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Hip hop acerta o alvo
São José do Rio Preto, 8 de Fevereiro, 2012 - 1:50
Festival Olho da Rua cumpre a missão da troca de experiências

Francine Moreno

Hamilton Pavam
Instrutor Danilo Bourog ministra intervenção de house dance na Alarme: hip hop integrado a ações de cidadania
Pela primeira vez, o festival rio-pretense Olho da Rua, voltado à valorização da cultura hip hop, privilegia como palco entidades de assistência social. Já foram feitas intervenções de hip hop free style e de house dance, respectivamente, no Lar São Vicente de Paula e na Alarme. Hoje, às 14 horas, será a vez de a Fundação Casa receber uma intervenção de breaking, com Ricka. Logo após, às 15h30, haverá intervenção de locking, com Evandro Fusão de Rua, na Amicc.

De acordo com a coordenadora do festival, Ana Paula Ribeiro, o objetivo das escolhas é oferecer uma espécie de presente a essas pessoas que, de uma maneira ou de outra, passam por um momento difícil na vida, como as crianças, os adolescentes e os idosos em situação de risco. “A maioria dos adeptos da cultura hip hop vive esse tipo de luta. Então, nada mais justo do que demonstrar nossa solidariedade”, defende.

Somente no primeiro dia da iniciativa cerca de 100 pessoas participaram da atividade no Lar São Vicente de Paula, incluindo os próprios visitantes da Fundação Casa. A expectativa é de que mais de 3 mil pessoas confiram a programação até domingo. “Foi a primeira vez que tivemos essa experiência e espero que se repita nos próximos anos. O retorno tem sido muito positivo, diferentemente de 2011, quando exploramos as ruas. As pessoas ainda hesitam em gostar do que é do povo, de graça”, salienta.

Mara Lucia Nespolo, coordenadora de oficinas da Alarme, afirma que o evento acrescenta conhecimento. “Os alunos que participaram da oficina têm sede de informação e cultura. Trazer a atividade para dentro da entidade é uma ação positiva que une o entretenimento a novas informações.” Para ela, a ação deve ser repetida no ano que vem.

Para a psicóloga da instituição, Carla Florido Bertocco, a atividade pode ser um incentivo à profissionalização. “Temos ex-alunos que, após participarem de oficinas como estas do festival Olho da Rua, revelaram seu talento, se especializaram e hoje são professores.”
Na tarde de ontem, um grupo formado por jovens de 12 a 16 anos da Alarme imitavam as coreografias ensinadas pelo instrutor de hip hop Danilo Bourog.

“Aprendemos passos e ritmos, nos divertimos e conhecemos um pouco mais sobre o hip hop”, afirmou Bruna Lorraine Ferreira, de 16 anos. João Vitor Oliveira, de 13 anos, também ficou surpreso e satisfetio com o que foi apresentado. “É a primeira vez que participo de uma oficina. Se não tivesse a atividade, talvez eu demoraria muito para conhecer as técnicas do hi hop.”

Integração

O efeito positivo também foi visto no Lar São Vicente de Paula. Para a assistente social Eliana Maria Alves Oliveira, houve integração dos jovens e idosos. “Foi uma troca de experiências. Os jovens puderam mostrar sua arte e os mais velhos conheceram um pouco sobre o hip hop.” A reação dos moradores do Lar, segundo ela, foi a melhor possível. “Todos ficaram muito felizes. Já esperamos que a ação volte a ser realizada no ano que vem.”

Maria K. Do Prado, gerente da Amicc, afirma que as crianças da entidade estão ansiosas pela intervenção. “Crianças em tratamento oncológico, por exemplo, não podem ir a parques ou no Bosque Municipal. Trazer uma atividade cultural para dentro da Amicc é entretenimento para elas. As crianças deixam de ficar apenas ligadas na internet.” Para Maria, a intervenção também agrega cultura.

“Muitos não conhecem o hip hop.” O festival segue até domingo, dia 12. No encerramento, será realizada uma oficina de breaking, a partir das 14 horas, no Jupiter Olímpico. A atividade é gratuita.
Serviço

Festival Olho da Rua. Intervenção de breaking, ministrada por Ricka, hoje, às 14 horas, na Fundação Casa. Intervenção de locking com Evandro Fusão de Rua, hoje, às 15h30, na Amicc. Gratuito. Informações pelo (17) 9196-8833

Divulgação
Benoit Vittonatto, o DJ Ben: à procura da batida perfeita
Colaboração de Vívian Lima e Daniela Fenti

Famoso por disponibilizar na internet suas batidas, o francês Benoit Vittonatto (mais conhecido como DJ Ben, ou Billy Brown), foi escalado como artista principal da 4º edição do Festival Olho da Rua. No ano passado, o evento trouxe o bboy norte-americano Ken Swift, da equipe Rock Steady, de Nova York. Segundo a coordenadora do festival rio-pretense, Ana Paula Ribeiro, DJ Ben é uma unanimidade quando o assunto é discotecar para batalhas de bboys. “Este é o nome mais importante do segmento.

Ele cria batidas e as disponibiliza na internet. A molecada da Casa do Hip Hop fica doida para baixar as novidades e treinar”, afirma. A primeira atividade do artista no festival será uma oficina de DJ, no teatro de bolso da Casa do Hip Hop, na sexta-feira, a partir das 19h30. A entrada é gratuita. No dia seguinte, ele mostra seu talento à frente das pick-ups durante o Duelo de Titãs. O evento será no graneleiro da Swift, a partir das 14 horas, e contará com a presença de 15 competidores.

Os ingressos para assistir ao campeonato de breaking custam R$ 10.
Ana Paula conta que conheceu Ben durante a participação no EuroBattle, em Portugal, em 2011. “Fiz o convite e ele aceitou na hora. Ele nem sabia que existiam campeonatos organizados no Brasil. Será sua primeira apresentação no País.”

Leia abaixo a entrevista concedida por DJ Ben ao Diário.

Diário da Região- Qual é a diferença entre tocar para um público em geral e tocar para bboys?
DJ Ben - Quando você toca para bboys, você não tem que tocar música comercial. Mas eu também toco funk underground dos anos 70.

Diário - Quais os elementos para criar a batida perfeita? O que não pode faltar em uma música para bboys?
DJ Ben - Os tambores e as percussões são os elementos-chave da música bboy. Basicamente, você só precisa de uma batida funk.

Diário - O que você faz para encontrar a batida perfeita?
DJ Ben - Precisa de muito tempo e dedicação para encontrar a batida perfeita. Eu pesquiso em lojas de discos, mercado de pulgas, empresas privadas e com amigos.

Diário - Como deve ser a relação entre bboys e DJ?
DJ Ben - Em 2012, um bom DJ bboy tem que saber a cultura hip bboy. Ele também tem que saber os movimentos, os estilos diferentes e ter um bom relacionamento em equipe. Hoje em dia, a maioria dos DJs bboy bons é originalmente bboys.

Diário - Você vê um atributo especial nos bboys brasileiros?
DJ Ben - Sim, eles têm uma resistência muito especial, muito enérgica.

Diário - Conhece DJs brasileiros e bboys brasileiros?
DJ Ben - Sim, eu conheço muitos bboys brasileiros e bgirls e DJs. Entre eles Pelezinho, Neguinho, Puber, bgirl Nitro, Allstars do Tsunami, a equipe de Masters e DJ Marrom.

Diário - Você vai dar um workshop no festival. O que vai ensinar para o público?
DJ Ben - Vou ensinar os conceitos básicos de como ser um DJ bboy, como o Back Spin.

Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital

 
     
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