Saúde do homem II
Como vencer os fatores da disfunção erétil
São José do Rio Preto, 3 de Agosto de 2003
  Sérgio Menezes  
O urologista Carlos Verona, alerta para a necessidade de todo homem

Leda Nascimento

A disfunção erétil (DE), incapacidade de obter ou manter ereção rígida suficiente para atividade sexual, atormenta 1% dos homens abaixo dos 19 anos, 3% de 45 anos, 6,7% entre 45 e 55 anos e 25% até 75 anos. A estimativa é da Sociedade Brasileira de Urologia. O primeiro estudo epidemiológico nessa área foi conduzido pelo médico Kinsey em 1948. Ao entrevistar 12 mil indivíduos, ele chegou a esta mesma estatística, apontada pela SBU, no 1º Consenso Brasileiro de Disfunção Erétil, abril de 1998. A disfunção erétil incide com maior frequência no homem idoso. Entretanto, tal associação não é atribuída apenas à idade. Ocorre porque esse grupo é mais propenso às doenças crônicas e debilitantes como diabetes, hipertensão arterial, infarto e acidente vascular cerebral. Vale ressaltar que as pesquisas sobre disfunção erétil na década de 40 tinham um enfoque distinto em relação aos estudos contemporâneos.

Dados estatísticos do National Ambulatory Medical Care, dos Estados Unidos, mostraram que em 85 foram realizadas 525 mil consultas motivadas por disfunção erétil, o que corresponde a cerca de 0,2% de todas as análises ambulatoriais registradas naquele ano no país. Os atendimentos por 1 mil indivíduos por faixa etária saltaram de 1,5 consulta entre 25 e 34 anos, para 15 consultas a partir dos 65 anos. Estudo epidemiológico efetuado na Alemanha (Frankfurt Study on the Virile Climacteric) incluiu entrevistas com 240 homens entre a idade de 35 e 64 anos; e os resultados revelaram que 55% deles referiram diminuição de libido e 29% fizeram queixas de disfunção erétil. Nos anos de 1987 e 1989, foi efetuado o MMAS- Massachusetts Male Aging Study através de questionário com 23 questões (nove sobre performance sexual). Nele, 1.290 homens, entre 40 e 70 anos, registraram seus problemas. Resultado: 52% dos entrevistados tinham algum grau de disfunção erétil.

Deste total, 10% se enquadraram como completamente impotentes, 25% disseram ser moderamente impotentes e 17% responderem sofrer de mínima impotência. Para ter ereção peniana, o homem precisa de uma resposta fisiológica que depende da integração de mecanismos psíquicos, vasculares, endócrinos, neurológicos desencadeados por estímulos sensíveis locais dos órgãos genitais. Estresse, má qualidade de vida, sedentarismo, idade e doenças associadas são fatores citados pelo urologista, Carlos Benedito Menezes Verona, do Instituto de Urologia e Nefrologia de Rio Preto (IUN), como influentes na incidência de disfunção erétil. “A disfunção erétil é intimamente ligada a uma origem psicossomática. É um diagnóstico bastante comum na sexta década de vida do homem. Nesta fase 1 em cada 10 homens irão desenvolver a patologia”, explicou Verona.

A boa notícia, segundo o urologista, é que a disseminação de informações sobre a DE e aumento na procura precoce por tratamento passaram a estimular uma concorrência entre laboratórios. Com isto, mais remédios e pesquisas para tratar a doença têm sido elaborados. Verona destaca que, além do Viagra, já existe no mercado farmacológico brasileiro, o Cialis e o Levitra. Carlos Verona adverte que tais medicamentos só podem ser consumidos sob prescrição médica. “A auto-medicação é perigosa. Também não adianta garotos de 15 e 20 anos tomarem estimulantes sexuais, que não farão efeito, pois servem apenas para quem sofre de disfunção erétil”.

Fonte:
>> Carlos Benedito Verona - Urologista - Fone: (17)3214-7144

Saiba mais:


Próstata - Órgão exclusivo do sexo masculino, localizado abaixo da bexiga, na frente do reto.

Tamanho - No homem adulto, tem o tamanho de uma ameixa, cerca de 20 gramas. É atravessada pela uretra, canal que conduz a urina para o externo.

Exame - Como nunca dói, para detectar se a próstata possui algum problema é preciso fazer exames periódicos. Ao menos, uma consulta ao urologista por ano, a partir dos 45 anos. Homens com história da doença na família (pai, irmão, tio ou primo), devem antecipar as avaliações a partir dos 40.

Sintomas - Os mais presentes são: vontade freqüente de urinar (às vezes, obrigando o homem a levantar várias vezes à noite para ir ao banheiro), dificuldade para iniciar a micção, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, gotejamento e perda de força no jato urinário.

Disfunção erétil (DE) - Causa profundo impacto negativo no bem-estar de um homem

Fatores de risco - diabetes, hipertensão arterial, doença vascular periférica, hipercolesterolemia, baixos níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL-C), drogas, doenças neurológicas, alcoolismo, tabagismo, depressão, insuficiência renal, infarto do miocárdio, neoplasias, obesidade, falta de conhecimentos da função sexual.

Fontes: Sociedade Brasileira de Urologia Instituto de Urologia e Nefrologia de Rio Preto

Preconceito afasta homens do exame
Exame Digital Retal (EDR). Três palavras que ainda assustam muitos homens e que, na verdade, são alternativas para detectar e combater o câncer de próstata se diagnosticado precocemente. O preconceito em torno do EDR ainda existe, segundo o urologista Carlos Verona. A maioria dos homens se nega a fazer o exame, que consiste no toque retal do paciente. É a única maneira de apalpar a próstata e diagnosticar se a superfície da glândula encontra-se lisa (o que é normal), ou se apresenta nódulos. Quando o exame detecta um nódulo, é necessário colher uma mostra sanguínea do paciente para investigação mais aprofundada a fim de descobrir se é tumor maligno ou benigno. O exame de sangue é conhecido por PSA (Antígeno Prostático Específico).

O resultado do PSA nem sempre detecta quadro cancerígeno. Muitas vezes, o doente sofre de Hiperplasia Prostática Benigna conhecida pela sigla (HPB), que ocorre pelo crescimento excessivo da próstata. O tratamento pode ser radioterápico ou cirúrgico. Na radioterapia, são aplicadas duas modalidades de tratamento: o radioterápico conformativo pelo uso de um aparelho externo, ou braquiterapia, quando há necessidade de fazer um implante de sementes radioativas. A recuperação da cirurgia é rápida, no prazo de 30 dias. As chances de cura apresentam uma margem de 60% a 70% no caso de radioterapia e entre 80% a 90% com a intervenção cirúrgica. O médico faz a ressalva de que para obter tais resultados é importante que o diagnóstico seja precoce. “Se a doença é descoberta no início, ao ser removida a próstata, o câncer é combatido. Já se a doença se alastrou devido a um diagnóstico tardio, a situação se complica”.

Mediante os atuais recursos disponíveis pela medicina, Verona, afirma que “o homem não tem que ter vergonha ou preconceito de fazer o exame digital retal, ele tem é que se envergonhar de ainda morrer de próstata por falta de prevenção”. Em média, 80 pacientes são atendidos diariamente no Instituto de Urologia e Nefrologia de Rio Preto, entre SUS, convênios e particulares. Um quarto deste total procura tratamento relacionado a alguma patologia prostática. Desses, 10% têm diagnóstico de câncer e entre dois a três vão a óbito, devido à descoberta da doença em estágio avançado.