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Pró-ativo
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São José do Rio Preto, 26 de outubro de 2008

Ariana Pereira

“Nada cai do céu, nem cairá. Tudo que é meu, eu fui buscar”. A letra de Ivan Lins ficou conhecida quando abria uma novela, exibida no início dos anos 90, cujo protagonista construiu um império com o próprio esforço. Fazer as realidades acontecerem, independente de circunstâncias favoráveis, é a principal característica das pessoas pró-ativas. Hoje em dia, destacam-se aqueles que conseguem ver além, antever oportunidades e agir de maneira estratégica e inteligente de forma a alcançar realizações, seja qual for a área da vida em questão. “Ser pró-ativo significa que, como seres humanos, somos responsáveis por nossas próprias vidas. Nosso comportamento é uma função de nossas decisões e não de nossas condições. Pró-atividade significa mais do que tomar iniciativa. Ser pró-ativo quer dizer ter a iniciativa e a responsabilidade de fazer as coisas acontecerem”, explica o coach, membro do Instituto Internacional de Coaching, Luiz Augusto Paiva.

A pró-atividade faz parte da natureza humana, segundo Paiva. Ele diz ainda que, apesar de os “músculos” da pró-atividade estarem dormentes, estão presentes nas pessoas. Não é o que acontece à pessoa, continua o coach, mas a resposta ao que acontece é o que causa problemas. “O que mais importa é como respondemos ao que passamos pela vida. Exercendo conscientemente nossas escolhas, vivenciamos nossa liberdade”, afirma. Para sair da inércia e fazer as possibilidades se tornarem realidade, a primeira iniciativa não é exterior. É importante que a pessoa se conheça para identificar os pontos fortes e fracos que possui e, dessa forma, ter a capacidade de medir que preço está disposta a pagar para realizar as mudanças necessárias na própria vida. Agindo assim, o coach executivo e também conferencista em Desenvolvimento Humano, Carlos Cruz, acredita que, depois desse processo, só existe uma atitude a tomar: entrar em ação.

“Acredito que é importante pensarmos que não saímos da situação confortável para entrar em uma situação de desconforto, mas sim em uma situação de desenvolvimento. Essa, por sua vez, irá gerar uma nova situação confortável, mais alinhada aos valores e desejos, trazendo mais satisfação pessoal e auto-realização”, diz Cruz. O administrador de empresas Orivaldo Andreazza Peres, que mantém uma consultoria nas áreas de desenvolvimento organizacional e treinamento em empresas, também assegura que o primeiro passo para fazer as situações mudarem e os projetos, antigos ou novos, saírem do papel é a tomada de consciência. Além disso, é preciso ter coragem para sair da zona de conforto e buscar novos horizontes. “Saber o que se quer e entender a possibilidade real de obter isso. É decidir se quer ou não mudar e entender que mudar sempre tem um preço e um risco. Cada pessoa lança mão de uma situação confortável por meios diversos. Às vezes, por iniciativa própria, a partir da compreensão da necessidade de fazer diferente para alcançar os objetivos. Ou impulsionadas por uma situação adversa que faz com que saiam da zona de conforto e sejam ‘obrigadas’ a buscar o que desejam”, afirma Peres.

Protagonismo
Ter iniciativa e ser pró-ativo não significa estar alheio a influências e estímulos externos, mas sim ter uma resposta ou escolha baseada em valores, seja em situações físicas, sociais ou psicológicas. Paiva afirma também que efetuando-se a auto-avaliação dos valores e tomando decisões conscientemente, a pessoa está no caminho para alcançar o que deseja. Autoconhecimento e clareza de valores além de impulsionar decisões e iniciativas capazes de transformar realidades pessoais e comunitárias transformam os indivíduos em sujeitos ativos da própria vida. Isso faz com que tirem proveito da existência, ainda que passem por momentos complicados e de dificuldades.

De acordo com o coach Cruz, as pessoas arrumam desculpas como “está difícil”, “ninguém me entende”, “vai demorar”, “ninguém me ajuda”, para acomodarem-se em realidades insatisfatórias. “Algumas pessoas se aproveitam dos momentos ruins pelos quais a sociedade passa para justificar a falta de sucesso, como a atual crise financeira, por exemplo. Ninguém pode esquecer que em determinado momento acreditou que investir era a melhor saída.” Ser alguém que não espera o vento soprar favoravelmente para alcançar novos horizontes não significa, porém, passar por cima de outras pessoas para ter o que quer. Ética e responsabilidade fazem parte das características de pessoas que fazem as coisas acontecerem, segundo o consultor Peres.

“É possível ser obstinado por atingir objetivos e fazê-lo com ética e respeito. A pessoa que chamo de Maior e Autônoma não faz para os outros o que não deseja que façam para ela. Respeita seus limites e os limites das pessoas que estão ao seu lado. Os chamados ‘tratores’, na realidade, são egocêntricos, que se acham o centro do universo. Esses não reconhecem os outros como iguais. Infelizmente, se alimentam das pessoas que são opostas: submissas e com baixa auto-estima”, explica Peres. Para equilibrar iniciativa e respeito, segundo Paiva, é preciso ajudar mais e julgar menos. “Talvez não possamos mudar o que outras pessoas fizeram, mas certamente podemos mudar a nós mesmos.”

Busque a sua felicidade
Quando não conseguem que os acontecimentos saiam como haviam sido pensados ou esquematizados, algumas pessoas tendem a culpar outros. Encontrar culpados é mais simples do que tomar para si a responsabilidade dos próprios atos e escolhas, por isso o caminho mais curto para encontrar salvação para os próprios fracassos. Procurar culpados fora de si para a falta de êxito, seja qual for a área da vida em questão, também é parte da educação que as pessoas recebem desde o nascimento, de acordo com o consultor Orivaldo Andreazza Peres.

“De um modo geral, todos fomos criados para sermos obedientes e submissos. Em casa os pais dão ordens, na escola os professores ditam as regras, no mundo os mais fortes determinam os comportamentos. Sair dessa relação de dependência é muito difícil se não houver uma consciência clara do que se quer e o que se pode fazer e, principalmente, ter a coragem para mudar e assumir as responsabilidades pela mudança. Em resumo, as pessoas estão acostumadas (e é mais fácil) a colocar a culpa dos fracassos sempre fora de si, isso quando não os atribuem aos desatinos celestiais”, avalia Peres.

É mais fácil esperar que alguém com superpoderes torne as coisas mais fáceis e realize a missão que a própria pessoa não toma para si. Outros fatores que fazem com que os indivíduos passem de maneira pouco significativa pela vida são o medo e a dificuldade de encarar as próprias fraquezas, de acordo com o coach executivo e também conferencista em Desenvolvimento Humano, Carlos Cruz. “Quando assumimos as responsabilidades p’’or nossa vida somos capazes de criar planos de ação e temos mais poder, influência e controle sobre nossos destinos. Muito além de um fardo pesado, essa idéia é a realidade, ou seja, encarar a vida dessa maneira é encará-la como ela é.”

Finalmente, assumir a responsabilidade sobre a vida e fazer com que ela realmente valha a pena é o caminho que leva à verdadeira felicidade, segundo o membro do Instituto Internacional de Coaching, Luiz Augusto Paiva. “A habilidade de efetuar as escolhas pela vida, a ‘habilidade de resposta’, tornam a pessoa responsável. Responsabilidade que faz com que o ser humano se sinta livre e dono de sua vida, propiciando felicidade.”
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