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A um passo da glória
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São José do Rio Preto, 12 de Janeiro, 2012 - 1:45
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Especialistas ensinam como lidar com a frustração
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Hamilton Pavam
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Bruno Mariano: solidão e estresse valem o preço de uma vaga
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Como lidar com a frustração de estar tão perto de um objetivo e vê-lo escapar por um detalhe, por um triz? De onde tirar forças para levantar a cabeça e começar tudo de novo. Esta situação, tão comum no esporte, em que atletas perdem medalhas por frações de segundo, se torna ainda mais presente neste período de vestibular, dos grandes desafios da vida, uma escolha para o futuro, cercada de expectativas que podem levar ao estresse, mas que, como bem lembra a life coach Anita Henrick Silva, “servirão como memória do subconsciente para novas conquistas mais desafiantes ainda.”
Os pontos que pesam são a grande competição pela vaga, a pressão da família, a autocobrança, a incerteza sobre a decisão correta e a insegurança em relação à própria capacidade. Na opinião de Anita, o candidato não pode desanimar e tem de acreditar na própria capacidade. “Um novo ciclo vai ser iniciado, com mais experiência e a sabedoria de que realmente falta pouco para a conquista do objetivo. A palavra ‘quase’ já diz que não foi o suficiente e que é preciso mais estudo, mais calma, mais atenção, e acreditar honestamente na capacidade da conquista.”
Para quem ficou muito próximo da vaga e falhou, o apoio dos amigos e da família é indispensável. São eles que vão acalmar, dar força e cobrar no ponto certo. Atividades físicas também ajudam a eliminar as pressões psicológicas. A ação libera endorfina, substância que gera sensação de prazer. “Caminho todos os dias e depois volto a estudar novamente. É um tipo de combustível”, afirma o administrador Bruno Ponté Mariano, de 27 anos.
No páreo e na contagem regressiva para o concurso do INSS, um dos mais disputados, que será realizado no dia 2 fevereiro, ele trabalha pela manhã e estuda nos dois outros períodos. Está há quase três anos se preparando, com nove concursos já realizados no “currículo”. “Fui habilitado em quatro, mas até agora não fui chamado para nenhum.” Além do sacrifício diário de estudos, Mariano tem de conviver com ansiedade, angústia, solidão e nervosismo. Ele trabalha em casa e essa condição altera o humor. “Fico 24 horas em casa, sem contato com o mundo. Vivo estressado, terminei com a namorada e brigo diariamente com meus próprios limites.
”Para ele, conquistar a vaga pretendida exige disciplina, força de vontade, e isso requer empenho. “Ver amigos, por exemplo, só no final de semana, mas quando saio tenho de voltar cedo para estudar no outro dia.” O psicólogo e especialista em ciências cognitivas Fernando Elias José afirma que uma das causas para que os candidatos falhem a um passo da vaga é porque estão preparados tecnicamente, mas não possuem um conhecimento emocional para responder às questões de forma clara e objetiva. Para estar com ele afiado para a hora da prova, o especialista recomenda autoconhecimento.
“É preciso ter estudado para encontrar a resposta certa. Feito isso, basta ter tranquilidade, confiança e concentração para aplicar seu conhecimento integral na prova.” Ter autoestima é importante. Beatriz Pelozo Mendes, 20 anos, está confiante, apesar da concorrência. Aguarda os resultados do vestibulares para os cursos de direito, na Unesp, e gestão de comércio exterior, na Unicamp. “Desde o início, tive um objetivo:
ser aprovada em uma universidade estadual e federal. Sabia da dificuldade e me concentrei nisso”, diz. Amanda Fernandes do Nascimento, 20 anos, já bateu na trave algumas vezes para o curso de medicina. Aguarda agora o resultado da USP. “Estou calma, porque sei que dei tudo de mim. Se não passar, afirma que não vai desistir.
“Bola para frente.” Para Anita, a persistência dos candidatos confirma que tudo é válido. “O sonho pessoal vale 100%. Sempre quando nos empenhamos para uma conquista, temos de deixar de fazer outras coisas que muitas vezes gostamos. Mas pense que será temporário.” Sobre desistir, Anita afirma que não é uma boa ideia. “Descubra qual seu sonho mais amado, quais seus talentos e como pode combinar os dois para construir seu legado de vida.”
Autossabotagem e medo de mudança
O psiquiatra Vítor Giacomini Flosi fala com propriedade sobre frustração e persistência no vestibular à experiência pessoal. “Fiquei por três nomes para entrar em medicina da primeira vez que prestei vestibular e por um nome na segunda vez.” Ele afirma que, às vezes, os candidatos permanecem cometendo os mesmos erros. “Isso ocorre porque, apesar de querermos mudar, nosso inconsciente ainda não nos permitiu mudar.”
Ele afirma que cada vez que uma pessoa desconfia da capacidade de superar obstáculos cultiva-se um sentimento de covardia interior que bloqueia emoções e paralisa. “Muitas vezes, o medo da mudança é maior do que a força para mudar. Por isso, enquanto nos autoiludirmos com soluções irreais e tivermos resistência em rever nossos erros e aprender com eles, estaremos bloqueados”, explica. Segundo Flosi, a preguiça e o orgulho se tornam expressões de autossabotagem. “Dificilmente percebemos que nos autossabotamos. Nós nos autoiludimos quando não lidamos diretamente com a raiz dos nossos problemas.”
Para o psiquiatra, a aprovação está ao alcance de todos. “As angústias e os eventuais momentos de desânimo são naturais e fazem parte da trajetória de qualquer candidato que sonha em alcançar o êxito pretendido. O fundamental é procurar desenvolver um processo de preparação de forma adequada, e compreender, inclusive com base em fundamentos racionais e afetivos, a viabilidade da aprovação.”
“Só chega lá quem, apesar dos percalços, continua a acreditar que vai, hora ou outra, conseguir.”
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