Noticias Cidades - Manifestações reúnem pais e filhos- Diarioweb
Cidades
 
Nova geração
São José do Rio Preto, 27 de Junho, 2013 - 1:50
Manifestações reúnem pais e filhos

Daniela Penha

Pierre Duarte
Júnior e o pai, Plínio, com cartaz da época da “Diretas Já” guardado como troféu das manifestações que mudaram a história do Brasil
Já no primeiro dia de protestos em Rio Preto, terça-feira retrasada, 11, um detalhe chamou a atenção. Entre os manifestantes havia também pais e filhos segurando o mesmo cartaz e marchando juntos. São pais que foram às ruas entre os anos de 1960 e 1990 gritar pelas Diretas Já, Fora Collor, protestar contra a repressão e que viraram exemplos aos jovens de hoje. Para esses pais e seus herdeiros o engajamento político é questão de berço.

Nos anos de 1970, quando morava em São Paulo, o procurador da Justiça Plínio Gentil, 56 anos, saiu às ruas pelo movimento estudantil da PUC (Pontífice Universidade Católica). Em 1984, voltou a se juntar aos manifestantes que queriam "Diretas Já" e logo se filiou a um partido. Hoje, morador de Rio Preto, além de guardar camisetas e cartazes de sua época de militante, Plínio apoia e acompanha os filhos na onda de manifestações nacionais.

Roberta e Plínio Júnior, gêmeos de 18 anos, têm o apoio do pai para manifestar. A jovem mora em São Paulo e sai pelas ruas de lá. Júnior, que mora em Rio Preto, participa dos protestos por aqui. "Eu fico muito feliz de ver que meus filhos conseguem enxergar além da cortina de fumaça que bagunça nossa visão. O movimento deles é legítmo”, diz o pai.

Zenaide de Martini, 66 anos, manifestou em silêncio em um tempo em que falar era passível de morte. “Na ditadura, eu morava e estudava em São Paulo. A gente tinha que conversar sobre política escondidos, ler sobre o comunismo e depois esconder as revistas. Era uma época de medo”. O filho de Zenaide, o advogado Davi de Martini, é um dos manifestantes de Rio Preto e tem todo o apoio da mãe. “Eu estou muito orgulhosa, principalmente de ver que a geração dele pode falar o que pensa.”

Aurélio Melo, psicólogo e supervisor do curso de graduação em psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, vê como um fenômeno inédito para a sociedade a forma como as diferentes gerações estão em sintonia nesta onda de manifestações pelo País.

“Na década de 60, o que se via era uma juventude contra tudo e contra todos”. Ele ilustra com a música “Como os nossos pais”, da Elis Regina, que, na sua visão, é uma crítica à falência dos movimentos. “Hoje, diferente daquela época, temos uma geração de jovens contra a precaridade dos serviços e que traz as gerações anteriores para o protesto. Os mais jovens estão moldando comportamentos. Isso é inédito”, analisa o professor.

A onda de manifestações traz gritos de protestos que estavam engasgados havia anos não só pelos jovens, mas também pelos pais que passaram por um jejum de décadas sem grandes reivindicações. “Nossos pais são nossos primeiros modelos. A gente internaliza esses modelos”, diz Aurélio.

O psicólogo ainda levanta a reflexão sobre a quebra do silêncio, celebrado por Zenaide. “A gente superou totalmente essa etapa do silêncio. É impossível calar uma pessoa numa época em que vivemos a supremacia do eu. A falta de foco criticada nas manifestações acontece porque o que se tem nas ruas é um monte de ‘eus’ gritando.”

Como afirma a letra da música de Elis Regina, no entanto, mesmo longe da truculência da ditadura, há perigo na esquina. O protesto que ocorreu em Rio Preto na última terça-feira trouxe um exemplo: a minoria violenta que decidiu vandalizar o Terminal Rodoviário e agrediu jornalistas, enmquanto a Polícia Militar apenas observava, distante.

Hamilton Pavam
Sílvia Vasconceloz, a filha Ana Carolina e os netos Felipe, 2 anos, e Gustavo, 11 anos
‘Estamos aqui por eles’

Em frente à Câmara de Rio Preto, no manifesto desta terça-feira, três gerações se encontraram. Sílvia Vasconceloz, 51 anos, acompanha a filha Ana Carolina de Vasconceloz, 30, e os netos Felipe, 2 anos, e Gustavo, 11 anos. A vontade de mudar começou nos anos de 1960, quando Sílvia era uma universitária e morava em Brasília. “Participei nas “Diretas Já” e em muitas outras manifestações que o pessoal da faculdade organizava”, conta Sílvia.

Ela considera que reivindicar garantiu o futuro da filha Sílvia e agora vai garantir o futuro dos netos. “Nós estamos aqui por eles”, contou durante a manifestação. A filha Sílvia, que é professora de uma escola particular, concorda. “Eu quero que meus filhos possam um dia contar com a saúde e educação pública”. Sílvia lamenta a repressão que, na sua opinião, continua quase a mesma de décadas atrás. “A polícia continua tentando impedir as pessoas de manifestar. Foi assim antes e é agora”.

‘Meu pai herdou tudo isso’

Na família de Rose Longhini, os protestos já alcançaram cinco gerações. O avô dela era comunista, passou a política para o pai, que passou para Rose, que repassou para seus filhos, que já repassam para os seus netos. Ainda crianças, Juan, 8 anos, e Guilherme, 9 anos, participam do “#vergonhariopreto” com a avó e a mãe.

Comunista, o trisavô dos pequenos Juan e Guilherme vivia em Tanabi e sofreu perseguição política na época da ditadura. "Ele fugia para Cardoso e ficava três, quatro dias sumido", relembra Rose
"Meu pai herdou tudo isso e tinha atuações diretas na política. Eu cresci na política".

Rose participou do "Diretas Já", que aconteceram quando ela morava no interior do Mato Grosso do Sul. Hoje, faz parte do movimento "Basta de Corrupção", participou da "Marcha das Vadias" e também atua no "#vergonhariopreto" e nas manifestações recentes. A filha, Yana Longhini, 29 anos, agradece a herança.

Guilherme Baffi
Rose Longhini e a família
‘Estava com saudade da sua’

Na primeira manifestação em Rio Preto, Alcides Alves Júnior, 45 anos, foi para a Andaló com a mulher e o filho, Marcos, de 15 anos, usando nariz de palhaço. O sentimento que dominou o momento, ele contou no dia, foi a nostalgia. “Eu participei do ‘Diretas Já’, do ‘Fora Collor’ e estava com saudade da rua. É só assim que a gente consegue a democracia.”

Depois desse dia, a família continuou acompanhando as mobilizações e participando das manifestações. O pai considera que o exemplo e o engajamento político desde cedo garantem que Marcos cresca com senso crítico. “É só assim que ele vai conseguir criar uma mentalidade crítica em relação às coisas que acontecem na nossa sociedade.”

O filho mostra que concorda, participando ao lado do pai das mobilizações. “Se os governantes não fizerem nada, essa juventude vai parar o País. Nós temos mesmo que pressionar os prefeitos, vereadores, presidente, todos os governantes.”

‘Hoje o povo fala o que quer’

Zenaide de Martini, 66 anos, comemora as manifestações recentes como a comprovação da liberdade de expressão. Uma liberdade que ela não conheceu quando jovem. “A gente tinha muito medo. A diretora do centro acadêmico na faculdade sumiu por dias e foi torturada. A gente não podia falar o que sentia”, relembra ela, com pesar. “Hoje, o povo fala o que quer e eu estou vendo tudo isso com orgulho”, e se alegra.

É com esse orgulho que ela apoia o filho Davi de Martini, 31 anos, a participar das manifestações atuais. “Eles têm que lutar pelos direitos deles.” Davi participa das manifestações em Rio Preto de maneira ativa e também faz parte do “#vergonhariopreto”. “Eu agradeço muito a essa formação que eles me deram, tanto que tornei advogado, para lutar por direitos”, disse Davi, que garante repassar a herança aos filhos e netos. “Nós precisamos ensinar os nossos filhos a lutar pelos direitos deles”.

‘Dá orgulho de ver meus filhos’

Plínio Gentil, 56 anos, guarda em casa, como troféus, os cartazes e camisetas usados nas manifestações que participounos anos de 1970. Ele morava e estudava em São Paulo e esteve presente no momento histórico da invasão da PUC (Pontifícia Universidade Católica). Também foi às ruas pelas “Diretas Já” e no “Fora Collor” e, depois, se filiou ao Psol, como forma de manter laços com a política. Hoje, vai para as ruas de Rio Preto com o filho Plínio Júnior e apoiou que a filha Roberta, 18 anos, no manifesto em São Paulo, onde mora. “Dá orgulho de ver meus filhos reivindicando direitos.”

Ele pontua que a falta de foco que se vê hoje nas manifestações é uma diferença dos protestos do passado, mas não critica. “É o preço do começo das coisas. Ninguém imaginava que era possível colocar uma multidão nas ruas, e foi”. Os filhos agradecem a herança do pai. “Saber que meu pai participou de um movimento que teve sucesso faz com que eu tenha experiência e acredite que pode dar certo", diz Plínio Júnior.


Quer ler o jornal na íntegra? >> Acesse aqui o Diário da Região Digital

 
     
24 de Novembro, 2013
Trem descarrila, atinge casas e mata oito pessoas
 
17 de Janeiro, 2010
Arrependidos pagam até R$ 2 mil para retirar tatuagem
 
27 de Dezembro, 2009
Programa rende R$ 8 mil para universitárias
 
18 de Janeiro, 2010
Temporal mata duas pessoas em Rio Preto
 
19 de Janeiro, 2014
O renascimento do locutor Asa Branca
 
 
› 29/08 Guarda treina agentes para atuar contra o crack
› 29/08 Operação apreende mais de 20 quilos de drogas
› 29/08 Escritório de jornalista é incendiado em Catanduva
› 29/08 Cabos eleitorais brigam por cavalete
› 29/08 Diário sorteia o vencedor da assinatura premiada
› 29/08 Rapaz é preso com 12 pedras de crack
Leia mais sobre Cidades
Brasil protestos ruas manifestação corrupção Rio Preto
 
 
DiarioLeaks
Revista Vida e Arte
Negócios em Pauta
Condominium
Imóveis
(17) 4009-3333
Locall
Imóveis
(17) 3355-1090
 
 
Bemac
Máquinas de costura
(17) 3234-3687
Home | Institucional | Economia | Cidades | Geral | Esportes | Saúde | Política | Estradas | Tecnologia | Educação | Meio Ambiente | Sirva-se | Olá | Opinião | Artigos | Editorial | Opinião do leitor | Classificados | Divirta-se | Atendimento | Promoções | Fotojornalismo | Vídeos | PodCasts | Blogs | RSS | Jornal na Educação
Diarioweb® Todos os direitos reservados // Atendimento Design e desenvolvimento MagicSite