Perigo à espreita
Casos de picada de cobra aumentam 66%
São José do Rio Preto, 22 de Novembro de 2008
  Ferdinando Ramos  
Picada da cascavel mata 50% dos que não procuram atendimento

Raul Marques

01:42 - A quantidade de acidentes com picada de cobra aumentou 66% em 2008 em Rio Preto e na região. Até o dia 18 de novembro, foram registrados 40 casos pelo Hospital de Base (HB), 13 a mais que no ano passado inteiro. A maioria das picadas ocorre na zona rural e, segundo o hospital, poderia ser evitada com medidas simples. Em 2007, uma pessoa morreu. O clínico geral Carlos Caldeira Mendes é coordenador do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox), do HB, e afirma que a tendência é que a quantidade de ocorrências aumente até o final de dezembro. Caldeira explica que, na região, dois tipos de cobra venenosa são comuns: jararaca (90% dos ferimentos) e cascavel (9%). Elas podem causar a morte. A picada da cascavel mata 50% das pessoas que não procuram atendimento médico. O ferimento causado pela jararaca causa inchaço, bolha e sangramento. Em alguns casos, gera amputação de parte do local atingido. Já a picada da cascavel traz fraqueza muscular e insuficiência renal. O aposentado Paulo Necche, 82 anos, foi ferido na canela por uma jararaca, há três meses, em um sítio perto de José Bonifácio. “Pensei que nem precisaria ir para o hospital,” afirma. Mas ficou dois dias internado. “A minha perna ficou muito inchada.”

Necche conta que foi limpar o sítio, sentiu um pequeno desconforto e visualizou a cobra, que tinha três palmos de tamanho. Na hora, diz, não sentiu nada. No trajeto para a casa, porém, a dor ficou insuportável e ele correu para o HB.
Caldeira afirma que duas mil pessoas são picadas por cobra a cada ano no Estado de São Paulo. O número poderia ser reduzido em 97,5% se as pessoas usassem botas e luvas na zona rural. “A maioria das picadas ocorre na mão, antebraço e abaixo dos joelhos. Se existisse prevenção, registraríamos dois ou três casos por ano na região.” O tratamento é feito à base de soro anti-ofídico, repouso e remédios para combater a dor. Em média, a pessoa fica três dias internada. Se acontecer acidente com cobra, Caldeira diz que é importante ficar calmo, porque, do contrário, o coração dispara e o veneno circula com mais rapidez pelo corpo. A pessoa deve lavar o ferimento com água e sabão e procurar o hospital.