O Vinho e os Prazeres
   
02 de março
2015
Vinhos da Alsacia
 
O Conseil Interprofissionel des vins D'Alsace, através da Sodexa e Cap Amazon, promoveu uma série de eventos de divulgação de vinhos da Alsácia, no final de 2014.

Uma delas foi uma aula, ministrada por Oliver Bourse, embaixador dos vinhos da Alsácia no Brasil.

Nesta ocasião, além de degustação de vinhos, Oliver fez uma explanação sobre os vinhos da Alsácia, onde disse algumas coisas importantes. São elas:

A videira, não exatamente como conhecemos hoje, já existia antes do aparecimento do homem, na região que mais tarde formaria o Vale Do Reno.

Apesar das uvas serem utilizadas nos primórdios, a cultura da vinha só foi levada a cabo depois da conquista romana.

Os vinhedos da Alsácia, na vertente leste do departamento dos Vosges, desfrutam dos raios solares ao longo de todo o dia. As orientações Sul e Sudeste majoritárias, assim como os excepcionais finais de outono, contribuem para a maturação das cepas.

A barreira natural dos Vosges (cadeia de montanhas) resguarda os vinhedos das influências oceânicas, de forma que as precipitações de chuvas encontram-se dentro das mais exíguas da França (450 a 500 mm por ano). As cálidas temperaturas dos verões dão lugar a outonos ensolarados, que antecedem os rigorosos invernos, características do clima subtropical da região. Este clima privilegiado propicia a maturação lenta e prolongada das uvas, além de favorecer a manifestação de aromas de grande sofisticação.

Os terroirs da Alsácia são divididos em 3 regiões e podem ser classificados em 13 tipos de solos, na beira das montanhas, nas colinas e na planície.

Diferente de outras regiões da França, não é a terra que dá nome aos vinhos, mas as próprias cepas, 10: Sylvaner, Pinot Blanc, Chasselas, Auxerrois, Riesling, Muscat d'Alsace, Pinot Gris, Savagnnin, Gewurztraminer e Pinot Noir.

A região conta com 3 denominações de origem controladas (AOC):

AOC Alsace, estabelecida em 1962, que representa 72% da produção total, da qual 92% são brancos.

AOC Crémant d'Alsace, que é um vinho espumante, elaborado pelo método tradicional, que representa 24% da produção.

AOC Alsace Grands Crus (estabelecido em 1975), que corresponde a 4% da produção e tem o nome complementado por um dos 51 terroirs delimitados e admitidos pela denominação.

As AOC Alsace Grand crus podem ser complementadas por 2 menções de origem: Vendages Tardies e Sélection de Grains Nobles.

A nova legislação, de 2011 estabeleceu regras para o AOC Alsace, composta de vinhos de caráter distintos que respondem a um nível maior de exigência. O nome pode ser complementado assim:

Nome geográfico do vilarejo ou Comune, em número de 11: Blienschwiller, Saint-Hippolyte, Côtes de Barr, Scherwiller, Côte de Rouffach, Vallée Noble, Klevener de Heilingenstein, Val Saint-Grégoire, Ottrout, Wolxheim e Rodern.

Nome da localidade ou Lieu-dit, que trata de identificar as produções qualitativas com característica específica.

Os Crémants d’Alsace, com mais de 500 produtores, geralmente são obtidos das cepas Pinot Blanc, que confere frescura e delicadeza, ao espumante; Chardonnay, que por sua vez destila classe e leveza e a Pinot Noir, que é a única cepa usada para fazer os rosé.

Para se fazer os Grands Crus só podem ser usadas 4 cepas: Riesling, Gewurztraminer, Pinot Gris e Muscat D'Alsace. No rótulo destes crus deve obrigatoriamente constar um dos 51 terroirs, sendo cada um protegido por uma denominação, AOP (semelhante a uma AOC) e a safra. Quando é usada apenas uma cepa, esta deve ser indicada no rótulo.

As Vendages Tardives e Sélection de Grains Nobles devem apresentar uma riqueza elevada de açúcar na colheita e podem ser comercializadas após 18 meses de envelhecimento.

Os vinhos das Vendages Tardives provêm das cepas: Gewurztraminer, Pinot Gris, Riesling ou Muscats que são colhidas várias semanas depois das vindimas oficiais, o que favorece o desenvolvimento da podridão nobre (Botrytis cinérea).

Os vinhos Sélection de Grains Nobles são obtidos por sucessivas classificações de grãos, como resultado da podridão nobre.

Existem restrições para se beneficiar da classificação de Vendages Tardives e Sélection de Grains Nobles: as uvas tem que ser colhidas à mão, pertencer a uma única cepa e é obrigada a ser feita uma identificação da safra, também os vinhos não podem sofrer qualquer enriquecimento, devem ser declarados como Grains Nobles previamente durante a venda (na presença dos serviços do instituto Nacional das Denominações de Origem dos vinhos) e deverão ter sido apresentados, degustados e aprovados após exame analítico e organoléptico sobre a menção particular.

Terminada a aula, passamos para a palestra degustação de 5 vinhos, sendo eles:

Crémant d’Alsace Chardonnay Brut 2007, produzido por Dopff au Moulin, importado pela Mistral, onde custa R$137,00. É um vinho com pouca perlage na taça, mas faz uma explosão na boca. Apresenta um bom frescor, com frutas cítricas no nariz.

Sylvanner 2006, produzido pela Maison Trimbach, que é importado pela Zahil, onde o seu custo é de R$115,00. O vinho estava passado. Oliver disse que esta cepa tem vida mais curta.

Riesling Vielles Vignes 2012, feita pela Cave de Ribeauvillé. É importado pela Chez France por R$69,00. Este é um vinho que oferece excelente relação custo / benefício, revela flor branca e petróleo no nariz. Ele tem boa acidez, lembrando maçã verde e tem também boa persistência.

Pinot Gris, produzido pela Domaine Paul Blank e é importado pela Decanter por R$145,00. Achei este vinho mais adocicado, lembrou champignon, sabor de terra, com aromas de tangerina e laranja.

Gewurztrameiner Turkheim 2011, feito pela Domaine Zind Humbrecht, que é importado pela Delacroix por R$108,00. O vinho é muito aromático, com lichia, flor, abacaxi. Na boca ele é bem doce, com toques de pimenta. Gostei deste vinho. Ele combina com pratos indianos, com especiarias e com queijo munster, feito na região.

A Alsácia está sensível à produção de vinhos mais saudáveis e expressivos, desde o final da década de 1960. Hoje são produzidos ali muitos vinhos orgânicos, de forma a colaborar com a natureza.

A seguir, apresento alguns gráficos que mostram a evolução da produção de vinhos da região:


Finalmente Oliver ressaltou que os vinhos da Alsácia são tão bons como outros franceses e apresentam a vantagem de serem muito mais baratos que os vinhos da Borgonha e de Bordeaux.

A apresentação foi elucidativa e muito acrescentou para o meu conhecimento sobre os vinhos Alsacianos.

A região da Alsácia é muito bonita e florida, um boa região para o turismo.
Cidades como Colmar e outras na rota do vinho, algumas medievais, cercadas por muralhas e com casas de estruturas que misturam alvenaria com madeira, lembram a Alemanha.

Agradeço à Cap Amazon, de Caroline Putnoki, pelo convite a este excelente evento!

 

 

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22 de fevereiro
2015
Lanches do Checho
 
Eu li no jornal “Folha de São Paulo”, que Checho Gonzales tinha aberto uma lanchonete num box do mercado de Pinheiros, aqui em Sampa.

Checho nasceu em La Paz, nos anos 70 e faz um dos pratos que muito me atrai: ceviche, ou cebice.

Checho trabalhou em 1999 com o chef Alex Atala.

Durante 2 anos, Checho se dedicou à comida itinerante, sem ponto fixo.

Tão logo abriu (12/6/14), fui conhecer o box do Checho e sua comida, que aliás já tinha provado num dos eventos do Mercado.

A instalação lá é simples, mas bem feita. Um balcão de madeira em L, com banquetas, além de mesinhas sem cadeiras, espalhadas em sua volta.

Quem recebe os pedidos é o próprio Checho, que por si só já é uma figura, todo tatuado. Apesar da aparência sisuda, ele é uma boa pessoa e muito educado!

Os pratos e copos são descartáveis, combinando com a nossa falta d’água, em plena crise hídrica que nos encontramos!

Na primeira vez que fui ao Checho, provei um ceviche de frutos do mar (R$18,00) e outro de peixe (R$15,00), comum delicioso molho sugerido pelo chef.

Neste dia, estava lá a fornecedora de sucos naturais muito gostosos.

Além dos ceviches, ainda são oferecidos alguns assados.

Na segunda vez, pedi o ceviche de peixe, que é o meu predileto. Arrisquei também pedir coxas de frango levemente apimentadas. O prato é saboroso, mas um pouco pesado para mim, devido à presença da pele do frango.

Na terceira vez que fui lá, convidei uma amiga que era conhecida do Checho pra provar o ceviche dele.

Pedi então o ceviche de peixe acompanhado de batatas doces. O ceviche continuava bom e a porção de batatas foi muito grande para mim. Descobri que gosto mais de batatas fritas.

Desta vez, o Checho tinha disponível chopp da Coruja, cuja cerveja eu já havia provado e gostado.

Além da companhia agradável, gostei mais uma vez dos pratos, que são feitos com produtos do próprio mercado, como o peixe do dia.

Pretendo voltar à lanchonete e levar outros amigos para conhecer os deliciosos pratos do Checho, com seus preços honestos!

 
 

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16 de fevereiro
2015
Zadar, cidade da Croácia
 
Depois de conhecermos Rovinj, partimos para Zadar, que é uma cidade no centro da região da Dalmácia.

A viagem que fizemos foi longa, 400 km, dois túneis de 6 km cada um e muitas curvas, serra e muito vento!

Em Zadar, ficamos hospedados no Hotel Donat. Majstora Radovana 7 (http://www.hotel-donat.com/), com sistema all inclusive, por E$ 216,00 por 2 dias. Fiquei animado com o all inclusive no início, porém o hotel mais parecia uma colónia de férias dos filmes de regimes comunistas, com quartos simples, comida pesada e básica e serviço de segunda.

A cidade de Zadar está bem descaracterizada, pois em vários locais, entre as ruínas romanas, prédios foram construídos, sem nada a ver com o estilo da cidade.

Durante a segunda grande guerra, a região foi invadida pelos italianos, sendo abandonada por estes em 1944.

De 1947 a 1991, a cidade pertenceu à Iugoslávia.

A guerra separatista se iniciou em 1990 terminando apenas em 1995.

A cidade foi dominada pelos romanos no século 33 AC. No século 6 Zadar foi atingida por um terremoto, que destruiu muito de seus prédios.

Zadar ganhou sua estrutura urbana ainda no tempo dos romanos; durante o tempo de Júlio César e imperador Augustus, A cidade foi fortificada e as muralhas da cidade, com torres e portões, foram construídas. No lado ocidental da cidade, foram edificados: o fórum, a basílica e o templo, enquanto do lado de fora da cidade: o anfiteatro e cemitérios. O aqueduto que forneceu água para a cidade é parcialmente preservado até hoje.
Dentro da cidade antiga, a cidade medieval tinha construído uma série de igrejas e mosteiros.

Durante a Idade Média , Zadar ganhou o seu aspecto urbano, que tem sido mantido até hoje. Na primeira metade do século 16, Veneza fortificou Zadar, com um novo sistema de muralhas defensivas.

Em 1873, sob o domínio austríaco, as muralhas de Zadar foram convertidas, de fortificações em passeios elevados, com as linhas de paredes preservadas.

Das suas quatro portas, a Porta Marina, incorpora as relíquias de um arco romano, enquanto a Porta di Terraferma, foi concebida no século 16, pelo artista Veronese Michele Sanmicheli.

Nos bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial, quarteirões inteiros foram destruídos em Zadar, embora algumas estruturas tenham sobrevivido.

Marcos mais importantes:

Fórum Romano, o maior no lado oriental do Adriático, fundado pelo primeiro imperador romano Augusto, como consta de duas inscrições em pedra que data do século 3.

A maioria dos vestígios romanos foi utilizada na construção das fortificações.

Dois quarteirões de Zadar foram embelezados com colunas de mármore elevados.
Uma torre romana fica no lado leste da cidade e alguns restos de um aqueduto romano podem ser vistos do lado de fora das muralhas.

A igreja de São Donato, que é um edifício redondo monumental do século 9 em estilo pré-românica, é a estrutura preservada mais importante de seu período, na Dalmácia.

A Catedral de St. Anastasia, basílica em estilo românico também, construída no século 13 (estilo românico alta), é a maior catedral da Dalmácia.

As igrejas de St. Crisógono e São Simeão, onde se encontra a arca de prata ou relicário de São Simeão, também são exemplos arquitetónicos finos em estilo românico.

Igreja de São Crisógono, uma igreja românica monumental tem refinados ornamentos românicos.

Para mim, a maior atração da cidade é o órgão do mar!
Este órgão é uma criação sensacional!
Um objeto arquitetônico experimental, que toca música por meio de ondas do mar.
Quando as ondas batem nos degraus, de mármore, furados e ligados à calçada por tubos, o ar percorre este caminho, produzindo lindos sons aleatórios e harmônicos.
O dispositivo foi feito pelo arquiteto Nikola Basic, como parte do projeto para re-desenhar a nova costa.

Depois de tentar comer no hotel, apenas porque era all inclusive, sem bons resultados, resolvemos procurar um bom restaurante em Zadar. Passamos então na frente do Café Atrit, onde encontramos um garçom simpático e aproveitamos para conversar com ele, sobre vinhos croatas da região.

Lá almoçamos carpaccio, presunto cru, risoto de camarão e pasta com cogumelos.
Estava bem gostoso!

Depois ao sair do café, passamos por uma feira livre, onde provamos Kinquat, um misto de limãozinho com laranjinha. Uma delícia!

Por curiosidade visitamos também um shopping, que foi um dos mais feios e sem graça que já conheci.

Como o clima estava chuvoso, não pudemos conhecer o arquipélago de Zadar, composto de mais de 300 ilhas. Pelo que pesquisei, muitas ilhas tem belas praias para visitar.

Cheguei à conclusão de que, esta é uma cidade que pode ser deixada de lado na visita à Croácia. A não ser por pessoas que sejam atraídas por ruínas...

De Zadar empreendemos uma longa viagem para Dubrovnick!
 

 

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09 de fevereiro
2015
Champagnes Don Perignon
 
Terminei o ano de 2014, no que se refere aos vinhos, da melhor forma possível! Fui convidado para uma degustação e uma aula sobre o champagne Don Pérignon, na sede da Moët Hennnessy, do grupo LVMH no Brasil. https://www.youtube.com/watch?v=bzQVDW7AzFw

A explanação ali foi feita por Romain Jousselin, sommelier da Moët Hennessy do Brasil. Romain já está um bom tempo no Brasil e, portanto, já fala um bom português.

Romain começou nos contando um pouco sobre os produtos do grupo, que além de vinhos, inclui conhaques e até uísques, sempre de primeira linha.

Ele nos explicou que a Don Pérignon só produz champagnes millésimes e sempre safradas, resultado de safras excepcionais. 

Estes champagnes são feitos de uvas de plantações próprias e utilizam outras uvas produzidas por terceiros. Seus técnicos cuidam pessoalmente das plantações. Eles não compram produtos sem esta participação.

As champagnes são produzidas nas caves da Moët & Chandon, porém em uma linha de produção dedicada a estes espumantes.

Todos os Don Pérignons ficam em contato com as leveduras (sur lie) por pelo menos 8 anos, podendo passar mais tempo em contato sur-lies. Por este processo, o vinho adquire uma série de sabores e aromas que enriquecerão a complexidade e finesse do produto.

O vinho usado para fazer o champagne, denominado vinho-base, precisa ser estruturado para poder suportar este processo sur lie, que é um ambiente redutivo. Para vinhos-bases que não tenham estas características, o contato prolongado, provavelmente, geraria aromas desagradáveis, o que poderia por a perder o produto final.

Nos Champagnes “Dom Pérignon”, são usadas apenas a cepas Chardonnay e Pinot Noir, de forma equilibrada, com uma leve predominância da Chardonnay apenas em algumas safras. Esta proporção ajuda a manter o estilo da casa pendendo mais para a elegância. 

A equipe técnica da Maison é dirigida por Richard Geoffroy, desde 1990. Ele criou o conceito de “Oenothèque”, que são produções com tempos superiores a 8 anos de contato sur lie.

Os champagnes são divididos em grupos, pelo que eles chamam de plenitude, que significa, o tempo usr-lies. A maior parte da produção vai para o que eles chamam de primeira plenitude, com uma permanência de 8 anos sur lie, antes de um degorgement. Estes champagnes podem ser guardados em adega, adquirindo com o tempo, belos aromas terciários. 

Os melhores champagnes são mantidos por mais tempo sur lies, com uma proteção maior para o segundo estágio, denominado segunda “Plenitude”. Hoje em dia foi adotada uma nova nomenclatura denominada de P2, mencionada no pescoço da garrafa. O nível de qualidade sobe e o frescor também. Anteriormente era era utilizado o nome “O Enotheque”.  Estes champagnes ficam em contato sur lies por um período de 12 / 15 anos.

Alguns champagnes excepcionais passam ainda por uma Terceira Plenitude, quando o contato sur lies é de mais de vinte anos. A proteção das leveduras chega a seu limite, gerando aromas, sabores e texturas de grande complexidade. A data do dégorgement geralmente é mencionada no contra-rótulo do champagne.

A “Dom Pérignon” foi criada em 1921. Sua última safra lançada no mercado foi do ano de 2004 e com isso, já tiveram 39 safras comercializadas até hoje. A versão rosé foi lançada pela primeira vez com a safra de 1959. São 23 safras até hoje, com a última trazendo no rótulo o ano de 2003. 

Nesta degustação histórica, provamos vários champagnes, para as quais vou usar as palavras de seu produtor para descrevê-las:

DOM PÉRIGNON VINTAGE 2004
Um clássico contemporâneo

“Dom Pérignon Vintage 2004 é ao mesmo tempo abrangente e intrigante. Nunca se revela completamente. Revela-se e esconde-se ao mesmo tempo”. Richard Geoffroy.

O Vintage 2004 deixa sua marca na história de Dom Pérignon por sua desenvoltura e harmonia. Após não menos de oito anos de envelhecimento sur lies, Dom Pérignon Vintage 2004 revelou sua primeira expressão radiante, prometendo mais plenitude no futuro.

No início, o Vintage 2004 se abre de uma maneira surpreendente, com grande facilidade, extrovertido e simbiótico. Gradualmente, com rara elegância, desliza entre densidade e leveza, num crescendo contínuo, evoluindo para a complexidade burilada de um universo singular.

No olfato, aromas de amêndoas e cacau em pó evoluem gradualmente para notas de frutas brancas, com toques de flores secas. Notas tostadas clássicas dão um final redondo e denotam uma maturidade completa, ao vinho.

No paladar, o vinho traça instantaneamente uma linha espantosamente fina entre densidade e leveza. Sua precisão é extrema, tátil, escura e burilada. A sensação persiste com grande elegância numa nota de seiva, de especiarias.

DOM PÉRIGNON VINTAGE 2003
Extremo em todos os aspectos

“Todos esperavam por um vinho poderoso, repleto de sol e amadurecendo rapidamente. Um verdadeiro desafio para a criação de Dom Pérignon. Eu precisava interpretá-lo de uma maneira diferente. Foi um risco, uma redefinição das fronteiras que, provavelmente, terá agora sua recompensa”. Richard Geoffroy.

Após um inverno excepcionalmente rigoroso e seco, as severas geadas de 7 a 11 de abril devastaram os vinhedos. Isto foi seguido pelo verão mais quente em 53 anos. As uvas que sobreviveram, miraculosamente, à geada e ao granizo, foram expostas ao calor ardente; contudo, foram colhidas perfeitamente maduras e saudáveis, comparáveis às das lendárias colheitas de 1947, 1959 e 1976. A intensidade é única e paradoxal, entre a austeridade e a generosidade.

Ao olfato: O bouquet evolui numa espiral. A suavidade luminosa e floral, a energia da mineralidade incorporada em Dom Pérignon, as frutas cristalizadas, o mundo vegetal, o frescor requintado das folhas da cânfora e, enfim, notas escuras de especiarias e alcaçuz.

Ao paladar: Nesta fase, o vinho ainda é físico. Ele invoca, demanda, mais tátil e vibrante do que aromático. Ele é construído no ritmo e na ruptura, mais do que na harmonia. Após uma nuvem de suavidade inicial, somos confrontados com uma verticalidade mineral que, gradualmente, se estende para uma nobreza amarga, iodada e salina.


DOM PÉRIGNON VINTAGE 2002

“Um millésime altamente concentrado, Dom Pérignon Vintage 2002 expressa todo o poder de uvas colhidas no auge da sua maturidade, indo muito além do caráter da safra, aumentando a sua riqueza natural. Dom Pérignon Vintage 2002 é preciso, profundo, magnético”. Richard Geoffroy.

A primavera foi quente e seca, sem geadas significativas e quase perfeita floração. O verão foi marcado por longos períodos de sol, intercalados com períodos nublados regulares e chuvas. O clima inesperadamente perfeito antes da colheita compensou as fortes chuvas de final do mês de agosto e início de setembro. As vinhas saudáveis, e a desidratação das uvas ajudaram a atingir novos patamares de maturação.  A colheita foi realizada entre os dias 12 e 28 de setembro.

Ao olfato: As primeiras notas de amêndoa fresca e aromas da colheita abrem-se imediatamente em frutos de limão e frutas secas. Aromas torrados arredondam o olfato.

Ao paladar: A presença do vinho no paladar é imediatamente cativante. Paradoxalmente concentrado ainda cremoso, é energético e quente, com foco na fruta, depois, gradualmente, assumindo mais notas graves profundas. O conjunto mantém sua nota perfeitamente, intensamente, com apenas um toque sutil e elegante de amargura subjacente. 

DOM PÉRIGNON SIDE BY SIDE 1996

“Mantendo-se tão puro, preciso e tátil, Dom Pérignon Œnothèque 1996 envolve Dom Pérignon Vintage 1996, em sua intensidade e complexidade. A perspectiva mágica oferecida por Dom Pérignon Œnothèque 1996 é a recompensa por seu longo envelhecimento adicional”.
Richard Geoffroy


PURO. Os anos de envelhecimento arredondaram as linhas precisas de Dom Pérignon Vintage 1996. Notas de pêssego branco e grapefruit cristalizada deram lugar a notas evoluídas de frutas secas, biscuit, pó de chocolate e um toque de baunilha. Comparativamente, a vitalidade das notas minerais e florais de Dom Pérignon Œnothèque 1996 parece quase insolentemente fresca.

TENSO. Dom Pérignon Vintage 1996 se expressa em uma acidez saborosa com um final fresco, enquanto Dom Pérignon Œnothèque 1996 permanece maravilhosamente vibrante: o jogo entre o frescor e a maturidade, concentração e luminosidade nos transporta para um mundo de ressonâncias. O espírito de Dom Pérignon está mais presente que nunca.

TÁTIL. Dom Pérignon Œnothèque 1996 é mais sensual. Seu longo contato com a levedura refinou a textura das frutas, deixando-o ainda mais delicado ao palato.

INTENSO. Ao olfato, Dom Pérignon Œnothèque 1996 é mais penetrante. A energia acumulada na adega brilha e se torna palpável. O vinho é mais poderoso, mas também mais balanceado no paladar.

COMPLEXO. A diversidade e ritmo dos sabores no paladar e a grande gama de aromas dão a Dom Pérignon Œnothèque 1996 uma nova profundidade que demonstra, de forma única, os benefícios do envelhecimento.

A criação de Dom Pérignon se baseia num compromisso absoluto com a safra. Dom Pérignon nasce exclusivamente a partir de uvas de um único ano, um verdadeiro desafio para uma interpretação inédita das estações.

A singularidade de Dom Pérignon é amadurecer em suas adegas, não de maneira regular e linear, mas em planos sucessivos, chamados Plenitudes. É nesses momentos que o vinho se expressa mais alto e mais forte e revela um elemento adicional do espírito de Dom Pérignon.

Cada safra (Vintage) de Dom Pérignon tem três Plenitudes, correspondendo a três tempos de envelhecimento sobre borras.

O poder de criação do Chef De Cave Richard Geoffroy é orientar, através de seu conhecimento, a maturação do vinho de uma Plenitude à seguinte.

A safra 1996 já alcançou a primeira e a segunda Plenitude, e uma quantidade ultra limitada de garrafas está ainda amadurecendo sobre as borras, na adega privada de Richard Geoffroy, esperando atingir a terceira e última Plenitude.

A 1ª Plenitude da safra 1996 é apresentada no champagne Dom Pérignon Vintage 1996, com período de amadurecimento de sete anos. Ela reflete a harmonia.

A 2ª Plenitude da safra 1996 é apresentada no champagne Dom Pérignon Œnothèque 1996, com período de amadurecimento de doze anos. Ela reflete a energia.

A 3ª Plenitude da safra 1996 será apresentada somente após o ano de 2021 e irá expor a complexidade surpreendente de Dom Pérignon.

DOM PÉRIGNON ROSÉ VINTAGE 2002

“Raramente um Rosé Vintage tem expressado e iluminado o espírito da Dom Pérignon com tanta precisão. Dom Pérignon nunca mais será exatamente o mesmo”. Richard Geoffroy.

Ao olfato, o bouquet do vinho é cadenciado e luminoso, com uma ampla gama dominada pelo brilho vermelho alaranjado. Essa complexidade aprofunda-se e escurece no final, com toques defumados e notas de cereja preta.

Ao paladar, o vinho tem uma presença marcante e é notavelmente tátil, com uma textura cremosa e uma intensidade sedosa. A sensação de volume se estende e mantém a nota suculenta, vibrante e cristalina.

Foi muito interessante a prova com 2 champagnes da safra 1996, sendo um com a primeira plenitude e outro com a segunda. O Champagne P2 apresentou muito mais frescor, devendo ter uma vida ainda muito longa, devendo evoluir com o tempo. O champagne de primeira plenitude apresentava mais evolução, provavelmente com uma vida mais limitada.

A experiência foi incomparável com as que tive até hoje, podendo ver a diferenças entre as diferentes safras e plenitudes, complementando meus conhecimentos de vinho.

Agradeço aos meus amigos que me indicaram para este inesquecível evento.

 

 

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02 de fevereiro
2015
Pula, cidade da croácia
 
Aproveitamos o dia livre em Rovinj, para conhecer a cidade de Pula, que fica nas proximidades de Rovinj. (https://www.youtube.com/watch?v=kUYyElxNWAc) (https://www.youtube.com/watch?v=fb-SQ_8yQnI).

A cidade fica no norte da Croácia e no extremo sul da península de Ístria, numa importante região produtora de vinho. Pula é também o centro administrativo da região, desde a época dos romanos.

Como resultado de sua rica história política, Pula é uma cidade com uma mistura cultural de pessoas e línguas, do Mediterrâneo e da Europa Central, antigos e contemporâneos.
A arquitetura de Pula reflete estas camadas de história.
Os habitantes são normalmente fluentes em línguas estrangeiras, especialmente em italiano, além de frequentemente falarem o alemão e o inglês.
De 30 de outubro de 1904 a março de 1905, o escritor irlandês James Joyce ensinou inglês na Escola Berlitz da cidade.

Pula, cidade milenar, possui conjunto riquíssimo de vestígios da época em que pertenceu ao Império Romano. O seu mais famoso vestígio é o belíssimo Anfiteatro, localmente mais conhecido como Arena, construído pelo imperador Vespasiano no século I. A Arena encontra-se em razoável estado de conservação. Ela é utilizada para a realizações de espetáculos. O recinto e pequeno núcleo museológico, com artefatos encontrados nas escavações realizadas no anfiteatro, são visitados por turistas.

Estacionamos o carro perto do Anfiteatro e fomos passear pela cidade, com vestígios dos tempos romanos bem esparsos, pois a maioria destas obras foi destruída durante as guerras e conquistas da região, por diversos povos.

O centro de Pula é interessante, com seus bares e restaurantes e uma grande juventude passeando pela região.

Voltamos ao Anfiteatro, que tem a forma de uma arena elíptica, para conhecer o seu interior. Ele é um dos 6 maiores anfiteatros romanos ainda existentes. Permaneceu intacto até o século XV, quando parte de suas pedras foram usadas para construir o castelo e outros edifícios da cidade. Ele possui 4 torres, projetadas para coletar a água perfumada, que era borrifada nas arquibancadas durante os eventos.

Descemos ao subsolo da arena, onde vimos diversas ânforas do tempo romano, que eram usadas para armazenar vinhos.

Passamos também pelo arco de Sergii, Templo de Roma e Augustus, igreja de São Francisco e a porta de Augustus.

Voltamos então para Rovinj, parando no caminho em na graciosa aldeia de Djan, onde almoçamos no restaurante Konóba Bembo.

O incrível é que num pequeno vilarejo, pudemos saborear um prato de nhoque com trufas, além de deliciosas lulas, acompanhados de vinho tinto da região, por apenas 200 kunas (mais ou menos R$82,00).

Acho, no entanto, a visita à Pula desnecessária, pois temos locais com mais atrações na Croácia, para serem visitados.

 

 

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Me chamo Alberto Andaló Júnior. Nasci em Rio Preto no dia 23 de junho de 1947. Aqui nestas terras de São José fiz o primário no antigo Grupo Escolar Cardeal Leme. Em São Paulo, me formei em engenhariana pela Faap e em administração pelo Mackenzie. Hoje, trabalho como autônomo prestando consultoria. E-mail para contato: aajconsult@terra.com.br


O objetivo deste blog é falar sobre vinhos, viagens e gastronomia. A harmonização com os alimentos, assunto muito em voga, era feita de uma forma bem básica: o vinho tinto harmonizava com carnes vermelhas e o branco com os pescados. Hoje se sabe que uma boa harmonização entre o prato e a bebida acaba por valorizar a ambos. Sobre esse assunto, clique aqui e veja trabalho que fiz para a revista Lola da editora Abril.


Minha experiência com a bebida vem da infância, quando na minha casa, meu pais misturavam vinho com água, para que as crianças também participassem dos festejos. Quando morei em Rio Preto pela segunda vez, meu pai era então prefeito, desta cidade. Nesta época, eu tomava escondido um pouco do seu vinho português Grandjó, e apreciava sua doçura. Desde então, decidi incluir nas minhas viagens internacionais, algumas visitas às vinícolas.


Fiz curso de Sommelier na Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo, o que me ajudou a entender melhor este universo. Mantenho o blog O Vinho e os Prazeres, que pretendo dar continuidade aqui neste espaço. Espero que aproveitem os posts e agradeço desde já a participação de todos vocês com seus comentários!


 
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