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São José do Rio Preto, 20 de Outubro, 2013 - 1:42
Rio Preto é a capital do fusca

Raul Marques

Hamilton Pavam
O publicitário Eliseu Gomes e a sua mulher, Ana Júlia, não tiveram dúvida: compraram um Fusca por hobby e pintaram o carro com um rosa gritante
Cacilda, Tonico e Niágara têm coisas em comum. São parecidos, ganharam apelidos, circulam pelas ruas com desenvoltura, pertencem a pessoas apaixonadas, carregam no documento o mesmo nome de batismo e ajudaram Rio Preto a conquistar um título na seara automobilística: capital do Fusca no interior de São Paulo.

Na frota rio-pretense existem nada menos que 7.620 exemplares do mitológico veículo, média de um a cada grupo de 56 pessoas. Uma verdadeira Fuscolândia. Na comparação entre as 15 cidades mais populosas do Estado, somente Santo André, nos arredores de São Paulo, tem maior proporção, um a cada 51. A estatística do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) comprova o que o senso comum já detectou: o rio-pretense é apaixonado pelo fusquinha. Quem diria.

Além da medicina, comércio forte, setor de prestação de serviços e ensino superior, Rio Preto pode se gabar de ser referência no ‘carro do povo’, famoso em escala mundial graças ao incentivo fundamental do governo nazista de Adolf Hitler.

Durante 23 anos consecutivos (1959 até 1982), foi líder de vendas no mercado nacional. Estimava-se que três milhões dos 21 milhões de unidades produzidas estão no Brasil. Assim, a veneração é justificada. É estilo de vida, hobby e diversão. Mas antes de tudo, eficiente meio de transporte.

É o que pensa o universitário Rodrigo Dias Cardoso, 19 anos. Há um ano e três meses, comprou o possante, 1980. Não teve dúvidas: batizou como Tonico em homenagem ao avô, admirador do modelo. Cardoso e Tonico são inseparáveis. Vão juntos para todo lugar. Tamanha parceria não poderia terminar de outra forma. O estudante investiu em uma bela turbinada. Só o sistema de som consumiu R$ 3 mil. Também comprou rodas e tela de DVD.

“Virou xodó. Nunca me deixou na mão. O pessoal acha bonito.” Cardoso lembra que aconteceu somente um susto. Certa vez, a porta abriu e quase aconteceu um acidente na viagem. Seu pai quase caiu. No episódio, defende... o carro. “Acho que ele não fechou a porta direito”, brinca. Mas há quem tenha o Fusca principalmente por saudosismo, como o comerciante Sérgio Bassi Júnior, 37 anos. Há 12 anos, mantém um exemplar, batizado carinhosamente de Cacilda. Recebeu o possante, 1962, como presente de um tio, que não sabia o que fazer com ele.

Na verdade, o carro pertencia a uma tia, que faleceu. Por respeito, a família guardou por 12 anos. Depois, resolveu se desfazer. Sem cobrar nada. Só tinha uma condição: manter o nome. “Só para resolver a documentação foram três meses. A reforma durou um ano”, afirma Júnior. Sai da garagem de vez em quando.

Pensou em vendê-lo, mas desiste por livre e espontânea pressão da filha Luísa, 6 anos. “Ela fala que o carro será dela quando tirar a carteira de motorista. Vai pintá-lo de rosa.” O comerciante, que participa de encontros de antigomobilismo, parou de contabilizar o investimento em reformas e melhorias na Cacilda quando atingiu a casa de R$ 15 mil.

Júnior segue o estilo californiano, ou seja, deixa o carro rebaixado e coloca peças diferenciadas, como retrovisor (R$ 800) posicionado no friso e farol de milha amarelo. “Você muda um monte de coisa até chegar aonde quer.” Cacilda já recebeu três jogos de roda, dois motores e duas pinturas.

O empresário Júlio César Dalbello, 30 anos, herdou seu Fusca do irmão. Ia vendê-lo, mas não encontrou valor satisfatório. “Sempre fui simpatizante e aceitei. Comecei a andar e conheci pessoas que gostam. Não vendo de jeito nenhum.” Dalbello afirma que o carro é atual, por mais que o tempo seja implacável. “Ajuda a conhecer muita gente bacana.” O empresário colocou peças de Porsche no fusquinha, batizado como Niágara, em razão da cor original.

Entre os apaixonados, essa prática é chamada de estilo europeu. O advogado Márcio Goulart da Silva, juiz aposentado, é presidente do clube de antigomobilismo de Rio Preto. Afirma que um exemplar fabricado entre o fim da década de 50 e primeiros anos da de 60 vale R$ 60 mil, o mesmo que um de luxo. O preço pode até ser maior. Depende da conservação e originalidade. De fato, o Fusca veio para ficar. Nas ruas, garagens e coração dos apaixonados.


Pierre Duarte
Primeiro carro do universitário Rodrigo Dias Cardoso foi um Fusca, que acabou batizado como Tonico
‘Sonho de Valsa’ já levou até noiva

O casal Eliseu Gomes e Ana Júlia tomou duas decisões ousadas na mesma hora: comprar um Fusca por hobby e pintá-lo de forma especial. A cor escolhida foi o rosa. “A gente queria um carro diferente. Ficamos felizes com o resultado”, conta o publicitário. Com participação fundamental de Luís (irmão de Ana Júlia) e Pascutti (pai), ignoraram o rosa tradicional. A escolha recaiu sobre uma tonalidade gritante.
Não encontraram outro paralelo e o batizaram de Sonho de Valsa. Gomes está com o carro, ano 1972, há seis anos. Tem outro veículo para circular. Sonho de Valsa só vai para a rua em ocasiões especiais. Não passa incólume pelo trânsito. As brincadeiras são inevitáveis. “Nem ligo. Não tenho vergonha. Tiro de letra. Na maioria das vezes, o pessoal elogia e pede para tirar foto”, lembra o publicitário, 39 anos.

Certa ocasião, Gomes circulava e percebeu uma mãe desconhecida tentando acalmar, sem sucesso, o filho pequeno. Ele chorava copiosamente. Ao avistar Sonho de Valsa, a mulher não teve dúvida: apontou para o veículo. “O menino parou de chorar na hora. Ainda recebi um obrigado.”. Já levou duas noivas ao altar.

O carro custou R$ 1,3 mil. Era azul e estava praticamente destruído. Hoje, no entanto, vale muito mais. As reformas, mimos e melhorias consumiram R$ 12 mil. Desse modo, desperta a cobiça alheia. “Já perguntaram se eu vendo. Ofereceram até um Corolla em troca. Não quis. Sonho de Valsa é um xodó da família.”

Brincadeira foi criada há um século

Além de suscitar paixões avassaladoras, o carro do povo também tem o poder de interferir no humor. Afinal, quem nunca brincou de Fusca azul ou pelo menos presenciou a cena? Comum na infância, é praticada sem qualquer restrição de idade. É muito simples. Ao avistar um carango com a referida cor, grita-se “Fusca azul”. Assim que a legalidade do ato é reconhecida, o autor tem o direito de desferir cascudo, cocorote, tapinha, piparote ou peteleco em quem participar. Sem violência.

Caso contrário, não se trata de pilhéria. O que pouca gente sabe é que a brincadeira existe há quase um século. Reza a lenda que tudo começou em 1920, com Henry Ford, o pai da produção em massa. O fabricante de veículos teria ficado indignado com uma falha em sua linha de produção e desferido um tapa em quem que cometeu a falha.

Na época, era comum produzir carros pretos. Ao fiscalizar um lote que acabara de ficar pronto, notou que os modelos eram em azul escuro. Não teria suportado tamanha falha e acertou as costas do funcionário responsável pela pintura e que, portanto, errara a mão.

Ford detestou tanto o azul que nem tentou vendê-los. Restritos, só circulavam na fábrica. A história ficou famosa. Os gaiatos aproveitaram. Toda vez que os funcionários avistavam os exemplares, imitavam o chefe, com um tapa em quem encontrassem. Ninguém sabe, no entanto, porque o Fusca foi adaptado para a galhofa. Afinal, poderia ser com Kombi, Passat, Escort, Belina azul ou qualquer outra marca.

Guilherme Baffi
O empresário Júlio César Dalbello, 30 anos, herdou o Fusca do irmão e se apaixonou pelo carro; colocou peças de Porsche e batizou-o de Niágara
Apaixonados pelo carro se encontram

Aficionados por Fusca não se contentam em possuir exemplares nas garagens. Gostam de se reunir com pessoas que compartilham a mesma paixão para trocar ideias, reforçar os laços de amizade e se divertir. O VW Clube de Rio Preto promove encontros todo sábado (em QG próprio) e domingo (posto de combustível na avenida Bady Bassitt). Reúne 50 donos de veículos da Volkswagen, sobretudo Fusca. Grupos de amigos se encontram com o mesmo objetivo.

O alinhador Gabriel Domingues Abrantes, 26 anos, é membro do clube. “A gente conversa e se diverte.” Há sete anos tem o carro, que pertencia ao avô. Parou de contabilizar os gastos com seu fusquinha em R$ 17 mil. Procede a velha máxima de que para consertar um Fusca basta um alicate e um pedaço de arame. “Não dá para resolver tudo, mas um monte de coisa.” Detalhe que só aumenta a veneração.




Guilherme Baffi
Ampla reforma no Fusca, ano 1962, de Sérgio Bassi Júnior, durou um ano
Nova versão sai pela bagatela de R$ 88 mil

O Fusquinha tem fama mundial. A história de sucesso, no entanto, sempre foi entrecortada de idas e vindas e descontinuações. No fim do ano passado, o fabricante lançou o novo e moderno Fusca. O famoso carro do povo não é mais da plebe. O modelo mais barato da nova safra sai pela bagatela de R$ 88 mil. Mas chega a R$ 167 mil, o top de linha. O veículo se enquadra na categoria premium, ou seja, direcionado para um público seleto, fã de novidade e que não liga para cifras.

Trinta rio-pretenses já circulam pelas ruas com o carrão. Entre os itens especiais, destacam-se câmbio com seis marchas, bancos bicolores, som exclusivo Fender, o mesmo da fábrica de guitarras, motor 2.0 e 200 cavalos de potência. Alcança 210 km/h de velocidade. É direcionado para todos os públicos, sobretudo o jovem.










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