S. J. do Rio Preto - Quinta, 29 de julho de 2010 
 
 
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Jonas, campeão no Olímpia
São José do Rio Preto, 11 de outubro de 2009
  Divulgação  
HOJE - Jonas Cagliari curte a aposentadoria em Aramina

Versátil como o são-paulino Hernanes e disciplinado taticamente como Zagallo, ponta-esquerda campeão com a Seleção Brasileira nas Copas de 1958 e 1962, o talentoso Jonas foi um dos destaques do Olímpia, que conquistou o título da Série Cafeeira do Campeonato Paulista da Segunda Divisão (atual Série A-3) de 1961. Era um jogador moderno para a época, que tinha facilidade de chutar com os dois pés e executava múltiplas funções dentro de campo. A Segundona reuniu 39 equipes divididas em cinco grupos regionalizados. Na Série Cafeeira estavam Olímpia, Rio Preto, Dracena, Mirassol, Linense e Nevense. Naquela época era muito difícil ganhar fora de casa. Não pela competência dos mandantes, mas em razão de a juizada operar os visitantes sem anestesia. Uma das cirurgias aconteceu no estádio Victor Brito Bastos, em Rio Preto, no dia 16 de julho, contra o Glorioso. Melhor em campo, o Olímpia abriu o placar com um gol do ponta-direita Índio, aos 25 minutos do segundo tempo. Não demorou para o árbitro Antônio Musitano dar uma mãozinha ao Rio Preto. Ele marcou pênalti inexistente sobre o centroavante Cide Alvarenga. Para completar o serviço expulsou Serrano, Salata e Joel, todos do Olímpia, e Milton, do Verdão. Cide cobrou o pênalti e empatou o jogo. Mesmo com oito jogadores contra 10, o Olímpia segurou a igualdade no marcador. Inconformado, Oswaldo de Lima Borges, presidente do Galo Azul, protestou na federação e ameaçou tirar o time do campeonato caso Musitano fosse escalado em outras partidas de sua agremiação. O resultado, entretanto, também foi ruim para o Rio Preto e provocou uma áspera discussão entre o técnico Galinhaço e o presidente esmeraldino Geraldo Fortes. Como sempre, a corda arrebentou do lado mais fraco e Galinhaço foi demitido. Serafim de Andrade assumiu o comando interino e dias depois a diretoria contratou o treinador Miranda.

Veio o segundo turno e o time olimpiense deu o troco no Rio Preto, graças a uma atuação memorável do meia-esquerda Jonas, que também atuava como ponteiro canhoto. Ele marcou um dos gols e criou as jogadas que resultaram em tentos de Destro e Bira na goleada de 4 a 0. Apesar das dificuldades, o Galo Azul foi a equipe que manteve a melhor regularidade dentro do grupo e obteve resultados expressivos. O único deslize ocorreu na vexatória derrota por 5 a 0 para o Mirassol, fora de casa. Na penúltima rodada, Jonas voltou a balançar as redes adversárias nos 3 a 1 sobre o Dracena, no dia 24 de setembro, no estádio Tereza Breda. O Olímpia terminou na liderança com 7 pontos perdidos, seguido pelo Mirassol, com 8, Rio Preto 10, Nevense 11, Dracena e Linense 12. Pelo regulamento os dois primeiros se classificavam à fase final. Na Série Industrial classificaram-se o Estrela de Piquete e o Cerâmica de São Caetano do Sul. Na Açucareira, os melhores foram Estrada Sorocabana e Ituano. Inter de Limeira e Bandeirantes de São Carlos avançaram pela Série Algodoeira e Botucatuense e Ourinhense obtiveram as vagas na Série Pecuária.

O Olímpia começou o grupo Waldemar Alves da Costa da fase decisiva perdendo de 2 a 1 para o Mirassol, fora de casa, no dia 15 de outubro, mas se reabilitou ao derrotar a Botucatuense por 3 a 1. No entanto, a equipe celeste perdeu os pontos no “tapetão” em razão de ter escalado o ponta-esquerda Joel, que estava suspenso. A decisão do TJD desanimou o Galo Azul, que alternou bons e maus momentos na competição. Perdeu da Usina São João por 4 a 2, goleou o Ourinhense por 5 a 0, perdeu da Botucatuense e Usina, ambos por 1 a 0, goleou o Mirassol por 4 a 0 e foi goleado pelo Ourinhense por 4 a 1, terminando na lanterna do grupo com 12 pontos perdidos. Com 5 pontos perdidos, a Usina São João ficou em primeiro. O Mirassol foi o segundo, com 6, Botucatuense 8 e Ourinhense 9. A Estrada Sorocabana, com 4 pontos perdidos, conquistou o título do grupo João Mendonça Falcão, seguida pela Inter de Limeira, com 7, Cerâmica 9, Estrela e Bandeirantes, 10. Na decisão, a equipe de Sorocaba venceu a Usina e subiu para a Primeira Divisão (atual A-2).

Defende Botafogo e Ponte

Nascido no dia 2 de fevereiro de 1942, em Aramina, cidade localizada entre Igarapava e Ituverava e a 222 quilômetros de Rio Preto, Jonas Cagliari começou a carreira em 1956 no time infantil do Botafogo, incentivado por seu tio, Atílio. “Fui estudar em Ribeirão Preto, meu tio achou que eu levava jeito para o futebol e me levou para o Botafogo”, diz. Conciliava treinos e jogos com os estudos. Vestiu a camisa do time principal do tricolor ribeirão-pretano a partir de 1960, promovido pelos técnicos Floreal Garro e José Agnelli. “Disputei alguns amistosos contra Palmeiras, Portuguesa Santista, XV de Piracicaba e outras equipes”, recorda. Jonas também enfrentou o Santos de Pelé, no dia 20 de novembro de 1960, pelo Paulistão. No final, derrota botafoguense por 4 a 2, no estádio Luiz Pereira, em Ribeirão Preto. Exímio cobrador de faltas, mas com poucas chances entre os profissionais, acabou emprestado ao Olímpia, aos 19 anos de idade. Logo na primeira temporada foi campeão da Série Cafeeira da Segundona. Ao retornar do empréstimo jogou pelo Botafogo no empate de 2 a 2 com o Corinthians, em amistoso realizado no dia 21 de março de 1962. Depois, voltou ao Olímpia novamente onde ficou mais dois anos. Ainda disputou a Segundona pelo Orlândia (1964/65) e a Primeirona (A-2) pela Ponte Preta. Encerrou a carreira no final de 1967 no Orlândia. “A miopia atacou e me forçou a parar, aos 25 anos de idade”, lamenta. Jonas, então, foi trabalhar com o pai, João “Nine”, no armazém da família. “Vendíamos de agulha a elefante”, brinca. Viúvo de Maria Ângela, pai de Jonas e Michel Jorge e avô de Vinícius, ele curte a aposentadoria desde 1998 em sua terra natal, a pequena Aramina, de 5 mil habitantes.


Arquivo pessoal de Gerson Cavalcante
OLÍMPIA - Campeão da Série Cafeeira da 2ª Divisão de 1961. A partir da esquerda: Eca (treinador), Adauto, Salata, Zacarelli, Bira, Destro, Vieira, Procópio, Jair, Joel, Zezinho, Jonas, Índio, Gudu, Onélio, Botão, Raimundinho e Wilson Preto (massagista)


Arquivo pessoal de Jonas Cagliari
GALO AZUL Depois do título obtido em 1961, o Olímpia manteve a base para a temporada seguinte. De pé, a partir da esquerda: Vieira, Zaccarelli, Moacir Zacarelli, Salata, Roberto, Procópio, Raimundinho, Zezinho e não identificado; agachados, na mesma ordem: Serrano, Zicão, Gudu, Joel, Vidal, Jonas e Guelo


Arquivo pessoal de Jonas Cagliari
É GOL - Jonas (dir.) marca na vitória de 3 a 1 do Olímpia sobre o Dracena, em 24/9/1961, pela penúltima rodada da Segunda Divisão


Arquivo pessoal de Jonas Cagliari
BOTAFOGO - Time juvenil da Pantera, campeão invicto de Ribeirão Preto, em 1958. De pé, a partir da esquerda: Ítalo Bernardes (treinador), Geraldo, Laércio, Dina, Berto, Paulo, Armando, Ditinho, Mário e Kalib; agachados, na mesma ordem: Francisco, Dirceu, Nori, Jonas, Sérgio, Maurinho e Targa


Arquivo pessoal de Jonas Cagliari
ORLÂNDIA - Jonas, que jogava como meio-campista e ponta-esquerda, defendeu o Orlândia em 1964/65 e 1967. Em pé, da esquerda para a direita: Fábio, Macalé, Bota, Diva, Julião e Marcos; agachados, na mesma ordem: Laerte, Orlando, Percival, Joaquim e Jonas, que fez muitos gols de falta na carreira


Arquivo pessoal de Jonas Cagliari
DERBY - De pé: Joãozinho, Dimas, Piveti, Cido, Egídio, Cidinho, Nenê, Beto, Cristóvão, Geraldo Spana, Wagner e Nunes; agachados: Joaquinzinho, Deleu, Capeloza, Nelsinho, Celino, Orlandinho, Américo Murolo, Walter, Jonas e Tarciso




FICHAS TÉCNICAS:


RIO PRETO - 1
Paulinho; Alemão e Hudson; Clóvis, Raposeiro e Icão; Penati (João Carlos), Milton, Cide Alvarenga, Bulau e Noriva. Técnico: Galinhaço.

OLÍMPIA - 1
Adauto; Salata, Procópio e Vieira; Zacarelli e Destro; Índio, Serrano, Bira, Jonas e Joel. Técnico: Eca.

Gols: Índio aos 25 e Cide Alvarenga (pênalti) aos 30 minutos do segundo tempo. Árbitro: Antônio Musitano. Expulsões: Salata, Serrano, Joel e Milton. Renda: Cr$ 174.540,00. Público: não obtido. Local: estádio Victor Brito Bastos, em Rio Preto, domingo, dia 16 de julho de 1961, pela Série Cafeeira do Campeonato Paulista da Segunda Divisão.
_______________________________________________________________

OLÍMPIA - 4
Adauto; Botão e Salata; Vieira, Destro e Zacarelli; Índio, Onélio, Bira, Jonas e Joel. Técnico: Eca.

RIO PRETO - 0
Paulinho; Alemão e Hudson; Clóvis, Raposeiro e Bifani; Português, Milton, João Carlos, Bulau e Noriva. Técnico: Miranda.

Gols: Destro (2), Jonas e Bira. Árbitro: Wilson Santos Macedo. Renda: Cr$ 105 mil. Público: 1.893 torcedores. Local: estádio Tereza Breda, em Olímpia, no domingo, 27 de agosto de 1961, pela Série Cafeeira do Campeonato Paulista da Segunda Divisão.

_______________________________________________________________

BOTAFOGO - 2
Galdino Machado; Gil, Antônio Julião e Tiri; Tarciso e Berto; Zuino, Laerte, Ademar, Henrique (Moreno) e Jonas (Henrique). Técnico: José Agnelli.

SANTOS - 4
Laércio; Dalmo, Mauro Ramos de Oliveira e Zé Carlos; Zito e Calvet; Sormani, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Luiz Alonso, o Lula.

Gols: Coutinho aos 32 e Pelé aos 35 minutos do primeiro tempo. Coutinho aos 4, Pepe (pênalti) aos 20, Mauro (contra) aos 24 e Henrique aos 37 minutos do segundo tempo. Árbitro: Olten Ayres de Abreu. Renda: Cr$ 945.050,00. Público: 9.056 pagantes. Local: estádio Luiz Pereira, em Ribeirão Preto, dia 20/11/1960, pelo Paulistão.
_______________________________________________________________

PONTE PRETA - 1
Chicão; Egídio, Celso e Geraldo Scotto; Celino e Beto; Walter, Capeloza, Zé Carlos, Joaquinzinho e Jonas. Técnico: não informado.

XV DE PIRACICABA - 1
Claudiney Freire; Nelson, Chicão e Dorival; Chiquinho e Proti; Zezinho, Mazinho, Vanderlei, Osvaldinho e Piau. Técnico: não obtido.

Gols: Jonas aos 9 minutos do primeiro tempo e Zezinho aos 15 minutos do segundo tempo. Árbitro: Albino Zanferrari. Renda: Cr$ 16.389,00. Público: não obtido. Local: estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, pelo Torneio dos Oito Finalistas do Campeonato Paulista da Primeira Divisão (atual A-2) de 1966.
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