Estudos
Mapas identificam solo e clima da região
São José do Rio Preto, 7 de Setembro de 2003
  Editoria de Arte  

Jaqueline Silva

O dito popular do “aqui, tudo que se planta, dá”, já pode ser considerado folclore. Novos mapas elaborados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificam com precisão os tipos de solo e clima do País, determinando quais as potencialidades de cada região brasileira. No Noroeste paulista, por exemplo, predominam dois solos: o argissolo e o latossolo, que apresentam coloração vermelha e vermelha-amarela. Ambos os solos exigem a correção da terra com aplicação de calcário e fertilizantes químicos, uma prática comum pelo agricultor da região. Estes solos constam no Mapa de Solos do Brasil, elaborado pelo IBGE em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa de Solos, da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa). O IBGE ainda dispõe de outro trabalho, o Mapa de Clima do Brasil, que identifica a ocorrência de variações de climas quente e subquente no Noroeste do Estado de São Paulo.

As versões básicas dos dois mapas podem ser consultadas pela internet, acessando o “servidor de mapas” na página eletrônica do IBGE www.ibge.gov.br. Um terceiro trabalho, ainda em fase de elaboração e que estará pronto em 2004, traça o relevo do Brasil. A junção destas três informações desenhará, com precisão, as características geográficas de cada região do País. O Mapa de Solos do Brasil foi divulgado no último dia 31 de julho e reúne informações e conhecimentos produzidos por instituições brasileiras ao longo de mais de 50 anos da ciência do solo. Trata-se do primeiro mapa de solos do País elaborado por meio do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, processo que reflete o avançado estágio de conhecimento técnico-científico dos solos tropicais, pela comunidade científica brasileira. O documento desmitifica várias idéias sobre a fertilidade da terra. A tão comentada fertilidade do solo brasileiro, que levou ao desmatamento do território, vai por água abaixo quando a ciência revela a necessidade do emprego de tecnologia para a agricultura brasileira obter produtividade satisfatória.

Composição química
A pesquisa identificou que 62% das terras brasileiras são formadas pelo argissolo e latossolo, característicos na região. “O latossolo e argissolo, presentes em Rio Preto, em geral possuem deficiência em nutrientes como fósforo, nitrogênio, potássio, cálcio e manganês”, afirma o engenheiro agrônomo e coordenador do estudo, Celso Gutemberg Souza. “Mas sua correção é facilmente realizada, respondendo bem com a produção.” O mapa é um documento cartográfico fundamental para o uso racional das áreas agrícolas e planejamento de políticas públicas no incremento da atividade rural. “Se o produtor conhece as informações de solo, clima e relevo presentes em sua propriedade, saberá qual é a aptidão agrícola adequada”, explica Souza.

O conhecimento das características de solo permite ao produtor utilizar as suas potencialidades, sem exageros e desgastes ambientais. Usar para pastagem o solo fértil, comenta, é ter uma sub-utilização do seu potencial. Ao mesmo tempo, o produtor não terá produtividade satisfatória na utilização de solo pouco fértil para uma cultura exigente em nutrientes. “Com isso, o produtor vai expandindo e buscando novas áreas e degradando o meio ambiente”, explica.

Brasil possui dez tipos diferentes de solo
O Brasil possui dez tipos de solos predominantes, espalhados por diversas regiões: argissolo, latossolo, neossolo litólico, neossolo quartzarênico, gleissolo, cambissolo, plintossolo, planossolo, luvissolo e nitossolo. O argissolo é comum em regiões com relevo mais acidentado, o que favorece os processos de erosão (desmoronamento). É encontrado em grandes extensões das regiões Norte e Centro-Oeste do País. Já o latossolo tem baixo nível de nutrientes, mas é facilmente corrigido com aplicação de adubo. Os latossolos da região Centro-Oeste, após adubados e corrigidos por meio de aplicação de calcário, são intensivamente utilizados para produção de grãos. O neossolo litólico é um tipo de solo com no máximo 40 a 50 centímetros de profundidade, também encontrado, predominantemente, em regiões serranas. O gleissolo é encontrado nas planícies próximas aos rios, comum na região Norte.

O plintossolo é um solo com deficiência de drenagem, o que dificulta a circulação da água, apresentando-se restrito para agricultura, sendo encontrado, principalmente, nas regiões Centro-Oeste e Norte. O planossolo também apresenta restrições de drenagem. No Nordeste ocorre, com expressivas extensões, o luvissolo que geralmente possui grandes quantidades de pedras em sua superfície. No Vale do Rio São Francisco, o vertissolo e o cambissolo, principalmente em superfícies dos municípios de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), são bastante utilizados com agricultura irrigada, destacando-se culturas de cana-de-açúcar e fruticultura (melão, manga, uva e melancia, principalmente).

Os nitossolos da região Sul, principalmente do Estado do Paraná, são utilizados em geral para produção de soja e trigo. O planossolo do extremo sul do País é bastante utilizado para cultura de arroz irrigada. “O agricultor deve atentar para as características ambientais da sua região, como o solo, clima e relevo, características que permitem realizar o zoneamento agrícola das regiões”, afirma o engenheiro agrônomo responsável pelo Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Osvaldo Brumini.

Latossolo ocorre em vários Estados
Os latossolos também são encontrados na Região Centro-Oeste do Brasil e são intensivamente utilizados para produção de grãos, principalmente, soja e milho. Esta utilização agrícola é praticada, geralmente, de forma intensiva. Este tipo de solo também ocorre, com destaque, no Oeste do Estado da Bahia (região de Barreiras) e na região de Balsas, no Estado do Maranhão. Os latossolos, que ocupam grandes extensões dos tabuleiros costeiros do Estado de Alagoas, são intensivamente utilizados na cultura de cana-de-açúcar. No Triângulo Mineiro, os latossolos cultivam café irrigado. Na região Sul do Estado de São Paulo, próximo a Presidente Prudente, e no Norte do Paraná é possível encontrar o nitossolo, mas conhecido como terra roxa. “A fertilidade é boa, mas o nitossolo não ocorre em extensão ampla no território brasileiro”, diz o pesquisador Celso Gutemberg Souza.

Região tem perfil produtivo definido
O argissolo e latossolo na região de Rio Preto favorecem o cultivo de seringueira, laranja, cana-de-açúcar e grãos. A seringueira, por exemplo, com suas raízes profundas, consegue se desenvolver bem porque estes solos retêm água. “As características de solo, clima e relevo são primordiais para a atividade rural”, afirma o coordenador da pesquisa Mapa dos Solos no Brasil, Celso Gutemberg Souza. Ele explica que o IBGE ainda está finalizando o mapa do Clima do Brasil. Dois tipos de clima predominam no Noroeste do Estado paulista. O clima sub-quente que varia de semi-úmido a úmido com temperatura média de 15º a 18º centígrados. A ocorrência deste clima é registrada em pelo menos um mês do ano. Em pequena parte do extremo Noroeste de Rio Preto ocorre o clima quente-úmido, com temperatura média acima de 18º centígrados e com três meses secos por ano.