Prevenção
Cuide da correia dentada do seu veículo
São José do Rio Preto, 5 de Dezembro de 2004
  Carlos Chimba  
Evite o guincho: fazer a manutenção da correia é a solução mais barata

Michelle Monte Mor

Se você adquiriu um carro usado ou vai viajar, além das revisões gerais, não esqueça de verificar a situação da correia dentada. Na maioria das vezes, o motorista se lembra dela apenas no momento em que a peça se rompe. Só que nessa hora não há mais solução. Quando a correia quebra, o carro pára de funcionar e a única alternativa é chamar o guincho. O rompimento da peça é um dos motivos mais comuns que levam o veículo a ter uma pane no meio da rua. De acordo com o mecânico, Luiz Fernando Bianchi, cerca de 60 motoristas vão mensalmente até a oficina fazer a troca da correia. “Fazer a manutenção preventiva da correia sincronizada, ou correia dentada, é a solução mais rápida e barata para evitar aborrecimentos. A troca deve ser feita a cada 50 mil quilômetros rodados, ou de acordo com o fabricante da peça”, explica o mecânico.

Você deve ficar atento à quilometragem, já que a peça não dá sinais de que existe algum problema. “Ela não faz nenhum barulho específico. Portanto, para evitar que o carro pare no meio da rua ou estrada, o melhor é trocar a correia antes que dê problemas,” diz Bianchi. Essencial para o funcionamento do motor, a correia dentada é a responsável pelo sincronismo do comando de válvulas. Quando se rompe, o carro não dá partida. “Ela pode ser considerado um fusível do motor. Sua função é colocar o carro ponto de explosão correto e movimentar o motor ,” explica o mecânico. A falta de manutenção ou o mau uso desse componente pode causar sérios danos do motor. O rompimento se dá com ele ligado, por isso a quebra pode danificar as válvulas e, de acordo com a gravidade, o cabeçote precisa ser retificado. É muito comum o motorista tentar forçar a partida. Ele não deve fazer isso porque as válvulas podem empenar. O melhor é chamar um guincho e levar o carro a uma auto-elétrica ou oficina.

A durabilidade da peça varia de acordo com cada carro e quanto o motorista roda. A substituição deve ser feita, em média, a cada 50 mil quilômetros. Mas o motorista deve ler o manual do proprietário, que informa a época aproximada da troca. Porém, a cada 15 mil quilômetros é recomendável levar o carro a uma oficina mecânica para uma inspeção visual, que irá avaliar o nível de desgaste da peça. O mecânico Luiz Bianchi também recomenda que a cada troca da correia seja feita a substituição ou a checagem das polias tensionadoras. Isso porque se as polias estiverem desgastadas ou desalinhadas, elas vão forçar a correia que, com o mau funcionamento, pode quebrar. Outra dica: os carros que transitam em locais com muita poeira ou lama podem ter o desgaste da correia acelerado, já que a sujeira impregna o sistema. Fique atento também aos vazamentos de óleo, pois se atingir a peça, ela pode ressecar e quebrar.


Carlos Chimba
Correia dentada nova

Tipos de correia

Além da dentada, existem outros tipos de correia. As do tipo serpentina têm pouca espessura e são bem largas. Na maioria dos carros que usam esse modelo, ela movimenta vários acessórios. Já as correias em V movimentam um ou mais acessórios. Elas têm esse nome devido à sua aparência. Têm um perfil transversal que lembra um V. A mais comum é a correia dentada, que liga o virabrequim ao eixo do comando de válvulas. Ela fica coberta por uma proteção, na frente do motor. A correia dentada estabelece uma ligação fixa entre o virabrequim e o comando de válvulas, com a função de manter sincronizados esses dois elementos.

Em alguns carros, ela também é aproveitada para movimentar as bombas de óleo e água. Nem todos os motores utilizam correias dentadas. Alguns utilizam engrenagens ou correntes para o mesmo fim. As correias dentadas podem estragar do mesmo modo que as outras. A diferença é que, caso ela quebre ou escorregue, o motor pára de funcionar e pode sofrer sérios danos internos. Empenamento de válvulas e danos aos pistões são alguns dos problemas mais comuns causados pelo rompimento da correia dentada. O conserto sai sempre muito caro. De acordo com Márcio Luis Martins, proprietário de uma oficina mecânica em Rio Preto, o conserto do motor fica entre R$ 300 e R$ 600, de acordo com o tamanho do estrago. Mas se você fizer a manutenção e trocá-la antes que apareça algum problema, irá gastar entre R$ 20 e R$ 80 por uma nova.

Serviço:
- Bianchi Centro Automotivo - (17) 233-4468
- Auto-elétrica Genésio de Pace - (17) 2139-1344
- Auto-elétrica Martins - (17) 224-9100

Dicas de manutenção preventiva das correias dentadas:


:: Cheque as correias com o motor desligado e, preferivelmente, frio. Isso evita possíveis queimaduras e ferimentos causados por alguma peça em movimento

:: A regulagem errada também provoca desgaste na própria correia. Existem modos de verificar com precisão a regulagem das correias, mas também é possível verificar a tensão manualmente. Para isso, basta pressionar a correia no meio de sua maior parte livre. Ela não deve ceder mais de dois centímetros

:: Observe cuidadosamente as bordas e a parte interna das correias. Qualquer sinal de desgaste indica que a correia precisa ser trocada e pode indicar, também, que algum acessório ligado a ela pode estar com problemas

:: Também é preciso verificar a tensão da correia e, se preciso, ajustá-la. Correias muito esticadas podem causar desgaste prematuro nos rolamentos dos acessórios e do próprio motor. Se estiver frouxa, a correia desliza e faz ruído, causando queda na performance dos acessórios

Fique atento a alguns sinais de desgaste:


Vitrificação
- A área de contato da correia fica lisa e brilhante quando ela desliza nas polias. Correias vitrificadas perdem a aderência e causam ainda mais deslizamento. Óleo ou graxa nas polias também podem provocar a vitrificação

Óleo
- Graxa, óleo e outros fluidos nas correias causam vitrificação e aumentam o escorregamento. A contaminação por fuidos também pode deteriorar a correia

Emborrachamento
- O material da correia se desgasta e se acumula nas polias. Isso pode acontecer devido à tensão, desgaste ou desalinhamento das polias

Rachaduras
- Elas acontecem quando as correias são expostas ao calor e tensão excessivos

Decomposição
- Quando as rachaduras se aprofundam, se soltam pedaços de borracha

Os pricipais problemas, as causas prováveis e as soluções:


Curta duração das correias:
:: Polias gastas - Substituir as polias
:: Óleo ou graxa na correia - Evite pulverizar o motor com óleos ou querosene. Limpar as polias e correias
:: Desgaste excessivo ou estrias causadas pelo roçar Retirar a obstrução e realinhar as polias em cortes ou obstruçãon Queimaduras pelo patinar da correia na polia motora convenientemente - Tensionar a correia

Correias com quebra prematura:
:: Correias danificadas - Seguir o procedimento de na instalação instalação recomendado

Correias que viram no canal da polia:
:: Desalinhamento de polias e eixos - Realinhar o sistema
:: Polias gastas - Trocar as polias
:: Vibração excessiva - Ajustar a tensão
:: Correias gastas com rasgos ou estrias - Substituir a correia

Correia com chiado:
:: Grande carga no arranque ou excessiva sobrecarga da correia - Ajustar a tensão
:: Surgimento de pó na parte lateral da correia - Fazer a limpeza

Vibração excessiva:
:: Correias frouxas - Tensioná-las convenientemente
:: Desalinhamento de polias - Instalar adequadamente. Alinhar polias.

Desigualdade das correias durante a instalação ou em serviço:
:: Correias usadas e novas novas instaladas no mesmo conjunto - Nunca instalar correias novas com correias usadas
:: Eixo das polias desalinhado - Realinhar a transmissão
:: Polias gastas ou defeituosas - Trocar as polias

Desgaste nas bordas:
:: Flange da polia danificada - Coloque uma nova polia
:: Polia desalinhada - Verifique o alinhamento

Correia quebrada (transversal):
:: Presença de corpo estranho - Verifique se o guarda-pó está montado corretamente
:: Baixa tensão (corre sobre a borda da polia) - Ajuste na tensão recomendada pelo fabricante do veículo
:: Montagem incorreta - Montar conforme instruções do fabricante do veículo

Correia quebrada (reto):
:: Correia dobrada ou vincada antes ou durante a instalação (devido a manuseio inadequado) Evite manusear a correia dequalquer jeito (dobrar, vincar, enrolar, reverter dentes para fora)

Dentes arrancados:
:: Baixa tensão (devido à montagem incorreta).Ajuste na tensão recomendada pelo fabricante do veículo

Polia travada:
:: Localize e repare a polia travada.

Contaminação por óleo:
:: Vazamento de óleo sobre a correia - Reparar o vazamento de óleo no motor

Falha por alta tensão:
:: Correia com muita tensão (devido à montagem incorreta) - Ajuste na tensão recomendada pelo fabricante do veículo

Dentes cortados:
:: Baixa tensão(devido ao ajuste incorreto) - Ajuste na tensão recomendada pelo fabricante do veículo
:: Tensão de trabalho muito baixa (ajuste incorreto) - Verifique o funcionamento do tensionador

Transmissão com ruído:
:: Tensão excessiva ou baixa (devido ao ajuste incorreto) - Ajuste na tensão recomendada pelo fabricante do veículo
:: Polia desalinhada ou danificada - Verifique o alinhamento ou coloque uma nova polia

Fonte - Reportagem