Instituições particulares
Faculdades congelam preços de mensalidades
São José do Rio Preto, 28 de Outubro de 2004
  Sérgio Menezes  
Carlos Carrasco não obteve financiamento e pode ter de trancar matrícula

Marival Correa e Andrea Inocente

O ano letivo não terminou, mas três instituições particulares de ensino superior de Rio Preto decidiram se antecipar sobre o valor das mensalidades para 2005. O Centro Universitário de Rio Preto (Unirp), o centro Universitário do Norte Paulista (Unorp) e Centro Universitário dos Grandes Lagos (Unilago) anunciaram que vão congelar os valores praticados atualmente, sendo que uma delas ainda promoverá reduções na maioria dos cursos de graduação oferecidos. O motivo para a medida não foi detalhado pelos representantes das faculdades ouvidos pela reportagem, que também não quiseram informar o percentual de inadimplência. No entanto, números do Ministério da Educação revelam que os cursos de graduação tiveram um crescimento de 47% na região de Rio Preto em cinco anos, entre 1999 e o ano passado. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), órgão ligado ao MEC, promoveu um censo do ensino superior em 2003, e constatou que o volume de matrículas nos cursos de graduação teve um aumento de 450 mil alunos em relação a 2002 no País.

De olho nessa demanda, a Unirp decidiu ampliar o número de cursos beneficiados com o congelamento de preços, que saltará de dez este ano para 19 em 2005, de um total de 23 disciplinas em nível de graduação disponibilizadas pela instituição. "Estamos nos adequando às políticas do governo na área de inclusão social. Buscamos um equilíbrio entre aumentar o acesso de jovens à universidade e oferecer um ensino de qualidade", disse Wilson Maurício Tadini, diretor da Unirp. As reduções, ou flexibilizações, como prefere Tadini, serão concedidas na forma do chamado 'desconto-pontualidade'. "O aluno que pagar a mensalidade até o dia do vencimento obterá descontos que poderão chegar a até 20%, dependendo do curso", afirmou. A medida, segundo ele, vale tanto para alunos novos quanto para os cerca de 6 mil graduandos atualmente matriculados.

Outra forma de beneficiar o aluno, de acordo com o diretor da Unirp, é através da concessão de bolsas. "Hoje, 20% de nossos estudantes são custeados por bolsas integrais ou parciais", disse Tadini. Depois de promover um reajuste de cerca de 15% em suas mensalidades no início deste ano letivo, a Unorp também optou pelo congelamento em 2005. "O aluno que pagar a mensalidade até a data de vencimento não terá que desembolsar nada além dos valores atualmente praticados", afirmou o coordenador do núcleo de comunicação da instituição. A medida é válida para os 25 cursos de graduação. Já o coordenador de comunicação da Unilago, Alexandre Costa, diz que a manutenção dos preços foi obtida por meio de medidas econômicas. "Conseguimos um corte de custos significativo, o que se reverteu em benefício para o aluno", disse. A iniciativa é válida para os 21 cursos e engloba, os 2,6 mil universitários já matriculados. O diretor da Faculdade Dom Pedro 2º, Achiles Belaira, disse que a instituição só definirá os valores para 2005 em dezembro. Já a direção da Universidade Paulista (Unip) informou que terá um posicionamento até o final desta semana.

Como ficarão as mensalidades em 2005:


Unirp:
:: Dos 23 cursos de graduação, haverá reduções nos cursos de: arquitetura, ciências contábeis, jornalismo, publicidade e propaganda, educação física, enfermagem, fisioterapia, moda, nutrição, turismo, administração de empresas, ciências da computação, direito engenharia da computação, engenharia elétrica, odontologia, farmácia e matemática

Unorp:
:: Congelará o valor das mensalidades dos 25 cursos de graduação

Unilago:
:: Congelará o valor das mensalidades dos 21 cursos de graduação

Dom Pedro 2º:
:: Só definirá o valor das mensalidades em dezembro

Unip:
:: Deve definir o valor das mensalidades ainda esta semana

Fonte - Instituições de ensino

Alunos se esforçam para ‘bancar’ curso
Corte geral de gastos domésticos e extras. Essa foi a política adotada pela mãe e irmã do estudante universitário Tarsio Ricardo Sabatim, 19 anos, aluno do curso de direito da Universidade Paulista (Unip), de Rio Preto. A família passou a controlar as contas desde o início deste ano quando o rapaz ingressou no ensino superior. "Maneiramos em tudo agora, da bolacha recheada aos gastos com telefone, energia elétrica. Minha irmã, que é enfermeira, até abandonou as aulas de inglês, temporariamente, para ajudar no pagamento das mensalidades. Ela e minha mãe que bancam meus estudos", afirma. A mensalidade do curso de Sabatim fica em R$ 490, o que é um adicional de peso no orçamento da família.

"Quero começar a trabalhar o quanto antes, até penso em trancar a matrícula por um semestre do próximo ano, juntar dinheiro para depois voltar, não quero ter de largar o curso de uma hora para outra", diz. Já o também estudante Carlos Carrasco, aluno do curso de Jornalismo do Centro Universitário do Norte Paulista (Unorp), acredita que tenha de trancar a matrícula em 2005. "As mensalidades estão em R$ 450, um valor bem acima do que ganho por mês no estágio, para ajudar, não consegui receber o Financiamento Estudantil (Fies) para o qual me inscrevi e ainda tenho mensalidades em atraso. É complicado estudar com o ensino tão caro”, diz. Maurício Eiji Okada, 24, aluno do curso de direito da Unorp, vê nos bicos uma alternativa para complementar sua renda mensal. “Sempre que tem algum evento ou concurso, trabalho como fiscal, o que sempre ajuda”, afirma.