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São José do Rio Preto, 19 de Janeiro, 2010 - 0:10
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Projeto teatral realiza apresentações online ao vivo na internet
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Alessandra Fratus/Divulgação
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Lourenço Mutarelli e José Mojica Marins (o Zé do Caixão) em cena da segunda temporada da antinovela “Corpo Estranho”
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Lotar um teatro depende de algumas variáveis além de bons atores e texto: trânsito, condições de tempo, compatibilidade de agenda com os horários pessoais de cada espectador, preços de ingressos... a lista não é pequena. Pode-se ter 100 pessoas em um dia, duas no outro, cinquenta na apresentação seguinte.
Essa instabilidade de público inquietou a atriz e diretora Renata Jesion a ponto de levá-la a desenvolver, em parceria com a companhia Auto-Mecânica, em São Paulo, uma iniciativa que levasse a experiência teatral para além das barreiras de tempo e espaço. O resultado é o site “Teatro para Alguém” (www.teatroparaalguem.com.br), que faz do palco a própria casa e da plateia milhares de anônimos que ficam atrás de monitores de computadores nos mais diferentes locais do Brasil e do mundo.
O projeto vem ganhando projeção aos poucos, mas já começa a colher alguns frutos: disputa o Prêmio Shell de Teatro, na categoria Especial. O site concorre pela inciativa da criação cênica via internet contra a Cia do Tijolo (pela pesquisa e criação do espetáculo “Concerto de ispinho e fulô”) e a Cia. São Jorge de Variedades (pela pesquisa e criação do espetáculo “Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está, precisa se mexer”).
“Estar em cartaz em um teatro convencional é muito prazeroso e nunca deixaremos de fazer isso, mas por meio de uma via como a internet podemos nos comunicar com muito mais gente. Tudo é feito na sala da minha casa, que foi preparada para ser o palco de todas as estreias’”, afirma a atriz, diretora e uma das idealizadoras do projeto, Renata Jesion.
O “Teatro para Alguém” estreou a primeira produção em 27 de novembro de 2008, com a apresentação da primeira temporada da antinovela “Corpo Estranho”, de Lourenço Mutarelli (roteirista de “O Cheiro do Ralo”). Desde então, recebe uma média de dois mil acessos durante as estreias dos espetáculos e mil em dias rotineiros. O acesso, que pode ser considerado pequeno para um site de grande porte, é significativo quando se trata de uma produção teatral. Ainda que, inicialmente, houvesse uma certa resistência da classe (que via na internet mais um “monstro” responsável por afastar o público das tradicionais cadeiras dos teatros), Renata afirma que o intuito do “Teatro para Alguém” é somar forças.
Foi o que aconteceu com o espetáculo “Doido”, com Elias Andreatto. A apresentação no “Teatro para Alguém” fez com que o público desligasse o PC e procurasse um teatro convencional, onde a peça estava em cartaz. Em um movimento parecido, do palco-tela do projeto, a produção “Corpo Estranho” deve migrar em breve para um palco convencional, de acordo com Renata. “A intenção é transformar em uma única peça as três temporadas e transmitir ao vivo, pela internet, a estreia do espetáculo.”
Patrocínio
Quando começaram, as estreias do “Teatro para Alguém” suportavam apenas 500 internautas simultaneamente no site. Hoje em dia, mil pessoas podem acompanhar as estreias ao mesmo tempo. E, perdida a primeira apresentação ao vivo, o espetáculo continua disponível na página, aberto para os que quiserem ver.
Os acessos partem de diferentes regiões do País, passam pelo Japão, Nova York, Dinamarca e diversas localidades do mundo. A intenção é aumentar essa capacidade de acessos simultâneos, mas a vontade tropeça em um obstáculo até agora difícil de superar: a falta de patrocínio. Fica difícil classificar a iniciativa na hora de pedir incentivos. É teatro? Cinema? Televisão? Tudo junto? “A indicação ao Prêmio Shell caiu como uma luva, pois nos inclui na categoria teatral. As pessoas ainda ficam em dúvida sobre do que se trata a iniciativa. É teatro feito de uma forma diferente, mas não sabemos ainda como ‘dar nome aos bois’. E como não há público, plateia, os patrocinadores em potencial resistem em aceitar como produção teatral”, diz a idealizadora do site.
A migração da interpretação para os bytes requer, no entanto, a construção de uma nova linguagem, compatível com o meio utilizado para tornar mais acesssíveis as produções. Mas tal forma de fazer teatro ainda está em construção, de acordo com Renata. “Óbvio que a gente está em busca dessa linguagem específica, pois é uma mistura de linguagem de teatro, cinema, televisão. Não se trata da filmagem de uma peça, apenas um registro. Também não é assistir como filme. A câmera, muitas vezes, tem de ser tão ensaiada quanto os atores, é como se fosse mais uma atuação no palco” explica.
Atuam de maneira direta no “Teatro Para Alguém” Renata Jesion (atriz e idealizadora), Nelson Kao (idealização e fotografia), Lucas Pretti e Zé Manoel Pinheiro (atores), Luciana Siqueira (atriz e assessora) e Márcio Ferreira (transmissão). Roteiristas, diretores e atores são constantemente convidados a participar das produções que vão para o ciberespaço.
O principal projeto para o futuro é tornar o site mais interativo, já que esse é o conceito-chave de internet. Está em processo de construção uma interface que possibilita ao público ter acesso aos bastidores das produções e a um chat, ambos em período simultâneo à estreia. Após o espetáculo, atores, diretores e criadores das peças entrarão nesse chat para que haja troca de informações com o público.
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