O sentimento ambivalente dos paulistanos em relação à cidade em que vivem - um misto de amor e repulsa por São Paulo - é explorado por Daniel Piza, colunista do “Caderno 2”, em seu 17º livro, “Noites Urbanas”, que será lançado hoje, na Livraria da Vila dos Jardins. Com dez contos longos, na maioria inéditos, e 18 minicontos, “Noites Urbanas” começa num vagão de metrô, na Estação Santa Cecília, e, como convém ao título, termina num começo de noite, quando um professor de Literatura sai de um escritório, na Vila Romana, humilhado por um arrogante produtor cultural.
Entre um bairro na região central e outro na zona oeste da cidade, Piza mapeia os sentimentos dos habitantes da metrópole, falando de desamor, indiferença e frustração. Grande parte dos contos em “Noites Urbanas” trata de amores fracassados. Alguns, inclusive, acabam de forma trágica, como o suicídio do garoto em “Saquê”, que cita Tanizaki no prólogo. Outros dois dos contos no livro, no mínimo, trazem críticas às redes sociais da internet, ironizando o Orkut e a comunicação superficial via computador.
“Noites Urbanas” é o primeiro livro de ficção de Piza, autor de biografias (“Machado de Assis”), ensaios (“Questão de Gosto”) e crônica esportiva (“Ora, Bolas”), entre outros gêneros. Como foi para o crítico a experiência de escrever ficção? “Extremamente curiosa e, apesar das dúvidas, gratificante. Escrevi tudo em terceira pessoa, mas em estilo indireto, porque queria criar um mundo externo ao meu, ainda que tenha tantas pontes com o meu. Fiquei contente de ver que as personagens se criaram como tais, não como extensões do que sou. Elas não falam como eu falo, não agem como eu agiria. Esse sair de mim foi uma vitória”, resume Piza.
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