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São José do Rio Preto, 6 de Junho, 2010 - 3:15
Seja um romântico incorrigível

Juliana Ribeiro

Orlandeli/ Editoria de arte
Com a proximidade do Dia dos Namorados no Brasil, a necessidade de ser lembrado se torna ainda maior. Muitas pessoas se pegam suspirando sozinhas enquanto pensam no amado ou sonhando com um relacionamento maduro. Para a psicóloga Leniza Castello Branco, de São Paulo, ser romântico faz muito bem para a alma e aquece qualquer relacionamento. “Atos românticos não precisam ser heroicos”, enfatiza.

E para ser romântico não é preciso voltar ao passado, quando os homens idealizavam a mulher como uma deusa, inatingível, sempre acima de tudo e de todos. Sejamos realistas: o mundo mudou, as pessoas mudaram e até a forma de amar mudou.

Atualmente, o amor é visto e vivido de forma mais madura, muitas vezes até deixado de lado devido às transformações sociais. “O romantismo saiu um pouco de cena, porque ser sensível demais pode tirar a concentração ou até mesmo nos afastar do foco principal que é a sobrevivência. Então, ficou mais fácil dizermos que é brega ser romântico”, diz a psicóloga Beth Valentim, do Rio de Janeiro.

Para a psicóloga, mandar flores com cartão, escrever uma carta e enviar pelos Correios, escrever que ama com o batom no espelho são atos românticos do passado. Gestos como abrir a porta do carro, puxar a cadeira no restaurante, segurar a sacola pesada, são atos românticos contemporâneos. “O ideal seria se as pessoas combinassem gestos do passado com os de hoje. Assim, poderíamos sempre aquecer a relação com atitudes que motivem os sentimentos.”

Vendo essas mudanças de comportamento nas pessoas a psicóloga Leniza resolveu fazer uma pesquisa com seus pacientes de idades, profissões e sexos diferentes. Perguntou a eles se ainda se consideravam românticos. Para sua surpresa, todos gostam de romantismo e acham importante que ele exista no relacionamento, mas muitos sentem dificuldade em colocar em prática aquilo que sentem. “Algumas pessoas sentem dificuldade em demonstrar afeto. Elas não entendem que o romantismo colabora com o amor, reúne o subjetivo ao objetivo, transforma a pessoa por meio de emoção, ajuda no desenvolvimento psicológico, liberando a sensibilidade reprimida e ajudando na relação.”

Para ser românico, é preciso ser criativo. Manter a chama da paixão acessa não é uma tarefa fácil para ninguém, mas é para ser feita a dois. Quanto mais longo o relacionamento, maiores são as chances dele cair na rotina e se desgastar. Por isso, é necessário tomar cuidado e não descuidar de quem você ama. “Façam uma viagem sozinhos e alguns dias depois marquem um encontro em um restaurante legal ou em um bar badalado com espaço para dançar.

Não se esqueça de que é um encontro, então vocês devem se produzir um para o outro, como nos velhos tempos. Antes de se encontrarem, façam com que a noite ganhe mais emoção, mandem torpedos provocando um ao outro, mensagens de carinho e telefonas criativos ao longo do dia. Parece loucura? Mas é. Vai dizer que na época em que se conheceram e estavam apaixonados os dois não viveram tais loucuras? Basta se esforçar para reviver tais momentos.

Trazer a sensação de ‘frisson’ do início do relacionamento faz um bem danado para qualquer um. Ser romântico não é ser brega: é saber surpreender o parceiro”, explica Beth. A mulher cresceu lendo contos de fadas, brincando de boneca, casinha e a sonhar com o seu príncipe encantado. Já o homem é mais objetivo, foi criado para ser o chefe de família, o forte, aquele que coloca a comida em casa, que sai para caçar.

São dois serem humanos totalmente diferentes vivendo lado a lado. O fato da mulher ser romântica por natureza faz com que muitas vezes ela cobre mais afeto de seu parceiro. “Não há problemas em dizer ao parceiro que quer mais romantismo na relação, mas não podemos impor ao outro um modo de agir que não é dele. É preciso respeitar as características individuais. Afinal, um relacionamento inclui aceitação e admiração ao companheiro pelo o que ele é e não por aquilo que gostaríamos que ele fosse”, explica a psicóloga de Rio Preto, Gisele Lelis Vilela de Oliveira.

Gisele ressalta também que geralmente culpamos os outros por problemas encontrados no relacionamento, não percebemos que muitas vezes somos nós que precisamos modificar nossas atitudes e minimizar nossas exigências com relação aos outros. “Muitas mulheres cobram por carinho, mas esquecem de demonstrar afeto. Pode não parecer, mas os homens também sentem falta de atitudes românticas de suas companheiras.”

No decorrer da vida, estigmatizamos algumas atitudes. Por isso, atitudes românticas só são vistas se forem feitas da maneira como a sociedade nos ensinou. Esquecemos de dar valor aos pequenos gestos e a aceitar que cada indivíduo tem uma maneira de demonstrar tal sentimento. Se seu companheiro ou companheira nunca lhe mandou flores, você já logo diz que ele não é romântico.

Mas o fato dele ou ela sair todos os dias do trabalho cansado e ainda ter tempo para passar na sua casa, ou chegar em casa e lhe dar um beijo, perguntar como foi seu dia e ouvir atentamente seu relato sem demonstrar impaciência ou desinteresse não o torna romântico por quê?

“Muitas vezes, deixa-se de viver plenamente o amor por ter conceitos idealizados ou distorcidos do que seja realmente. Ou seja, o que envolve os atos românticos são sentimentos de preocupação, zelo, amizade, proteção com o bem-estar do outro, respeito pelas diferenças e um desejo de estar juntos”, garante Gisele.

O amor, quando calado, negado ou cobrado, se transforma em agressividade. Não podemos esquecer que o protagonista de nossa história somos nós mesmos, então, precisamos deixar de lado nossos pensamentos negativos e olhar o outro sem antes julgar. É preciso tentar ver o lado bom das pessoas, colocar suas características positivas em evidência e amenizar seus defeitos. Porque ninguém é perfeito.

“Experimente ser terno. Manifeste-se através de pequenos gestos, como um olhar, um toque, um sorriso, um bilhete. Relembre os bons momentos que passaram juntos, isso ajuda muito a aproximar o casal. Reserve um tempo para vocês ficarem a sós. Valorize e elogie as qualidades de seu parceiro. Namore. Não espere que o outro seja romântico para só retribuir. O romantismo, o cuidado mútuo, deve ser cultivado dia a dia”, orienta Gisele.

Não tenha medo de parecer bobo, de se apaixonar e de expressar afeto. Ser romântico faz bem à saúde, melhora o humor, a autoestima, o rendimento no trabalho e o convívio com as pessoas. “Entregue-se totalmente a esse sentimento e torça para que ele seja eterno enquanto dure”, diz Leniza.


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