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Chacina ambiental
Rio Preto mutila cem árvores por dia
São José do Rio Preto, 20 de setembro de 2009
  Sérgio Menezes  
No bairro Francisco Fernandes, 5 de 8 sibipirunas mutiladas morreram

Allan de Abreu e Rita Magalhães

04:07 - Da copa da árvore só sobraram o tronco e galhos mutilados. O verde sumiu e o sol invade em cheio onde antes havia sombra. Diariamente Rio Preto sofre um desmatamento silencioso e progressivo, que compromete o meio ambiente, afeta a qualidade de vida e castiga o cidadão. Sem árvores, a cidade se torna ainda mais quente, empoeirada e empobrecida visualmente, já que o colorido natural da vegetação dá lugar ao cinza grafite do concreto e asfalto. O que à primeira vista parece não passar de casos pontuais e isolados ganha contornos de tragédia criminosa, uma espécie de chacina ambiental, quando analisada à luz dos números. A Secretaria de Serviços Gerais atende uma média de 3.020 chamados de cata-galho ao mês, mais de cem por dia. Cada chamado é uma árvore que foi mutilada ou completamente assassinada. Segundo o secretário da pasta, Paulo Pauléra, um terço das árvores com poda drástica não resiste e morre. E, em vez de punição, o autor do crime ainda é premiado com serviço grátis de limpeza.

Para apagar os vestígios da destruição ambiental, a Prefeitura de Rio Preto gasta R$ 120 mil por mês dos cofres públicos, em torno de R$ 1,4 milhão por ano, o equivalente ao que é investido na construção de uma creche com capacidade para atender 250 crianças. No máximo, quando flagrado pela fiscalização, o responsável pelo dano recebe uma multa de R$ 50 pela poda drástica ou R$ 100 pela erradicação total da árvore. Para o engenheiro civil e especialista em gestão ambiental Roberto de Carvalho Júnior, o corte irregular e a erradicação de árvore são uma questão cultural entre os rio-pretenses por falta de consciência da importância da arborização. “A árvore retém material particulado, regula a temperatura do ambiente, retira o gás carbônico que nos envenena e libera o oxigênio que nos dá vida. É a grande alquimista da natureza”, explica. O secretário do Meio Ambiente, José Carlos de Lima Bueno, afirma com base no estudo de um geógrafo que a diferença de temperatura entre ambientes arborizados e não arborizados varia de cinco a oito graus Celsius.

Na rua dos Radialistas Rio-pretenses, bairro Francisco Fernandes, a chacina ambiental assusta. Pressionada pelos vizinhos, a proprietária do imóvel contratou um jardineiro para podar oito sibipirunas. A poda foi tão drástica que cinco morreram e as outras três agonizam. “Fazia uma sombra muito boa na rua, mas à noite ficava muito escuro e estava virando motel”, diz a vendedora Ivani Salvador, vizinha do imóvel. “Podia cortar um pouco, mas não desse jeito.” Multada pela Prefeitura, a moradora mudou-se há dois meses para São Paulo e não foi localizada. Além da segurança, as justificativas mais comuns dos moradores que dizimam suas próprias árvores são a sujeira das folhas, as raízes que avançam sob as casas e a invasão de muros e ruas pelos galhos.

“Todo ano eu corto por causa da sujeira. Mas em pouco tempo, uns 90 dias, ela brota de novo”, diz Osvaldo Peruca, apontando para a castanheira em frente à sua residência, na Boa Vista. A poda foi tão radical que não restou uma folha sequer. Os funcionários da farmácia ao lado reclamam da sombra perdida. “Rio Preto já tem pouca árvore e o calor é cada vez maior. Não sei onde vamos parar”, afirma Márcio Sampaio Lopes. A serra elétrica trabalhou bastante na avenida João Batista Vetorazzo, no Distrito Industrial. No total, 14 árvores, uma ao lado da outra, sofreram podas radicais, e outras cinco foram erradicadas há um mês. Vizinho ao desmate, o porteiro Argemiro Neves Filho não esconde a indignação. “Aqui é lugar de indústria, e deveria ter mais árvore para reduzir a poluição. Mas o povo destrói as poucas árvores que sobraram no bairro. Não tem cabimento”, afirma. No Parque Industrial, os filhos de Ricardo Pereira ainda lamentam o fim da brincadeira preferida: escalar a árvore em frente à casa dele, na rua Osvaldo Aranha. “Eles passavam o dia todo trepados lá, mas aí o vizinho mandou depenar a árvore. Foi uma pena.”


Sérgio Menezes
Oitis predominam na paisagem urbana de Rio Preto, como na rua Ipiranga, Zona Sul

Oitis são metade das árvores


Além de escassa, a arborização de Rio Preto é mal planejada e pouco diversificada, segundo especialistas. A Secretaria de Serviços Gerais informa que metade das árvores da cidade são oitis. Em alguns bairros, como Alto Rio Preto, a espécie é quase unanimidade. Para especialistas, esse predomínio representa um risco ambiental. “Se alguma praga atingir essa espécie, dizima boa parte das árvores de Rio Preto”, diz a professora de botânica da Unirp Valéria Stranghetti. Por duas vezes, a cidade sofreu as consequências da monocultura na arborização. Primeiro nos anos 70 com a sibipiruna. Na década seguinte foi a vez da canelinha. Ambas foram destruídas por pragas, e hoje são raras na paisagem urbana rio-pretense.

“Temos dificuldade em aprender com esses erros do passado e ainda preferimos o oiti”, diz o secretário de Serviços Gerais, Paulo Pauléra. Apesar das críticas, o próprio Poder Público mantém doações de oitis no Viveiro Municipal. “O oiti não exige solo de qualidade, tem raízes não perfurantes, folhas persistentes e facilidade de manejo. É ótimo para calçada. Agora a espécie paga o preço da popularidade”, diz o secretário de Agricultura do município, Moacir Seródio. Para o especialista em gestão ambiental Roberto de Carvalho Júnior, o predomínio arriscado do oiti é reflexo da falta de um planejamento na arborização de Rio Preto. “A cidade deveria ter um plano diretor sobre o tema que determinasse a espécie de árvore para cada região do município, como em Maringá (PR). O que existe hoje em Rio Preto é a ‘arboriaberração’.” A falta de políticas públicas de arborização é visível em avenidas como a Juscelino Kubitschek, onde sibipirunas convivem com eucaliptos e cajueiros, ou a Murchid Homsi, cujas árvores foram plantadas muito próximas umas das outras, o que gera um problema de segurança pública: à noite o local fica muito escuro e se torna esconderijo certo para usuários de drogas.

Edvaldo Santos
Pé de jaca na calçada de praça localizada em frente ao ARE

Árvores frutíferas


Pauléra condena o plantio de árvores frutíferas na calçada. “Um pé de manga pode causar um acidente grave se uma fruta cai na cabeça de uma criança”, afirma. A Prefeitura não multa quem erradica árvores frutíferas. “É incentivo para que o morador troque a planta por uma espécie mais adequada.”

A própria Prefeitura, porém, não dá o exemplo: na praça ao lado do Ambulatório Regional de Especialidades (ARE), um pé de jaca é risco permanente aos pedestres. A Secretaria tem uma lista de espécies recomendadas para o plantio urbano - porte pequeno para calçadas com rede elétrica, como ipê rosa anão e grevilha, e porte grande para calçadas livres de fios, como a pata-de-vaca e a falsa pimenteira.

Metade das mudas morre

A erradicação de árvores em Rio Preto é combatida com a doação de mudas pela Prefeitura. O Viveiro Municipal doa uma média de 5 mil mudas por mês. O problema é que o plantio não repõe a perda das árvores porque, com a falta de cuidados, metade das mudas plantadas morre com poucos meses de vida, segundo o secretário de Agricultura do município, Moacir Seródio. Nos canteiros centrais das avenidas, são comuns galhos ressequidos de mudas recém-plantadas. “Tudo o que é novo, se não for bem cuidado, morre. Muitos procuram mudas porque a Prefeitura exige que o lote tenha pelo menos duas árvores plantadas na calçada para se obter o Habite-se. Mas não cuidam devidamente”, diz.

Em 2008 foram distribuídas 250 mil árvores, das quais cerca de 50 mil foram retiradas para plantio em calçadas e o restante para recuperação de mata ciliar. Neste ano, foram doadas 45 mil mudas, conforme Seródio. Cada cidadão, de acordo com o secretário, tem direito a cinco mudas no Viveiro. A Secretaria faz campanhas para o plantio de árvores no aniversário da cidade e na Expô Rio Preto, além de distribuir mudas nas escolas do município. “Buscamos fazer a nossa parte”, afirma. Amanhã, para comemorar o Dia da Árvore, a Prefeitura vai plantar 750 mudas de árvore no lago 3 da Represa Municipal.

Serviço: Viveiro Municipal Rodovia BR-153, km 61, Jardim Primavera - Tel: (17) 3225-9769




















Rubens Cardia
As árvores se concentram na Represa Municipal; os prédios são os mais vistos

Rio Preto é um deserto de cimento, diz Arif


Basta observar a vista aérea das cidades Maringá (PR) e de Rio Preto, nas fotografias acima, para perceber a diferença gritante que há entre as duas paisagens. Em Maringá, o que predomina é o verde transmitindo uma sensação de frescor e vida. Já em Rio Preto o que mais chama a atenção são os prédios e o cinza do asfalto. O biólogo Arif Cais, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), descreve Rio Preto como um deserto de cimento. “A cidade não tem praças, não tem árvores.” O secretário do Meio Ambiente de Rio Preto, José Carlos de Lima Bueno, admite que a cidade precisa ter, pelo menos, o dobro de área verde que tem hoje. Estudos realizados pela Secretaria apontam que há cerca de 8 metros quadrados de área verde por habitante no município, considerando praças e locais públicos. O mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde é de 12m2. “Portanto, precisamos pelo menos dobrar esse índice.”

Maringá, uma das cidades mais arborizadas do País, tem 25 metros quadrados de área verde por habitante. Ao todo são 130 mil árvores, 105 praças e 11 reservas florestais, das quais 8 são parques. A arborização foi planejada desde a fundação da cidade, em 1947, pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Pesquisa feita há quatro anos pelo especialista Roberto de Carvalho mostra que Rio Preto tem uma árvore para cada frente de lote. O ideal, segundo ele, é que houvesse pelo menos duas árvores na calçada dos lotes. “É o mínimo que a cidade precisa.” Bueno reconhece que há falhas graves na arborização da cidade. “É visível que não há planejamento. Há árvores plantadas de forma errada, desornada.” Para corrigir o problema e melhorar o ambiente rio-pretense, o secretário desenvolve um Plano Diretor de Arborização para a cidade. O plano inclui estudo detalhado das condições da cidade, das espécies arbóreas ideais para o ambiente urbano e propõe modificações a longo prazo.

Um engenheiro agrônomo, um biólogo e uma arquiteta já desenvolvem os estudos, com apoio de toda a equipe da Secretaria. Foram realizadas parcerias com professores da Unesp e Unirp para o desenvolvimento de estudos. Como ações pontuais, a arquiteta da pasta, Carolina Shimizu Orsati, afirma que foram plantadas 16 mil mudas de árvore na cidade entre janeiro e julho deste ano. Para o especialista em arborização urbana da Unesp Marcelo Vieira Ferraz, o ideal é que todo Plano Diretor Arbóreo contenha 80% de espécies nativas e 20% de exóticas, e proíba o plantio de espécies com raízes danosas a calçadas e alicerces, como o ficus. “Não adianta sair plantando qualquer tipo de árvore”, afirma. Além disso, a Prefeitura precisa conscientizar as pessoas sobre os benefícios que a árvore traz. Bueno afirma que a participação popular é essencial para o desenvolvimento do plano diretor. “Estamos nos reunindo com todos os setores da cidade, para ouvir o que eles desejam da arborização.”

Divulgação
Área verde predomina na cidade de Maringá, uma das mais arborizadas do País

Ideal


Maringá é um dos primeiros municípios do Brasil a aprovar e colocar em prática, em 2006, um Plano Diretor de Arborização, que regula o manejo das árvores e as espécies que podem ser plantadas em cada região da cidade.

Um censo realizado há três anos apontou que a cidade possuía 113 espécies de árvores, com a predominância de dez espécies, principalmente a sibipiruna, com 40% do total. Com o plano diretor, essa diversidade está sendo revista.

Guilherme Baffi
Praça do Vivendas é uma das mais arborizadas e cuidadas de Rio Preto

Duas praças, duas realidades


“Fizeram uma praça para ninguém usar.” Assim a doméstica Elena Fátima da Silva, 39 anos, descreve a praça do Jardim Maria Lúcia, zona norte de Rio Preto. A reclamação da moradora não se deve à falta de manutenção, pois tudo está bem cuidado. Ela sente falta das árvores. “Não tem nenhuma sombra. Com esse sol, como a gente vai ficar aqui? Nem as crianças podem aproveitar para brincar.” O bairro é um dos menos arborizados da cidade, segundo estudo da Prefeitura. O local será monitorado por professores e alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que vão buscar soluções para a falta de cobertura vegetal. Do outro lado da cidade, no Jardim Vivendas, a realidade é completamente diferente. O sol forte não incomoda as pessoas que se exercitam às 10 horas na praça do bairro. O lugar é repleto de diferentes tipos de árvores. Com muita sombra, o ar parece mais fresco e limpo.

Guilherme Baffi
Sem árvores e sem sombra, praça do Jd. Maria Lúcia fica deserta, sem crianças





“O ambiente aqui é realmente agradável. Mas tudo isso é resultado do esforço dos moradores, que plantam e cuidam das árvores”, diz Aparecida de Souza, 60 anos. “A única coisa que nos faz falta é uma torneira, para que possamos aguar as plantas aqui.” Moradora de Florianópolis, a autônoma Lóris Sarkis, 48 anos, costuma frequentar a praça quando vem a Rio Preto. “É um dos poucos lugares arborizados daqui. Rio Preto não tem árvore, é uma cidade cinza.”
Pierre Duarte
Bagaço de cana moída misturado com cavaco e galhos vão à caldeira para se transformar em energia elétrica

Galhos: energia que salva


Galhos oriundos da poda urbana, recolhidos pela Secretaria de Serviços Gerais de Rio Preto, geram energia elétrica limpa e R$ 8 mil para manter uma obra social da Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus, em Jaci. A transformação do galho em benefícios é possível graças ao projeto Cavaco, desenvolvido desde 2005 em parceria com a Usina Cerradinho, de Catanduva, e o Sindicato da Indústria do Mobiliário de Mirassol (SIMM). Restos de madeira utilizados na produção de móveis - que antes eram descartados e queimados - são misturados ao bagaço da cana-de-açúcar e geram energia elétrica. Em meados de 2006, o fundador da entidade, frei Francisco Belotti, propôs parceria com a Prefeitura de Rio Preto. Dessa forma, as 1,2 mil toneladas de galhos que ficavam entulhados em uma área do Instituto Penal Agrícola (IPA) passaram a ser utilizadas na combustão da cana, junto com a madeira.

“Soubemos que Rio Preto tinha esse depósito, e que ele já estava cheio. Procuramos a Prefeitura e oferecemos a parceria. Assim os galhos teriam um destino correto, e poderia nos ajudar a manter o projeto das crianças”, explica o gerente de marketing da Associação, Gilmar Santos. Cada tonelada de galho e madeira que chega à usina é revertida em dinheiro para a entidade (R$ 15 mil mensais, em média). O dinheiro é investido no projeto Semeando o Futuro, que funciona em Jaci. Cerca de 200 crianças são atendidas em horário inverso ao escolar, e participam de atividades como dança, música e natação, além de ter aulas de reforço.

Thomaz Vita Neto
Galhos recolhidos pela Prefeitura são armazenados no Gonzaga de Campos

Processo


Os galhos são recolhidos pela Prefeitura e levados a um novo depósito na zona oeste de Rio Preto, próximo ao bairro Gonzaga de Campos. O resíduo é colocado em caçambas, que são levadas até Catanduva por funcionários da usina. Ao chegar na empresa, os caminhões são pesados em uma balança. A quantidade de galho recolhida é informada por sistema on-line para o Lar São Francisco. Para cada tonelada, a instituição recebe R$ 8, depositados no final do mês. Em média, o total mensal atinge R$ 8 mil. Os galhos passam por uma limpeza e seguem para os picadores. “O material moído é adicionado ao bagaço de cana de açúcar, alimentando as caldeiras para efetuar a queima e a produção do vapor”, explica Antonio Sanches Marcos, supervisor de parcerias industriais do Grupo Cerradinho.

Segundo ele, os galhos e a madeira aumentam o poder de combustão da cana, dando mais eficiência à queima. As caldeiras atingem até 850 °C. O vapor resultante do calor é enviado a um gerador, que o transforma em energia elétrica. “Os galhos e a madeira têm destino correto, pois são queimados em caldeiras de alta eficiência, com a finalidade de gerar energia renovável a partir desta biomassa. Antes, este material tinha destino duvidoso ou simplesmente era queimado a céu aberto”, afirma Marcos.

Na entressafra, a usina produz 15 mw/h de energia; seis são usados para consumo e o restante vendido para a CPFL Paulista. Já nos meses de safra, esta produção sobe para 50 mw/h, dos quais 20 são consumidos e 30 mw/h vendidos, o suficiente para abastecer de 90 mil habitantes. O supervisor afirma que o objetivo da usina não é lucrar com a energia. “Trata-se de um projeto social e ambiental ao mesmo tempo, realizado com uma instituição da mais alta credibilidade e pelo valor das inúmeras ações sociais desenvolvidas.”

Guilherme Baffi
Lar S. Francisco atende 200 crianças com repasse de galhos à usina

Crianças deixam a rua para aprender e brincar


O dinheiro gerado pelos galhos de Rio Preto e restos de madeira da região oferece aprendizado e qualidade de vida a 200 crianças de Jaci, que frequentam o projeto Semeando o Futuro. O pós-creche atende meninos e meninas com idade entre 6 e 13 anos. Filhos de pais que trabalham fora de casa, eles acabavam ficando sozinhos ou na rua, expostas a vícios como álcool ou drogas. “Nossa intenção era oferecer um lugar para abrigar essas crianças, evitando que elas ficassem na rua. O Lar sempre trabalhou na recuperação de dependentes químicos, mas sonhava em ter um projeto de prevenção”, diz Gilmar Santos, gerente de marketing da instituição. Em janeiro de 2007, o projeto foi inaugurado em Jaci, sede da entidade. O modelo já funcionava nas cidades de Sacramento (Minas Gerais) e Pirajuí, onde o Lar também mantém obras sociais.

O Semeando o Futuro de Jaci atende cerca de 200 crianças por mês. “Antes eu só ficava na rua, fazendo arte. Gosto mais de estar aqui, porque eu brinco e aprendo coisas novas”, diz Luis Guilherme Rodrigues da Silva, 12 anos, frequenta o projeto desde o início. “O único problema é que eu como muito. Tenho que tomar cuidado para não engordar.” As crianças têm três refeições por período. Elas participam de atividades como educação física, teatro, canto e dança, além de ter aulas de ensino religioso, computação e inglês (para os mais velhos). “Elas fazem a tarefa aqui e têm reforço escolar se necessário”, explica a coordenadora do projeto, Flávia Luciana Cavallari Sousa. Além da vertente educacional, o projeto oferece atendimento odontológico e psicológico para as crianças. “Elas ganham em qualidade de vida.”

Guilherme Baffi
Dinheiro de galhos é revertido para o Semeando o Futuro, da cidade de Jaci


Para Gabriela Cristina Coimbra, 9 anos, o Semeando o Futuro é uma oportunidade de fazer amigos. “Ficava em casa com minha irmã e minha avó. Não era legal. Aqui tenho um monte de amigas.” A reciclagem, que sustenta o projeto, é um tema dominado por quase todas as crianças. “Temos que jogar o lixo no lixo. Eu precisei ensinar lá em casa, porque meu pai costumava tacar pela janela do carro”, conta Gabriela. Os alunos trazem óleo usado de casa e ganham estrelas. No fim do ano, é realizado um bazar, e as estrelas são trocadas por brinquedo.

Além do dinheiro oriundo da reciclagem dos galhos e madeira, o projeto tem o apoio da Prefeitura de Jaci, que repassa uma verba mensal de R$ 4 mil. Caso a renda arrecadada supere o gasto do pós-creche, o excedente é aplicado nas demais obras da instituição. Atualmente, o Lar administra 32 obras, entre hospitais, lares de recuperação e projetos educativos.

Sérgio Menezes
Morador deu formato de pizza a dois oitis

Erradicação e podas drásticas causam 1.188 autuações


A Prefeitura de Rio Preto aplicou, de janeiro de 2007 até a última semana, 302 multas por erradicação de árvores e outras 886 autuações por poda radical, aquela que dizima mais de um terço da copa da árvore e pode matar a planta. No total, foram 1.188 multas no período. Os número de notificações atuais indicam que a poda drástica tem crescido na cidade: só neste ano foram 315 multas, 15% a mais do que todo o ano passado, quando houve 269 autuações. Mas a estatística real do desmatamento é muito maior, segundo o secretário de Serviços Gerais, Paulo Pauléra. “Temos apenas dez fiscais para a cidade toda. Muitos casos não são flagrados.”

O Código Florestal prevê pena de detenção de três meses a um ano ou multa para quem matar, lesar ou maltratar, plantas de ornamentação de vias públicas. Mas a multa é irrisória e acaba favorecendo a contravenção penal: R$ 50 para poda drástica e R$ 100 quando há erradicação. “São valores muito baixos”, reconhece o secretário. Segundo ele, a Prefeitura estuda aumentar o valor das autuações. Mas Pauléra diz ter dúvidas se essa medida vai reduzir o desmatamento. “Muitos não agem de má-fé. Podam por ignorância.”

Guilherme Baffi
Na avenida João Batista Vetorazzo, 14 árvores foram dizimadas

Contrassenso


Indiretamente, a Prefeitura beneficia o desmatador ao manter o serviço gratuito de cata-galhos na cidade. São nove caminhões para o serviço, que atendem a uma média de 3.020 chamadas mensais. “Se cobrar, o cidadão reclama, porque fala que já paga imposto. É como a coleta de lixo”, compara Pauléra. Para coibir o dano ambiental, a Prefeitura de Rio Preto tem oferecido cursos gratuitos de jardinagem e treinamento para os cerca de 300 podadores de árvores, mas poucos se interessam, e as podas drásticas perduram. A motossera é só uma das ferramentas dos desmatadores. Há outras estratégias mais simples, como fazer um anel na casca da árvore, o que impede a circulação da seiva e mata a planta, ou aplicar herbicida na base do caule da planta.

“Em um mês a árvore está seca, e é muito difícil provar que ela foi morta por envenenamento, porque os órgãos de fiscalização não fazem análise laboratorial do caule morto. O trabalho hoje é muito rústico”, afirma o agrônomo Raul de Olivari Castro. Comerciantes costumam ser inimigos de árvores, porque a copa atrapalha a visualização do estabelecimento. Há três anos, o dono de um comércio às margens da rodovia Washington Luís (SP-310) arrancou 49 árvores de uma só vez. Mesmo assim, escapou da multa, porque a área pertencia à Triângulo do Sol, concessionária da rodovia. No Centro da cidade, é comum ver trechos longos de ruas com predomínio de lojas sem uma única árvore, caso dos quarteirões da Coronel Spínola de Castro, próximos ao Calçadão.

Poda ornamental

Embora não seja alvo de multa pela Prefeitura, a poda ornamental é criticada pelos especialistas. “Esse corte pode retardar o crescimento da planta, e os galhos quebrados possibilitam o surgimento de fungos que atacam a planta”, diz o especialista em arborização da Unesp Marcelo Vieira Ferraz. O bairro Alto Rio Preto é um dos campeões de poda ornamental, e o oiti é a principal vítima da prática. Moradores transformam a copa em esferas ou cubos. Há casos mais criativos, como o de um morador da rua Pascoal Bevilacqua, que transformou dois oitis em “pizzas”. Na residência, a reportagem foi informada por um empregado na última quarta-feira de que os donos da casa não estavam.

Sérgio Menezes
Especialista Roberto de Carvalho Júnior aponta poda em V feita pela CPFL

Corte em ‘V’ da CPFL destrói


A cena é muito comum em Rio Preto: árvores depenadas debaixo de fios elétricos. Por mês, a CPFL, concessionária da distribuição de energia na cidade, faz uma média de 150 podas. No mês de agosto, porém, os cortes atingiram 3 mil árvores. As concessionárias têm respaldo legal para podar os galhos sob a fiação e evitar a quebra dos cabos. Mas a técnica de poda em V, empregada pela CPFL, acaba com a estética da árvore, na opinião do engenheiro e especialista em gestão ambiental Roberto de Carvalho Júnior. “Quando os fios estão compactos, a poda deve ser em formato de túnel, preservando o formato original da copa e a estética da árvore. A poda em V prejudica muito o desenvolvimento da planta”, diz.

A poda em túnel, ou compacta, é aplicada pelas concessionária Copel em Maringá e Curitiba, e pela Cemig em Belo Horizonte. “Direcionamos o crescimento da árvore para cima da rede até formar um túnel pelo meio da copa. Esse é o padrão da empresa”, diz o analista de meio ambiente da Cemig, Pedro Mendes. Em Maringá, a poda em túnel foi determinada pela prefeitura local, conforme a assessoria do Executivo. “O objetivo era evitar a poda drástica das árvores, em V, que compromete o equilíbrio da planta”, diz o assessor Marcos Aurélio Zanatta. A técnica, segundo ele, é favorecida pela rede de energia elétrica da cidade, que é compacta, com poucos fios. O engenheiro da CPFL Altino Zacarin diz que a poda em V é norma na empresa, e que a técnica é aprovada por engenheiros agrônomos. “Tentamos sempre cortar a menor quantidade possível de galhos”, afirma.

Guilherme Baffi
Diário dá oportunidade ao rio-pretense de escolher a árvore mais bonita da cidade

Escolha a mais bela


O Diário da Região abre, em homenagem ao Dia da Árvore comemorado nesta segunda-feira, um concurso para eleger a mais bela árvore de Rio Preto. Os leitores podem escolher a sua preferida entre as 12 apresentadas aqui mesmo, nesta página. A votação segue até as 18 horas do dia 30 de setembro. Cada computador (IP) pode votar uma vez por dia. O resultado será apresentado no dia 4 de outubro.

Para chegar às 12 concorrentes foi preciso passear pelas ruas do município e educar o olhar. Apreciar a beleza que muitas vezes não se enxerga diante do ritmo frenético do dia a dia. Em uma semana de expedição pela cidade, um reencontro com as árvores tradicionais, como as figueiras da Praça Carmen de Oliveira, no bairro Santa Cruz, e as da escola estadual Cardeal Leme, no Centro. Esses dois exemplares imponentes não são nativos.

São da espécie Ficus elastica, originários da Ásia Tropical. Aqui são chamadas de falsas seringueiras, porque também soltam látex quando cortadas. As plantas chamam atenção por suas raízes adventícias, que saem do caules. Já uma outra espécie de figueira (ficus microcarpa) chama atenção de quem passa atrás do Centro Regional de Eventos. A árvore, que se destaca pela ampla copa, é originária da Ásia e Austrália. Algumas das candidatas já fazem parte do dia a dia de rio-pretenses e moradores da região. É o caso do jatobá da avenida Fernando Costa, que se transformou em ponto de ônibus e ponto de referência. E como não se admirar com o guapuruvu da Oficina Cultural Fred Navarro e com outro exemplar da mesma espécie repleto de flores amarelas, no Distrito Industrial?

Apesar da imponência, a planta esconde a sensibilidade em sua madeira mole. Para indicar as árvores candidatas e conhecer um pouco sobre elas, o Diário contou com a ajuda do professor Arif Cais, do Departamento de Zoologia e Botânica do Ibilce, e das professoras Valéria Stranghetti e Andréia Rezende, do Centro Universitário de Rio Preto (Unirp). Mais que indicar uma vencedora, que o concurso possa garantir a preservação das árvores candidatas e dos demais exemplares distribuídos por toda a cidade.

Fonte: Colaborou: Michelle Berti e Vívian Lima


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