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São José do Rio Preto, 13 de Dezembro, 2011 - 1:46
Pais devem orientar os filhos para uso responsável da tecnologia

Francine Moreno

Divulgação
Pais devem estabelecer horários para que não sejam prejudicados os estudos, o repouso e, principalmente, para que as crianças participem da vida em família de maneira saudável
Dos 10 aos 16 anos, os filhos não são adultos, mas querem se comportar como tal. Querem sair sem os pais, fazer o que bem entendem sem pedir permissão. E seus telefones celulares, sem dúvida, têm de ser melhores que os de suas mães. De acordo com a pesquisa “Teens and Technology”, da Consumer Electronics Association (CEA), nos Estados Unidos, mais de 90% das crianças e adolescentes não vivem sem tecnologia e 77% dos entrevistados afirmam que ela é a fonte necessária para socializar-se com os amigos. O estudo ainda afirmou que o celular é visto pelo adolescente como uma extensão de si mesmo. O aparelho é o principal objeto de desejo.

Maria Laura de Morais, de 11 anos, integra a lista de pré-adolescentes que são dependente do celular. Seu aparelho é superavançado, tem grande capacidade de armazenamento para música, conexão à internet e tela grande. “Tenho uma parcela de culpa”, afirma a mãe, a empresária Leonora de Morais, 38 anos. “Vivo conectada na internet e com o celular na mão, respondendo e-mails, enviando recados e falando com meus filhos”, diz.

Apesar desse apego todo à tecnologia (até mesmo pelos pais, muitas vezes), especialistas afirmam que eles, os pais, têm papel importante para evitar que a criança não crie dependência. Os pais têm de colocar limites e ensinar que os filhos precisam do celular, por exemplo, para uma comunicação com outros membros da família e não como objeto de moda. É preciso limite para que os aparelhos entrem na vida das crianças e adolescentes antes da hora, encurtando as fases.

Uma boa parcela dos jovens leva o celular para a mesa de refeição, para a cama, e perde horas falando com amigos ou jogando. O que era para ser um facilitador se torna compulsão, pode atrapalhar no repouso noturno e dificultar a comunicação em casa ou na escola. Segundo a psicóloga cognitivo-comportamental Irene Araújo Corrêa, tudo na vida deve ter algumas regras e não é diferente com o celular ou joguinhos. Os pais devem estabelecer um horário para que não sejam prejudicados os estudos, o repouso e, principalmente, para que as crianças participem da vida em família de maneira saudável.

Para evitar que se tornem vilões muito mais cedo do que esperavam, os pais precisam ter controle desde o início. Irene afirma que os pais devem impor limites desde o momento em que compram o aparelho para o filho. “Se tudo é conversado, acompanhado e com regras bem claras, é mais fácil controlar para que não haja exageros. O problema não está propriamente em ter um aparelho celular, mas nos limites que não são estabelecidos antes.”

De acordo com Marcelle Vecchi, master practitioner em Programação Neurolinguística, os pais dão exemplos pelos próprios comportamentos. “É necessário expor seus pontos de vista aos jovens e procurar convencê-los com argumentos que eles entendam e aceitem.” Confiscar o telefone, por exemplo, não é uma medida coerente. “Simplesmente adotar medidas radicais não ajudará: é importante que os jovens se convençam dos prejuízos de seus comportamentos, para depois decidir mudar.”

Medo paterno reflete maior acesso

Marcelle Vecchi, master practitioner em Programação Neurolinguística, afirma que a exagerada expansão tecnológi-ca entre crianças se dá pelo medo e controle dos pais. “Há uma necessidade enorme de saber onde o filho se encontra e com quem está. Isso mostra, da parte dos pais, grande preocupação e medo de acontecer algo preocupante”, diz.

Além desse medo, há também a necessidade que os filhos têm de se socializar. Isso acontece entre os 14 e 17 anos. “Nesta fase, eles querem aumentar os recursos de que dispõen para ser aceitos pelos outros. Se seus amigos possuem o celular ou outro aparelho similar para se manter em contato constante, ele também deve fazer parte desse grupo”, afirma Marcelle.

Não existe uma idade certa para ganhar de presente um celular, por exemplo. “Se os pais conseguissem controlar seus próprios medos, o celular só seria útil quando seus filhos fossem para a faculdade, nessa fase o celular teria motivo de fazer parte da rotina da família, pois os pais teriam menos acesso aos horários de seus filhos e o celular facilitaria esse contato”, afirma Marcelle.

Por outro lado, hoje vivemos numa sociedade movida pelos medos. “A quantidade de seguros que adquirimos estão aí para comprovar isso. O que acredito ser uma forma mais saudável seria a correta utilização desses aparelhos, nunca substituindo uma interação real entre as pessoas com uma virtual”, afirma Marcelle.





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