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São José do Rio Preto, 16 de Julho, 2010 - 1:50
Grupos locais veem no FIT vitrine para mostrar seus trabalhos

Vívian Lima

Ferdinando Ramos
Gerrah Tenfuss, da performance ‘Mel’, busca melhorar condicionamento físico às vésperas da estreia no FIT: ‘Saio à rua para experimentar espaços’
Mais que vitrine para a exposição de pesquisa, trabalho e linguagem, o Festival Internacional de Teatro (FIT) é visto como importante espaço de aprendizado e troca de ideias pelos grupos locais que participam da mostra. E às vésperas da estreia no evento, os artistas ensaiam para deixar a produção ainda mais afinada.

Os mais experientes conseguem domar a ansiedade, o que nem sempre é possível para os “marinheiros de primeira viagem”, tomados pelo peso da responsabilidade. A atriz Raphaela França, da Cia. Teatral Poleiro dos Anjos, está entre as novatas em FIT. “É uma oportunidade única para mostrar para a cidade os meses de esforço que tivemos. É meu primeiro FIT. A empolgação é inenarrável.”

Nem mesmo os conselhos dos mais experientes mudam, por enquanto, a opinião de Raphaela. “Meus amigos mais experientes dizem que o FIT não é essa ‘Copa’, mas para mim, nessa primeira vez, é”, diz a atriz e administradora do grupo formando no final do ano passado.

Na opinião de Creuza Arruda, diretora do Balé de Rio Preto, o FIT marca a inclusão do grupo em um novo campo. Leva a companhia de dança contemporânea - que também usa o teatro como forma de expressão - a um público maior. “O FIT é um dos maiores festivais de teatro e uma nova oportunidade de mostrarmos nosso trabalho para um outro público que não o de dança.”

Ferdinando Ramos
Ensaio dos bailarinos-atores do Balé de Rio Preto para a apresentação de ‘Alumbramentos’ na edição deste ano do Festival de Teatro


Preparação

Mesmo que o espetáculo esteja rodando o Estado (recentemente passou por oito cidades do interior), o Balé de Rio Preto não abre mão dos ensaios. “Alumbramentos” é executado pelos bailarinos-atores duas vezes pelas manhãs. “Passamos o espetáculo, corrijo o que é necessário e depois fazemos novamente”, diz Creuza.

Quem também intensifica os ensaios às vésperas de se apresentar no FIT é o ator e performer Gerrah Tenfuss. Ele, que integrou a grade do evento no ano passado, busca melhorar o condicionamento físico e não encontra apenas em salas fechadas o espaço ideal para compor seus trabalhos. “Saio para a rua para experimentar espaços, encontro terreno instável, grama. Eu preciso de uma crise no espaço e a rua tem acidentes e incidentes, fica mais interessante. Uma sala, com a porta fechada, é muito seguro.”

Amplitude

Para Tenfuss, estar no FIT é atingir pessoas que não veriam seu trabalho em outra oportunidade. “Muitas pessoas não frequentam teatro em Rio Preto, mas vão ao FIT.” Para Anderson Niels, um dos fundadores da Cia. Livre de Teatro, o festival é um instrumento que ajuda no crescimento dos grupos.

“Não que a gente trabalhe só em cima do FIT, porque se for assim, não crescemos, não evoluímos. Mas o festival tem uma importância enorme de troca de ideias, opiniões.” Homero Ferreira, da Cia. Hecatombe, também acredita na oportunidade de crescimento pessoal e profissional do festival. Para ele, o FIT não deve ser considerado a única oportunidade dos grupos.

“Nem todos os anos as companhias estão no festival. E o teatro não acontece na cidade só durante o FIT. Há outras iniciativas, do Sesc, Associart, da Secretaria de Cultura”, destaca. Para Ferreira, a mostra é momento de intercâmbio. “O festival coloca a cidade em voga, é uma vitrine do que está sendo feito na cidade e um momento de tomar contato com o que vem de fora.”

A atriz Cibele Sampaio, da Cia. Girasonhos, acredita que ingressar no FIT é ganhar reconhecimento de uma boa produção. “O espetáculo que entra no FIT é sinônimo de qualidade”, defende. Walter Máximo, que dirige a Cia. Vírus da Arte, concorda: “O grupo se sente valorizado.”

O FIT deste ano marca o retorno da Cia. Azul Celeste ao evento depois que Jorge Vermelho deixou a direção do festival. “Para a companhia, isso tem um gosto diferente. É quase que um retorno à casa”, diz o ator Marcelo Matos.

Divulgação
‘Rasto Atrás’, de Eduardo Catanozi: reconhecimento


Teatro perene

Para Eduardo Catanozi, diretor do espetáculo “Rasto Atrás”, que a Cooperativa Arquetípica de Teatro vai apresentar no FIT, o festival é uma oportunidade para mostrar que a cidade sede do evento também tem boas produções. Mas para ele, Rio Preto ainda não “respira” teatro. “É preciso respirar teatro 365 dias no ano e não só no FIT. Não há público cativo formado. Teatro não se faz só em dez dias.”

Para a maior parte das companhias, a inserção de dez grupos locais no evento é um bom começo. Mas não se deve parar por aí. Ricardo Mattiolli, que dirige dois espetáculos locais nesta edição, relembra que o espaço dos grupos rio-pretenses foi alcançado com a insistência e luta dos grupos e que a busca por conquistas ainda continua. “Não é só o festival. É preciso um trabalho ao longo do ano. Rio Preto não tem uma escola técnica, cursos profissionalizantes, espaços de ensaio.”

Elisandro Ascari
Balé aéreo do grupo australiano Strange Fruit encantou público na abertura do FIT 2002 com a peça ‘The Field’


MEMÓRIA


Em 2002, FIT buscou inspiração em Artaud

Ariana Pereira

De 17 a 28 de julho de 2002, a 2ª edição internacional do Festival de Teatro de Rio Preto tinha como inspiração o autor, dramaturgo e poeta maldito dos anos 30, Antonin Artaud. O balé aéreo australiano “The Field”, do grupo Strange Fruit, deu o pontapé inicial para os 11 dias de programação.

O espaço de experimentações e confraternização entre participantes do festival e público, na ocasião, era chamado de “LugarUmbigo”. O núcleo “Processos” serviu de abrigo para espetáculos em processo de construção, como a montagem “Cãocoisa e a Coisa Homem”, com Luis Mello. Além disso, o festival contou com mais dois núcleos: um em homenagem a Ariano Suassuna e outro dedicado a Plínio Marcos.

Entre as peças que mais causaram frisson estavam “She Was and She Is, Even”, do belga Jan Fabre, “O Falcão e o Imperador”, baseado na obra do poeta persa Ud Din Rumi, e o fragmento final de “Os Sertões”, trazido por Zé Celso com o Teatro Oficina Uzyna Usona.





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