré-adolescentes, com idade entre 10 e 13 anos, se reúnem para aprender e viver os ensinamentos bíblicos. “Ela é a nossa mãe, nos ajuda e roga por nós”, diz Ana Luisa da Silveira Barboza, 10 anos. No Frateline, além de rezar, eles assumem o compromisso de ajudar em casa sem ganhar nada em troca e fazer serviços à igreja. Nas missas em louvor à Nossa Senhora Aparecida amanhã, na Basílica, eles vão ajudar na distribuição de folhetos, além de apresentar números de dança.
“Deus escolheu Nossa Senhora. Se não fosse ela, como Jesus ia nascer?”, diz Lucas da Silveira Barboza, 11 anos, para convencer sobre a importância de Maria e todas as outras santas que representam a mãe de Deus. Meninos e meninas, vivenciando a fé, fazem novos amigos e encontram um novo sentido para a própria juventude. Todos eles sonham com o momento em que poderão ingressar no braço juvenil da Legião de Maria, e então visitar idosos em asilos e hospitais. As reuniões acontecem todos os sábados, às 10 horas, na Basílica. Para participar, é preciso ter no máximo 13 anos e já ter feito a primeira comunhão.
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