Nascimento é o homem das faixas
São José do Rio Preto, 30 de Março de 2008
  Pierre Duarte 26/3/2008  
FAIXAS - Nascimento, que completa 61 anos hoje, exibe as relíquias pelos títulos da 2ª Divisão pelo Rio Branco de Ibitinga, Guaçuano e Mirassol

O objetivo de todos os jogadores é conquistar títulos e ajudar o seu time a ganhar projeção ou ascender uma divisão superior. Predestinado, Nascimento foi um jogador talentoso, competente, com passagens marcantes por clubes do Interior e que teve a felicidade de integrar grandes elencos e de ser campeão em quatro deles, nos anos de 70, 71, 72 e de 75. Jogou com craques como Bazani, Benny, Lance, Nei, Fogueira, Rossi, João Carlos Motoca, Raul, Mota, Arcanjo e tantos outros. Faixas não faltaram para ele, que começou a carreira como centroavante, mas também teve atuações impressionantes na ponta-esquerda. Com estilo moderno e arrojado, só era parado na base da porrada. José Aparecido Nascimento, que está completando hoje 61 anos de idade, nasceu em José Bonifácio e começou a carreira no Corintinha do Bairro São José de Mirassol, equipe amadora que até hoje disputa amistosos e competições na região. Wanderley Brienze, Cristovam Imbernom e Américo Sotto, dirigentes do extinto Grec (Grêmio Recreação, Esporte e Cultura) de Mirassol, o levaram para disputar a Terceira Divisão. “Era muito jovem e fiquei pouco tempo”, recorda.

Não demorou para acertar com o rival do Grec, o Mirassol, dirigido pelos cartolas José Theóphilo Fleury Netto e Urbano Flores da Silveira. No Leão da Araraquarense teve a honra de atuar com o ponta-esquerda Benny, campeão da Taça Libertadores de 1964 pelo Independiente da Argentina. Defendeu o Mirassol entre 1966 e 1968 e na temporada seguinte transferiu-se para o Santa Fé, comandado pelo técnico Pedro Mendes, com quem havia trabalhado no Leão. Destacou-se durante a Segunda Divisão e foi contratado pela Ferroviária de Araraquara. Improvisado pelo técnico Vail Mota, adaptou-se bem à ponta-esquerda, mas tinha poucas oportunidades. Também, pudera. A linha ofensiva tinha Valdir (que jogou no São Paulo), Zé Luís (Corinthians), Lance (Corinthians), Bazani (Corinthians) e Nei (que depois foi ídolo no Palmeiras). “Eu tinha entrado numa fria. Não jogaria nunca.” Acabou emprestado ao Rio Branco de Ibitinga, onde foi campeão da 2ª Série (uma das chaves) da Segunda Divisão (atual A-3) e depois faturou o título da competição, ao bater o Sertãozinho por 2 a 0 na final, em Araraquara.

Retornou à Ferroviária, disputou alguns amistosos e ficou na reserva na goleada de 4 a 1 sobre o Santos, de Pelé, Clodoaldo e Edu, em março de 1971 pela 2ª rodada do Paulistão, pouco tempo depois da conquista do tricampeonato mundial pela Seleção Brasileira no México. Deixou a equipe afeana e foi para o Guaçuano, faturando o terceiro título de sua carreira. “Fui campeão da Série B da Segunda Divisão”, informa. Ainda foi campeão da Série A da 2ª Divisão de 1972 pelo José Bonifácio, atuando com Raul, Arcanjo e Mota, todos com passagens pelo América de Rio Preto. A quinta faixa dele foi obtida em 1975, ajudando o Mirassol Atlético Clube, antecessor do atual Mirassol Futebol Clube, a ganhar a Série B da Segundona.

Ganhou título em 75 pelo Mirassol
Na conquista do título da Série B da Segunda Divisão de 1975 pelo Mirassol, Nascimento foi vice-artilheiro do time, com cinco gols. O ponta-direita Miguelito, também do Leão, marcou 10. Em 16 partidas, a equipe obteve nove vitórias, quatro empates e sofreu três derrotas. Fez 30 gols e levou 12. Na última partida ganhou de 3 a 0 da Cafelandense, no dia 28 de setembro, no velho estádio Giocondo Zancaner. Naquele ano, a Federação Paulista de Futebol não realizou o torneio dos finalistas, que reuniria os vencedores das quatro chaves e que promoveria o campeão para a Primeira Divisão (atual A-2). “Foi uma campanha memorável.” Nascimento também guarda boas lembranças dos dois amistosos que disputou pelo Operário de Dourados-MS, contra o Ubiratan, da mesma cidade, em 1972. “No segundo jogo tive a honra de atuar ao lado do Mané Garrincha”, diz. As duas partidas terminaram empatadas em 1 a 1 e 0 a 0, respectivamente. Ele ainda defendeu o Nevense na Segundona de 1976, quando pendurou a chuteira. Nascimento, que mora em Mirassol, sempre conciliou os estudos com o futebol. Formou-se em contabilidade no colégio Oeste Paulista de Santa Fé do Sul. Prestou serviço na Indústria de Copas e na Pewal Móveis. Há quatro anos trabalha na Metalúrgica Ramassol. Sua maior alegria é curtir os filhos Patrícia, Marcos e Rodrigo, os agregados Alexandre, Daniela e Gisele, e os netos Letícia, Gabriel, Pedrinho e Raul.


Fotos: Arquivo pessoal de José Aparecido Nascimento



MIRASSOL - De pé, a partir da esquerda: diretores Ademar de Barros e Edilson Garcia Coelho, não identificado, Nando, Julinho Belletti, Nei, Márcio Galdino, Demerval, Tremendão, Pedro Mendes (técnico) e Otávio Cortazzo (dirigente); agachados, na mesma ordem: Toninho (roupeiro), Perturbado (massagista), Miguelito, Zé Carlos Paraguaio, Pinho, Gilberto, Nascimento e Gilberto Gomes Botão, o Sapico





RIO BRANCO- Time de Ibitinga que conquistou o título da Segunda Divisão de 1970. Em pé, a partir da esquerda: Raul, França, Cidão, Naves, Antenor e Pompeu; agachados: Tuta, Nascimento,Túlio, João Carlos Motoca e Germano





GUAÇUANO - Campeão da Série B da Segunda Divisão de 1971. De pé, a partir da esquerda: Zé Carlos; Lima, Sartorão, Ézio, Kali, Silvinho e diretor não identificado; agachados: Miguelito, hina, Pelé, Ferreira e Nascimento





FERROVIÁRIA - Equipe que ganhou de 2 a 0 da Francana, em Franca, no amistoso disputado em 1971. De pé: Celinho, Carlos Alberto, Fogueira, Muri, Dicão e Rossi Coquinho; agachados: Valdir, Zé Luís, Lance, Bazani e Nascimento





MIRASSOL - Formação que disputou a Segundona de 1968. De pé: Valter Pereba (massagista), Coutinho, Betão, Altair, Zequinha, Vergílio e Portinho; agachados: Tiesco, Nascimento, Benny, Zé Roberto de Oliveira e Paulinho





SANTA FÉ - Tricolor que empatou em 1 a 1 com o juvenil do Santos. De pé, a partir da esquerda: Carlão, Osmar Cavariani, Ramires, Mané Forte, Coutinho e Serafim; agachados: Gildo, Brandãozinho, Nascimento, Tatá e Garcia


Arquivo pessoal de João Carlos dos Santos, o Beijoca



JOSÉ BONIFÁCIO - Esquadrão campeão da Série A da 2ª Divisão de 1972 e subiu para a Primeirona (atual A-2) do ano seguinte. De pé: Corrêa, Mota, Neno, Hélio, Nelson e Boca; agachados: Arcanjo, João Carlos Beijoca, Nascimento, Raul e Ivan


Fichas técnicas


Olímpia 2 x 4 Rio Branco

Olímpia
Claudinei Freire; Zanetti, Luizinho, Pio e Delson (Ribeiro); Perico e Jano; Zanola, Eduardinho, Wilson I e Wilson II (Cidinho). Técnico: não obtido.

Rio Branco
França; Raul, Antenor, Cidão e Pompeu; Naves e João Carlos Motoca(Jean); Tuta, Túlio, Nascimento e Germano. Técnico: Almeida.

Gols: Nascimento (2) e Túlio (2) para o Rio Branco. Wilson I e Cidão (contra) para o Olímpia.
Árbitro: Idlewilde Soares.
Renda e público: não divulgados.
Local: estádio Tereza Breda, em Olímpia, dia 13/10/1970, na abertura do returno da Campeonato Paulista da Segunda Divisão

Mirassol 3 x 0 Cafelandense

Mirassol
Tremendão; Nando, Julinho Belletti (Noronha), Nei e Márcio Galdino; Demerval e Gilberto; Miguelito, Zé Carlos Paraguaio (Zinho), Pinho e Nascimento. Técnico: Pedro Mendes.

Cafelandense
Beto; Nei, Dorival, Careca e Valtinho; Baiano e Bá; Carlinhos (Izaías), Carlucho, Cacau e Gringa. Técnico: não obtido.

Gols: Márcio Galdino aos 12 e Nascimento aos 22 minutos do 1º tempo. Miguelito aos 12 minutos do 2º tempo.
Árbitro: Wilson Nunes.
Renda: Cr$ 9.868,00.
Público: 1.973 pagantes.
Local: estádio Giocondo Zancaner, em Mirassol, domingo, 28/9/1975, na última rodada da Segunda Divisão, quando o Mirassol conquistou o título da série B.

Rio Branco 2 x 0 Sertãozinho

Rio Branco
França; Pompeu, Antenor, Cidão e Tabatinga; Naves e João Carlos Motoca; Tuta, Túlio, Nascimento e Germano (Jean). Técnico: Almeida.

Sertãozinho
Machado; Sabino, Miltinho, Paulo César (Mazola) e Zequim; Mané e Zezé; Toninho (Cao), Zé Carlos, Vadão e Silvestre. Técnico: não obtido.

Gols: Nascimento aos 40 minutos do primeiro tempo e Tuta aos 24 minutos do segundo tempo.
Árbitro: Carlos Batista Barbosa.
Renda: Cr$ 6.775,00.
Público: 1.129 pagantes.
Local: estádio da Fonte Luminosa, em Araraquara, dia 31/1/1971, no jogo decisivo do Paulista da Segunda Divisão, quando o Rio Branco de Ibitinga conquistou o título, com o primeiro gol marcado pelo centroavante Nascimento.