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Literatura
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São José do Rio Preto, 1 de Setembro, 2010 - 1:48
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Livro lança nova luz sobre vida dos ‘sabiás do sertão’
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Sérgio Menezes
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Alaor Ignácio dos Santos Júnior diz que lançamento visa ao resgate da cultura popular caipira
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Apaixonado pela poesia da música sertaneja, o professor e jornalista Alaor Ignácio dos Santos Júnior lança hoje o livro “Cascatinha e Inhana: Uma História Contada às Falas e Mídia”, fruto de sua dissertação de mestrado em literatura brasileira defendida em 2002 na Unesp de Rio Preto.
A pesquisa biográfica e fonográfica levou pelo menos quatro anos e contextualiza as obras da dupla formada por Francisco dos Santos e sua mulher na época, Ana Eufrosina da Silva. Para tanto, ele utiliza informações sobre os movimentos artísticos e os aspectos históricos, especialmente das décadas de 1950 e 1960, quando os dois estouraram nas paradas de sucesso.
Uma das principais fontes do trabalho foi uma entrevista de seis horas gravada pelo autor nos anos 1990, pouco antes da morte de Cascatinha. Como o subtítulo sugere, textos de jornais e revistas especializadas de São Paulo, do Rio de Janeiro e até de Pernambuco foram usados como referência, como a “Revista do Rádio”, que trazia inclusive letras de música num tempo em que não havia internet.
Da versão original, o autor raspou terminologias acadêmicas como a análise dos poemas “Índia” e “Meu Primeiro Amor”, os mais famosos registros dos artistas, que só interessavam a estudiosos da teoria da poesia. “O projeto do livro faz parte de outro maior, de resgate da cultura popular caipira do Estado. Se o carioca preserva a produção dos sambistas de morro, como Zé Keti, devemos valorizar nossos compositores e intérpretes sertanejos, como Cascatinha e Inhana.
As obras são diferentes, mas têm a mesma qualidade artística”, compara o autor. O livro tornou-se realidade graças à parceria entre a editora Annablume, da Capital, e a Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Rio Preto (Faperp). O próximo passo de Alaor Ignácio dos Santos é estudar Zé Fortuna, letrista de “Índia” e “Meu Primeiro Amor”, além de mais de 2 mil canções e dezenas de peças teatrais.
MEC
No ano passado, o autor recebeu o prêmio “Literatura para Todos”, do Ministério da Educação (MEC), que previa a publicação de 300 mil exemplares de uma versão simplificada da pesquisa, acessível a neoleitores (pessoas recentemente alfabetizadas, com pouca familiaridade com a leitura).
O livro “Cascatinha e Inhana: A História e os Trinados dos Sabiás do Sertão” deve ser distribuído gratuitamente até o fim do ano em bibliotecas de entidades parceiras do programa “Brasil Alfabetizado”, como escolas públicas, unidades prisionais e instituições de ensino superior de países lusófonos. O termo “Sabiás do Sertão” é um apelido derivado da capacidade vocal de Cascatinha e Inhana, que lhes rendeu um programa homônimo, apresentado na Rádio Record há mais de 50 anos, e um álbum de 1998.
Serviço
Cascatinha e Inhana: Uma História Contada às Falas e Mídia (Editora Annablume), de Alaor Ignácio dos Santos Júnior. Lançamento do livro com coquetel caipira, hoje, às 19h, na Faperp (rua Siqueira Campos, 3.718, Santa Cruz). Informações pelo telefone: (17) 3235-9089
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