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Rio Preto tem graça
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São José do Rio Preto, 5 de Dezembro, 2010 - 9:15
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Ilustradores criam obras que fazem rir e pensar
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Guilherme Baffi
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Thiago De Pizzol utiliza a internet para mostrar seus trabalhos
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A professora, historiadora e escritora Dinorath do Valle disse, em 1995, que Rio Preto não tinha graça. Faltava para ela talentos na cidade em cartum, charge, quadrinho, ilustração e caricatura. Na ocasião, a única promessa era Gustavo Villanova. O que gerou uma certa insatisfação daqueles que já trabalhavam com arte e defendiam sua originalidade de ideias pelo traço. Hoje, passado 15 anos, com certeza a opinião de Dinorath seria diferente.
Percebe-se na cena local uma ascensão de ilustradores. Autodidatas ou saídos de oficinas de desenho, muitos, ainda amadores, já começam a publicar seu material na internet ou páginas de jornais. A reportagem detectou sete promessas do desenho de humor em Rio Preto. São eles: Alex Sander Muniz de Macedo, Claudia Kfouri, Elvis Israel, Fabiano Santos, Kleverson Mariano, Samir Landin Sagioneti e Thiago De Pizzol. “Eles vêm com a tentativa de fazer algo autoral e isso é muito bom. Estamos numa fase muito positiva para o desenho e eles devem aproveitar”, afirma o artista gráfico Orlando Pedroso, vice-presidente da Sociedade dos Ilustradores do Brasil.
De acordo com Orlandeli, cartunista do Diário da Região, autor do livro em quadrinhos “(SIC)” e vencedor de vários prêmios tanto no Brasil quanto no exterior, tecnicamente são artistas impecáveis no campo das ideias, que buscam ser críticos de seus próprios trabalhos, com uma produção em evolução e “traços que são ferramentas de suas ideias e histórias”. Para Orlandeli, a evolução tecnológica contribuiu, e muito, para a maior visibilidade desses ilustradores. “Agora cabe ao mercado saber aproveitar tais talentos. Mas para instigar isso é preciso produzir cada vez mais, buscar contatos e ter seu próprio traço”, diz.
O terreno fértil de profissionais se reflete nas ações de estímulo. No mês passado, cerca de 10 ilustradores integraram a oficina “Histórias em Quadrinhos”, ministrada por Orlandeli. A loja Mundo Verde cedeu espaço para a exposição “Natureza Criativa”, com trabalhos em cartuns, charges, caricaturas e tirinhas, que colocaram em discussão a preservação da natureza de forma criativa e bem humorada.
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Guilherme Baffi
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Ilustrador Kleverson Mariano mostra algumas de sua obras
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Apesar dos estímulos e de serem apostas no mercado do desenho, os rio-pretenses têm algo a mais em comum: tiram seu sustento de outras profissões. Fabiano Santos trabalha com confecção; Samir Landin com direção de arte para publicidade; Kleverson Mariano em uma relojoaria, Alex Sander Muniz de Macedo, além de ilustrador, é contrabaixista de uma banda de blues e rock e arte-educador; Elvis Israel trabalha em uma imobiliária, na área de locação; Cláudia Kfouri - a única que foge à regra (faz ilustrações para o jornal Folha de S.Paulo), também atua área de pesquisa de artes; e Thiago De Pizzol é professor e designer gráfico e de web.
Para Orlando Pedroso, antigamente era muito difícil para um desenhista conseguir caminhos e dicas para se tornar um profissional, mas depois que conquistava seu espaço era mais tranquilo. “Agora, com o altíssimo nível de profissionais brasileiros, a concorrência é forte e é difícil se manter apenas de desenho”, afirma Pedroso, que começou a carreira em 1978, no jornal “Em Tempo”, e já trabalhou com praticamente todas as publicações da grande imprensa. Com mais de 30 anos de profissão, ele acredita na necessidade de espaços para a troca de experiências e até de incentivo.
A falta de incentivo é também assunto discutido pela nova safra. Para Samir Landin, Rio Preto deveria se inspirar no cenário internacional e em outras cidades brasileiras que promovem os salões. “É uma forma de incentivar os desenhistas de várias especialidades”, diz. Na opinião de Fabiano Santos, o espaço é restrito para novos cartunistas, mas tem outras vertentes que podem ser seguidas para sobreviver.
“Nesta área, é importante desenvolver vários trabalhos, mesmo que por hobby, e ter bons contatos e amigos com boas intenções”, revela. Outra iniciativa, na sua opinião, são os profissionais de arte se unirem na proposta de se autodivulgarem. “A mostra na loja Mundo Verde, por exemplo, foi uma maneira de todos poderem mostrar seu trabalho e suas propostas”, lembra.
Única mulher da lista, Claúdia demonstra expectativa positiva. “Na área das artes plásticas, tive um apoio muito grande nas exposições, em salões promovidos pela Secretaria e Delegacia de Cultura de Rio Preto.” Mas ela afirma que se não há chance, é preciso buscar outras alternativas e não ficar esperando oportunidades caírem do céu. “O bom de Rio Preto é que tem uma turma criativa nessa área e que desperta a atenção não só da cidade, mas vem desenvolvendo um trabalho reconhecido nacionalmente.” Ela vê no humor gráfico uma maior valorização. “Principalmente pela abertura de salões de humor em várias partes do país e do mundo e mudanças nos jornais e revistas de grande circulação nacional. Isso se reflete em cidades do interior também e o incentivo, consequentemente, se amplia. Pelo menos, é o que deveria acontecer.”
Para Fabiano Santos, humor é uma das coisas mais sérias que existe, já que é uma maneira mais leve de fazer críticas construtivas, porém, é um mercado muito rico, que ainda precisa ser mais valorizado no País. “Hoje há mais aprimoramento, mais qualidade. O trabalho do quadrinista exige que se busque recursos para que seu trabalho seja visto. Todo o espaço e incentivo que obtive eu mesmo que busquei. Quanto a incentivos em Rio preto, só conheço dois: a Oficina Cultural Fred Navarro e o projeto ‘Nelson Seixas’”.
Internet impulsiona obras da nova geração
O que difere essa geração de ilustradores de sua antecessora é a internet. Não que a anterior esteja ausente dela (pelo contrário), mas parte desta nova safra já nasceu dentro deste universo digital. Não por acaso todos têm optado pelos sites, blogs e mídias sociais para levar seus trabalhos ao conhecimento de mais gente e a ambientes mais informais, onde a arte nem sempre é o centro das atenções. “Eles exploram as possibilidades de se mostrar e vender arte fora do circuito instituído nas grandes capitais. Estão focando na produção individual e usam a internet porque ela foi criada para informar e divulgar de forma ágil e dinâmica as necessidades da comunicação de massa, além de ser gratuito”, afirma o artista gráfico Orlando Pedroso, vice-presidente da Sociedade dos Ilustradores do Brasil.
Para Pedroso, o cenário atual é de boom de novos ilustradores. Ele acredita que as listas de discussões, encontros, salões que se espalham cada vez mais com certeza têm muito a ver com essa repercussão. Mas observa que ao mesmo tempo que os trabalhos cruzam longas distâncias com a internet, é mais difícil manter isso no mercado. Assim, o profissional precisa ter sua marca. O que não pode faltar é curiosidade, além de talento. “É preciso detectar as deficiências, fazer cursos, conversar com profissionais, orientar-se sobre o que acontece no mundo das artes gráficas e ter sempre novas ideias”, diz.
Veja abaixo exemplos dessa nova safra em Rio Preto:
Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital
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COMENTÁRIOS
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VALDIR JOSE SAGIONETI
postado em
05/12/2010
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parabens pelos organizadores, pela iniciativa, dando oportunidade as pessoas de talento de nossa cidade e região. Pois nosso mundo está precisando de pessoas como estas, para
alegrar nosso povo, de maneira geral.
Aos participantes, que continuem firmes e que tenham muito sucesso.
PARABENS pelo vosso trabalho....
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