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Wilson Luiz, o Bocão, algoz dos grandes
São José do Rio Preto, 12 de agosto de 2007
  Guilherme Baffi 9/8/2007  
HOJE - Aos 55 anos de idade, Wilson Luiz é proprietário de um lanche no bairro Boa Vista, em Rio Preto

Jogador de muita força e aplicação tática, Wilson Luiz Gonçalves, apelidado carinhosamente por amigos de Bocão, se destacou no América de 1973 até o início de 1979. Começou a carreira como centroavante e ganhou notoriedade ao fazer gols decisivos, principalmente contra Corinthians, São Paulo, Santos e Palmeiras. Nas oito partidas em que ele deixou sua marca contra os grandes, o time americano só perdeu para o Palmeiras, por 4 a 1, dia 28 de março de 1976, pelo primeiro turno do Paulistão. Nos demais confrontos, o Rubro saiu vitorioso. A oportunidade para Wilson Luiz surgiu quando o goleador Milton, ídolo da massa, havia sido negociado com o Palmeiras. Gilberto, seu substituto imediato, não engrenou. O novato Bocão, vindo de Nhandeara por indicação de Dicão Iembo, mostrou talento nos treinos e em amistosos pela equipe amadora, contra o Nhandeara (derrota por 2 a 0), e diante dos aspirantes do Rio Preto (perdeu de 2 a 1). “Marquei o gol de honra”, diz.

Promovido ao time principal pelo técnico Wilson Francisco Alves, o Capão, também fez um gol na sua estréia na vitória de 3 a 2 sobre o Barretos, em jogo amistoso. Lélio e Xisté completaram o placar para o Vermelhinho. Na primeira vez que Wilson Luiz enfrentou um grande, o América perdeu do São Paulo por 1 a 0, gol do ponta-direita Terto, no dia 21 de março de 1973, no Morumbi, pelo primeiro turno do Paulistão. Porém, em 7 de abril, novamente no Morumbi, Wilson Luiz marcou o gol da vitória americana por 1 a 0 sobre o Corinthians. Infelizmente, ele sofreu algumas contusões que o tiraram de combate por um bom tempo nas temporadas de 1973 e 1974. Se recuperou completamente no ano seguinte e foi um dos destaques do América, que só não disputou a final do Paulistão, contra o São Paulo, em razão de um ato insano da diretoria que tirou o time de campo ao levar o gol de empate diante da Portuguesa, no Canindé, pelo hexagonal semifinal. Enéas, que lançou Tata - autor do gol da Lusa - estava impedido. Mas o lance foi validado pelo árbitro Roberto Nunes Morgado.

No dia seguinte, o Tribunal de Justiça Desportiva confirmou os dois pontos do jogo em favor da Portuguesa. No duelo seguinte, o Rubro bateu o Palmeiras por 2 a 1, no Parque Antártica, com o segundo gol marcado por Bocão. Se a equipe tivesse continuado o jogo anterior, frente à Lusa, e mantivesse o empate, estaria na decisão. A Portuguesa se classificou, mas o Tricolor levou a melhor e ficou com o título. Wilson Luiz voltou a brilhar com o América no estadual de 1976. Depois de garantir os triunfos sobre São Paulo e Corinthians, ambos por 1 a 0, ele foi convocado pelo técnico Vail Mota para excursionar pela Ásia, Oriente Médio e parte da Europa, com a seleção paulista de novos. Foi um dos artilheiros do time, que contou ainda com os americanos Nelson Prandi, Luiz Antônio ‘Totó’, Paulinho e Iaúca.

Quando retornou da excursão, o técnico Oto Glória queria levá-lo para a Portuguesa, mas a diretoria não o liberou. O árbitro Armando Marques o indicou ao Vasco, porém não houve acordo entre os cartolas dos dois clubes. Ponte Preta e Operário de Campo Grande (MS) também se interessaram pelo “matador”, mas não obtiveram êxito. Até que em agosto de 1977, Wilson Luiz foi vendido ao Universidad de Guadalajara (México) por US$ 55 mil (R$ 104 mil pelo câmbio atual). Como só treinava e não jogava, decidiu voltar ao Brasil, mesmo sem receber nada. “Cheguei a São Paulo de madrugada e sem nenhum centavo. Peguei um táxi e fui até a casa de parentes da minha mulher, onde pagaram a corrida”, recorda. Reintegrado ao América, disputou a Taça de Ouro (Brasileirão) de 1978, mas no início do ano seguinte diz ter sido boicotado pelo técnico Barbatana. “Ele (Barbatana) tinha trazido o Heleno para a minha posição”, informa. Então, a diretoria o emprestou ao São José para disputar a Divisão Intermediária (atual A-2).

Wilson Luiz fez um acordo com dirigentes em 1980 e se desvinculou do América. Foi para o Fernandópolis, comandado pelo “velho amigo” Dicão. Depois ainda defendeu a Votuporanguense (1982), o Jalesense (do segundo semestre de 1982 a 1984) e encerrou a carreira em outubro de 1985, no Fernandópolis. Quando parou de jogar, Bocão começou a trabalhar na Matelrio, empresa de materiais elétricos, e disputou o Amadorzão de Rio Preto pela Matinha. Há 10 anos é proprietário de um lanche no bairro Boa Vista, onde mora com a atual mulher, Marlene Bermal, e o afilhado, Igor, de 9 anos. Wilson Luiz é pai de Leandro, fruto de seu primeiro casamento, com Eliane; e Juliana, nascida do amor com Márcia, sua segunda esposa. “Ainda tenho os netos Vinicius (filho de Juliana) e Beatriz (filha de Leandro).”


Fotos: arquivo pessoal de Wilson Luiz



O COMEÇO - Uma das formações do América durante o Campeonato Paulista de 1973. Em pé, da esquerda para a direita: Rodolfo, Marco Ortolan, Cleto, Didi, Jean e Paulinho; agachados, na mesma ordem: Zuza, Adilson, Wilson Luiz, Paraná e Dobreu





TIME - do América que venceu o São Paulo por 1 a 0, gol de Pedrinho, dia 12/4/1978, pelo Brasileirão. De pé: Luiz Barros, Edson, João Luiz Bolinha, Nelson Prandi, Zico, Paulo Roberto e Joaquim Sequeira Dias (diretor); agachados: Pedrinho, Wilson Luiz, Arlem, Serginho Índio e Cândido





SELEÇÃO PAULISTA - Que empatou em 2 a 2 com a Coréia do Sul, em Seul, durante excursão realizada em 1976. De pé: Sérgio, Mauro Pastor, Nelson Prandi, Ademir Fonseca, Carlos e Paulinho; agachados: Tatinha, Wilson Carrasco, Wilson Luiz, Gatãozinho e Nascimento





FERNANDÓPOLIS - Betinho, Chico Amorim, Donda, Tirolez, Noronha e Wilson Luiz; Maurinho, Armando, Tato, Zé Carlos e Piau





VOTUPORANGUENSE - Acosta (técnico), Ricardo Bezerra, Donizete, Valô, Mauro, Ricardo, Advilson, Carlos Márcio (presidente) e Cláudio Craveiro (repórter); Serginho, Wilson Luiz, Beto Rocha, Mário Celso, Aroni e Cido (massagista)





JALESENSE - De pé, a partir da esquerda: Gilmar, Sergião, Washington, Wilson Luiz, Carlinhos Paraíba e Zelo; agachados: Oliveira, Júlio César, Boca, Horácio e Ivo Picerni



Carreira esbarrava na saudade de casa
Wilson Luiz nasceu em Olímpia, no dia 2 de maio de 1952, e aos 2 anos de idade mudou-se para Monte Aprazível, onde defendeu o time dente-de-leite do Torino. Ficou órfão aos 9 anos e foi morar em Nhandeara com o tio Ataíde, cartorário e presidente do Paulista local. Bocão começou a trabalhar no cartório e a jogar no Paulista. Em 1968, foi reprovado num teste no Rio Preto. Depois, passou em avaliações no Juventus (do técnico Milton Buzzeto) e Ponte Preta, mas a saudade de casa falava mais alto e ele ficava pouco tempo. Então, o tio Ataíde o levou para o Guarani. Foi aprovado pelo técnico Zé Duarte, entretanto, não havia vaga no alojamento do clube campineiro. “Meu tio pagou hospedagem num hotel para uma semana e foi embora”, informa. “Eu era muito jacu e no dia seguinte também fiz minha malinha e voltei pra casa”, acrescenta Wilson Luiz, que começou a carreira como centroavante, foi deslocado para a meia-direita pelo técnico Urubatão Calvo Nunes e encerrou a carreira como volante.

Fichas técnicas:


Corinthians 0 x 1 América

Corinthians
Ado; Zé Maria, Vagner, Luís Carlos e Miranda; Tião e Rivellino; Vaguinho, Suingue (Adãozinho), Lance (Caíto) e Mirandinha. Técnico: Duque.

América
Nonô (Marco Ortolan); Paulinho, Dobreu, Jairzão e Geraldo Galvão;
Didi e Xisté; Zuza (Gilberto), Turcão, Wilson Luiz e Mazinho. Técnico: Wilson Francisco Alves, o Capão.

Gol: Wilson Luiz aos 33 minutos do segundo tempo.
Juiz: Armando Marques.
Renda: Cr$ 53.736,00.
Público: 2.739 pagantes.
Local: Morumbi, no dia 7 de abril de 1973, pelo primeiro turno do Paulistão.

Palmeiras 1 x 2 América

Palmeiras
Leão; Eurico, Polaco, Arouca e Donizetti; Jair Gonçalves e Ademir da Guia; Edu Bala (Ronaldo), Leivinha, Fedato e Nei. Técnico: Valdir Joaquim de Moraes.

América
Luiz Antônio ‘Totó’; Paulinho, Baldini, Jairzão e Cleto; Nelson Prandi e Didi; Luiz Poiani (Jean), Paraná, Wilson Luiz e Darci. Técnico: Urubatão Calvo Nunes.

Gols: Leivinha aos 14 minutos do 1º tempo. Paraná aos 6 e Wilson Luiz aos 30 do 2º.
Juiz: José Favilli Neto.
Renda: Cr$ 916.557,00.
Público: 46.535 pagantes.
Local: Morumbi, dia 10 de agosto de 1975, pelo hexagonal semifinal do Paulistão.

São Paulo 0 x 1 América

São Paulo
Waldir Peres; Nelsinho Baptista, Paranhos, Arlindo e Gilberto Sorriso (Bezerra); Chicão e Pedro Rocha; Terto, Silva, Serginho Chulapa (Arlindo II) e Zé Sérgio. Técnico: José Poy.

América
Luiz Antônio ‘Totó’; Nelson Prandi, Miro, Jairzão e Cleto; Wanderley Paiva (Ademir Gomes) e Paraná (Serginho Índio); Arlem, Wilson Luiz, Iaúca e Darci. Técnico: Urubatão Calvo Nunes.

Gol: Wilson Luiz aos 2 minutos do segundo tempo. Juiz: Edson Massa.
Renda: Cr$ 5.740,00.
Público: 360 pagantes.
Local: Morumbi, dia 13 de junho de 1976, pelo primeiro turno do Paulistão.

Seleção Paulista 3 x 0 Indonésia

Seleção Paulista
Luiz Antônio ‘Totó’; Paulinho (Nelsinho Baptista), Mauro Pastor, Ademir Fonseca e Carlos; Nelson Prandi, Wilson Carrasco (Nascimento) e Gatãozinho; Titica (Iaúca), Wilson Luiz (Carlos Roberto) e Elói. Técnico: Vail Mota.

Indonésia
Paslah; Harhara, Auri (Hidayat), Rizal e Hadi; Liza, Waskito e Idris; Risdianto (Tumsila), Asmara e Lalm. Técnico: não divulgado pelos jornais da época.

Gols: Paulinho aos 44 minutos do 1º tempo. Wilson Luiz a 1 e Gatãozinho aos 3 minutos do 2º tempo.
Juiz: O. Suwardo (Indonésia).
Público: 45 mil torcedores.
Local: Senayan Main Stadium, em Jacarta, na Indonésia, dia 14 de outubro de 1976, em amistoso durante excursão da seleção paulista.

América 1 x 0 Palmeiras

América
Luiz Antônio ‘Totó’; Nelson Prandi, Dobreu, Jairzão e Cleto; Cacau e Paraná; Cândido (Serginho Índio), Wilson Luiz, Luiz Fernando Gaúcho e Arlem. Técnico: Osvaldo Iembo, o Dicão.

Palmeiras
Bernardino; Valdir, Samuel, Pavan e Ricardo; Pires e Ademir da Guia; Rosemiro, Jorge Mendonça, Toninho (Picolé) e Nei. Técnico: Dudu.

Gol: Wilson Luiz aos 44 minutos do primeiro tempo.
Juiz: Almir Ricci Peixoto Laguna.
Renda: Cr$ 270.220,00.
Público: 11.476 pagantes.
Local: estádio Mário Alves Mendonça, em Rio Preto, dia 27 de fevereiro de 1977, pelo primeiro turno do Paulistão.

América 1 x 0 Santos

América
Edson; Moraes, Zico, Sommer e Escurinho (Luiz Vieira); João Luiz Bolinha, Wilson Luiz e Heleno; Pedrinho, Tadeu (Beline) e Silvinho. Técnico: Barbatana.

Santos
Victor; Nelsinho Baptista, Fernando, Fausto e Gilberto Sorriso; Clodoaldo, Aílton Lira e Pita; Nilton Batata, Célio (Rubens Feijão) e João Paulo. Técnico: Chico Formiga.

Gol: Wilson Luiz aos 17 minutos do primeiro tempo.
Juiz: Márcio Campos Salles.
Renda: Cr$ 480.480,00.
Público: 15.071 pagantes.
Local: estádio Mário Alves Mendonça, em Rio Preto, dia 5 de novembro de 1978, pelo primeiro turno do Paulistão.
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