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A força da passarela
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São José do Rio Preto, 24 de Janeiro, 2012 - 1:45
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Grifes exibem conceitos no SPFW e apontam tendências
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Francine Moreno e Vívian Lima
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Agência Fotosite/Divulgação
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O preto e o vermelho de Reinaldo Lourenço virão com força
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Com o término do São Paulo Fashion Week, hoje, começa uma maratona para filtrar o volume de informações apresentadas nas passarelas. O objetivo dessa corrida é identificar qual será a cara do inverno 2012 e o que realmente vai migrar do mundo fashion para a vida real. É certo que ainda falta ver os desfiles de grifes como Neon, Fernanda Yamamoto, Amapô, André Lima e a linha masculina de Alexandre Herchcovitch, que desfilam neste último dia.
Mesmo assim, alguns elementos já demonstraram sua força, aparecendo na coleção de diversas marcas e dando indícios de que se tranformarão em tendência. A isso se dá o nome de processo de tradução. Significa que as indústrias, as lojas não irão fazer cópias idênticas do que foi apresentado na passarela. O setor irá, na verdade, pinçar o que de mais forte se viu e apresentar em peças mais comerciais. O preto, óbvio, aparece entre os personagens principais do inverno 2012. Junto dele, há coadjuvantes.
“O preto aparece acompanhado de outras cores, como o vermelho, o caramelo, o mostarda”, diz Marcio Banfi, editor da revista Gloss e professor de moda na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo. Mas também houve quem explorou estampas, como a Triton. Também passaram pelo SPFW adereços de cabeça, brilho e materiais metalizados. Diante do cardápio de tendências, é prudente basear-se nas pesquisas e conceitos dos estilistas e refletir em como usar as peças no dia a dia. “Não existe regra. O ideal é agregar as novidades ao estilo”, diz Dhora Costa, professora do curso de Moda do Complexo Educacional FMU e Unicentro Belas Artes.
Fabiola Forni, consultora de imagem e produtora de moda da Revista Vida&Arte, do Grupo Diário de Comunicação, afirma que a escolha deve ser baseada na personalidade e no tipo físico. Fora as particularidades de cada um e o estranhamento diante de algumas peças, existem elementos que devem chegar logo às vitrines das lojas. As maiores revelações estão nos materiais das roupas. O couro deve ser protagonista. Alexandre Herchcovitch o colocou em peças como saias e vestidos.
A pele sintética vista nos desfiles das grifes Fause Haten e Reinaldo Lourenço deve ser explorada pelo consumidor comum. “Principalmente nas regiões sul e sudeste, as peles devem voltar como detalhes nas golas e nos punhos”, afirma Dhora. “Será um uso adequado à nossa realidade”, diz Banfi. A renda, muito utilizada no verão, deve permanecer nas vitrines. Mas a ideia é deixar de lado a renda rústica e usar uma modelada e sofisticada, em tons dourados.
Aliás, sofisticação parece ser palavra-chave nesse inverno 2012. E o dourado é um item importante para isso. Para Marcio Banfi, essa sofisticação é uma espécie de releitura do que fez a grife Versace no final dos anos 1980 e início dos 1990. “É ultrafeminino e sexy.”
As padronagens de lãs vistas nas peças de Mario Queiroz devem chamar atenção da indústria brasileira. O estilista, famoso pela moda masculina, rendeu-se ao feminino e usou sobreposições com toque vintage e detalhes vitorianos.
Destaque para a mistura de lãs com estampas particulares de seu acervo. “O estilista apostou em tons sóbrios, dentro de uma cartela de cores que variava entre azul, preto, cinza e vermelho”, afirma Dhora. Despretensiosa, a Cavalera mostrou a mistura de estampas, jeans, seda, lã, tule e renda. “Isso deve dar certo, porque é uma forma da indústria reaproveitar o estoque. É moda sustentável”, afirma Dhora.
Samuel Cirnansck, que mostrou looks volumosos e femininos em cores off white, dourado e preto, não deve ser traduzido com muita facilidade ao público popular. “O artista produz peças mais dramáticas, com tecidos trabalhados na superfície e de alta moda”, diz Dhora. Calçados com plataformas de borracha, vistos em alguns desfiles, também devem chegar às lojas. Aliam conforto e durabilidade.
Mas para os consumidores que abominam esses modelos, Banfi, que esteve na Couromoda (evento que apresenta as novidades do setor calçadista), traz uma notícia animadora. “São os saltos mais altos de todos os tempos.”Fabiola Forni afirma que antes o inverno no Brasil pregava uma tendência mais romântica e com peças soltas, mas agora a moda está mais séria. Ela destaca looks de Pedro Lourenço, com cortes precisos que traduzem maturidade.
No mercado
Os looks devem chegar às lojas já em março. “A indústria brasileira é bem complexa. Ela se inspira primeiro nos desfiles da Europa, que começam em setembro. O que é visto nas semanas de moda no Brasil é introduzido numa produção que começou ser feita nos últimos meses do ano passado. A moda brasileira é incluída na produção já em andamento”, diz Dhora.
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