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Detectada febre aftosa em MS
São José do Rio Preto, 11 de outubro de 2005
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Bellodi: “É necessário dar uma resposta a esse foco com responsabilidade”

Carlos Eduardo de Souza

02:55 - Depois de seis anos sem aftosa, Mato Grosso do Sul volta a enfrentar o problema que, além de ameaçar de contaminação todo o rebanho composto por quase 25 milhões de cabeças de gado de corte, pode reduzir drasticamente as exportações. O Estado negocia por mês US$ 28,3 milhões só com vendas diretas ao mercado externo de carnes congeladas e resfriadas, tomando como base a média mensal de exportações de janeiro a agosto, período em que foram remetidos US$ 226,8 milhões de produtos do gênero a outros países. Ontem, foi confirmada a existência de um foco da doença na Fazenda Vezozzo, no município de Eldorado, a 440 quilômetros de Campo Grande, extremo sul do Estado, divisa com o Paraguai. Dos 582 bovinos existentes na propriedade rural, 140 são portadores da doença, segundo laudo elaborado pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), do Ministério da Agricultura, em Pernambuco.

A primeira medida foi a interdição da fazenda e de outras propriedades com atividades pecuárias em um raio de 25 quilômetros. A área isolada abrange os municípios de Eldorado, Iguatemi, Itaquiraí, Japorã e Mundo Novo, que juntos têm 685,8 mil cabeças. Segundo o diretor-presidente da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Crisostomo Mauad Cavalléro, foram instalados postos de fiscalização e aplicação de medidas como a restrição do ingresso na propriedade, sendo permitida a entrada e a saída apenas de profissionais que trabalham na inspeção clínica. Essa inspeção compreende inclusive o extermínio dos animais, por meio do abate, incineração e enterro das carcaças. Todos os bovinos da Fazenda Vezozzo estão sendo sacrificados. De acordo com Cavalléro, nos exames realizados pelo Lanagro foi constatada a presença do vírus tipo O, mas ainda é desconhecido o subtipo. Ontem mesmo o ministro paraguaio da Agricultura e Pecuária, Gustavo Ruiz Díazas, informou que o país reforçou o controle do gado na fronteira com o Brasil.

O que é:


:: Causada por sete tipos diferentes de vírus altamente contagiosos, a febre aftosa atinge bovinos, suínos, ovinos e caprinos e pode dizimar criações inteiras

:: O vírus se espalha pelo solo, água, vento e pelo contato entre animais

:: Apesar de raramente atingir o homem, a doença é uma forte é uma barreira sanitária à exportação da carne para mercados como Estados Unidos, Japão, Rússia e União Européia

Pecuaristas temem as conseqüências
A divulgação de que 140 bovinos contaminados por aftosa no município de Eldorado, no Mato Grosso do Sul, foi o assunto dos pecuaristas e pessoas envolvidas na cadeia produtiva da carne ontem, na Expo Rio Preto 2005. Ninguém conseguia esconder a decepção e o sentimento de incredulidade diante da constatação de que um setor que emprega centenas de milhares de pessoas e gerou mais de US$ 2 bilhões somente em exportações no ano passado pudesse ser prejudicado pela negligência de um produtor rural. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul, Leôncio de Souza Freitas, afirmou ao Diário que todas as medidas foram tomadas imediatamente para isolar do problema. Ele classificou como um golpe forte a descoberta do foco de aftosa. “Agora, que o preço começa a reagir”, disse. Leôncio lembrou que os prejuízos para o setor serão enormes e que o Mato Grosso do Sul responde por aproximadamente 50% da carne que é enviada ao exterior. Freitas criticou o governo federal, que não repassou nos últimos anos recursos para a campanha da aftosa, treinamento de pessoal e fiscalização.

Na cabeça dos pecuaristas presentes à Expo, a conta era simples e direta. “Menos exportação significa mais carne no mercado interno e o resultado são preços menores”, afirmou. Rodrigo Zobaran, da Pasturas Consultoria, afirmou que, de início, a notícia deve causar uma redução nos preços e, depois de confirmada] e fechada as fronteiras de Mato Grosso do Sul, o preço do boi deve se normalizar. “A grande verdade é que mais de 75% fica no mercado interno. Não é porque uma fronteira é fechada os preços vão despencar”. Para o consultor, as medidas do governo devem ser claras e bem planejadas para impedir que outros Estados não fiquem proibidos de exportar. O empresário Maurício Bellodi, diretor de Agronegócio da Associação Comercial a Industrial de Rio Preto (Acirp), afirmou que é necessário dar uma resposta a esse foco com bastante responsabilidade. “É muito importante agir com bastante força e energia para os compradores externos vejam a seriedade do País ao enfrentar uma situação sanitária como esta”, disse.

Para Bellodi, conforme o mercado internacional enxergar o episódio, poderá ocorrer um fechamento e desvalorização do Mato Grosso do Sul e uma manutenção ou valorização da arroba em outros Estados. Fábio Silva, do Departamento Comercial da CFM, disse que o foco de aftosa provocará um impacto e o gado do Mato Grosso do Sul se destinará apenas para o mercado interno. Neste primeiro momento, haverá queda de preços e, depois, pode ocorrer uma alta para atender os contratos firmados pelos frigoríficos. O pecuarista de Rio Preto, Maurício Gattaz, ficou preocupado com a notícia e acredita que a existência de foco pode prejudicar muito todo o setor.

Preço da arroba despenca
No momento em que o mercado vivia a recuperação de preços, o registro do caso de aftosa no Mato Grosso do Sul pegou de surpresa os criadores e derrubou ontem o preço da arroba do boi gordo em São Paulo. A arroba, que fechou a sexta-feira vendida a R$ 60 e tinha expectativa de alta para segunda-feira e mercado firme para a semana, foi negociada hoje a R$ 58,00, uma queda de 3,3%. No mercado futuro, a queda foi ainda maior: fechada a R$ 62,80 na sexta-feira, a arroba foi negociada a R$ 59,02, uma queda de 6%. Muitos frigoríficos suspenderam as compras em São Paulo, pois grande parte do gado vendido no Estado é proveniente de Mato Grosso do Sul. Entre três grandes frigoríficos exportadores dois deles praticaram o preço de R$ 58,00, fechando as escalas para até quarta-feira, e saíram do mercado em seguida. Igualmente, a maioria dos pecuaristas com gado fora de Mato Grosso do Sul também não ofereceu reses para venda, aguardando uma melhor definição de mercado. “O mercado, que tinha tudo para explodir, acabou se transformando num caos”, resumiu Sérgio Galiano, da Lucra Corretora, de Araçatuba.

Paraná
O governo do Paraná decidiu ontem pelo fechamento da fronteira com o Estado do Mato Grosso do Sul, em razão de um foco de febre aftosa descoberto em uma propriedade no município de Eldorado. “O Estado do Paraná está em alerta máximo”, disse o secretário de Agricultura em exercício, Nilson Pohl Ribas. Ao mesmo tempo, foi reforçada a fiscalização em uma propriedade que José Vezzozzo possui em Marechal Cândido Rondon, no oeste do Paraná. Vezzozzo é o arrendatário da propriedade que apresentou o foco de aftosa em Mato Grosso do Sul.

Fonte: AE


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