Para o bem
‘Drogas’ do amor
São José do Rio Preto, 11 de Maio de 2006
  Orlandeli/Editoria de Arte  

Michelle Monte Mor

00:30 - Elas auxiliam na hora de fazer você se apaixonar, de ser fiel ao parceiro e até aumentam a libido. São chamadas de “drogas do amor”. Mas fique tranqüilo, pois não são ilícitas e nem causam dependência, já que são produzidas pelo nosso organismo. Estamos falando da dopamina, testosterona, oxitocina e muitas outras. “As drogas naturais atuam no aumento ou diminuição do desejo sexual. Mas para que isso ocorra, deve haver uma integração entre o psicológico e o sistema hormonal. As substâncias não têm efeito se a pessoa não estiver disposta a se relacionar com outra. Se isso não ocorrer, as ‘drogas’ nem atuam”, explica o psiquiatra e sexólogo Sérgio Almeida. A mistura de hormônios e de outras substâncias produzidas pelo organismo são denominadas de “coquetel do sexo”. Os ingredientes desse coquetel, responsável pelo nosso desejo sexual, são vários: testosterona, dopamina, oxitocina, entre outros.

A dopamina, por exemplo, produzida no cérebro, pelos neurônios mesoencéfalos, é responsável pelo aumento do desejo sexual. “A dopamina é ativada por neurotransmissores que levam o impulso ao cérebro, através do tato ou da visão e atua diretamente na libido”, explica Almeida. O desejo sexual está sempre lá, esperando ser ativado. E o responsável por isso é o hipotálamo. O principal hormônio produzido por ele é o GnRH ou gonadotrofina, que atua como um motor de acasalamento. Mas para ele funcionar, é preciso a ação da testosterona, hormônio produzido por ambos os sexos, pelos testículos e pelas glândulas supra-renais. Quando temos relações sexuais ou nos sentimos atraídos por alguém, a produção do GnRH aumenta.

Passando pelo sistema límbico, que controla as emoções, há outras “drogas do amor”: a dopamina e a serotonina. A primeira é responsável pela excitação, e a segunda atua sobre a “tonalidade” do humor. Quando nos apaixonamos, o nível de dopamina sobe e o de serotonina desce. A dopamina age de forma parecida à cocaína, só que é uma droga natural. Por outro lado, a diminuição da serotonina torna os apaixonados mais sensíveis à depressão, mas também mais receptivos a novas sensações, como aquela que sentimos quando há alguém atraente ao lado. Quando isso ocorre, os níveis de dopamina aumentam e mudam a nossa forma de pensar e sentir. Com isso, há um sentimento de euforia e excitação. “Todas essas substâncias são produzidas incessantemente pelo nosso organismo. Quando a pessoa se apaixona, ela produz mais endorfina, também chamada de hormônio da felicidade.

Mas depois de algum tempo, a produção se estabiliza, e com isso, a paixão acaba”, explica o sexólogo Sérgio Almeida. Infelizmente, os hormônios, ou as “drogas do amor”, não podem auxiliar se o problema for falta de libido. “A ausência de desejo sexual está associada ao psicológico da pessoa, nem sempre aos hormônios. Eles não podem ser utilizados para aumentar o desejo, por exemplo”, diz Sérgio. Não é possível prolongar o efeito da dopaína, por exemplo. Se a paixão ocorre por um tempo excessivo, a pessoa entra no campo das obsessões. Por isso, tanto a dopamina, quanto a feniletilamina se esgotam. Quando isso ocorre, dizemos que a paixão acabou. Por outro lado, ela poderá evoluir para o amor.

Veja como as drogas do amor trabalham no organismo:


:: Dopamina - É produzida no cérebro pelos hormônios do mesoencéfalo. Sua produção aumenta com o desejo

:: Oxitocina - Produzida durante o orgasmo pela glândula hipófise. Dá uma sensação de bem-estar

:: Feromônios - Produzidos pelas glândulas das axilas, enviam mensagens sexuais

:: Óxido nítrico - Liberado pelas células das zonas genitais quando nos excitamos, dilata os vasos sangüíneos

:: Serotonina - É produzida no tronco cerebral e no mesoencáfalo. Provoca a sensação de gratificação que sucede o orgasmo

:: Sistema límbico - É o centro das emoções que recebe os sinais mandados pelos órgãos e regula a liberação da oxitocina

:: Epinefrina e Norepinefrina - Secretadas pelas glândulas supra-renais, facilitam a excitação e o orgasmo

:: Polipeptídeo Vasoativo intestinal - É um vasodilatador que potencializa a ereção

:: Testosterona - Hormônio-chave do desejo masculino, produzido pelos testículos

:: Circulação - Uma queda nos níveis de adrenalina e cortisol abaixa a pressão

:: Pulmões - Uma exposição prolongada à oxitocina faz baixar o ritmo da respiração

:: Ovários - Produzem estrogênios, que potencializam os efeitos da oxitocina

:: Útero - Graças ao efeito da oxitocina, ele se contrai durante o parto

:: Genitais - Nas mulheres, a oxitocina contrai os músculos durante orgasmo. Nos homens, desencadeia a ereção


Hormônios ‘trabalham’ para o amor
Já vimos que os hormônios e outras substâncias produzidas pelo organismo são grandes responsáveis pela libido e também pela paixão. Mas é o amor? Será que os hormônios também trabalham nesse sentido? Sim. Como os da paixão e do desejo sexual, os hormônios do amor também são produzidos pelo hipotálamo. Eles se chamam oxitocina e vasopressina, e estimulam o apego entre o casal, a fidelidade e também os comportamentos maternal e paternal. Durante a relação sexual, a oxitocina é liberada no sangue e no cérebro. Nesse momento, ele produz endorfina, uma “droga natural” que provoca uma sensação de satisfação e um sentimento de plenitude. Quanto mais afeto e carícias trocadas, mais oxitocinas são produzidas.

O sistema oxitocina-vasopressina é um dos responsáveis pela escolha monogâmica. Quem é infiel produz menos oxitocina. Desejo sexual, paixão e amor, estão ligados à nossa produção hormonal e claro, tudo isso deve estar associado ao psicológico, pois não adianta produzir muita oxitocina, se o psicológico não está pronto para se relacionar com determinada pessoa. Segundo o sexólogo italiano Emmanuele Jannini, da Universidade de Áquila, na Itália, o namoro é a nossa cocaína, e se chama dopamina; a paixão é nossa anfetamina, e se chama feniletilamina. O sexo é o nosso anabolizante e se chama testosterona e o orgasmo é nossa heroína, e se chama endorfina.

Serviço:
- Sérgio Almeida, psiquiatra e sexólogo, fone (17) 3234-4667
- Emmanuele Jannini, sexólogo, site - www.ok.corriere.it/medici/jannini