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Diversão garantida
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São José do Rio Preto, 23 de Janeiro, 2011 - 1:45
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Janeiro Brasileiro da Comédia: rir faz bem à saúde
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Francine Moreno e Daniela Fenti
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Thomaz Vita Neto
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Atriz Antonia Vilarinho em “As Caixas, as Trouxas e a Fronha”
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Eles contam piadas. É um tipo bastante conhecido de fazer teatro: o destinado ao riso. No começo, é divertido, hilariante e no final contagiante. Assim são algumas das características dos grupos que integram a grade do Janeiro Brasileiro da Comédia, festival de teatro cômico que segue até dia 30 em vários pontos de Rio Preto. Só em olhar para a cara dos integrantes das companhias dá vontade de rir. Talvez essa seja a forma do riso surgir tão fácil. Além de entreter, esse riso vai além da simples gargalhada: é uma terapia. Rir cura doenças e equilibra o organismo.
Médicos em todo o mundo afirmam que rir traz inúmeros benefícios para a saúde. É incrível, mas as risadas já mudaram a vida de muitos. Os mais animados podem até perder peso. Rir, até sem motivo, atua no sistema imunológico, prevenindo males, e age diretamente contra alguns dos maiores causadores de doenças do nosso tempo: o estresse. O riso é também um excelente exercício respiratório. Todo o ar que fica retido é liberado, oxigenando totalmente as partes mais profundas do pulmão.
O advogado Marcelo Pinto, conhecido como “Dr. Risadinha”, levou o assunto tão a sério que lançou o livro “Sorria, Você Está Sendo Curado!”. O autor defende a ideia de que o humor é o segredo para uma vida mais leve. Sua regra diária é deixar de lado a cara marrenta, esboçar um sorriso e, se se sentir à vontade, soltar uma baita gargalhada.
O autor conta no livro que o riso atua no hipotálamo, localizado no cérebro, ajudando na liberação de endorfinas que anestesiam o corpo e têm efeito anti-inflamatório. E o riso, além de exercitar músculos do rosto, faz com que se exercite ombros e diafragma.
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Thomaz Vita Neto
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A vendedora Adriana Martins, 35, e o marido, o mecânico Fernando da Silva, 27, divertem-se
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A experiência do riso é uma aliada importante no tratamento de algumas doenças. A médica Orfa Yineth Galvis Alonso, chefe de disciplina de fisiologia da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), cita o exemplo de estudos que comprovaram que pacientes com diabetes tipo II, após assistirem a comédias e experimentar o riso, sua glicemia diminuiu. De forma similar, pacientes com câncer e demência apresentaram melhoras de seus sintomas após assistirem a vídeos que geravam riso. “As crianças que precisam de procedimentos médicos que geram dor apresentam uma melhor tolerância a essa sensação quando expostas a vídeos que causam riso”, conta, em sobre a experiência com os pequenos.
A fisiologista explica que a forma como o riso age no corpo não é bem conhecida. Sabe-se apenas que ele atua em vários sistemas ao mesmo tempo. Um deles é o sistema do estresse, que envolve o cortisol e a adrenalina. “Essas moléculas são necessárias para nossa sobrevivência. Entretanto, quando são produzidas em excesso, podem contribuir com a geração de algumas doenças, como a depressão.” Orfa explica que o ser humano apresenta uma diminuição significativa dessas substâncias após a exposição a comédias e à expressão do riso. “Pessoas que sofrem de depressão apresentam melhora substancial de sua doença quando são tratadas com terapia do riso”, afirma.
O ataque de riso também proporciona uma sessão de ginástica, pois trabalha o abdômen, as pernas e os músculos das costas. De acordo com o neurocirurgião e coach do Centro do Cérebro e Coluna e professor da Famerp, Eduardo Carlos da Silva, o riso estimula vários agrupamentos musculares da face, tórax, abdômen, coluna e membros. “Quanto mais tempo uma pessoa sorrir, mais exercício faz. Isso possibilita, além do relaxamento, a queima de calorias e emagrecimento.” De acordo com o especialista, a vantagem de dar boas gargalhadas é que, passada a euforia, os músculos relaxam-se totalmente. “O riso promove em sua fase inicial a contração de inúmeros músculos simultaneamente. Cessada a euforia, há um relaxamento automático”.
Geraldo Possendoro, professor de medicina comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), lembra que tanto o sorrir quanto o gargalhar de forma espontânea movimentam os músculos da boca e dos olhos. “Numa metáfora, sorrir de forma autêntica é também sorrir com o olhos”.
Quando você sorri, usa o diafragma, e respirar usando predominantemente o diafragma leva ao relaxamento, uma das formas mais eficazes de reverter sintomas físicos da ansiedade - transpiração, taquicardia, aumento do tônus muscular e respiração. “Sem saber que está fazendo, acaba revertendo isso ao seu favor e dá a sensação de ‘lavar a alma’, que tanto se diz.”
Depois de introduzir o humor na rotina de recuperação de seus pacientes convalescentes, Hunter Patch Adams, médico e pesquisador americano, notou queda no consumo de medicamentos contra a dor. Carlos da Silva concorda com o estudo. “Na avaliação diária dos pacientes com dor, observa-se que aqueles que apresentam bom humor são otimistas, altruístas e mais espiritualizados, tornam-se mais resistentes a dor e consequentemente necessitam de menos analgésicos.”
Assim, explica o neurocirurgi-ão, o bom humor atua no sistema imunológico por meio da produção de imunoglobulinas, que são responsáveis pelo aumento da imunidade ao combater agentes patológicos que entram em contato com o organismo, como bactérias, vírus e fungos. “Normalmente, as pessoas alegres, sorridentes apresentam sistema imunológico mais fortalecido e, portanto, mais resistente a doenças.”
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Thomaz Vita Neto
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Nandréa Pereira Borges Guimarães, 35, chora de tanto rir
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Teatro ajuda a sair da rotina
Não é preciso ter conhecimentos científicos para sentir que a melhor receita para rir é sair da rotina.
A peça “As Caixas, as Trouxas e a Fronha”, do grupo Cara de Anjo, é prova disso. Durante a abertura do Janeiro Brasileiro da Comédia, na última quinta, na Escola de Competências (ECO) Santo Antônio, a atriz Antonia Vilarinho começou tímida, assim como seus espectadores de sorrisos amarelos. Mas conseguiu fazer parte da plateia chorar de rir na cena final, em que escolhe um jovem da primeira fila para ser seu par romântico.
A vendedora Nandréa Pereira Borges Guimarães, 35 anos, mora no bairro e foi uma das que mais se divertiram. Ela conta ter ficado com vergonha de comer o cuscuz oferecido pela artista, mas não resistiu ao convite para estar no palco improvisado no fim da peça. “O teatro é relaxante. A gente se desliga dos problemas do dia”, diz.
Quem compartilha dessa opinião é o pedreiro aposentado Osvaldo Missoli, 80 anos, que levou o neto Thiago Ferrari, 9, para assistir ao primeiro espetáculo da vida dele. “Sempre gostei de Mazzaropi, de palhaços e de tudo que torna a vida da gente mais alegre. Rir ajuda a viver”, filosofa.
“Sempre saímos com a energia renovada”, diz a vendedora Adriana Martins, 35, que foi à peça acompanhada do marido. A fisioterapeuta Erica Bueno de Oliveira, 30, também foi para casa com outro astral. É o terceiro ano em que ela segue o festival. “Nessa época, troco bares pelo teatro. Pretendo ver todas as peças.”
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