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Saúde
Fome além da medida São José do Rio Preto, 20 de Janeiro de 2008
Fabiano Ferreira
Ataques noturnos à geladeira, falta de controle para parar de comer, mesmo estando saciado e, na hora do desespero, come-se qualquer coisa, mesmo sem vontade. Ou você já viu esta cena ou foi protagonista dela. Dependendo da freqüência desse comportamento, pode-se considerar que a pessoa que age assim tem “compulsão alimentar”. Segundo a psicóloga Adriana de Araújo, autora do livro “O Segredo para Emagrecer” (Universo dos Livros), tem compulsão alimentar a pessoa que come uma grande quantidade de alimentos rapidamente, perde o controle e não consegue interromper a refeição mesmo quando se sente plenamente saciada. “Apesar da sensação de empanturramento, muitos continuam comendo até vomitar”, diz Adriana. Outra face da compulsão alimentar é a síndrome alimentar noturna, doença que vem sendo muito estudada nos últimos anos. “Ela vitima pessoas que seguem, sem nenhum esforço, hábitos alimentares normais durante o dia, mas, à noite, despertam com a necessidade de ingerir algum alimento. Em geral, nessas ocasiões, ingerem alimentos hipercalóricos, como os doces e os ricos em gordura, que não fazem parte da dieta usual desses pacientes”, afirma a autora do livro.
O aparecimento do comer compulsivo é mais freqüente na segunda ou terceira década de vida. Tem como desencadeadores ou facilitadores tanto os eventos bons quanto os ruins. Pode ser originado, por exemplo, pela frustração causada pelo casamento ou pela separação, pela insegurança gerada pela perda de emprego ou pela promoção no trabalho. Estudos revelam que a prevalência é igual nos dois sexos, mas as mulheres procuram mais o tratamento do que os homens. “Elas buscam o tratamento não porque estejam preocupadas com os episódios de compulsão alimentar, mas porque estão preocupadas com os sinais de sobrepeso ou obesidade. Em geral, os homens não se incomodam com isso”, explica Adriana de Araújo. Leia a entrevista: Bem-Estar - O que se pode entender por compulsão alimentar? Adriana de Araújo - Compulsão alimentar pode significar comer de forma compulsiva, descontrolada, muito além do que o corpo precisa para ter energia. Significa comer sem fome física. A pessoa tem a sensação de que não tem controle sobre suas vontades sobre seus desejos. Para ser considerado compulsão alimentar é necessário comer além do que é considerado normal, mais de uma vez por semana. Há pessoas que chegam a comer até passar mal. Comer algo que se gosta uma ou outra vez numa quantidade acima do esperado não é considerado compulsão alimentar, como por exemplo, comer mais de um pedaço de bolo em uma festa de aniversário. Agora, se isso não acontece de forma esporádica e sim esse comportamento é a regra, isso já faz parte da doença. Bem-Estar - Em que situações a compulsão aparece? Quais as possíveis causas? Adriana - Normalmente o problema tem a ver com a ansiedade, com o descontrole emocional e muitas vezes é quase como um vício. Tende a aparecer em momentos de estresse e pressão psicológica. Muitas vezes esse padrão de descontrole vem acompanhado de outros descontroles e desajustes da vida. Bem-Estar - Os filhos podem “aprender” com os pais a comerem compulsivamente? Adriana - Os filhos podem aprender que isso não é um problema e não deve ser tratado caso os pais lidem com esse fato como algo normal e corriqueiro na vida deles. Ninguém come compulsivamente por imitação. É preciso haver um movimento interno. É necessário ter um “descontrole” para apresentar esse ou outros sintomas. Bem-Estar - Quais os componentes físicos e psicológicos da compulsão alimentar? Quais pesam mais? Adriana - Sempre há um lado psicológico. Se houver questões como problemas hormonais precisará já ter afetado o lado emocional para haver esse tipo de desajuste. Ideal, se houver os dois problemas, é tratá-los adequadamente para melhor solução. Bem-Estar - Quando a pessoa se reconhece compulsiva, como deve se tratar? É possível se tratar sozinho sem a ajuda médica? Adriana - É necessário o tratamento psicológico e algumas vezes pode ser preciso também o acompanhamento médico e nutricional. Um nutricionista dará as coordenadas de que tipo de alimentos poderão ser ingeridos. O médico poderá tratar a ansiedade e o desequilíbrio emocional através de medicação e um psicólogo tratará as causas desse comportamento descontrolado e também criará metas e planejamentos adequados para alcançar o sucesso. Bem-Estar - O que você considera como “O Segredo para Emagrecer”, título do seu livro? Adriana - Saber cuidar da mente para alcançar o que se quer na vida. No sentido do emagrecer é preciso entender as causas do comportamento descontrolado ao comer e, posteriormente, criar metas e conseqüentemente criar um planejamento para ser bem sucedido naquilo que se quer. Comer de forma consciente e suficiente sem “tapar buraco” ao comer. A comida não pode representar algo que está desequilibrado na vida da pessoa. Bem-Estar - Ultimamente se tem falado muito sobre alimentação saudável, mas os índices de obesidade e pessoas querendo emagrecer com dietas e até mesmo cirurgias também têm aumentado. Na sua opinião, por que isso ocorre? O que ainda falta para resolver esta equação? Adriana - O problema está na forma como a pessoa lida com a comida. Há pessoas que comem por carência. Se é tratada a carência ela não precisa mais comer descontroladamente. Há pessoas que comem em excesso e engordam pois têm esse padrão de descontrole com tudo na vida, com dinheiro, drogas, trabalho etc. Corrigindo a causa, não há mais espaço para esse descontrole.
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