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São José do Rio Preto, 29 de Janeiro, 2012 - 1:45
Espetáculos encerram o Janeiro Brasileiro da Comédia

Vívian Lima

Divulgação
Cena de “A Bilha Quebrada”, da Cia. Razões Inversas: “A comédia permite refletir sobre as coisas com visão crítica”, diz ator
A corrupção no Judiciário aparece hoje no Janeiro Brasileiro da Comédia (JBC). Mas um assunto desse é motivo de riso? Para a Cia. Razões Inversas, de São Paulo, o espetáculo “A Bilha Quebrada” motiva não só a diversão, mas também a reflexão. “A peça provoca o riso, mas não quer dizer que seja alienante. A comédia permite refletir sobre as coisas com uma visão crítica, ácida. Ri aquele que entende, vê, julga”, diz Paulo Marcello, ator e fundador do grupo.

O texto da peça, escrito no início do século 19 pelo alemão Heinrich von Kleist, mostra a história do juiz Adão, homem corrupto que manda e desmanda em um vilarejo holandês. Ele é, ao mesmo tempo, juiz e réu de um crime que tumultuou o local. A primeira montagem de “A Bilha Quebrada” é de 1993. Naquela época, a peça ficou quatro anos em cartaz. No ano passado, a Cia. Razões Inversas retomou o trabalho para comemorar os 21 anos de existência do grupo.

No elenco, além de Marcello e Joca Andreazza, que participaram da montagem dos anos 1990, estão Lavínia Pannunzio, Maria Stella Tobar, Renata Araújo, Regina França, Washington Gonzales, Júlio Machado e Gonzaga Pedrosa. “Na segunda montagem, a estrutura é basicamente a mesma, mas ganhamos em qualidade”, diz Marcello, fazendo referência à maturidade conquistada pelo grupo ao longo dos anos. E a qualidade foi reconhecida. Andreazza e Lavínia levaram prêmios de melhor ator e atriz em 2011, pela Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA).

Hoje, a companhia apresenta em Rio Preto uma peça que fala do uso do poder para chantagear, assediar, mas sob o ponto de vista cômico. Em 2010, o grupo mostrou uma faceta totalmente diferente, no Festival Internacional de Teatro (FIT), com “Anatomia Frozen”, uma trama bastante tensa, num clima gélido. Como é transitar ente duas esferas tão distintas? “Para nós, não interessa fazer teatro se não falarmos de coisas que estão a nossa volta. E tanto a tragédia como a comédia possibilitam isso”, diz Marcello.

Guilherme Baffi
“A Farsa do Advogado Pathelin”, encenada na rua: peças a céu aberto tiveram boa aceitação


Para o ator, acreditar que a comédia não é capaz de abarcar temas importantes é uma ideia errônea. “Há também outros dois chavões: o primeiro é de que a comédia é algo inferior e o segundo é de que só a comédia tem apelo comercial. São visões equivocadas.”A Cia. Razões Inversas apresenta “A Bilha Quebrada” hoje, penúltimo dia do Janeiro Brasileiro da Comédia, em duas sessões: às 19 e 21 horas, no Teatro Municipal.

Já amanhã, o encerramento do JBC será com o Grupo Os Geraldos, de Campinas. Eles desembarcam em Rio Preto com “Hay Amor!”, também com sessões às 19 e 21 horas, no Municipal. O espetáculo estreou em 2009, mas trata de um tema atemporal - o amor e as questões que o rodeiam. A peça se passa em uma cidade do Interior e as histórias dos diversos personagens em algum momento se cruzam. “Falamos sobre a dificuldade e o grande milagre que é amar. A peça se vale dos clichês amorosos, do brega”, conta o ator Douglas Novais, coordenador de Os Geraldos.

Ele explica que o espetáculo é fortemente apoiado na música. “O amor é sempre acompanhado de uma música. Usamos muitas, desde as dos anos 1970 até as dos anos 2000.”A direção de “Hay Amor!” é assinada por Verônica Fabrini, que foi professora dos integrantes de Os Geraldos no curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e convidada para participar do projeto do espetáculo. Segundo ela, a questão principal do trabalho é encontrar o ponto certo entre os momentos cômicos, de absurdo, com o avesso disso, que é o da compreensão e reflexão acerca de algumas situações.

“Não significa que ficamos sérios, mas após a gargalhada o mundo aparece claro, na sua fragilidade.” E segue: “Ver a plateia rindo vira quase sinônimo de que ela está gostando, mas a questão é o que vamos deixar de transformação na plateia.”

Juliana Hilal/Divulgação
“Hay Amor!”, da Cia. Os Geraldos, de Campinas, fala do amor e das questões que o rodeiam
Interesse pela formação

O 10º Janeiro Brasileiro da Comédita termina amanhã. Para o secretário de Cultura, Antonio Carlos Parise, o JBC “foi altamente positivo. Tivemos plateias lotadas.” Na opinião do secretário, as peças de rua também foram bem recebidas pelo público.

A coordenadora da Oficina Cultural “Fred Navarro” (que abrigou as atividades formativas do JBC), Mara Lima, afirma que a procura pelos workshops também foi significativa. Cada atividade teve entre 20 e 25 participantes. Em 2011, segundo Mara, cada oficina teve, em média, 15 pessoas. Para ela, o caráter prático das atividades atraiu o público.

A data final do JBC coincide com o dia em que o Teatro Municipal completa 39 anos. O evento nasceu em 2003 em comemoração aos 30 anos da casa de espetáculos. Hoje, além de “A Bilha Quebrada”, a mostra conta com “Barca do Inferno”, do Grupo Teatral Athos, às 17 horas, na Represa.

Serviço

A Bilha Quebrada, hoje, às 19h e 21h, no Teatro Municipal. Hay Amor!, amanhã, às 19h e 21h, no Teatro Municipal. Ingresso com distribuição gratuita uma hora antes das sessões


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