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São José do Rio Preto, 9 de Junho, 2010 - 1:45
Como manter saudável o relacionamento

Francine Moreno

Lézio Júnior/ Editoria de arte
Na reta final para o Dia dos Namorados, especialistas fazem um alerta para os casais: individualismo não combina com amor. Quando duas pessoas se amam, é impossível uma não se envolver com a vida da outra.

É também preciso deixar-se ajudar. Isso quer dizer que o outro deve apoiar, estimular ou desafiar quando necessário, para que possam evoluir juntos. Trata-se de um método que não pode ser visto como uma invasão ou cobrança, mas sim como algo que faz a diferença no relacionamento.

O psicólogo Ailton Amélio da Silva, fundador da disciplina de relacionamento amoroso na USP, afirma que aquele que se envolve com empenho acrescenta valor e muda para melhor a vida do parceiro e da relação. “Saber manter um relacionamento é semelhante a aprender andar de bicicleta. Na hora que você desvia a atenção do objetivo, você cai.

É preciso empenho antes de tudo”, diz. Para ele, aprendemos a escrever oua nadar só que quando se trata de amor e sexo, homens e mulheres acreditam que tudo deve acontecer instintivamente. “Quem pensa assim, pensa errado.”

A maior dificuldade das pessoas é firmar compromisso e isso tem a ver com o medo e a globalização, já que prega-se que a pessoa sozinha pode atingir melhor suas metas - algo que dificulta várias descobertas, entre elas o amor. “No amor, como tudo na vida, existe a relação de custo benefício. Além disso, ambos devem investir na relação de uma maneira equilibrada. Se um investe muito e o outro não investe nada, mais cedo ou mais tarde vão surgir ressentimentos”, diz Silva.

Para a psicóloga Yara Monachesi, o egocêntrico propaga independência e autonomia, no entanto, o amor ao próximo inclui ou se desdobra em sentimentos de solidariedade, compaixão e afeto. “Podemos dizer que para amar o próximo é preciso que sejamos capazes de nos colocar no lugar dele, avaliar como se sente aquela pessoa que está fora de nós e isso implica abandonar formas egoístas de existir.”

A determinação em resolver seus próprios problemas também é um fator para manter um relacionamento saudável. No entanto, é preciso também deixar que o outro (que está comprometido com sua evolução) ajude na solução dos dilemas. Aliás, essa é uma das razões para que as pessoas se unam.

A união das forças para solucionar dificuldades ajuda a crescer, e consequentemente é um empurrão para sair da zona de conforto. “Permita-se desafiar e ser desafiado para ver se é capaz de ir além daquilo que é proposto”, afirma a psicóloga cognitivo-comportamental Irene Araújo Corrêa.

Para ter mais proximidade e modificar o outro, a pessoa tem de estar aberta a receber a influência e se modificar, quando necessário. Mas Irene alerta. “Deve encontrar um equilíbrio para não entrar num ciclo de controle que acaba sufocando e deixando a relação aversiva”, diz.

As expectativas que a pessoa cria sobre uma relação ideal ou perfeita são distorções, verdadeiros entraves na convivência. Para que um casal funcione bem, é necessário que ambos estejam prontos para interagir de maneira adulta e sincera. Isso pode acontecer em um grau maior ou menor de afinidade.

A imagem do casal que dá certo surge de alguns casos em que a afinidade é maior, somando-se à idealização de quem os vê. “Se vão se entender depende de vários fatores e comportamentos, como a capacidade de cada um em ceder ou, pelo menos, entender o ponto de vista do outro. Não podemos generalizar”, diz Irene.

Há casais que têm maturidade e entrega e isso faz com que as bases da relação sejam de companheirismo, admiração e respeito. Se surgirem problemas, são capazes de buscar soluções realistas. Há outros que permanecem presos a padrões que impedem essa adaptação. “Outro erro”, diz. É preciso construir bases emocionais consistentes para que a pessoa tenha um repertório de enfrentamento adequado para cada situação. “Não adianta acreditar que ao impor uma postura o outro tem obrigação de acatar”, diz a psicóloga.

Numa relação, cada um deve também olhar para si em vez de fixar o olhar somente sobre o outro. “Comportamentos que demonstram mais o desejo de evoluir juntos e menos o desejo de julgar inspiram uma atitude mais construtiva e permitem uma margem para que cada um dê seus passos por vontade e mérito próprios”, diz Irene.

Casal que se entende vive com tranquilidade

Para a manutenção da relação, o psicólogo Wilson Sergio Damasco afirma que o amor continua sendo um condutor de ações. Para ele, o relacionamento precisa da força do amor na mesma intensidade de quando se é solteiro. “Tratar nossa cara metade com amor é uma garantia de que queremos ir longe por meio de uma união desafiadora onde tudo o que fizermos terá que refletir no outro e voltar para nós da forma em que foi lançado.”

Para o especialista, viver amorosamente dentro de uma sociedade de consumo é para poucos. Os que entenderem que é melhor ser do que ter sobreviverão com mais tranquilidade, e sem dúvida a relação vai conseguir passar por todas as etapas que virão sem aviso prévio. Segundo Damasco, ser bem sucedido na relação é colecionar mais momentos de felicidade do que de infelicidade.

Para maior possibilidades de que isto aconteça, o casal deve se equilibrar sendo menos materialista e mais espiritualista. “Deve-se aprimorar no desenvolvimento da paciência e da conformação e ter alguma crença que o leve a ter fé no positivismo do compromisso assumido para cada etapa a ser enfrentada.”

Alerta

Para a psicóloga cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira, sustentar uma relação apoiado-se no sentimento unilateral, mutilando as próprias necessidades e desejos para se ajustar no contexto e dar conta das necessidades do outro, pode até manter o relacionamento, mas é impossível que a parte sacrificada seja feliz dessa maneira.

Neste cenário, toda dificuldade afetiva está relacionada a um padrão de crenças negativas que a pessoa desenvolve sobre si mesma e sobre os outros, com base nas experiências passadas ou num modo catastrófico e antecipatório de projetar o futuro. “Ou ela, por já ter sofrido uma ou várias vezes, julga estar predestinada a sofrer sempre, ou antecipa coisas ruins, sofrimentos horríveis e uma série de outras emoções negativas, antes de se permitir vivenciar o presente.”

Para ela, o enfrentamento de problemas exige coragem, mas coragem não é ausência de medo, é a capacidade de enfrentar situações a despeito de eventuais medos. “É oportuno agir com o coração, deixar que os sentimentos de amor se manifestem. Se tivermos momentos amáveis e memoráveis, tudo terá valido a pena, não precisa ser eterno.”


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