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Dia dos namorados
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São José do Rio Preto, 12 de Junho, 2010 - 1:45
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Relacionamento à distância requer confiança e estímulo
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Divulgação
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Casais afastados pelas circunstâncias precisam ser mais criativos
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No dicionário, a palavra saudade aparece descrita como sentimento nostálgico ligado à memória de alguém ou algo ausente. Simples assim. Quando lemos tal descrição, temos a sensação de estar falando de algo pequeno, que não dói e não machuca aquele que a sente. Agora peça para alguém que sofre de saudade descrever esse sentimento. A pessoa só falta chorar na sua frente.
A jornalista e escritora Marta Madeiros fala em sua crônicas “A dor que dói mais” de forma brilhante da saudade. Segundo ela, trancar o dedo na porta dói, um tapa, morder a língua, cárie e pedra no rim doem. Mas o que mais dói é a saudade. “Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto da fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudade todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.” Marta é humana e é por isso que consegue descrever tão bem a saudade.
Com a chegada de mais um Dia dos Namorados, muitos casais andam choramingando pelos cantos cabisbaixos, sofrendo de saudade pelo ser amado que, por exemplo, recebeu uma proposta de trabalho irrecusável em outra cidade e está agora a quilômetros de distância.
Especialistas afirmam que manter um relacionamento à distância não é nada fácil, mas sim, é possível amar de verdade sem passar 24 horas grudado. Casais afastados pelas circunstâncias precisam ser mais criativos e confiar mais no parceiro, diz a psicóloga Leniza Castello Branco, de São Paulo. Esses casais precisam recorrer a outros meios para manter a chama da paixão acesa. “O telefone, por exemplo, passa a ser o maior aliado deles.
Não há nada mais gostoso do que, à noite, na cama, conversar muito tempo sobre o que cada um fez, lembrar do último encontro, trocar confidências e fantasias eróticas. Os mais moderninhos utilizam câmeras para além, de conversar, se verem. Já os mais românticos preferem as cartas, mesmo que virtuais. Não importa a atitude, tudo que for gesto de carinho, que alegre o parceiro e fortaleça a união, deve ser praticado.”
Há sete anos e sete meses juntos, a física Érika Ribeiro e Silva, 25 anos, e o empresário Milton Daniel Parise Corrêa, 26, enfrentam pela segunda vez a distância. “Quando começamos a namorar ele fazia faculdade em Taquaritinga e eu morava em Rio Preto. Agora sou eu quem estou fazendo mestrado em Ribeirão Preto e ele fica por aqui”, conta Érika.
A distância não atrapalha o amor desse casal. Érika e Milton garantem que se falam todos os dias ao telefone ou pela internet e todo fim de semana se encontram. “Fazemos um revesamento. Um fim de semana eu vou e no outro ela vem. E sempre que a vejo pela ‘primeira vez’ é tão bom. Ficamos o tempo inteiro juntos”, derrete o apaixonado Milton.
Mesmo depois de tanto tempo de namoro o casal não deixa a paixão acabar. Érika explica que o segredo é entender que o amor que une um casal sempre é maior que a distância que os separa. “Como o maior contato é virtual, aproveitamos para contar tudo que aconteceu no nosso dia um com o outro e assim amenizar a distância.”
Quando se ama alguém que está longe sente-se saudade de tudo. Saudade da pele, dos beijos, dos abraços, do cheiro. Saudade da presença e até mesmo das brigas. “Quando se está apaixonado, a vontade de estar ao lado da pessoa é maior do que qualquer ciúme”, garante o advogado Antônio Bosco Sobrinho, que namora à distância há oito meses a também advogada Carolina Viana.
Eles se conheceram através de uma amiga e na época Antonio já morava em São Paulo e Carolina em Rio Preto. O casal garante que a pior coisa é a saudade. “Não posso pegar o carro e em 10 minutos estar com ela. Venho toda semana e a primeira coisa que fazemos é matar a saudade. Deixamos de lado todo o restante que possa atrapalhar e temos sempre um reencontro maravilhoso”, diz.
Para Carolina, é mais interessante cada encontro quando se namora à distância. “Você se prepara mais, quer ir a um bom lugar, faz surpresas, está sempre bem vestida, quer impressionar e mostrar que está linda para a pessoa. Os dois desejam provocar no parceiro sentimentos de atração e admiração, que talvez possam ter sido esquecidos devido à distância”, diz.
A advogada explica que a forma para se manter um relacionamento à distância é ter maturidade e confiar em você e na pessoa. “Não há maneira de uma relação sobreviver se não há confiança mútua. Esqueça o ciúme e relaxe, aproveite a ausência física da pessoa para fazer programa com as amigas, divirta-se, porque no final vale a pena o sacrifício”, afirma.
Kátia Ricardi de Abreu, psicóloga de Rio Preto, alerta os casais mostrando que tudo nessa vida tem um lado bom e outro ruim. “É preciso ver as vantagens e as desvantagens de manter um relacionamento à distância, mas antes de qualquer coisa é preciso saber se o afeto é maior do que todos os obstáculos que a distância fatalmente irá proporcionar.”
Pode-se ver como vantagem o crescimento, pois a autoestima é estimulada, principalmente quando já estava rolando uma certa simbiose. Com a distância, você avalia a verdadeira importância da outra pessoa em sua vida. Resgata-se algumas coisas que você deixou de fazer ou apenas fazia para agradar o outro. O reencontro torna-se mais caliente e a presença psicológica e não apenas física pode dar um significado diferente na relação.
A desvantagem é bem maior. A começar pela saudade, a carência, a insegurança, a solidão, a falta de contato físico. Tudo isso é horrível. Às vezes, é necessário colocarmos na balança até que ponto vale a pena sofrer de saudade. “Há momentos em que é necessária uma decisão do tipo ‘Vou largar tudo e seguir com você’, pois a necessidade de um relacionamento pede isso”, ressalta a psicóloga Silvana Parreira de Jesus, de Rio Preto.
O estudante de Ciência da Computação Vinícius Oliveira Bernardes, 24 anos, conheceu a publicitária Francine de Lima, 22 anos, em uma de suas vindas a Rio Preto. “Estudo em Maringá, mas minha família é daqui. A conheci através de alguns amigos, começamos a namorar e vivemos o dilema de nos vermos uma ou duas vezes no máximo por mês. A distância realmente é a pior coisa que o casal tem que saber lidar.”
Francine e Vinícius, além da saudade, estão aprendendo a controlar o ciúme, pelo menos o dela. “Assumo que a saudade dói, mas eu a controlo falando com ele todos os dias. Já o ciúme é mais difícil de lidar, mas estou aprendendo. Por mais confiança que se tenha, rola uma vez ou outra o ciúme. Principalmente depois que passamos o fim de semana juntos e ele tem que voltar”, desabafa Francine, a única que assumiu sentir ciúme de não ter seu namorado sempre por perto.
Todos os casais acreditam em uma coisa: se não existir confiança, respeito, companheirismo e sinceridade, de nada adianta existir o amor. Deixe a saudade funcionar como um afrodisíaco na relação, porque, como diria o poeta Pablo Neruda, “Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já”. Então, curta ao máximo cada momento juntos, viva-os intensamente e lembrem sempre, para que os próximos sejam ainda melhores. “Não se esqueçam, quando se encontrarem, namorem, namorem, namorem, mas namorem muito. Para que a chama da paixão nunca se apague”, aconselha Kátia.
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