Igor Galante
   
10 de março
2010
Comentários sobre o Oscar
 
Em nossa reportagem especial de domingo sobre o Oscar, dei alguns palpites sobre o que eu achava que ia dar na cerimônia no Teatro Kodak para melhor filme, diretor, ator e atriz. Apostei certo nos três últimos, e não estava mesmo difícil de acertar - com exceção ao Oscar de direção para Kathryn Bigelow, os prêmios de melhor ator para Jeff Bridges e atriz para Sandra Bullock estavam mais do que encaminhados.

Sobre o prêmio de direção, o primeiro dado a uma mulher em toda a história do Oscar, a performance crescente de seu filme, "Guerra ao Terror", ao longo da cerimônia, ganhando todos aqueles prêmios (foram seis ao todo) só fez cristalizar a ideia de que as estatuetas de direção - e depois, de melhor filme - iriam mesmo parar na estante da casa dela.

O diretor é o elemento mais importante de uma produção cinematográfica - pelo menos do ponto de vista criativo, já que, em Hollywood, manda quem tem dinheiro, e quem tem dinheiro são os produtores. Por isso é tão importante esta conquista de Kathryn, dona de uma filmografia breve (são apenas oito longas em 28 anos), sem identidade clara (vai de "Caçadores de Emoção" a "K-19: The Widowmaker", não podendo assim se atribuir a ela um "cinema de autor") e que não dirigia nada desde 2002, quando lançou "O Peso da Água", drama com Catherine McCormack e Sean Penn.

Confesso que "Guerra ao Terror" não me tocou como imagino tenha tocado os votantes da Academia. A ideia de personalizar ao máximo um evento tão grande como a Guerra do Iraque em torno de um pequeno grupo anti-bomba foi até acertada, pois você potencializa o efeito dramático e a possibilidade de identificação da plateia com a trama e os personagens, mas algo em "Guerra ao Terror" me fez pensar: "Mas é filme para tudo isso?". E com "tudo isso", quero dizer seis estatuetas do Oscar, incluindo a trinca de ouro: melhor filme, direção e roteiro original (valorizadíssimo nos Estados Unidos).

Foi a mesma sensação que tive quando "Quem Quer ser um Milionário?" (que não é um filme ruim, longe disso, mas peraí...) atropelou na cerimônia do ano passado.

Há algum tempo Hollywood não produz "O" filme do Oscar, que arrebate nove, dez prêmios e você pense: "Eu já sabia..." ou "Nada mais justo..."

Se a cerimônia foi óbvia na entrega das estatuetas, com todos aqueles favoritos confirmando suas conquistas (exceção feita ao prêmio de filme estrangeiro, faturado pelo argentino "O segredo dos seus olhos" no lugar de "A fita branca"), eu imaginei que, para melhor filme, a Academia fosse ousar e premiar "Avatar".

A escolha do filme de James Cameron, ao contrário do que pudesse parecer, seria sim uma ousadia do Oscar. O filme está longe de representar o melhor do cinema sob o ponto de vista artístico/narrativo. Mas ora, não podemos nos esquecer que o Oscar é um prêmio da indústria do cinema, e "Avatar" é esse colosso que quebrou todos os recordes de mercado.

Se querem saber, acho que nem "Avatar" nem "Guerra ao Terror" são merecedores do Oscar de melhor filme. Mas qual então? O meu preferido? "Bastardos Inglórios".

E para vocês, qual foi o melhor filme de 2009?

 
 

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08 de março
2010
Do privado para a privada
 
Aparece com muito menos recorrência, é verdade, mas futebol também é assunto neste blog.

Se bem que, no caso Adriano, motivo deste post, futebol é só uma das diversas palavras-chave de identificação do problema.

O Adriano é nossa espécie assim de Amy Winehouse das quatro linhas, nossa Britney Spears da peleja: bem-sucedidos na vida profissional, mas reincidentemente envolvidos em polêmicas, que acabam refletindo negativamente em suas performances como artistas.

A fama, o dinheiro, as extravagâncias cometidas por ídolos do esporte acabaram abrindo suas vidas privadas para o mercado de consumo de fofoca - como qualquer celebridade. Vide os casos de adultério envolvendo o jogador de golfe Tiger Woods, nos EUA, e do zagueiro do Chelsea, Terry, que pegou a mulher (agora ex-mulher) de seu colega (agora ex-colega) da seleção inglesa, o lateral Bridge.

Então não dá mais para o goleiro do Flamengo, Bruno, reunir a imprensa para dizer que as polêmicas envolvendo Adriano só dizem respeito a ele, que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, afinal, "quem nunca saiu na mão com a mulher, xará?"

Não vivemos neste mundo mais, Bruno. Em tese, os problemas da vida privada deveriam interessar apenas a seus envolvidos diretos, mas a vida de celebridade cobra seu preço. O famoso perdeu o direito de errar. Certo não é, e eu nem de longe sou entusiasta deste tipo de cobertura jornalística, mas é assim que a banda toca...

O caso de Adriano é ainda mais dramático porque, no roteiro de sua história de vida, ele parecia já ter percorrido todo o arco dramático, e ido do fundo do poço, com a depressão, o problema com a bebida e a ameaça de largar o futebol, para a redenção, com a condução do Flamengo ao título do Brasileiro e a confirmação na Copa do Mundo. Agora tudo começa a ruir de novo, e de novo o Adriano teve a coragem de vir a público e pedir: "preciso de ajuda". Com a conduta exemplar fora do campo exigida pelo xerifão Dunga, o barraco armado com a noiva no baile funk na favela carioca pode não só tê-lo afastado da chance de vestir a amarelinha na África do Sul, como ter cortado a tênue linha que parecia sustentar o equilíbrio emocional do atleta. Sua saída eminente da seleção, e talvez até do Flamengo, pode ter efeito devastador sobre ele, que está colocando tudo (entendendo tudo como aquilo que o faz feliz) a perder. Pela segunda vez.

A história mostra que impérios (e imperadores) ascendem e caem uma vez só.

 
 

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17 de fevereiro
2010
Balanços de público
 
Acaba de sair o balanço da prefeitura para o Carnaval Popular em Rio Preto: 32,5 mil pessoas - 25 mil no Jardim das Oliveiras e 7,5 mil no Júpiter Olímpico.

Esses números oficiais me deixam com um pé atrás. Sempre desconfio de que a organização os joga lá para cima para, em seguida, dizer: "Foi um sucesso".

No caso da Carnaval, todo mundo sabe que, no primeiro dia, devido à proibição da entrada de menores de 18 anos mesmo acompanhados dos pais ou responsáveis, o Jardim das Oliveiras recebeu umas 300 pessoas. E a organização vem e diz que o espaço recebeu 5 mil por noite. Sei...

Certa vez desconfiei do balanço de público divulgado no FIT. Acho sempre muita coincidência que o número divulgado no final seja exatamente o mesmo do estimado no início do evento.

Foi no ano passado. A organização divulgou que o Festival havia atraído 130 mil pessoas. Fiz um levantamento, considerando o público nos espaços fechados e a estimativa (segundo informações do próprio FIT) em locais abertos e o número final a que cheguei era bem inferior: 87 mil. No dia seguinte, soltaram um novo release com os números corrigidos. A desconfiança sempre fez bem ao jornalismo e, por consequência, à sociedade.
 
 

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09 de fevereiro
2010
Hollywood no Carnaval carioca
 
Quem já foi ao Rio de Janeiro e passeou pela orla de Ipanema-Leblon sabe que é infalível cruzar com alguma celebridade. A única variável é em quantos minutos de caminhada ou em quantos metros.

O Rio é mesmo uma terra estrelada neste sentido e nestes dias que se aproximam do Carnaval, mais ainda. Não bastasse a presença de Beyoncé, o nome mais poderoso do showbiz mundial atualmente - e que ontem parou o Morro da Conceição durante a gravação de um videoclipe, a exemplo do que fez Michael Jackson em 1996 no morro Dona Marta - outros nomes de peso da indústria pop desembarcaram ou estão para desembarcar na cidade da final da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Alicia Keys, da mesma seara pop rythm and blues de Beyoncé, gravou ontem imagens no mesmo Dona Marta para o videoclipe da música "Put It In a Love Song", cantada em parceria pelas duas.

Madonna, iluminada pela luz de Baby Jesus, está mais uma vez de volta ao Rio. Chegou ontem e se hospedou no hotel Fasano, o mesmo onde está Beyoncé e Alicia Keys: batedores da polícia, parte da Vieira Souto interditada, histeria de fãs na porta do hotel, aquele cenário todo que só estrelas desse calibre são capazes de criar.

Madonna vem para pedir ao governador de São Paulo José Serra dinheiro para sua associação que cuida de crianças carentes. Mas também para curtir o Carnaval na sapucaí, é claro! E junto com ela, outros nomes de Hollywood são esperados, como Paris Hilton, Gerard Butler, Lindsay Lohan e Chris Noth (o Mister Big de "Sex and The City"). Ô loco, meu!

 
 

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04 de fevereiro
2010
Adeus, Miramax
 
A informação não é assim tão nova, foi divulgada na semana passada, mas eu não podia deixar de comentar: a Miramax fechou suas portas.

Fundada pelos irmãos Bob e Harvey Weinstein, a Miramax, produtora e distribuidora com sede em Los Angeles que em determinado momento teve sua história atrelada à mudança de paradigma no mercado de cinema independente nos EUA a partir dos anos 90, com o lançamento de "Pulp Fiction". Ora, só esta relação da empresa com o filme iconográfico daquela década (ao lado de "Matrix") e que lançou Tarantino ao mainstream já valeria este post. Mas tem mais.

Depois que foi vendida à Disney pelos Weinstein - que fundariam outra empresa, a Weinstein Co -, a Miramax garimpou outros produtos até então "independentes" e os transformou em vencedores de Oscar, como "O Paciente Inglês", "Shakespeare Apaixonado" e "Chicago".

Ah, e como trabalharam nos bastidores Bob e Harvey pelo nosso "Cidade de Deus" ("City of God" para eles) naquele Oscar de 2004, momento raro em que um filme brasileiro adentrava à cerimônia pela porta da frente, disputando quatro estatuetas (direção, fotografia, montagem e roteiro adaptado.

A Miramax tinha 31 anos e 80 funcionários, entre os escritórios de LA e Nova York. Não que essa notícia vá fazer alguma diferença em nossa vida, mas achei que valia o registro.

Abaixo, um desses momentos inesquecíveis do cinema...
 

 

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Igor Galante tem 30 anos e é editor do caderno Vida&Arte do Diário da Região, em São José do Rio Preto, onde atua desde 2001. Em 2007, estreou na literatura com o livro de contos "Violências".

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