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Cuidado com a fala
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São José do Rio Preto, 18 de Fevereiro, 2010 - 2:58
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As palavras antecedem comportamentos
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Lézio Júnior/ Editoria de arte
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Você sabia que nosso cérebro não reconhece a palavra “não” e manipula tudo aquilo que a sucede instantaneamente? Por essa razão que se eu pedir para você não pensar em uma parede rosa com bolas brancas, certamente você acabará enxergando a parede e as cores. Essa também é a razão pela qual muitas placas de advertência também substituíram o “não” por “é proibido”. Com base nesta teoria, a Programação Neurolinguística (PNL), metodologia de inteligência que estuda a estrutura da experiência subjetiva do ser humano e o que pode-se fazer com isso, afirma que é preciso seguir algumas dicas para melhor ser ouvido e entendido num universo em que cada palavra pode influenciar nas relações afetivas, profissionais e sociais.
De acordo com a psicóloga e hipnoterapeuta Adriana Teixeira Leite, master practitioner em PNL, as palavras são âncoras para experiências. Elas criam uma representação interna do pensamento, assim como também tentam representar algo do que se pensa. “Nós falamos o que está na estrutura do nosso pensamento e ao mesmo tempo alimentamos nosso pensamento pela linguagem. Quando falamos algo, estamos expondo nossas crenças e valores.”
Essa linguagem também reforça o processo mental a um complexo número de comportamentos. Segundo Sirlei Bernardes, coach de relacionamento e profissional, consultora de treinamentos e especialista em aprendizagem acelerada, são esses comportamentos que demonstram o estado de espírito. “Não adianta falar uma coisa e demonstrar outra por meio da linguagem. Se você levanta a cabeça, os ombros, empina o nariz e faz isso por algum tempo, essa linguagem reforçará sua mente e acabará por se sentir o todo poderoso. Do mesmo jeito, se fizer o contrário, abaixar a cabeça, cair os ombros, logo você se sentirá um fraco.”
Mas é possível mudar esses padrões negativos de comportamento reforçados por palavras negativas que generalizam situações e eliminam as demais possibilidades. “Quando você diz a alguém que algo é bom e que deve experimentar esse algo (desde um passeio, um trabalho, um aprendizado), a pessoa diz ‘não posso’ e você questionar ‘e se você pudesse, como seria? O que impede você de fazer?’ Esse tipo de pergunta faz com que a pessoa projete para o estado desejado futuro, gerando novas possibilidades”, afirma Sirlei.
Para o coach e master practitioner em programação neurolinguística Rodrigo Zambon, é preciso substituir palavras e expressões como “tudo”, “nunca”, “sempre”, “todos”, “somente”, “não posso” e “não devo”, que, além de generalizantes, caracterizam comportamento negativo. “A inclusão de uma única experiência dentro de um universo muito grande de possibilidades pode levar a limitações e restrições despercebidas. Uma única experiência tem características bem definidas, sendo identificada e absorvida pelos filtros neurológicos, não sendo representativa ao todo e sim a um significado unívoco.”
Pesquisas também indicam que a linguagem reforça a construção de carreiras bem sucedidas. “Negociar, comprar, vender, apresentar e comandar são ações inerentes ao ambiente de trabalho e ao bom desempenho de todas elas depende a arte de se comunicar. E isso implica em saber falar e saber ouvir, do contrário, não será possível descobrir o interesse da outra parte, elaborar acordos, persuadir e convencer”, afirma o especialista em comunicação verbal Reinaldo Passadori. “Uma das dicas é trocar a palavra ‘acho’ pelo ‘penso’. A palavra ‘pensar’ sugere que a ideia não foi encontrada, mas elaborada pelo funcionário”, afirma o psicólogo Amauri Cláudio de Sousa, do Instituto Brasileiro de Psicologia Aplicada.
A linguagem ainda pode resolver frustrações, traumas e fobias rapidamente. A base da técnica é descolar as experiências ruins das sensações e palavras, até que a pessoas elimine a memória desagradável. “Age na origem do problema, identifica como ele foi registrado pelo inconsciente e altera essa programação para outra muito mais eficaz. A origem desses problemas está em como nós mesmos registramos os fatos que nos aconteceram até agora”, afirma Marcelle Vecchi, psicoterapeuta comportamental neurolinguista. “Podemos reforçar nosso processo mental a todo momento, tanto positiva quanto negativamente, e para isso precisamos exercitar nossa flexibilidade e fala”, afirma Rodrigo Zambon.
Atenção com o que se quer comunicar
Para melhor ser ouvido, o psicólogo, coach e trainer José Zaib sugere o conhecimento do metamodelo de linguagem e comunicação, dentro da PNL, que ajuda a estabelecer uma relação de maior qualidade e clarificação dos meios, mensagens e códigos. O conhecimento dos sistemas representacionais, ou seja, dos canais sob os quais as pessoas operam (visual, auditivo e sinestésico), podem auxiliar num melhor refinamento do processo de comunicação. “O bom senso, o respeito e o genuíno interesse pelo outro também podem ser fundamentais para uma comunicação mais eficaz e de qualidade”, diz Zaib.
Pesquisas revelam que cada um é responsável pela renovação na fala. “Dentro de você, como pessoa, estão as perguntas. Sempre faça perguntas, abra seus canais sensorias, pois as respostas estão fora de você, estão no mundo e estão disponível no agora”, afirma Alexandre Bortoletto, master trainer em programação neurolinguística. “Quando se aprende mais como você mesmo funciona, fica muito mais fácil viver. Isso se faz pela comunicação interpessoal e intrapessoal, ou seja, pela fala.”
Alerta
De acordo com a psicóloga e hipnoterapeuta Adriana Teixeira Leite, master practitioner em PNL, como representamos internamente tudo o que vivemos, temos de ter cuidado com o que queremos comunicar, uma vez que o que falo nem sempre é representado na cabeça do outro da mesma forma que eu penso porque a experiência é muito maior que a palavra. “Se eu digo para que alguém pense num animal, e eu penso num leão, ela pode pensar num macaco e essa diferença pode gerar um erro na comunicação porque mapa não é território, ou seja, nem sempre a palavra representa a experiência. Mentalmente, nossos pensamentos são afetados por palavras e por isso temos de cuidar também na forma como nos comunicamos internamente, evitando distorções e generalizações”.
Saiba mais:
Exercício para benefícios da fala e consequentemente pessoais, segundo a PNL
1º passo - Durante os próximos dez dias, recuse persistentemente todos os pensamentos, sensações, questões, palavras, metáforas com uma implicação triste ou negativa
2º passo - Se se surpreender comumdesses pensamentos negativos - o que muito possivelmente acontecerá - faça a simesmoas perguntas matinais e noturnas, começando com as perguntas para a resolução de problemas
3º passo - Cada manhã, ao acordar, responda às perguntas matinais. Antes de adormecer, responda às perguntas noturnas. Isso temumefeito miraculoso para ajudá-lo a se sentir bem
4º passo - Durante os próximos dez dias, concentre-se exclusivamente e de forma total na solução e não nos problemas
5º passo - Se apesar de tudo acontecerem pensamentos, perguntas, sensações de caráter negativo, não se culpe. Transforme-os imediatamente. Se, contudo, os pensamentos ou sensações negativas se mantiverem, então espere até à manhã seguinte para começar de novo seu período de treino mental de dez dias.
Entenda a PNL
Compreende-se a PNL comoumsistema de conhecimentos que pesquisa, estuda, sistematiza e modela a experiência subjetiva do ser humano. Éuma espécie de “manual” de como o ser humano, pensa, funciona e comporta-se.
Foi criada na década de 1970 por dois norte-americanos, John Grinder e Richard Bandler, ao pesquisarem comportamentos verbais e não-verbais, a maneira de atuar, a forma de comunicar e se relacionar de três grandes terapeutas, que obtinham resultados eficazes emsuas sessões terapêuticas (Fritz Perls,Virginia Satir e Milton Erickson).
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