O Vinho e os Prazeres
   
23 de julho
2014
A espetacular vinícola de espumantes Ferrari
 
Tudo começou com uma degustação de espumantes especiais na ABS.
Uma degustação que me impressionou profundamente!
Neste dia foram apresentados os seguintes vinhos:

Espumante: Arunda Talento Extra Brut 2001.
Espumante Cava: Elisabet Raventós 2003.
Champagne: Authentique Rose Brut Grand Cru
Champagne: Milésime Grand cru Brut.
Espumante: Giulio Ferrari Riserva del Fondatore 1997.
De todos estes vinhos, o que mais gostei foi o Giulio Ferrari.
Visitar suas instalações (Cantina Ferrari) passou, desde então, a ser um objetivo meu.

Foi aí que planejei uma viagem ao norte da Itália, para 2014 e procurei selecionar algumas das melhores vinícolas na região, para visitar.
Dentre estas, a Ferrari era uma delas.

Entrei em contato com a importadora Decanter, que traz estes espumantes ao Brasil e eles, prontamente, se colocaram à disposição para organizar a minha visita.

Trocamos e-mails e fiquei surpreso quando soube que a vinícola se ofereceu, inclusive, para ir me buscar no hotel.

E assim foi.

Logo cedo uma pessoa foi me buscar em Trento e me levou à Cantina

As 10 horas comecei a visita à Ferrari e tive toda explicação do elaborado processo de produção de seus espumantes.

Conheci também ali, a maquete de outra adega que eles tem na Umbria, Tenuta Castelbuono, um prédio com um formato de casco de tartaruga, para harmonizar com a natureza.

A Ferrari ainda é proprietária da Tenuta Podernovo, outra vinícola que fica na Toscana, região de Pizza.

Depois da visita à Ferrari, passamos à degustação de seus vinhos, cujas uvas são colhidas manualmente:

Ferrari Maximum Brut, feito com a cepa Chardonnay, passa 36 meses envelhecendo em leveduras selecionadas. Sua cor é amarela e seu bouquet é persistente, com notas de frutas maduras, toques de brioche, nozes e flores. Na boca ele é elegante, equilibrado, com personalidade, típico da Chardonnay. Ele tem menor pressão carbônica que outros espumantes da Ferrari.

Ferrari Maximum Rosé, produzido com as cepas Pinot Nero (60%) e Chardonnay. Fica envelhecendo por 36 meses em leveduras selecionadas. Sua cor é um elegante rosé. Os aromas são delicados, com toques de frutas vermelhas tons balsâmicos. Seu sabor é intenso, elegante, com toques de cerejas silvestres. Muito persistente, com taninos delicados.

Ferrari Perlé, que é um vintage, feito com o método clássico Blanc de Blancs, com a cepa Chardonnay. Ele passa por um longo período de maturação (5 anos) em garrafa, em leveduras selecionadas, apresentando muita elegância, frescura e complexidade. O vinho tem uma cor amarela com toques dourados. Seus aromas são intensos e finos, com toques de amêndoa e maçã e brioche. Na boca ele é seco, tostado.

Ferrari Perlé Nero, da cepa Pinot Nero oriunda das melhores plantações da família Lunelli. A sua maturação leva 6 anos em leveduras selecionadas. Sua cor é amarela dourada e os seus aromas são frutados e tostados, com toques minerais. Na boca se mostrou um grande vinho, com forte personalidade e complexidade, onde as frutas e as notas tostadas são bem balanceadas. No palato, ele tem uma cremosidade elegante e grande persistência.

Ferrari Riserva Lunelli, produzido através de uvas single-vintage Chardonnay, fica 8 anos maturando em leveduras selecionadas. Sua cor é amarelo profundo com reflexos dourados também. No nariz ele é frutado e com ricos aromas. O uso de barricas de carvalho austríaco confere uma grande paleta de aromas, ao vinho. Na boca, ele apresenta uma diversidade de sabores de frutas e tostados. A persistência é muito longa, com delicioso fim de boca.

Finalmente chegamos ao Giulio Ferrari Riserva del Fondatore, que é um Cru muito especial, com grande longevidade. Ele é feito com uvas Chardonnay colhidas com extremo cuidado. O seu envelhecimento é de 10 anos em leveduras selecionadas, de produção da própria Ferrari. Sua cor é amarelo brilhante, com reflexos dourados. Seu bouquet é de uma fragrância frutada muito intensa, com toques de mel, chocolate branco e baunilha. Seu sabor é elegantee bem balanceado, de frutas, acácia e mel, combinado com notas florais. Sua persistência é longa.

Trouxeram-me ainda à prova, vinhos de suas outras propriedades:

Tenuta Podernovo (Toscana): Aliotto 2011, das cepas Sangiovese (60%), Cabernet Sauvignon, Merlot e outras locais. Passa 4 meses em garrafa, apresentando cor violácea, com frutas ao nariz. Ele é um vinho redondo e equilibrado na boca.

Tenuta Castelbuono (Montefalco):

Ziggurat 2009, das cepas: Sangiovese 70%, Sagrantino 15 % e o restante Cabernet Sauvignon e Merlot. A sua maturação é feita por 12 meses em barricas de 225 litros e tonéis de 500 l. Sua cor é roxa e brilhante, seus aromas são de cereja e cravo, com um final balsâmico. Na boca, ele é elegante, equilibrado, fresco e potente.

Lampante Montefalco Riserva, da cepa Sangiovese 70%, Sagrantino 15% e o restante Merlot e Cabernet Sauvignon. Passa 18 meses em barris grandes. Sua cor é rubi grená. No nariz apresenta aromas de violeta, cerejas e um fundo balsâmico. Seu sabor é vigoroso, macio e elegante, com taninos bem estruturados e final amplo.

Carapace 2007, feito com a cepa Sagrantino, fica 24 meses em barrica grande. Sua cor é roxa profunda e luminosa. Os aromas são de geléia de mirtillo, com intensas notas de cereja e rosas. Tem um sabor cremoso, potente, longo e persistente, com taninos finos.


Terminada esta degustação maravilhosa, fui convidado a conhecer uma casa, cercada de parreiras, onde o próprio Ferrari nasceu. Uma casa esplêndida do século XVI, restaurada pela família Lunelli, atual proprietária da vinícola, como agradecimento ao próprioFerrari. A vila conta com afrescos em ambos os lados, internos e externo, sendo reconhecida como a mais encantadora residência em todos os Alpes.

De lá, partimos para a Locanda Margon, que é o restaurante da Ferrari, com uma vista para a cidade de Trento. O restaurante é criativo e inovador, o que combina bem com os espumantes da Ferrari. O chef Alfio Ghezzi, com estrela Michelin, ofereceu 2 opções distintas de cardápio: O gourmet Lounge, para amantes da alta cozinha e o Varanda para aqueles que querem uma refeição mais rápida.
O chef me perguntou se eu queria escolher os pratos ou aceitar suas sugestões. Prontamente aceitei a ideia de ele escolher meus pratos, só coloquei algumas restrições que tenho a alguns pratos.

A experiência foi maravilhosa, os pratos muito criativos acompanhados de espumantes específicos e por fim pude apreciar uma grapa envelhecida maravilhosa!

Terminada a refeição, me levaram de volta à cantina, onde fui presenteado com uma garrafa do seu melhor espumante, embalado numa caixa luxuosa.

Voltando ao hotel, ainda fui passear pela bela cidade de Trento, com seus ares austríacos, para comemorar tal acontecimento!

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Os espumantes do primeiro evento na ABS foram:

- Espumante: Arunda Talento Extra Brut 2001. Produtor: Arunda Vivaldi. De origem Italiana, da região do Alto Adige, tem o preço de R$180,00. As uvas utilizadas foram: Chardonay 60% e Pinot Noir 40%. A graduação alcoólica é de 12,8. Comentário: Depois de provar este espumante, comecei a achar que era o prenúncio de uma grande noite. O vinho apresentava uma sensação muito agradável no nariz, com frutas cítricas, aromas de brioches, amêndoas e chocolate branco. As bolhas eram pequenas e persistentes.
- Espumante Cava: Elisabet Raventós 2003. Produtor: Raventós e Blanc. Região: Cataluña Preço R$160,90. As uvas utilizadas foram: 60% Charello, 30% Chardonay e 10% Monastrel. Comentário: apresentou aromas de brioche, amêndoas, frutas cristalizadas e avelãs. As bolhas eram pequenas e persistentes. Combina com cozinha japonesa e frutos do mar tal qual centolla e lagostins.
- Champagne: Authentique Rose Brut Grand Cru. Produtor: Earl E. Barnaut. Região: Montagne de Reims. Preço R$191,20. Comentário: os aromas são de groselhas e framboesas confitadas e pomelo. As bolhas eram pequenas e persistentes. Combina com salmão defumado, caça de pena (perdiz, faisão…), charcouterie e queijos maturados.
- Champagne: Milésime Grand cru Brut. Produtor: Earl E. Barnaut. Região: Montagne de Reims. Preço R$280,00. Os aromas são florais, de avelã tostada, feno e cerejas . Sua perlage é muito fina e combina com a alta gastronomia de pescados e crustáceos.
- Espumante: Giulio Ferrari Riserva del Fondatore 1997. Produtor: Ferrari Fratelli Lunelli Spa. Região: Trento, Itália. Preço Cr$538,20. Este espumante foi o top da noite, superando até mesmo os champagnes. O seu perlage se apresentou finíssimo, numeroso e persistente. Apresentou também grande potência, mas com elegância. Revelou aromas de manteiga, avelã, mel e perfume de croissant. Combina com a alta gastronomia, sobretudo aquela à base de crustáceos.

 

 

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19 de julho
2014
Vinícola Roberto Voerzio
 
Este ano de 2014, fui pela segunda vez ao Piemonte, para visitar vinícolas. Selecionei dois grandes produtores de vinho para visitar.

Um deles foi Roberto Voerzio, cuja propriedade fica em La Morra, região produtora de grandes vinhos.

Com certa dificuldade, encontrei o local da vinícola, pois La Morra, um pequeno vilarejo, fica numa colina com inúmeros produtores agrícolas.

A visita começou com o nosso entusiasmado cicerone explicando que a cantina estava sendo duplicada, o que causava certa dificuldade no acesso a ela.

Começamos a visita pela área de vinificação que fica na parte de baixo da propriedade. Ela foi instalada neste local, com o objetivo de abrandar a influência climática no processo de produção do vinho.

Passamos pelas cubas de aço inox, indo em seguida para a área onde se encontram as barricas de afinamento dos vinhos.

Depois fomos para a parte de cima da propriedade, onde estava a área de engarrafamento e embalagem, terminando a visita na sala de recepção de visitantes e degustação.

Começamos a prova pelo Langhe Nebiolo 2011, que fica 8 meses em cubas de inox e 12 meses em barricas (30%novas) de 25 hl. É um vinho com uma excelente estrutura, cor profunda e complexidade.Tem um corpo amplo, com taninos aveludados e persistentes

Barolo 2009 La Serra (custa 146 euros), passa 8 meses em cubas de inox, 24 meses em barricas usadas de 15 hl e mais 8 meses em garrafa. O vinho apresenta uma cor rubi. No nariz nota-se aromas de tabaco, blackberry e especiarias. Na boca ele é potente, parecendo um licor de cerejas, ainda com aromas de cedro, couro e especiarias. Este parece ser o mais rico e concentrado produto da vinícola.

Barolo 2009 Rocche dell’Annunziata Torriglione (custa 146 euros), passa 8 meses em cubas de inox, 24 meses em barricas usadas de 15 hl e mais 8 meses em garrafa. Este é um Barolo excepcional, com uma cor rubi profundo. Os seus aromas são de cerejas, especiarias, chocolate e tabaco. O seu corpo é médio delicado e sedoso, com taninos finos e cremosos no palato. Na safra 2000 ele ganhou 100 pts WS.

Barolo 2008 Rocche dell’Annunziata Torriglione.

Barolo 2009 Riserva vecchie dei Capulot dell Brunatte (o 2010 custa 170 euros), passa 8 meses em cubas de inox, 15 meses em barricas (30% novas) de 15 hl e mais 18 meses em garrafa. Sua cor é de um rubi profundo. Os aromas são de violeta, especiarias, geléia de framboesa. Ele é bem estruturado, muito refinado e concentrado, com taninos finíssimos e persistentes. Uma maravilha!

Barbera D’Alba 2010 Pozzoanunziata (custa 205 euros), passa 5 meses em cubas de inox, 24 meses em barricas usadas de 15 hl e mais 8 meses em garrafa. Apresenta uma cor púrpura profunda, aroma de geléia de framboesa, cassis, café e mofo. Muito intenso e agradável na boca, com taninos sedosos e polidos, com muita persistência.

Barolo 2004 Fossati Case Nere, Riserva 10 anni (custa 170 euros). Este vinho estava no ponto perfeito de ser bebido, rico delicado, profundo e muito agradável. Foi bebido no final da degustação e recebeu nota de ouro.

A vinícola de Roberto Voerzio foi fundada em 1986 em La Morra, cidadezinha no coração do Langue, no Piemonte.

A vinícola começou com plantações de 2 ha, adquirindo posteriormente terras famosas pela produção de Barolo La Serra, como: Brunate, Cerequio Sarmassa, Rocche dell ‘Anucnziata, Fossati, Case Nere. Estas áreas são excelentes também para o cultivo de vinhas para produção de Dolcetto, Barbera, Nebiolo e Merlot.

A vinícola, com o tempo, aumentou o seu número de vinhas por adensamento. O adensamento chegou a valores entre 6.000 e 8.000 pés por hectare. Outra medida para melhorar a qualidade dos vinhos foi a redução da produtividade para 500 / 700 g por pé.

A vinícola sempre trabalha de forma mais simples e tradicional, deixando que o vinho seja a pura expressão do terroir.

A área plantada de todas as propriedades se limita a 20 ha, produzindo um total de 40.000 a 60.000 garrafas por ano.

Em mais de 20 anos, as vinhas tem sido trabalhadas com maior respeito à natureza. Depois de cada colheita, as parreiras são fertilizadas a mão, com húmus, de acordo com a necessidade de cada planta, à partir de análise da cor das folhas e do seu vigor.

Não são usados fertilizantes químicos, herbicidas fungicidas ou outras substâncias que possam interferir no ciclo de vegetação das vinhas ou no processo de amadurecimento da uva.

As vinhas são podadas intensamente no inverno, ficando apenas entre 5 e 8 botões em cada planta. O primeiro desbaste começa no início de julho, quando mais de 50% das uvas são removidas, restando 5 cachos por pé. Uma segunda poda é feita em meados de agosto.

Desta forma, os frutos colhidos são saudáveis, ricos em açúcar, aromas e perfumes, qualidades que são transferidos para o vinho durante o processo de fermentação.

A fermentação alcoólica dos vinhos dura de 10 a 30 dias, de forma espontânea, sem fermento.

Nenhum produto é utilizado para alterar o vinho, como aumento de cor, estrutura ou aroma.

Após a fermentação maloláctica, em tanques de inox, os vinhos (exceto o Dolceto) são transferidos para barris de carvalho, para refino.

Os vinhos não são filtrados e só devem ser abertos após 5 ou 6 anos (exceto o Dolceto), período de afinamento do vinho. Desta forma, os vinhos continuam evoluindo, por um período de 20 à 30 anos, desde que guardados em condições ideais.

No final da degustação, Roberto Voerzio apareceu na sala e, com toda sua simpatia, respondeu nossas dúvidas.

Foi uma visita maravilhosa, que me fez concluir que, pequenas vinícolas como esta, tem mais personalidade e também nelas ocorre um engajamento maior dos operários. Todos os funcionários prestam os serviços necessários, desde a recepção até a colheita, assim como em outras atividades da propriedade.

 
 

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16 de julho
2014
Lançamento do guia de vinhos Descorchados
 
Participei do lançamento do guia Descorchados, que é responsável por classificar os vinhos da Argentina, Chile e Uruguai.

Nesta ocasião estiveram presentes no lançamento: Patricio Tapia, autor do livro e vários produtores de vinhos e enólogos.

Neste mesmo evento mais de 30 Vinícolas participaram:

Achavel Ferrer, Bodegas RE, Bressia, Cacique, Maravilla, Calcú, Carmelo Patti, Casa Silva, Casas del Bosque, Catena Zapata, Concha Y Toro, De Martino, Decero, Dominio Del Plata, Errázuriz, Ficas Las Mor, Juanicó, Maitia, Matias Ricciteli, Morandé, Passionate Wines, Pizzorno, San Pedro, Terrazas de Los Andes, Tabali, Trabun, Trapixe, Tres Palacios, Ventisquero, Ventolera, Viñedo de Los Vientos, Viu Manent, Zorzal Wines, Zuccardi, Undurraga

Durante o lançamento, tive o prazer de conhecer a gentil Suzana Balbo, famosa enóloga argentina.

Os vinhos disponíveis para degustação eram desde os mais simples de cada vinícola, até vários de primeiras linhas.

Os vinhos chilenos que para mim se destacaram, foram:

Casa del Bosco Pequeñas Produciones, Sauvignon Blanc, que foi classificado com 94 pts. Ele é produzido no vale de Casabranca onde fica maturando por 2 meses (incluindo fermentação) em barricas. Ele é amplo, suculento, com sabores de frutas e cítrico.

Casa Silva, vinho Altura 2008, do vale de San Fernando, que obteve 95 pts. As cepas usadas são: Carménère 50%, Cabernet Sauvignon 25% e o restante Syrah e Petit Verdot. As cepas são maturadas separadamente, em madeira, por 14 meses. É um vinho potente e delicado ao mesmo tempo. Seus taninos são macios e a persistência é longa.

Errázuris, com seus excelentes vinhos Chadwick 2011, Errazuris 2011, que mostravam grande potencial, porém estavam muito novos. O vinho The Red Blend obteve 96 pts. Ele é feito com as cepas: Garnacha 55%, Movèdre, Syrah, Carignan e Marsane.

Viu Manent com, o Vibo Punta del Viento 2011, que obteve 94 pts, das cepas Grenache 68%, Mouvèdre e Syrah. Sua cor é de um grená brilhante, equilibrado e persistente. O seu ícone Viu 1 também estava presente.


Os argentinos que se destacaram:

Cheval de los Andes 2009, que obteve 94 pts, produzido com as cepas: Malbec, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot. O vinho é bem estruturado, porém suave.

Dominio del Plata, da Suzana Balbo, com seus vinhos: Ben Marco Expressivo, Nosotros e Brioso, que ganharam 93 pts.

Zuccardi, com seu Z, que ganhou 92 pts, que achei melhor do que seu top, Aluvional, com 93 pts, pois estava no ponto para ser bebido.

Um vinho interessante foi o Pipeño, da cepa Cabernet Sauvignon, que obteve 92 pts no guia e que não passava por barrica. O intuito do produtor era o de que o vinho ficasse o mais perto possível da fruta. Achei um pouco estranho.

O De Marino apresentou, entre outros o Viejas Tinajas 2012, da cepa Muscat, que levou 96 pts. Um vinho branco, para levar esta pontuação, tem que ser muito bom. Ele fica em ânforas de barro, de quase 100 anos, em contato com as peles das uvas por 9 meses.

Do Uruguai provei:

O branco Cocó 2011, da vinícola Bouza, das cepas Chardonnay e Albarinho, que ganhou 90 pts. É um vinho interessante, apesar do nome estranho. Tem textura e suavidade, com leve doçura e notas de damasco. O Tannat B2 Parcela única ganhou 92 pts. Mostrou taninos equilibrados. É um vinho de guarda.


O evento em geral foi muito interessante, pois nos mostrou todo o potencial do Cone Sul.

 
 

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12 de julho
2014
Mantova, Itália
 
Na viagem que fiz em 2014, fui de Alba, no Piemonte, para Trento, no Trentino, a fim de visitar a vinícola Ferrari. No caminho aproveitei ara conhecer um pouco da cidade de Mantova.

Não existem registros arqueológicos que permitam estabelecer com precisão qual a origem e quando teria sido fundada Mantova. De acordo com uma lenda, relembrada inclusive no Inferno de Dante, terá sido fundada pela profetisa Manto, filha do adivinho Tiresia. Em fuga de Tebas, Manto, depois de um longo vagar, chegou em um local ermo e pantanoso, onde, com suas lagrimas, criou um lago. Manto teria se casado com uma divindade fluvial, Tybris (Tevere, ou Tibre) e o filho deles, Ocno teria fundado então a cidade às margens do rio Mincio, nomeando-a, em memória de sua mãe, Mantua.

Na verdade, a zona já devia ser habitada no tempo dos Etruscos e sabe-se que no período romano, Mantova era uma pequena cidade fortificada, localizada onde hoje é o centro medieval.

O personagem mais importante da cidade no tempo romano foi o poeta Virgilio Publio Marone, autor da Eneida, clássico da literatura latina. Virgilio está representado em estatuas pela cidade e homenageado na Piazza Virgiliana, próximo da Piazza Sordello.

No século X a cidade passou a ser feudo da família Canossa, de cuja maior lembrança é a Rotonda di San Lorenzo, pequena igreja de forma circular, adjacente ao Palazzo della Ragione, construído cerca de um século depois, por volta de 1.250. Uma curiosidade, com o passar dos séculos, a Rotonda di San Lorenzo foi sendo encoberta por edificações, até desaparecer totalmente. Somente no início do século XX essas edificações foram removidas e a Rotonda, então restaurada, reapareceu em toda sua singeleza. Junto ao Palazzo della Ragione, ergue-se a Torre dell’Orologio, com um relógio astronômico e astrológico projetado pelo matemático mantovano Bartolomeo Manfredi.

A partir do século XV reinam em Mantova os Gonzaga, que tanto contribuíram para o seu esplendor. É o período do Renascimento, e ali surgem e passam vários artistas importantíssimos do período: o pintor Andrea Mantegna, que adorna as paredes do Palazzo Ducale e do Palazzo del Te, este construído pelo arquiteto Giulio Romano como Palácio de verão dos Gonzaga. Neste período surge também a Basílica di Sant’Andrea, projeto de Leon Batista Alberti.

Mantova é hoje cercada por três lagos resultantes das obras do engenheiro Bergamasco Alberto Pitentino, em 1190. (Lago Superiore, di Mezzo e Inferiore). Um quarto lago, chamado Paiolo, fechava a cidade pelo lado sul, de modo que a cidade situava-se numa ilha. Na metade do século XVIII este quarto lago foi esvaziado e Mantova transformou-se em uma península. Os lagos fazem parte do Parco Naturale del Mincio e tem como característica a presença de um sem número de flores de lótus e é possível fazer passeios de barco pelo Parque.

Dizem que, quando Jesus foi crucificado, um soldado romano enfiou uma espada no seu corpo, para saber se ele estava morto. O sangue jorrou, bateu nos seus olhos (soldado) e o curou de uma doença. Ele então, pegou o sangue num cálice e trouxe à cidade de Mantova, onde foi guardado e desaparecido com o tempo. Com a descoberta da relíquia, no ano de 804, surgiu no local um primeiro templo religioso, em homenagem a Sant’Andrea. Depois construiu-se um mosteiro beneditino e finalmente, no século XV, foi erguida a Basílica que hoje vemos, com o campanário ainda dos tempos medievais, localizada na Piazza Mantegna.

Lá em Mantova, passei pelo enorme Palazzo Ducale, que dizem ter 500 quartos. Foi construído entre os séculos XIV e XVII, como residência da família Gonzaga e fica na Piazza Sordello. Trata-se praticamente de um palácio-cidade, pela quantidade de corredores, galerias, salas jardins, capelas, que a faz ser o segundo em extensão de tetos em toda a Europa, atrás apenas do Vaticano.

O Duomo (Cattedrale di San Pietro) também fica na Piazza Sordello, sofreu várias intervenções, o que lhe deu uma aparência de mescla de vários estilos

Como gosto de ver as feiras, para conhecer os produtos típicos de cada região, estive na Piazza dele Erbe. Ela é muito frequentada durante o dia, pelo seu mercado que oferece vários produtos e à noite, pelos seus bares.

A cidade de Mantova é famosa pela sua culinária, sendo que o tortelli de zucca (recheio de abóbora) é seu carro chefe. Muito famoso! O vinho Lambrusco também é feito nesta região.

Como bom turista desinformado, fui a um restaurante onde comi uma massa que, infelizmente, estava sem graça e fora do ponto de cozimento.

Coisas que acontecem... até mesmo na Itália!

De Mantova segui para Trento.

 
 

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07 de julho
2014
Restaurante Grego / Mediterrâneo, MYK
 
Graças à indicação de um amigo, fui conhecer em São Paulo, o restaurante MYK (abreviação de Mykonos), que fica na rua Peixoto Gomide 1972 (fone: 2548-5391).

O restaurante é tocado pela bela chef Mariana Camargo Fonseca, que morou em Mykonos.

O cardápio é enxuto e elaborado com um acento grego moderno e criativo. Achei bem diferente daquilo que provei na Grécia, apesar do cardápio contar com os tradicionais Moussaka e salada grega.

Resolvi provar o polvo grelhado, mas pedi para trocar a batata do acompanhamento, por aspargos ao limão siciliano. Estava delicioso e foi um dos polvos mais baratos que comi em São Paulo. (55,00 reais)

Como estava só, fiquei apenas no polvo, mas fotografei vários outros pratos do cardápio:

Polvo grelhado com batata do campo (R$55,00).

Kobe bife passion grelhado com batatas frita ao orégano (R$59,00).

Myk Burger Kobe Beef Passion, com tzatziki, tomate, cebola roxa, pão pita e batatas fritas (R$38,00).

Orecchiette com camarões ao limão siciliano (R$48,00).

Raviole de queijo de cabra na manteiga de sálvia e nozes (R$37,00).

Voltei lá em outra ocasião, para provar outros pratos, e também por achar os preços razoáveis, para São Paulo e os ingredientes interessantes.

Nesta segunda vez pedimos:

Camarão rosa gigante grelhado (com arroz de espinafre e iogurte) (R$66,00). Estava delicioso!

Lula grelhada com aspargos verdes ao limão siciliano (R$47,00), que também estava muito bom.

Achei que o restaurante oferecia uma boa relação custo benefício e ótimo atendimento!

Recomendo uma visita.

 
 

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Me chamo Alberto Andaló Júnior. Nasci em Rio Preto no dia 23 de junho de 1947. Aqui nestas terras de São José fiz o primário no antigo Grupo Escolar Cardeal Leme. Em São Paulo, me formei em engenhariana pela Faap e em administração pelo Mackenzie. Hoje, trabalho como autônomo prestando consultoria. E-mail para contato: aajconsult@terra.com.br


O objetivo deste blog é falar sobre vinhos, viagens e gastronomia. A harmonização com os alimentos, assunto muito em voga, era feita de uma forma bem básica: o vinho tinto harmonizava com carnes vermelhas e o branco com os pescados. Hoje se sabe que uma boa harmonização entre o prato e a bebida acaba por valorizar a ambos. Sobre esse assunto, clique aqui e veja trabalho que fiz para a revista Lola da editora Abril.


Minha experiência com a bebida vem da infância, quando na minha casa, meu pais misturavam vinho com água, para que as crianças também participassem dos festejos. Quando morei em Rio Preto pela segunda vez, meu pai era então prefeito, desta cidade. Nesta época, eu tomava escondido um pouco do seu vinho português Grandjó, e apreciava sua doçura. Desde então, decidi incluir nas minhas viagens internacionais, algumas visitas às vinícolas.


Fiz curso de Sommelier na Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo, o que me ajudou a entender melhor este universo. Mantenho o blog O Vinho e os Prazeres, que pretendo dar continuidade aqui neste espaço. Espero que aproveitem os posts e agradeço desde já a participação de todos vocês com seus comentários!


 
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