|
|
|
|
|
›
Relacionamento
|
|
São José do Rio Preto, 22 de Junho, 2010 - 1:45
|
|
Pronto para amar de novo
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Divlgação
|
|
|
|
Ninguém começa um relacionamento pensando no fim. Todo mundo acredita que relações amorosas foram feitam para durar para sempre. Nem sempre é o que acontece. Segundo o psicanalista russo Igor Caruso, estudar a separação significa estudar a presença da morte na vida, ou seja, cônjuges vivenciam uma sensação de morte recíproca: um tem de morrer na vida do outro.
É com este sentimento mórbido que temos de lidar com o fim. “Quando o relacionamento termina, é necessário lidar com seus fracassos, pois os dois envolvidos são responsáveis de alguma forma pelo que ocorreu com o relacionamento. Apesar de não terem planejado que as coisas percorressem esses caminhos e chegassem ao fim”, garante a psicologa Gisele Lelis Vilela, de Rio Preto.
Gisele explica que dificilmente as duas pessoas chegam a um consenso da necessidade da separação. A pessoa “deixada” fica se perguntando diversas coisas como: “Por que eu? O que eu fiz para merecer isso? Será que cometi algum erro? Não sou interessante, bonita ou magra suficiente? Por que não consegui que ele (a) ficasse comigo?” “O fato é que a falência de um relacionamento amoroso não se dá de uma hora para outra, ela ocorre de modo processual e é resultado, responsabilidade do casal e não apenas de quem está colocando fim ao relacionamento.”
No livro “Melancia”, a autora Marian Keyes define o término de uma relação como “um desastre completo”. Marian resolveu relatar no livro seu sofrimento amoroso com uma pitada do mais fino humor. “... Agora pareço ter perdido a capacidade de tomar decisões... Sentia-me sozinha e com medo.
Queria puxar o cobertor para cima da minha cabeça e morrer...” Para a autora, viver já não tinha mais tanta importância. “A maioria das pessoas sente-se muito mal e até mesmo deprimida devido ao final de um relacionamento. Uma sensação de impotência, desespero e vulnerabilidade toma conta da pessoa por um tempo”, afirma Gisele.
A psicóloga Kátia Ricardi de Abreu explica que ninguém gosta de sofrer. No entanto, o lado positivo do sofrimento é o amadurecimento. “O sofrimento experimentado no amor faz com que aprimoremos nossa forma de amar. Sempre aprendemos algo para que possamos utilizar em um próximo relacionamento.”
É necessário superar o fim do relacionamento. Cada pessoa tem seu tempo a sua forma de sofrer. A sociedade muitas vezes nos leva a acreditar que só ama de verdade aquelas pessoas que param de comer, que não têm força para se levantar da cama, que ficam doentes e passam o dia todo chorando por amor. “O apego ao objeto amado, quando não existe reciprocidade, não é normal. Ou seja, não é normal continuar querendo amar alguém que não está disposto a corresponder com este sentimento”, explica Kátia.
Para Gisele, é aceitável ter dificuldades para lidar com o término. Mesmo porque, para cicatrizar as feridas provocadas, leva-se um tempo. “É normal que no início a sensação de perda provoque reações psicológicas como confusão e descontrole emocional, mas isso não pode durar a ponto de prejudicar a pessoa e impedi-la de seguir a vida”, afirma.
O ser humano tem o costume ruim de se torturar quando o assunto são as coisas ligadas ao coração. O relacionamento acabou e ponto. Será? Muitas vezes o relacionamento acaba, mas a obsessão pela pessoa não. Basta você se questionar: Quantas vezes você se pegou perguntando aos amigos como seu ex está? Com quem ele está? O que ele tem feito da vida? E quantas outras vezes você passou em frente à casa dele para saber se o carro estava na garagem? Foi aos bares que ele frequenta para ver se trombava com ele? Ligou de telefone desconhecido de madrugada para saber se ele estava em alguma festa ou acompanhado? Acredite: você não está sozinho nesse mundo, mas precisa parar com isso. “Não existe tortura normal e nem comum”, frisa Kátia. “Quem vive dessa maneira precisa procurar ajuda médica e apoio psicológico”, alerta Gisele.
Por incrível que pareça, depois de muito sofrer, chega o dia em que você acorda e pronto: a fossa se foi. Você já não passa mais 24 horas pensando na pessoa. Agora quem ocupa quase todos seus pensamentos é você mesmo. É o momento de se redescobrir. “Esforce-se para aproveitar a recente liberdade e busque identificar você mesmo nas atividades, no seu dia a dia. O autoconhecimento será muito importante. É ele quem irá te fazer sair mais forte dessa experiência”, aconselha Vilela.
Roberto Shinyashiki, no livro “Amar pode dar certo”, diz que um relacionamento ensina-nos a amar; se não der certo, não tem importância; sabendo amar, resta-nos apenas encontrar a pessoa certa para receber nosso amor.
Para se relacionar com alguém, é preciso saber se relacionar com você mesmo. De que adianta dedicar todo seu amor ao próximo se você mesmo não se ama? Saber se amar é primordial para amar o próximo. Em um trecho do livro “Melancia”, Marian Keyes mostra a dificuldade que temos de lidar com o amor próprio (“O amor-próprio não mantém você aquecido a noite. O amor-próprio não escuta você no fim de cada dia. O amor-próprio não lhe diz que prefere fazer sexo com você do que com a Cindy Crawford”), mas que, no final, ele pode nos ser bem útil. “Concordo com a escritora. Afirmo que o amor-próprio pode até não fazer nada disso, mas é ele quem irá facilitar a manutenção de quem faz isso ao seu lado”, garante Gisele.
O amor não pode nos fazer seu prisioneiro. Quando amar vira sinônimo de ter de viver a vida do outro, alguma coisa está errada. “Temos de caminhar com nossas próprias pernas com ou sem relacionamento amoroso. Não podemos acreditar que quando amamos temos de caminhar com a pernas dos outros”, diz Kátia.
Saiba se amar, antes mesmo de amar o próximo. Entre em um relacionamento tendo a certeza de que vocês se completam e não de que um tem de viver a vida do outro. Caminhe lado a lado. Façam planos. Preste atenção nas necessidades do outro. Não tente achar um culpado caso o relacionamento não dê certo. Respeite o próximo.
Viva o relacionamento enquanto ele existe. De nada adianta passar a viver do passado, pensando em como seria se não tivesse chegado ao fim. Dê valor à pessoa enquanto ela está com você. Tudo isso é necessário para se manter uma vida a dois.
Especialistas garantem que a melhor coisa que você pode fazer caso o relacionamento chegue ao fim é aceitar. “Mesmo que ainda exista afeto da sua parte, caminhe adiante, viva sua vida e acredite que existirá alguém neste mundo que vai gostar muito de você como você é. Alguém que irá valorizar seus sentimentos, que vai admirar suas qualidades e vai despertar em você o mesmo desejo e a mesma vontade de amar.
Coloque em primeiro lugar o amor que você tem por si mesmo, elevando assim sua autoestima. Por mais que você sofra, lembre-se de que o mundo está repleto de pessoas interessantes. Não alimente vinganças, retaliações”, indica Kátia. “Pense que a vida pode estar te preparando uma grande surpresa e você encontrará alguém muito mais agradável do que esta pessoa pela qual hoje você está sofrendo. Vai passar! Deixe-a sair do seu coração”, aconselha.
Viva e seja feliz. Assim, quando você menos esperar, um novo amor vai bater à sua porta. E desta vez, os erros do passado ficarão exatamente onde devem ficar: no passado. Pois você superou o fim e está pronto para amar de novo.
Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital
|
|
|
|
|
|
|
OPINE SOBRE ESTA MATÉRIA
|
|
|
|
Não sou cadastrado |
Clique aqui
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
COMENTÁRIOS
|
|
|
|
|
|
Nenhum comentário cadastrado.
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
ENVIE PARA UM AMIGO
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|