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Jaiminho, o lateral ‘cavalo’
São José do Rio Preto, 7 de junho de 2009
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Guilherme Baffi
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HOJE - Pai de três filhos, Jaiminho Conceição mora em Rio Preto e trabalha como gerente de vendas de uma empresa de concreto |
Com um potente chute de perna direita, o lateral Jaiminho marcou muitos gols em sua carreira, iniciada na década de 1970, no Rio Preto. Desde as categorias de base, ele adquiriu um estilo próprio. “Os laterais da época e ainda hoje procuram chegar à linha de fundo para cruzar. Eu levava a bola para o meio e finalizava de longe”, descreve o mirassolense Jaime Roberto Conceição, que completará 51 anos no próximo dia 24 de novembro. Durante sua trajetória no futebol acumulou os apelidos de “Cavalo”, em razão da patada de direita, e de “Mexicano”, por causa do bigode que cultivava. Desde criança, Jaiminho carregava o sonho de tornar-se jogador profissional. Descoberto por olheiros num campeonato escolar recebeu convite para treinar nas categorias de base do América. Mesmo reprovado no teste não desanimou. Continuou determinado a atingir o seu objetivo. Convidado por Francisco Rosati, técnico do sub-20 do Rio Preto, passou a treinar na Vila Universitária. “Pegava carona em Mirassol de manhã e, às vezes, ficava sem almoçar para treinar o dia inteiro. Naquele tempo, os clubes não tinham a estrutura de hoje”, informa.
Jogou no juvenil do Jacaré em 1977 e no início da temporada seguinte foi promovido ao profissional pelo técnico Jacintho Angelone. “O clube estava com pouco dinheiro e precisou dar oportunidade para a garotada da base.” Além dele, Cuquinha, Romeu, Natinha, Adauto e o goleiro Toni passaram a integrar o elenco principal. Com 1,84 metro de estatura, estreou improvisado na zaga central na derrota por 2 a 0 para o Corinthians, em Presidente Prudente, em jogo amistoso realizado no sábado à noite, dia 18 de fevereiro de 1978. Bolão jogou como lateral-direito. No domingo, 26 de fevereiro, também atuou na derrota de 1 a 0 para o Linense, em Lins, quando o Rio Preto recebeu Cr$ 15 mil pelo amistoso. Apesar dos dois tropeços na fase preparatória, o Glorioso estreou na Série Anísio Haddad do Campeonato Paulista da Divisão Intermediária (atual A-2) com vitória por 1 a 0 contra o Catanduvense, no Riopretão, gol marcado pelo meia-esquerda Peres cobrando pênalti. A partida aconteceu no domingo, 4 de março.
Após boas apresentações, Jaiminho começou a ser assediado por outros clubes. O técnico Mané Mesquita, com quem havia trabalhado no Rio Preto, foi para o Independente de Limeira e queria levá-lo por empréstimo, junto com Buzo e Adauto. Porém, o presidente esmeraldino, Raul Sisti, não os liberou. Sisti sucedeu Anísio Haddad, falecido em janeiro de 1978, vítima de problemas cardíacos. No início do ano seguinte, o técnico do Palmeiras, Filpo Nuñes, queria observar Jaiminho em treinos no Parque Antártica por 30 dias. O jogador justificou que não era o momento de se transferir para um grande clube e se apresentou no Riopretão, apesar de saber que dificilmente permaneceria no Jacaré. Esportiva Araçatuba e Americana brigavam por sua aquisição. Na quarta-feira, 31 de janeiro de 1979, a direção rio-pretense concordou em emprestá-lo de graça ao Americana por um ano. Cuquinha já tinha se transferido para o mesmo clube. No meio do caminho, entretanto, apareceu José Roberto de Almeida, o Careca, presidente do Grêmio Sãocarlense, e cobriu a proposta do concorrente. Ofereceu Cr$ 30 mil ao Rio Preto pelo empréstimo, além de Cr$ 20 mil de luvas e salários mensais de Cr$ 10 mil para Jaiminho.
Chegou ao Cruzeiro como novo Nelinho Jaiminho viajou para São Carlos na quarta-feira, 14 de fevereiro de 1979, e defendeu o Grêmio Sãocarlense na Divisão Intermediária. “Marquei nove gols naquele campeonato”, diz. Após o empréstimo, José Roberto de Almeida, o Careca, “mexeu os pauzinhos” na federação e ficou com a posse definitiva do jogador, arrancando-o do Rio Preto. Santos e Cruzeiro queriam contratá-lo. O cartola, então, decidiu cedê-lo ao clube mineiro, que havia negociado Nelinho - um de seus maiores ídolos até hoje - com o Grêmio de Porto Alegre. “O pessoal já tinha informação do meu chute forte e cheguei em Belo Horizonte como novo Nelinho”, recorda. Participou de alguns amistosos, mas três meses depois Nelinho não se adaptou ao frio gaúcho e voltou ao Cruzeiro. “Perdi meu espaço. O técnico Hilton Chaves me chamou e disse que não tinha como deixar o Nelinho fora do time”, lamenta.
Jaiminho acabou emprestado ao Taubaté, onde participou da campanha do Paulistão de 1980, que teve o centroavante Edmar, do Burro da Central, como principal artilheiro, com 17 gols, um a mais que Careca, do Guarani. O Taubaté obteve 11 vitórias, 13 empates e sofreu 14 derrotas naquele estadual. O lateral também jogou seis meses na Francana (entre janeiro e junho de 1981) e depois foi para o Uberlândia. “Sofri uma lesão no menisco do joelho direito. Fui operado pelo médico Ronaldo Nazaré (do Cruzeiro) e voltei a treinar 15 dias depois.” Entre 1982 e o início de 1984 defendeu o Valeriodoce de Itabira, integrante da Primeira Divisão de Minas Gerais. Depois, Jaiminho foi para o Americano de Campos, seduzido por uma proposta feita pelo treinador Dawson Laviola, seu comandante no Uberlândia e que estava no time do Rio. Voltou ao Sãocarlense em 25 de abril de 1985 e chegou às finais da 2ª Divisão, sendo superado pelo Novorizontino, que subiu para o Paulistão. No ano seguinte disputou a Segundona pelo Taquaritinga.
Transferiu-se para o futebol paranaense em 1987 ao ser contratado pelo Grêmio Maringá, onde permaneceu até 1990. Um ano antes, sofreu uma grave contusão no jogo contra o Comercial, no estádio Palma Travassos, em Ribeirão Preto, pelo Brasileiro da Série C. “Tive ruptura do tendão de Aquiles da perna esquerda”, informa. “Me recuperei, mas sentia um incômodo e decidi parar.” A diretoria do Maringá promoveu o jogo de despedida dele no dia 14 de outubro de 1990, no estádio Willie Davis. Houve empate sem gols entre o Grêmio e um selecionado paranaense. Após pendurar a chuteira começou a trabalhar como treinador das categorias de base do Maringá e foi campeão dos Jogos Abertos Brasileiros, em Toledo-PR. Veio para ser auxiliar de Benazzi no Sãocarlense, mas ficou apenas seis meses. A falta de estrutura o fez desistir. “Não tinha nem campo para treinar.” Abandonou o futebol e hoje trabalha como gerente de vendas de uma empresa de usinagem de concreto. Casado desde 1980 com Roseli, Jaiminho é pai de Eduardo, Bruno e Jayner. Ele mora no bairro João Paulo II, em Rio Preto.
| Arquivo pessoal de Carlos Roberto Apendino, o Calé
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PRIMEIROS PASSOS - O lateral direito Jaiminho foi lançado no time principal do Rio Preto pelo técnico Jacintho Angelone no início da temporada de 1978. A foto mostra uma das formações da equipe esmeraldina durante o Campeonato Paulista da Intermediária. De pé, a partir da esquerda: Jaiminho, Gari, Toni, João Marques, Zé Maria e Cuquinha; agachados: Marquinhos, André, Paulinho Batistote, Adauto e Calé
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| Arquivo pessoal de Valdevino Cardoso de Souza, o Valdez
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NO JACARÉ - Jaiminho começou a carreira no Rio Preto em 1978 e permaneceu apenas até o início do ano seguinte, quando foi emprestado ao Grêmio Sãocarlense e, de lá, rodou por mais oito clubes de quatro Estados. A foto traz o Rio Preto de 1978. De pé, a partir da esquerda: Jaiminho, Toni, Cuquinha, Paulão, Baldini e Saulo; agachados, na mesma ordem: Adauto, André, Batistote, Calé e Valdez
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| Arquivo pessoal de Valdevino Cardoso de Souza, o Valdez
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SÃOCARLENSE - De pé, a partir da esquerda: Gasolina (massagista), Jaiminho, Leonardo, Zé Luis, Calazans, Mário Sérgio, Da Guia e Careca; agachados, na mesma ordem: Francisco Ponzio, Florisvaldo, Pingo, Ademar, Ademir, Valdez e Norberto (fisicultor)
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| Arquivo pessoal de Jaime Roberto Conceição
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PEGA O JAPA! - Jaiminho teve trabalho para tentar conter o ponta-esquerda japonês Kazuo no confronto entre Coritiba e Maringá, disputado no dia 7 de maio de 1989, no estádio Couto Pereira, em Curitiba, pelo Campeonato Paranaense. Não teve jeito, inspirado, Kazuo marcou dois gols na vitória do Coxa por 3 a 2. “Naquele dia nem com um pedaço de pau eu pararia o Japa”, diz o lateral
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| Arquivo pessoal de Jaime Roberto Conceição
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VALERIODOCE - Dragão de Itabira que disputou a Primeira Divisão de Minas Gerais em 1982. De pé, a partir da esquerda: Renato (fisicultor), Zé Borges (diretor), Geraldino, Jaiminho, Marco Antônio, Evandro, Beto e Délio; agachados, na mesma ordem: Almir, Manguinha, Zé Carlos, Ozael e Domingos
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RIO PRETO - 1 Banga; Mário, Jaiminho, Gari e Bolão; Buzo, Sidnei (Romeu) e Peres; Adauto, André e Wilson (Cuquinha). Técnico: Jacintho Angelone.
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CATANDUVENSE - 0 Léo; Capitão, Sabará, Décio e Marco Antonio; Naves, Adãozinho e Joãozinho; Florisvaldo (Jorge Cruz), Tusa (Braguinha) e Alírio. Técnico: Floriano.
Gol: Peres (pênalti) aos 39 minutos do primeiro tempo. Árbitro: Renato de Oliveira Braga. Renda: Cr$ 17.190,00. Público: 1.293 pagantes. Local: Riopretão, no domingo, dia 5 de março de 1978, na abertura da Série Anísio Haddad do Campeonato Paulista da Divisão Intermediária, na estreia oficial de Jaiminho no Rio Preto. _______________________________________________________________________
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SÃO CARLENSE - 3 Bragato; Jaiminho, Zé Luís, Leonardo e Ari Mantovani; Stélio, Pingo (Da Guia) e Mazinho; Juarez, Dema e Valdez. Técnico: Pio.
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PORTUGUESA SANTISTA - 1 Maurinho; Cardoso, Zé Moraes, João Carlos e Otávio; Jovenil, Wagner (Nascimento) e Miguel Amaral; Gilson (Carlos Roberto), Eduardo e Osmar. Técnico: Manga.
Gols: Valdez aos 30 minutos do primeiro tempo. Juarez aos 6, Nascimento aos 37 e Jaiminho aos 41 minutos do segundo tempo. Árbitro: Ulisses Tavares da Silva Filho. Renda: Cr$ 122,4 mil. Público: 1.174 pagantes. Local: estádio Luis Augusto de Oliveira, em São Carlos, domingo, 7/10/1979, pelo Campeonato Paulista da Divisão Intermediária (atual Série A-2). _______________________________________________________________________
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CORITIBA - 3 Gerson; Márcio, Berg, João Pedro e Mário Sérgio; Serginho, Osvaldo e Carlos Alberto (Marildo); Sérgio Luís (Valmor), Tostão e Kazuo. Técnico: Edu Coimbra.
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GRÊMIO MARINGÁ - 2 Haroldo; Jaiminho, Alfredo (Adoílson), Luis Antônio e Luis Carlos; Almeida, João Antônio (Cléber) e Roberto; Ronaldo, Marinho Rã e Carlinhos. Técnico: Mário Juliato.
Gols: Marinho Rã aos 8 e Kazuo aos 27 minutos do primeiro tempo. Osvaldo (pênalti) aos 2, Roberto (pênalti) aos 11 e Kazuo aos 27 minutos do segundo tempo. Árbitro: Ivo Tadeu Scatolla. Expulsão: João Pedro. Renda: NCz$ 14.974,00. Público: 9.289 torcedores. Local: estádio Couto Pereira, em Curitiba, domingo, 7 de maio de 1989, pelo Campeonato Paranaense.
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