Fique atenta
Quando ele não liga
São José do Rio Preto, 20 de Abril de 2005
  Orlandeli/Editoria de Arte  

Monise Centurion

00:56 - A noite foi maravilhosa: ele conquistou você com graça e jeito romântico. Ele foi embora com o número do seu telefone e, semanas depois, nem sinal de vida. E você pergunta durante algum tempo o por quê dele não ter ligado e fica arrasada por ter sido desprezada. De acordo com os psicólogos, nos relacionamentos atuais situações como essa são freqüentes e a resposta pode ser mais simples do que se imagina: “ele não ligou porque simplesmente não está a fim de você”. O homem experimenta mais nos relacionamentos que as mulheres. Se não deu certo, ele parte para outra e, conseqüentemente, não liga. Já as mulheres têm expectativa de que daquele relacionamento vai surgir algo sólido, por isso investem e esperam o retorno, o telefonema, e frustam-se facilmente quando ele não acontece. “A diferença está no comportamento e na expectativa de relacionamentos entre homens e mulheres. A mulher quer ter alguém do lado e quer que o relacionamento dê certo. Já o homem, se sentiu que não gostou, vai embora e procura novas aventuras”, diz a psicóloga cognitivo-comportamental Irene Araújo Correia.

O prejuízo, nestes casos, é que a mulher reverte a frustração para ela e começa a se achar desinteressante. “A mulher passa a pensar que ela é quem fracassou, que o problema é ela e que existe alguma coisa errada com ela, por isso ele não a quis”, afirma a psicóloga. As mulheres costumam pensar também que ligar no dia seguinte é um sinal de respeito, de carinho, de que a noite anterior foi interessante. “Isso contribui para a frustração também”, diz. Essas frustrações acontecem geralmente em relacionamentos que estão no começo, quando o casal ainda não se conhece. Não há como prever o futuro, porém dá para notar através do comportamento masculino quando ele vai “abandonar o barco” e partir para outras tentativas. Existe um grande esforço emocional e um mar de expectativas quando as pessoas saem de casa para se divertir e, quem sabe, conhecer alguém que seja interessante e que se consiga chamar a atenção. Para homens e mulheres, as expectativas são as mesmas, mas como são criados de formas diferentes e entendem o mundo de maneira diversa, homens e mulheres se esbarram pelo mundo afora dando nomes diferentes a gestos, palavras e sentimentos.

As mulheres são mais sensíveis e emocionais que os homens. Essa capacidade feminina pode ser um grande facilitador na hora da conquista, mas pode ser um grande dificultador da avaliação do interesse masculino. A maioria das pessoas reage de maneira muito simples quando estão interessadas, e são capazes de milhões de artimanhas quando não estão ou quando querem se livrar de alguém. A frase “eu te ligo amanhã”, depois do primeiro encontro, é um exemplo clássico. Se o indivíduo ligar, há uma grande chance do relacionamento evoluir, mas se não ligar, e o que ficou esperando não se conformar com o desdém e partir para outra, provavelmente alguma coisa vai acontecer, mas nada muito importante ou que coincida com as intenções de quem ficou na espera.

Quem está interessado corre atrás, cumpre as promessas, não faz o outro esperar, não some, atende ao telefone, não diz que anda muito ocupado, não fica trabalhando de sexta-feira à noite, não está cansado para sair e faz tudo para estar com o outro, além de cumprir o que promete. “É muito difícil aceitar de pronto que o interesse do outro durou apenas algumas horas ou que não é amor e sim algum outro sentimento que norteou aquele encontro. Mas faz parte dos relacionamentos modernos”, disse. Segundo a psicóloga, as emoções de uma noite podem durar dias, mas as atitudes dos dias é que constróem um relacionamento onde todos ganham. Pessoas que fazem as outras sofrerem, que sempre estão cheias de problemas e não podem se dedicar, ficam sempre em dúvida se querem ou não namorar, e preferem “ficar”, pois não estão disponíveis para levar nenhum compromisso adiante. Quem insiste, perde tempo e auto-estima.

Para a terapeuta cognitivo-comportamental Rosana Garcia, há vários motivos que fazem com que ele não ligue no dia seguinte a um encontro. “Mesmo que esse encontro tenha sido maravilhoso para ambos, ele pode remeter a uma realidade que talvez o outro não esteja disposto a viver. Não creio que ele não tenha ligado simplesmente porque não esteja a fim. Outros fatores também podem ser relevantes para tal decisão. Eles vão desde medo do compromisso, da responsabilidade, outros interesses ou até mesmo a expectativa da sua busca por ele”, afirma. Os homens também têm expectativas em relação ao outro e em relação às atitudes femininas. “Quando se fala de conquista, a igualdade dos sexos está presente e hoje o homem não quer correr o risco de ser frustrado em suas intenções, assim como as mulheres também não. Ele só aposta naquele relacionamento que imagina que dará certo”, diz.

O comportamento masculino durante o encontro pode ser decisivo para o comportamento dele no dia seguinte. Às vezes, uma frase ou um gesto de desinteresse pode ser entendido como uma relação sem futuro e como o medo dele de frustração é imenso, desiste antes mesmo de tentar. A questão é que infelizmente ou felizmente o livre arbítrio ainda é determinante nas relações e por causa disso ninguém é obrigado a ficar com ninguém. “O que as pessoas têm confundido muito é livre arbítrio com falta de respeito. Se você ficou com alguém mas a atração não foi suficiente para dar continuidade ao relacionamento, seja honesto e diga isso ao outro”, afirma a psicóloga.

Depoimento:


>> “Namorei um músico durante um mês. Falávamos sempre ao telefone e toda semana ia à minha casa. Estávamos bem, mas de repente comecei a notar que ele estava estranho comigo, parou de me visitar, não ligava mais e quando eu ligava, dizia que estava ocupado e tinha muitos ensaios, pois estava gravando um CD. O engraçado é que quando estávamos juntos estas coisas não influenciavam. Passava a semana e nenhuma ligação. Quando eu tomava a iniciativa de telefonar, ele nunca podia conversar, estava sempre ocupado. Depois cansei de correr atrás. Foi assim até ele desaparecer. Sofri bastante com o descaso dele porque não fiz nada, mas já fui casada durante 21 anos e foi bastante traumático. Passou um tempo e quando já estava recuperada, ele voltou a me procurar. Achei aquilo um absurdo. Falei que não era mais menina e mandei ele embora. Disse a ele que já tinha sido casada e que não precisava de mais problemas.”

N.G.L, 48 anos, auxiliar de enfermagem

Sexos diferentes, reações diferentes
Mulheres e homens se comportam diferente nos relacionamentos. A mulher costuma fantasiar e idealizar cenas no relacionamento, inclusive no aguardo de um telefonema no dia seguinte. Os homens são mais práticos e funcionam no concreto: se estão a fim de uma mulher se mostram interessados sim, cada um de sua forma, alguns mais receosos, tímidos, outros com mais desenvoltura e seguros. “Geralmente, um encontro que foi bom no dia anterior gera uma ansiedade na mulher, que é mais imediatista, quer que tudo aconteça rápido e na hora, e a conseqüência é a espera pelo telefonema, diz a psicóloga Cláudia Longhi.

O fato do rapaz não ligar no dia seguinte não significa que não está interessado e sim por vários motivos. Ou está tentando seduzi-la, e daí também “se segura” para ligar, pois não pode se mostrar muito interessado (o que é uma grande bobagem, pois homens e mulheres acham que tem de “jogar” para conquistar), ou aconteceu algo no dia que acabou impossibilitando entrar em contato. E também há a possibilidade dele realmente não estar interessado. O homem sempre deixa claro se está ou não interessado e é muito importante que a mulher escute o que ele está dizendo.

As mulheres têm o hábito de achar que o homem está se fazendo de difícil, que não quer se apegar, mas que com ela vai ser diferente. E todas essas fantasias e expectativas fazem com que as decepções aconteçam. “Quando existe interesse e entrosamento entre o casal, há um telefonema para um futuro programa, independentemente de ser no dia seguinte ou não, sinal de que algo pode rolar. A relação só poderá existir se os dois quiserem”, afirma.

Serviço:
- Irene Araújo Correia, psicóloga cognitivo- comportamental, fone (17) 222-3494
- Cláudia Longhi, psicóloga, fone (17) 234-7010
- Rosana Garcia, terapeuta cognitivo-comportamental, fone (17) 233-1106