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A busca da razão pela fé
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São José do Rio Preto, 26 de Agosto, 2010 - 1:45
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‘Inquieto Coração’ no Teatro do Sesi
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Almir Reis/Divulgação
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Eduardo Rieche em cena do espetáculo ‘Inquieto Coração’: título é uma referência ao desassossego da alma de Santo Agostinho na busca por respostas
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Um homem em busca da equação do Homem. É dessa forma que ator Eduardo Rieche define “Inquieto Coração”. O espetáculo, escrito e encenado por ele, é baseado nas obras de Santo Agostinho, em especial nos escritos de “Confissões”, “A Cidade de Deus”, “A Trindade” e “Solilóquios”. A apresentação é hoje, às 20 horas, no Teatro do Sesi.
Rieche classifica a peça como um monólogo filosófico e não como obra biográfica ou estritamente religiosa. Isso porque a intenção é justamente apresentar um Agostinho que transcende a esfera da Igreja, como alguém que foi capaz de traduzir os anseios humanos e deu contribuições importantes para o pensamento ocidental em temas como a natureza do amor, a busca da verdade, a origem do mal e a condição humana.
Dirigido por Henrique Tavares, “Inquieto Coração” estreou em novembro de 2008, no Rio de Janeiro. Mas as obras de Agostinho - bispo, escritor, teólogo e filósofo nascido em 354 em uma região que hoje corresponde à Argélia, na África - já haviam tocado Rieche desde os anos 1990. Na época, o ator estudava psicologia e se debruçava sobre noções de pessoa, sujeito e personalidade.
Para o ator, dentre as inúmeras contribuições de Santo Agostinho está ao campo literário. “‘Confissões’ é um livro que muitos dizem se tratar da remissão de um ‘grande pecador’. Penso que, mais do que isso, Agostinho quis dar ali um testemunho de sua fé. Ao se ‘confessar’, Agostinho, pela primeira vez na história, garantiu ao ‘eu’ um espaço literário.”
As reflexões de Santo Agostinho apareceram mais tarde em questões abordadas por pensadores modernos. “Ele faz um mergulho em sua própria vida psíquica para tocar em temas que, curiosamente, têm muitos pontos de convergência com vários autores e pensadores modernos, questões que seriam levantadas ou aprofundadas muito tempo depois: na filosofia, por Descartes e Kierkegaard; na psicanálise, por Freud; e na literatura, por Proust e Joyce, por exemplo. Este eixo de ‘modernidade’ foi o que me guiou na adaptação.”
O tom atual da obra de Agostinho já remeteu espectadores a modernos estudos da física quântica, em especial diante das colocações do religioso sobre o tempo, conta Rieche. O ator afirma ainda que o pensador Agostinho relaciona fé e razão de uma forma própria. “Para entender a obra de Santo Agostinho, é preciso ter em mente que, na época em que ela foi escrita, a filosofia havia perdido a confiança na razão. Mergulhada no ceticismo, a filosofia duvidava da possibilidade do conhecimento da verdade. Coube, então, a Agostinho restaurar a certeza da razão. E isso, paradoxalmente, por meio da fé.”
Segundo o autor, não foi difícil encontrar elementos que vão além do campo religioso na obra de Agostinho. Complexo foi selecioná-los em meio a vastidão dos escritos, calculada em mais de 12 mil páginas impressas e nem todas disponíveis em português. “Algumas cenas são reproduções literais dos escritos; outras são uma releitura ou ‘reescrita’ dos textos originais.”
Rieche, premiado enquanto autor (ganhou o Shell em 2009 pelo texto de “Oui, oui...a França é Aqui!” junto com Gustavo Gasparini), encontra agora seu maior desafio enquanto ator. “Há um limite muito tênue entre transmitir a ‘autoridade terna’ de Santo Agostinho e fazer uma caricatura do pregador, que poderia resvalar para a arrogância.”
O título da peça Rieche buscou em uma frase de “Confissões”. “Inquieto Coração” expressa o desassossego da alma agostiniana e a busca por respostas. A apresentação da peça integra as atrações da 30ª Semana Cultural do Colégio Agostiniano São José, de Rio Preto. A instituição comemora no sábado o Dia de Santo Agostinho e o aniversário de fundação de 63 anos da instituição.
Serviço
Inquieto Coração, hoje, às 20h, no Teatro do Sesi. Entrada gratuita. Ingressos na recepção do Colégio São José ou no Teatro do Sesi uma hora antes do espetáculo
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Fábio Delduque/Divulgação
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‘Tragicomédia de um Homem Misógino’ é criação do Estúdio Lusco-Fusco
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Cineasta Mocarzel leva ‘Homem Misógino’ para o palco
Ainda dentro da programação teatral de agosto do Sesi está o espetáculo “Tragicomédia de um Homem Misógino”, do Estúdio Lusco-Fusco. A peça será apresentada neste sábado e domingo.
O texto é do cineasta Evaldo Mocarzel. O espetáculo, que mistura as linguagens teatral e audiovisual, mostra a história de um homem acometido por uma doença incurável, que vive isolado em uma casa à beira-mar. Em meio às doses regulares de morfina, ele é visitado por personagens oriundas de suas alucinações e memórias.
“Tragicomédia de um Homem Misógino” é dirigido por André Guerreiro. A trilha sonora, tocada ao vivo, é executada pelo músico Gregory Slivar. No elenco estão Nadja Turenkko, Marcelo Lazzaratto, Djin Sganzerla, Carolina Fabri e Siomara Schroder.
Já o Teatro do Sesc recebe neste sábado a peça “Melodrama”, da Cia. Teatral Palhaços Noturnos, de Rio Preto. O espetáculo é composto por histórias que se entrelaçam com humor. Mostra a luta pelo amor, o casamento proibido pelo incesto e adultérios. A apresentação acontece pela programação do projeto Rio Preto em Cena, que propõe a troca de experiências e conhecimentos entre artistas, técnicos e produtores, além de incentivar a investigação de linguagens teatrais.
A iniciativa tem apoio da Associação dos Artistas, Técnicos, Produtores e Gestores de Cultura de Rio Preto e Região (Associart). No domingo, a programação teatral do Sesc é para o público infantil. Às 16 horas, será apresentado o espetáculo “A Menina e o Sabiá”, da Cia. Abaréteatro, de Itanháém (SP).
O texto e a direção são de Orlando Moreno, que também integra o elenco da peça junto com Cintia Macchia, Andress Correa e Luciana Marques. Eles encenam a história de uma menina que está triste porque seu sabiá fugiu da gaiola. Para recuperar o amigo bicho, ela explora a Mata Atlântica. “A Menina e o Sabiá” conclui a passagem da Abaréteatro por Rio Preto. Durante todos os finais de semana de agosto o grupo apresentou espetáculos de seu repertório no Sesc.
Serviço
Tragicomédia de um Homem Misógino. Sábado, às 20h, e domingo, às 19h. no Teatro do Sesi. Entrada gratuita. Ingressos serão distribuídos uma hora antes da apresentação. Informações: (17) 3224-2499. Melodrama, sábado, às 20h30, e A Menina e o Sabiá, domingo, às 16h, no Teatro do Sesc. Entrada gratuita. Ingressos devem ser retirados com antecedência na bilheteria. Informações: (17) 3216-9300
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