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São José do Rio Preto, 15 de Dezembro, 2011 - 7:38
Período de férias propícia mais liberdade para os filhos

Daniela Fenti

Lézio Júnior/Editoria de Arte
Com o fim do ano letivo, surge uma infinidade de ofertas às crianças e aos adolescentes para “fugir” das vistas dos pais. Desse modo, acampamentos, excursões escolares, viagens familiares e até mesmo colônias de férias passam a ser o sonho dos pequenos e o terror dos adultos. A estudante Marina Ottoboni Rossi, 12 anos, é uma das que se preparam para viajar sozinha pela primeira vez. Durante todo o mês de julho do ano que vem, ela vai passar pela França, pela Espanha e pela Inglaterra, com uma turma da escola. A irmã, Manuela, um ano mais velha, não se sentiu segura para viver a mesma aventura.

“Até hoje, nunca tínhamos passado mais do que um fim de semana separadas. Só permiti porque confio na professora que vai acompanhá-la e sei que é uma experiência rara”, explica a mãe, Eloísa Ottoboni Rossi, 41. Eloísa acredita que o passeio será fundamental para ampliar os conhecimentos culturais da caçula, além de contribuir para sua autonomia. “Ela é muito tímida e terá a oportunidade de treinar melhor o inglês britânico. Além disso, vai ter de se responsabilizar por arrumar o quarto, por exemplo”, incentiva a mãe.

A partir da próxima semana, ela e o marido, Aluízio de Paiva Rossi, 49, pretendem ensinar a herdeira a lidar com moedas estrangeiras, em visita aos Estados Unidos. O principal medo da menina é justamente com relação ao idioma. Mas a vontade de conhecer o quadro “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci, no Museu do Louvre, é maior. “Tenho medo de alguém falar em inglês e eu não entender”, confessa, sem perder o entusiasmo. Quem já passou por experiência semelhante aprova os resultados.

É o caso do estudante Alfredo Pinheiro Neto, 15. Há cerca de dois meses, ele conheceu a Disney com os amigos. Foram duas semanas de saudades da mãe e de recordações para toda a vida. “Aprendi que devemos tratar todas as pessoas bem e cuidar das nossas próprias coisas. É muito difícil arrumar a mala sem a minha mãe. Acabei perdendo um óculos de sol”, admite o aprendiz. Para a jornalista Josiane Canovas, 33, é fundamental despertar a independência da pequena Thaísa, 6. No ano passado, a menina passou cerca de dez dias em Campinas, na companhia da avó, Salime, 69, e de outros parentes maternos.

“Depois de deixá-las na rodoviária, não contive a emoção. Mas a angústia passou depois dos primeiros dias. Queria que ela pudesse crescer”, diz a mãe. De acordo com a psicóloga cognitivo-comportamental Renata Montenegro, de Rio Preto, o maior medo dos pais está relacionado à fatalidades. “Eles se sentem impotentes por não estarem presentes, por isso, muitos não conseguem deixar seus filhos ganharem um pouco de liberdade. É preciso entender que não podemos prever e prevenir tudo, e as crianças, aos poucos, devem criar suas autodefesas naturais. Caso contrário, correm um risco maior, que é o de desenvolver inseguranças crônicas”, alerta a psicóloga.

Se, de um lado, sair da zona de conforto acarreta imprevistos, como uma queda significativa ou uma comida estragada, a oportunidade é ideal para o autoconhecimento. “Isso fará seu amanhã mais estruturado, dará mais segurança em suas decisões e facilitará suas relações interpessoais”, ensina Renata. Para o doutor em psicologia da educação João Carlos Martins, de São Paulo, o primeiro passo para a emancipação dos pequenos pode ser o acampamento, prática tradicional para os norte-americanos e ainda pouco divulgada no Brasil.

“Além de usufruírem de atividades de lazer, os filhos aproveitam para lidar com outras relações, aprendendo a socializar, dividir, ouvir e seguir regras.” Mas se o desejo de explorar o mundo for aguçado muito cedo, devido especialmente às facilidades da internet, a atenção precisa ser redobrada. Segundo Renata, viagens longas e para lugares distantes, com pessoas de até 15 anos, trazem a necessidade irrevogável de adultos responsáveis juntos e atentos, porque as crianças e os adolescentes são impulsivos e avaliam as consequências desses impulsos de maneira ainda imatura.

“É preciso lembrar que estamos falando de crianças e adolescentes. Eles terão seu próprio tempo para amadurecer e viver cada fase. Não precisamos acelerar isso, mesmo que insistam muito”, explica.
Antes de permitir ou proibir o embarque, os pais devem se certificar das condições do lugar, dos possíveis perigos e de como preveni-los ou combatê-los. Cada circunstância determinará o tempo fora de casa. O importante é manter um contínuo contato com os familiares, para que todos se sintam em paz com a separação momentânea. O diálogo, por sua vez, não deve se tornar sufocante. “Confiança e cumplicidade não podem ser impostas, apenas conquistadas com habilidade e entendimento”, diz a especialista.

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