Vascular
O perigo das artérias dilatadas ou obstruídas
São José do Rio Preto, 4 de Maio de 2003
  Carlos Chimba  
Rita, cirurgiã-vascular: “O diagnóstico precoce é a forma de salvar”

Érica Scadelai

O aneurisma da aorta abdominal (AAA) é considerado um dos mais perigosos, não só pela freqüência, mas por não ter indícios de dor. Manifesta-se com uma hemorragia interna, gerando urgência de atendimento. Aneurismas arteriais são dilatações anormais localizadas e permanentes de uma artéria - vaso que transporta o sangue do coração para todas as partes do organismo. As dilatações ocorrem devido a um defeito na estrutura da parede arterial ou ao seu enfraquecimento e podem acometer artérias das pernas, rins e cérebro, ou aorta do tórax ou do abdômen. O AAA apresenta como complicação grave a ruptura do aneurisma da aorta abdmoninal. Há, nesse caso, emergência de socorro. Segundo estimativas, de 27% a 50% dos pacientes que sofrem esse tipo de ruptura morrem antes de chegar ao hospital. Dos que conseguem ser atendidos, 24% a 58% morrem antes da cirurgia.

O índice de morte dos pacientes com ruptura operados é também elevado - 42% a 80% dessas pessoas morrem durante a cirurgia ou pós-operatório. Quando a operação acontece anteriormente à ruptura do AAA, a mortalidade não ultrapassa os 5% dos casos. “O diagnóstico e a cirurgia precoces são, portanto, as melhores formas de salvar os pacientes”, destaca Rita Sanches, cirurgiã-vascular. O AAA pode ser diagnosticado por exames físicos e laboratoriais. Aparelhos modernos são hoje utilizados para esse fim, como a tomografia computadorizada, a ressonância magnética e o ‘doppler-scan’, não-invasivo, que visualiza a estrutura da artéria, verificando se está dilatada ou obstruída. Devem realizar os exames preventivos principalmente as pessoas que fazem parte do grupo de risco. O AAA é mais freqüente nos homens, especialmente após os 60 anos de idade. Nas mulheres, boa parte da gordura sangüínea acaba sendo desviada para a produção do hormônio feminino, o estrogênio, protegendo-as. Após a menopausa, a proteção deixa de existir, exigindo que elas também façam exames de prevenção. A doença ainda aparece três vezes mais em brancos do que em negros. Outros fatores são a pressão alta e o hábito de fumar, além dos níveis elevados de gordura no sangue.

Cirurgia e pós-cirúrgico
O paciente que tiver um AAA com mais de cinco centímetros de diâmetro deve ser operado, dependendo da sua expectativa de vida e de suas condições de saúde. No procedimento cirúrgico, que dura quatro horas, o aneurisma é substituído por uma prótese vascular. Não existe risco de rejeição. O paciente fica hospitalizado por seis dias e leva vida normal. Pacientes com AAA com menos de cinco centímetros devem passar por acompanhamento freqüente do médico, mas não são operados.

Fonte:
- Rita Sanches - Cirurgiã-vascular - Fone: (17) 227-8199

A doença atinge maiores de 50 anos
A arteriosclerose é a principal causa dos aneurismas arteriais. Caracteriza-se pelo espessamento e endurecimento da parede arterial e é hoje o principal motivo de morte no ocidente. Na arteriosclerose, ocorre o acúmulo de gordura, cálcio ou outras substâncias na parede das artérias, reduzindo o calibre das mesmas e, como conseqüência, a quantidade de sangue que chega aos tecidos do organismo. Clinicamente, a doença manifesta-se em 10% da população acima dos 50 anos. Esse percentual representa, em geral, os pacientes já com significativa obstrução da artéria. Isso porque a doença não costuma ser detectada no estágio inicial, mas após os primeiros sintomas da falta de sangue.

Se a artéria obstruída for a do coração, o indivíduo sente dor nessa região ao realizar um esforço. Obstruções graves da artéria coronária levam à angina de peito (fase crônica) ou ao enfarte (fase aguda). A obstrução arterial na região do pescoço pode promover perturbações visuais, paralisias transitórias ou desmaios na fase crônica ou, ainda, derrame na fase aguda. Artérias dos membros inferiores, quando obstruídas, causam dor nas pernas, queda de pêlos, atrofias da pele, das unhas e músculos, além de impotência sexual (casos crônicos) e, nos casos agudos, gangrena (morte do tecido). Nas situações mais graves, a primeira manifestação da arteriosclerose já leva à morte. “Também nesse caso, portanto, é preciso prevenir, devido ao risco elevado. O médico deve ser procurado, em especial pelas pessoas que fumam, têm pressão alta, são sedentárias e apresentam histórico da doença na família”, afirma a cirurgiã-vascular Rita Sanches.

Para fazer o diagnóstico, o médico investiga a vida do paciente, faz exames físicos e laboratoriais, como eletrocardiograma, ultra-sonografia, ‘doppler-scan’ e arteriografia - radiografia da artéria com contraste. “Para cada fase evolutiva da arteriosclerose e para cada órgão acometido da doença há uma forma diferente de terapia. Em todas, no entanto, adota-se um tratamento básico de controle do colesterol e triglicérides elevados, do tabagismo, da pressão alta, da diabetes e da obesidade”, afirma. A arteriosclerose pode ser evitada com uma dieta alimentar balanceada, com a prática de exercícios regulares e com o combate ao fumo. A aterosclerose é um tipo de arteriosclerose bastante comum. Atinge artérias de grande e médio calibre, como as do coração, as carótidas (que levam sangue do coração para o cérebro) e as dos membros inferiores.

Fonte: www.institutodocoracao.com.br