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A história de Valô
São José do Rio Preto, 20 de Julho, 2012 - 1:50
Ex-goleiro do América vira morador de rua

Raul Marques

Sergio Isso
Valô, ex-craque do América: "Tenho o sonho de voltar a trabalhar com futebol"
Com 18 anos, Álvaro Piotto, o Valô, deixou a mãe aos prantos no portão de casa, em Bariri, e se mudou para Lins para realizar um sonho: ser jogador de futebol profissional. Rapidamente o goleiro de 1m87 se destacou, chamou a atenção do América e foi contratado.

O estilo durão cativou a torcida, que o alçou ao posto de ídolo. Disputou jogos contra os grandes times do Estado e foi convocado para a Seleção Brasileira pré-olímpica. A chegada ao topo, no entanto, não garantiu um futuro tranquilo. Aos 56 anos, ele não tem moradia e perambula pelas ruas de Rio Preto.

Há três semanas, deixou a casa da filha, onde morava de favor, após desentendimentos. Dormiu ao relento na praça atrás do Cristo Redentor, na Maceno. Passou frio e diz que se sentiu sozinho. Também enfrentou noites em claro na rodoviária. Não fechou os olhos com medo da violência.

Graças a um amigo, que emprestou dinheiro, dormiu parte dessa semana em um hotel popular no Centro. Come quando ajudam. Hoje, ele viaja para visitar a mãe, Maria Elza. Depois, não tem destino. Nem sabe se volta para Rio Preto. Toda a sua história cabe em apenas uma mala pequena.

É o último (até agora) e mais doloroso capítulo de uma vida de dificuldades financeiras. “Tenho esperança de que vou sair dessa. Sempre tentei ser o melhor, sem pisar em ninguém. Hoje não tenho nada.” Valô se emociona ao falar do passado e das dificuldades do presente.

A entrevista foi concedida em um canto da praça da Maceno. Vestia calça, camisa, um blusão e tênis sem meia. De forma invariável, seus olhos miravam o chão ao falar. O sorriso é contido. Tem poucos dentes. Começou no Linense em 1976. Aceitou o convite porque pensou que seria possível investir na educação. Paralelo ao futebol, iniciou o curso de educação física. Mas largou a graduação no segundo semestre quando se transferiu para o América, onde ficou de 1978 a 1985. Nunca mais pegou em livros.

Teve os melhores e piores momentos da carreira em Rio Preto. Sofria contusões com frequência, sobretudo no púbis e joelhos. Antes dos jogos, era comum receber injeções de medicamentos, as chamadas infiltrações. Ficou um ano e oito meses parado. Buscou tratamento sozinho em São Paulo.

“Pensei em fazer besteira. Achei que não jogaria mais. Nesse aspecto, o América não ajudou. Mas não tenho raiva do clube. Foi um tempo ótimo. Jogador não ganhava muito. Só dava para se manter. Jogava pelo prestígio e prazer. Não tem dinheiro que pague isso.” O álcool entrou na vida de Valô e sempre esteve presente nos períodos difíceis. O ex-atleta diz que tudo começou a dar errado quando ele perdeu pai, irmã e um irmão no intervalo de um ano. Sofreu depressão e bebeu bastante. “De vez em quando tenho recaída.”

Ivo Pirani/Arquivo
Valô entra em campo pelo América: ídolo da torcida e de bem com a vida


O auge da carreira foi a convocação para a seleção pré-olímpica. Durante três meses, treinou com Taffarel, Dunga e Mauro Galvão, que tiveram sucesso no futebol. Valô disputou quatro amistosos, um deles no estádio Maracanã, mas foi cortado da delegação. Quase disputou a Olimpíada de Los Angeles (EUA), em 1984. O Brasil conquistou a medalha de prata. Ganhou prêmios de emissoras de rádio local e da Capital, como chuteiras de ouro (1978 e 1982) e prata (84). Tinha estilo que lembra o goleiro do Santos Fábio Costa.

“Ninguém gostava de jogar contra a gente. Tinha que suar a camisa para nos derrotar. O estádio Mário Alves Mendonça era o caldeirão do Diabo.” Valô gostava de enfrentar o Palmeiras, seu time do coração. Por ironia, era a partida em que mais recebia elogios. Não facilitava.

Gostava tanto do América que jogou contra o Corinthians com um dedo da mão quebrado. “Fazia de tudo para o clube não cair. Jogava pela camisa”, disse às lágrimas. Também atuou no Criciúma (SC), Votuporanguense, Catanduvense e Olímpia, onde encerrou a carreira, aos 32 anos, no final dos anos 80.

Após largar o esporte, trabalhou como representante comercial de empresas de tintas. Teve vários empregos, mas não deu certo. Encerrou um casamento que gerou dois filhos. Tem um irmão vivo. Mas revela problema de relacionamento com os familiares. “Tenho sonho de trabalhar com futebol. A vontade é de repassar a experiência. O maior orgulho foi ter jogado no América. Pode acontecer tudo na minha vida, mas tenho certeza de que fiz parte de uma importante história.”









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Fonte: Colaborou Edwellington Villa
 
     
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