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São José do Rio Preto, 26 de Agosto, 2010 - 1:50
Vendedor é preso acusado de assassinato

José Luiz Lançoni

Edvaldo Santos
Paul Prandini descreveu à polícia como executou o assassinato
O vendedor ambulante Paul David Bueno de Oliveira Prandini, 20 anos, foi preso na manhã de ontem acusado de latrocínio (roubo seguido de morte) do carcereiro aposentado Augusto Caprio, 69, na última segunda-feira, no Jardim Yolanda, em Rio Preto. Ele disse ao Diário ter premeditado o roubo de R$ 1 mil, mas que não planejava a morte da vítima.

Ele disse ter matado o ex-carcereiro do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) com duas marretadas na cabeça. Os golpes provocaram traumatismo craniano e o homem morreu no quarto da casa onde morava. Prandini, em seguida, pegou uma folha de cheque, câmera digital e celular da vítima e foi embora. Para cometer o crime, o jovem disse ter se passado por vendedor de motocicleta e foi à residência do ex-carcereiro.

Com tranquilidade, Prandini descreveu como executou o assassinato. “Um amigo que vende moto me disse que ele (o aposentado) tinha R$ 1 mil para comprar uma moto. Fingi que era vendedor e fui lá (à casa), só que ele não havia sacado o dinheiro do banco e ainda descobriu que eu não tinha moto. Aí brigamos”, disse o acusado à reportagem do Diário, ao chegar na Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Segundo o delegado responsável pela investigação, José Augusto Fernandes, a identificação do autor do latrocínio contou com a ajuda de imagens gravadas pelo sistema de segurança de um supermercado do bairro, onde a vítima foi na companhia de Prandini, momentos antes da morte.

“Também tínhamos informações anônimas e levantamento da equipe de investigação que permaneceu em campo o tempo todo”, disse Fernandes. O acusado e a vítima foram ao mercado comprar café. Segundo o delegado, o acusado morava sozinho, perto do bairro Monte Serrat, na divisa com Guapiaçu. Na casa dele, a polícia encontrou a roupa que vestia no dia do crime. A bermuda estava com uma mancha de sangue e foi apreendida para perícia. A prisão temporária do acusado foi pedida por Fernandes. O jovem aguarda decisão da Justiça na carceragem da DIG.

Saque

A folha de cheque roubada do ex-carcereiro foi preenchida no valor de R$ 1.270 pelo acusado, que tentou sacar o valor no banco. “Fui ao caixa do banco e me pediram documento. Aí achei melhor deixar quieto e fui embora”, disse Prandini. Vanessa Cristina Caprio, 32, filha da vítima, disse estar abalada e não comentou a prisão do acusado. Para o sobrinho do ex-carcereiro, Elevanio de Sena Silva, 27 anos, a prisão do jovem alivia o sofrimento da família. “Ele (o acusado) está no lugar que deve (na cadeia), pena que isso não trará meu tio de volta”, disse Silva.

Dops foi órgão repressor

O Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo, onde Augusto Caprio, 69 anos, trabalhou como carcereiro, foi o órgão da polícia responsável por ações truculentas de represália a movimentos sociais contrárias ao regime militar, a partir de 1924. Os arquivos do Dops registram atos de censura, perseguição a insurgentes e ativistas políticos, jornalistas e outros suspeitos considerados “subeversivos”.

A unidade foi extinta em 1983, com a implantão do regime democrático. O delegado do Dops na época, Sérgio Paranhos Fleury, respondeu por crimes de tortura e abusos de poder. Segundo Vanessa Cristina Caprio,32, filha de Augusto Caprio, o pai se aposentou há 30 anos e não fazia relatos das experiências vividas na unidade. “Ele falava pouca coisa”, disse Vanessa.

O governo paulista reconheceu, em 2000, as ações e anistiou as vítimas da violência e abusos praticados. Na região de Rio Preto e Votuporanga famílias de vítimas dos agentes do Dops também foram amparadas pela anístia e tiveram direito à indenização.

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