O Vinho e os Prazeres
   
14 de abril
2014
Casa Europa
 
Já fomos três vezes na Casa Europa, desde que foi reinaugurada (al. Gabriel Monteiro da Silva 726).

O ambiente ficou mais agradável e informal.

Na primeira vez, pedimos de entrada, uma burrata com azeite, limão siciliano e manjericão. Estava divina! (R$30,00).

Como prato principal nesta ocasião, escolhi um risoni com polvo. Descobri que gosto mais do polvo grelhado, do que desta forma como veio, ensopado.

O outro prato pedido foi uma costela de cordeiro, que estava muito gordurosa, e tinha pouca carne.

Pedimos também uma salada de rúcula com camarões, sem graça.

Desta primeira vez, saímos um pouco decepcionados com os pratos de lá.

Porém, quando um amigo que está morando no Rio, nos convidou a sair, voltamos à casa Europa e desta vez a experiência foi bem melhor.

Começamos de novo pela burrata e seguimos para os pratos principais que estavam bons:

Linguine alle vongole da casa, que meu amigo gostou (R$48,00).

Fettuccine integral, cogumelos, ervas e tomates frescos, muito saboroso! (R$43,00).

Salada Caprese (R$37,00).

Pedimos o vinho Quita do Monte Travesso, bem agradável.

Em suma, acho que o restaurante é simpático, com bons preços de vinho, inclusive de importação própria.

Talvez a minha falha tenha sido a escolha do prato, da primeira vez, que estive lá.

Vale a visita!

 
 

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07 de abril
2014
Italian Concept no Pasquale
 
Pela segunda vez, fui convidado para um evento da Italian Concept di Tereza Amoroso, a fim de provar vinhos de sua importação, desta vez no restaurante Pasquale.

Neste encontro, foram apresentados então, 7 vinhos, de um portfólio da importadora de 15 vinhos.

Durante o ano de 2014, outros eventos serão realizados por esta importadora, em São Paulo, com a presença de sommelier e outros profissionais voltados ao mundo do vinho.

Os vinhos servidos neste evento foram:

Gavi DOCG 2012 DOCG branco, do produtor La Raia, do Piemonte. Tem 12,5% de álcool e tem aromas florais, um vinho agradável. Custa R$61,00.

Gavi Pisé DOCG 2011 DOCG Pisé branco, do produtor La Raia. Custa R$140,00. É um vinho melhor que o anterior, mais intenso e com mais acidez.

Caligiano Chianti DOCG 2011, da Badia di Morrona, da Toscana. Combina com o verão, por ser um vinho leve e custa R$51,00.

Taneto Toscana IGT da Badia di Morrona 2011. Ele é feito com as cepas Sangiovese (90%) Merlot (5%) e Syrah. Vai bem com carne e é mais complexo que o anterior. Tem 14% de álcool e custa R$53,00.

Bursôn 2010, da vinícola Randi da Emilia Romana, IGT Ravenna. Este vinho me lembrou um pouco o sabor dos Lambruscos. Custa R$59,00.

Amato Syrah Cortona DOC 2010, que é feito pela Giannoni Fabri, da Toscana, vinho que foi apresentado por Marco Giannoni, proprietário da vinícola. Este vinho é feito com a cepa Syrah, O vinho custa R$56,00, é leve e combina com o verão.

Vin Santo Cortona DOC 2005 de Giannoni Fabri, com a cepa Trebbiano semi desidratada. Ele fica envelhecendo em pequenas barricas por 6 anos. Tem uma cor âmbar e aromas de avelã e uma grande persistência. O vinho é maravilhoso e sua meia garrafa custa R$135,00.

Provoquei o produtor, com a seguinte pergunta: “Este vin santo combina com cantucci?”, ao que ele respondeu ofendido: “O hábito de molhar o cantucci em vinho doce só deve ser feito, se utilizarem vinhos industrializados.” E este não era o caso. Enxarcar o vin santo, com migalhas de cantucci seria uma heresia...

A apresentação foi feita na parte de trás do Pasquale, durante a tarde sob forte calor, o que prejudicou a prova do vin santo, uma vez que é um vinho que aquece.

De qualquer maneira, o evento foi bom para complementar meu conhecimento de outros vinhos desta importação.

 
 

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03 de abril
2014
Bar do Alemão, São Paulo
 
Restaurante do Alemão.

Abriram em Pinheiros uma unidade do Bar do Alemão (rua dos Morás 40, 3881.9800)

Este bar ficou famoso em Itu, pelos seus enormes filés à parmegiana, de porte ogro, isto é, caindo pelas laterais do prato. Esta porção serve pelo menos 2 esfomeados.

O bar foi fundado em 1902 por um imigrante alemão.

Antes de Pinheiros, eles abriram uma unidade do Bar do Alemão no Tucuruvi (Shopping Metrô Tucuruvi, piso 3, 3198-6678).

A instalação em Pinheiros é grande e bem montada para uma choperia, com ampla varanda coberta e uma sala para grupo fechado, cujo teto abre em noites de tempo está bom.

No almoço eles oferecem um menu executivo básico, com bons preços que variam de R$29,00 e R$33,00.

Pedi o filé a cavalo, que era um filé com molho de tomate, dois ovos, arroz e fritas. O prato estava saboroso.

Como chope, eles tem 4 opções: O escuro da Skin, e os claros do Baden Baden, Einsenbahn e Devassa. Escolhi a Einsenbahn que estava na temperatura certa.

A conta foi bem razoável e ficou em R$46,09, incluindo o chope de R$9,90.

Comentei com um dos proprietários, que eu escrevia sobre restaurantes e ele me levou para conhecer as instalações e a cozinha.

Fiquei impressionado com o projeto da cozinha. Foram construídas câmaras frias para o chope, carne e outros ingredientes e também ingredientes já preparados.

Lá, tudo segue um fluxo lógico, o prato sujo entra por um lado, para ser lavado. O prato limpo, por sua vez, segue para a preparação de novas comidas a serem servidas. De um lado está o fogão, um espaço para os molhos e área para a preparação de saladas. O chef que fica no fim da linha de produção tem uma tela de computador, onde acompanha o andamento dos pratos, com cores que indicam se eles estão no tempo esperado.

A instalação do Bar do Alemão deve ter custado caro para seus donos.
Os preços cobrados são razoáveis.
É preciso, portanto, de muito movimento para viabilizar todo o dinheiro investido ali.

Perguntei por que não havia pratos alemães no menu executivo e eles me disseram que os alemães levam mais tempo para serem preparados, mas que estavam estudando tal questão.

Lembrei-me de um tempo, quando estive trabalhando na Opel da Alemanha e que eu almoçava no restaurante da diretoria da empresa. Nesta ocasião só provei pratos que não existiam nos restaurantes alemães daqui. Acredito que nossa herança gastronômica vem dos imigrantes, que faziam apenas pratos simples tradicionais.

Gostei da experiência de almoçar no Bar do Alemão e recomendo para aqueles que querem provar pratos mais básicos a preços módicos para São Paulo.

 
 

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28 de março
2014
Degustação de Espumantes TOP
 
Degustação de Espumantes Top de linha.
Participei de uma degustação de espumantes TOP, nestes eventos do fim do ano.
Nesta ocasião, comentamos à respeito da paternidade do espumante, atribuída a Don Pierre Pérignon.
Existem relatos de que na Grécia antiga e em Roma, as pessoas se intrigavam com as bolhas dos vinhos, sem saber qual o mistério que as produzia.
Por muito tempo, as pessoas pensavam que as bolhas se formavam nos vinhos, por conta das influências das fases da lua ou até mesmo por causa dos bons ou maus espíritos.
Dizem que os imperadores romanos adoravam os vinhos frisantes.
Na Idade Média, os vinhos produzidos na região de Champagne, apresentavam, volta e meia, pequenas bolhas. Isto, no entanto, era considerado um defeito.
Dom Pérignon foi designado pelos superiores a encontar uma solução para acabar com isto.
Tais bolhas faziam com que os vinhos vazassem mais facilmente, o que provocava grandes estragos nas adegas.
No início do ano 1700, quando os espumantes já eram produzidos deliberadamente, os encarregados dos cuidados com as adegas, tinham que usar pesadas máscaras de ferro, evitando acidentes.
O estouro de uma garrafa podia criar uma reação em cadeia, dentro da adega, provocando uma perda de 20% a 90% da produção dos vinhos.
Foram os ingleses, os primeiros apreciadores dos espumantes.
Eles iniciaram o estudo técnico que pesquisava as causas das borbulhas nos vinhos.
Os vinhos eram frequentemente transportados para a Inglaterra, em barricas, as para lá serem engarrafados.
No século 17, os ingleses começaram a produzir garrafas de vidros, mais resistentes, com o intuito de suportar a pressão. Eles também começaram a utilizar as rolhas para tampar as garrafas, técnica que já existia na Roma antiga, mas esquecida depois da queda do Império.
No inverno de Champagne, a fermentação dos vinhos, era interrompida naturalmente, devido ao frio.
Durante o transporte do vinho para a Inglaterra, a temperatura das bebidas aumentava, permitindo a retomada da fermentação interrompida e a criação das bolhas.
Em 1662, o cientista inglês Christopher Merret fez o primeiro tratado técnico sobre a presença de bolhas nos espumantes.
Ele concluiu que estas borbulhas aconteciam devido à presença do açúcar nos vinhos. Uma de suas estratégias tratava de adicionar açucar à bebida, antes mesmo dela ser engarrafada.
Isto ocorreu, bem antes dos franceses começarem a produzir intencionalmente os espumantes.
De qualquer forma, a versão da descoberta da champagne por Don Pérignon, é a mais romântica, pois associa aos espumantes borbulhantes, às grandes comemorações.
Nesta ocasião, tive o prazer de degustar 6 espumantes, com preços variando na faixa de R$178,00 a R$530,00, importados pela Decanter (fone:3074-5454), elaborados pelo método Champenoise.
A sequência de vinhos apresentados, aconteceu numa crescente de qualidade.
O minucioso cuidado de cada produtor na elaboração dos seus espumantes resultou numa qualidade surpreendente!
A colheita das uvas, nas produções de todos os espumantes, é feita manualmente, através da seleção dos melhores cachos.
Cada casta é processada separadamente, para depois fazer a assemblage.
Os vinhos ficam ainda por longos tempos em contato com as leveduras.
- Espumante: Arunda Talento Extra Brut 2001. Produtor: Arunda Vivaldi. De orígem Italiana, da região do Alto adige, tem o preço de R$180,00. As uvas utilizadas foram: Chardonay 60% e Pinot Noir 40%. A graduação alcoólica é de 12,8. Comentário: Depois de provar este espumante, comecei a achar que era o prenúncio de uma grande noite. O vinho apresentava uma sensação muito agradável no nariz, com frutas cítricas, aromas de brioches, amêndoas e chocolate branco. As bolhas eram pequenas e persistentes.
- Espumante Cava: Elisabet Raventós 2003. Produtor: Raventós e Blanc. Região: Cataluña Preço R$160,90. As uvas utilizadas foram: 60% Charel.lo, 30% Chardonay e 10% Monastrel. Comentário: apresentou aromas de brioche, amêndoas, frutas cristalizadas e avelãs. As bolhas eram pequenas e persistentes. Combina com cozinha japonesa e frutos do mar: Centolla e lagostins.
- Champagne: Authentique Rose Brut Grand Cru. Produtor: Earl E. Barnaut. Região: Montagne de Reims. Preço R$191,20. Comentário: os aromas são de: groselhas e framboesas confitadas e pomelo. As bolhas eram pequenas e persistentes. Combina com Salmão defumado, caça de pena (perdiz, faisão…), charcouterie e queijos maturados.
- Champagne: Milésime Grand cru Brut. Produtor: Earl E. Barnaut. Região: Montagne de Reims. Preço R$280,00. Os aromas são: florais, de avelã tostada, feno e cerejas . Sua perlage é muito fina e combina com a alta gastronomia de pescados e crustáceos.
- Espumante: Giulio Ferrari Riserva del Fondatore 1997. Produtor: Frerrari Fratelli Lunelli Spa. Região: Trento, Itália. Preço Cr$538,20. Este espumante foi o top da noite, superando até mesmo os champagnes. O perlage se apresentou finíssimo, numeroso e persistente. Apresentou grande potência, mas com elegância. Revelou aromas de manteiga, avelã mel e croissant. Combina com a alta gastronomia, sobretudo à base de crustáceos.

 
 

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24 de março
2014
Calais, Norte da França
 
Saímos de Honfleur e fomos para Calais a fim de pegar o trem Eurostar para Londres.

Esperávamos que Calais fosse apenas uma cidade portuária, onde pudéssemos passar a noite (hotel Meurice, 96 Euros sem café da manhã. 1 grand rue Ducey. 50.220).

Como tínhamos um dia todo para passear pelo local e estávamos próximo da parte antiga da cidade, fomos caminhando até lá.

No caminho já encontramos uma bela obra de Rodin. Uma estátua composta por seis cidadãos que defenderam Calais dos ingleses.

Atrás desta estátua, ficava um lindo prédio da Câmara municipal. Aproveitamos para entrar e visitá-lo.

Passeando depois pelo centro, ainda nos deparamos com um pequeno museu que apresentava trabalhos excelentes de uma escultora chamada Elisabeth Cibot.,

Várias estátuas incríveis esculpidas em bronze,como a do capitão Nemo, de Julio Vernes, outra de uma mãe com sua criança, de uma mulher dançando e muitas mais com bastante movimento e expressão.

Se por um lado alegrei-me, por outro, esta exposição me deixou triste, pois nos damos conta que vivemos num país sem cultura. Na França, até mesmo numa cidadela, encontramos um museu, com entrada gratuita, e uma exposição de primeira.

Passamos depois pelo Restaurant de Beaux Arts, mas não o escolhemos, por ser especializado em comida árabe. Sempre prefiro pratos locais.

Fomos então almoçar no Restaurant bar à Vins, meio decadente e que indicava seu passado pomposo.

Os pratos ali eram básicos e a sobremesa veio com belo acabamento. Para acompanhar, pedi o vinho La Moienerie 2010, um gostoso Pouilly-Fumé.

No dia seguinte, fomos ao terminal de trem, para, pela primeira vez, pegar um TGV (tain de haut vitesse).

A estação era simples, mas bem moderna.

Pouco antes de o trem chegar, passamos pela alfândega francesa, com guardas muito sérios e com um cachorro que ficava circulando quando a esteira rolante trazia as malas.

Como fomos de classe turística, o vagão tinha poltronas confortáveis, porém de acabamento simples. Em poucos minutos chegamos a Londres


Um pouco de história:

Calais é uma cidade do norte da França localizada no departamento de Pas-de-Calais.

Calais está localizada no Estreito de Dover, no ponto mais estreito do Canal da Mancha com apenas 34 km de largura, sendo a cidade francesa mais próxima da Inglaterra.

A parte velha da cidade, Calais-Nord, está situada em uma ilha artificial rodeada por canais e portos. A parte moderna da cidade, St-Pierre, fica na parte sul e sudeste da cidade.

A origem da cidade é obscura. Ela foi fundada como uma vila de pescadores antes do século X.

No ano 997, o povoado foi remodelado pelo Conde de Flandres e mais tarde, em 1224, fortificado pelo Conde de Bolonha.

O povoado rendeu-se a Edward III, Rei de Inglaterra, em 1347, após o longo cerco (devido à fome). O povoado foi recuperado dos Ingleses a partir de 1558. Foi ocupado pelos espanhóis entre 1596 e 1598, sendo restituído à França pelo Tratado de Vervins.

As circunstâncias dramáticas deste cerco são comemoradas na famosa estátua de bronze dos "Seis Cidadãos de Calais", no exterior da Câmara Municipal.

 
 

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Me chamo Alberto Andaló Júnior. Nasci em Rio Preto no dia 23 de junho de 1947. Aqui nestas terras de São José fiz o primário no antigo Grupo Escolar Cardeal Leme. Em São Paulo, me formei em engenhariana pela Faap e em administração pelo Mackenzie. Hoje, trabalho como autônomo prestando consultoria. E-mail para contato: aajconsult@terra.com.br


O objetivo deste blog é falar sobre vinhos, viagens e gastronomia. A harmonização com os alimentos, assunto muito em voga, era feita de uma forma bem básica: o vinho tinto harmonizava com carnes vermelhas e o branco com os pescados. Hoje se sabe que uma boa harmonização entre o prato e a bebida acaba por valorizar a ambos. Sobre esse assunto, clique aqui e veja trabalho que fiz para a revista Lola da editora Abril.


Minha experiência com a bebida vem da infância, quando na minha casa, meu pais misturavam vinho com água, para que as crianças também participassem dos festejos. Quando morei em Rio Preto pela segunda vez, meu pai era então prefeito, desta cidade. Nesta época, eu tomava escondido um pouco do seu vinho português Grandjó, e apreciava sua doçura. Desde então, decidi incluir nas minhas viagens internacionais, algumas visitas às vinícolas.


Fiz curso de Sommelier na Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo, o que me ajudou a entender melhor este universo. Mantenho o blog O Vinho e os Prazeres, que pretendo dar continuidade aqui neste espaço. Espero que aproveitem os posts e agradeço desde já a participação de todos vocês com seus comentários!


 
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