Alerta
Dê mais atenção ao inchaço no tornozelo
São José do Rio Preto, 12 de Fevereiro de 2004
  Orlandeli/Editoria de Arte  

Cecília Dionizio

O inchaço no tornozelo não surge do nada. Se isto acontece, é porque alguma outra dificuldade resultante da má-circulação pode estar em processo. Os especialistas em saúde dizem que a circulação é responsável pelo transporte de nutrientes, ou seja, é ela que consegue os nutrientes para as células, a fim de que possam descartar o lixo armazenado. Os entupimentos nas artérias ou a fraca liberação de oxigênio, muitas vezes, por causa da insuficiência de antioxidantes protetores ou falta de ferro e vitamina B12, por exemplo, podem ser responsáveis pela distribuição deficiente. Uma vez que a boa saúde depende da ingestão de moléculas certas para digeri-las, absorvê-las e fazê-las circular para suprir a rede neuroimunológica endócrina com aminoácidos, gorduras, vitaminas e minerais.

Daí a necessidade de ficar atento a qualquer alteração nos tornozelos e adjacências, como forma de combater alguma doença mais grave, como a insuficiência cardíaca, renal e mesmo insuficiência do fígado, afirma o autor do livro ‘100% Saúde’, Patrick Holford, nutricionista americano que estuda há anos uma forma das pessoas viverem melhor e se livrar das doenças com seus próprios recursos. Dentre eles, a atividade física é a principal recomendação, seguida de uma alimentação saudável, sem a ingestão em excesso ou deficiente de alimentos - como o excesso de proteínas, que possam sobrecarregar a fábrica de reciclagem do corpo, o fígado, e levá-lo ao depósito de toxinas nas células gordurosas, por exemplo. “Você é o guardião desse sistema altamente inteligente - o seu corpo”, afirma Holford.

O médico clínico paulista Francisco José Bueno de Aguiar, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em artigo publicado em revista de circulação nacional, alerta para o fato de que o inchaço nos tornozelos pode afetar tanto as pessoas sadias quanto aquelas que já estejam com alguma doença. Ele afirma que muito dos líquidos retidos pelo organismo se acumula nos tornozelos, devido ao fato de se situar na posição mais baixa do corpo. O médico paulista diz ainda que existem outros fatores que possibilitam o extravasamento de líquido das artérias e veias para os tecidos adjacentes. Em especial quando existem lesões decorrentes de inflamações, queimaduras, processos alérgicos e até mesmo em decorrência de alguma inflamação ou câncer, que podem atingir os canais linfáticos - rede de “vasos” que tem, entre outras funções, a de recolher e colocar de volta na circulação sangüínea o líquido extravasado de veias ou artérias para os outros tecidos.

Tanto homens quanto mulheres podem sentir o problema, que se agrava em situações em que as pessoas se mantêm por muito tempo na mesma posição, em especial sentadas. Além disso, sinalizam problemas de trombose, que devido à coagulação rápida podem levar à formação de trombos que migram para o coração, pulmão ou artérias, levando à morte. “A inatividade por longos períodos, em geral quando as pernas estão dobradas em um ângulo de 90 graus, faz com que o sangue enfrente dificuldade de circular e acabe por se acumular na região dos tornozelos”, diz. A empresária Raílda Santos de Oliveira, 49 anos, diz que vive lutando contra o inchaço nas pernas. “Muitas vezes tenho de viajar e me sinto tensa porque basta ficar por duas ou três horas seguidas sem me movimentar que começo a ter dormência nos pés. Desde que tive meus filhos (dois) nunca mais fui a mesma. Passei por uma situação de flebite e penso que é algo que pode se agravar a qualquer momento. O médico me recomendou que sempre que pudesse colocasse os pés para cima que o inchaço desaparece. E claro, quando viajar por longo tempo, devo usar as meias elásticas”, diz.

Desde alergia até problemas renais ou cardíacos
O médico clínico Cesar Olímpio Golin, do Instituto do Coração (Incor), de Rio Preto, afirma que o inchaço na região dos pés e nos tornozelos não deve ser ignorado, pois pode estar relacionado a problemas na articulação. Golin observa que o inchaço dos pés, por exemplo, pode estar relacionado a problemas renais, no fígado e no coração. Já quanto ao inchaço situado nos tornozelos, é preciso descartar, antes, alguma alteração nas articulações, como traumatismo, gota, artrite reumatóide, vasculite. Ele lembra que até mesmo alguma causa alérgica pode levar ao inchaço dos membros inferiores. “A própria ingestão de medicamentos -antiinflamatórios e anticon-cepcionais, em especial - é um agravante”, afirma. O médico rio-pretense diz que o diagnóstico é feito com base na persistência do inchaço. Se for eventual, é provável que não tenha nenhuma outra causa associada. Todavia, se o inchaço persistir por alguns dias é importante descartar a gravidade.

A dona-de-casa Maria Antônia Telles de Mendonça, 38 anos, relata que todo mês sente uma dor horrível nas pernas e chega mesmo a precisar se sentar durante algum tempo para relaxar antes de continuar suas atividades, de tanto que as pernas pesam. “Estranhei quando vi que estava inchando a ponto de avermelhar e procurei um médico. Ele me explicou que o problema estava ligado ao período da minha menstruação. Comecei a observar e vi que tinha razão, agora evito me manter por muito tempo em pé quando se aproximam esses dias”, diz. De acordo com Cesar Golin, existem alguns sintomas que podem dar idéia da gravidade do inchaço. Se ao amanhecer a pessoa apresenta o rosto inchado, febre e urina com sangue, que se acentua no final da tarde, o inchaço é físico. Porém, existem outras situações que são levadas em conta para se fazer, por exemplo, o diagnóstico de insuficiência cardíaca - análise dos hábitos e, se atrelado a isto, a pessoa apresenta falta de ar, tontura, perda de peso, alterações na urina, hábitos alimentares e ingestão sal e álcool em excesso, entre outros. “Nesse caso, se o inchaço ocorre é muito provável que haja alguma insuficiência. Se não for cardíaca, há ainda que se pesquisar se o fígado não está com alguma deficiência que o esteja incapacitando de produzir proteínas, como a albumina, e o rim, por exemplo, que é responsável por eliminar as toxinas e diminuir os inchaços. Ao funcionar com alguma deficiência ele pode acabar por perder proteínas”, diz.

Golin afirma que é relativamente rápido o diagnóstico para afastar qualquer causa mais grave de um inchaço. O melhor a fazer para descartar qualquer problema é buscar a orientação de um especialista em circulação. “Os homens e mulheres com excesso de peso são os primeiros a apresentar dificuldades no retorno do sangue para o coração. E daí para o surgimento dos problemas é um pulo”, afirma. Uma pessoa saudável normalmente pode superar esses problemas; mas se houver uma fraqueza subjacente, como uma predisposição genética ou má-situação nutricional, a pessoa pode não ter reservas em seu banco de saúde e, por isso, a menor tensão fica difícil de ser suportada.

Serviço:
- Francisco José Bueno de Aguiar, médico clínico do Serviço de Emergência do Hospital das Clínicas da FMUSP, e-mail: francisco.aguiar@terra.com.br
- Cesar Olímpio Golin, médico clínico do Instituto do Coração de Rio Preto, Incor, fone (17) 227-8199

Dica de leitura:
- Livro: ‘100% Saúde’, de Patrick Holford, Editora Madras - Preço: R$ 23,90