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Que luz é aquela?
Suspeita de Ovni assusta rio-pretenses
São José do Rio Preto, 29 de maio de 2005
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Lézio Junior/Editoria de Arte
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Renata Fernandes
08:06 - Uma forte luz branca foi vista no céu de Rio Preto por vários grupos de pessoas, às 23h30 da sexta-feira dia 20. Também há relatos do fenômeno em Mirassol e na rodovia Transbrasiliana (BR-153). Aqueles que viram, inclusive muitos céticos, testemunham com perplexidade o fato. Os funcionários do aeroporto de Rio Preto registraram várias chamadas telefônicas sobre a incidência no céu e também observaram a luz. Porém, não falam oficialmente sobre o fato. Assim como um inspetor do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Trafego Aéreo (Cindacta) disse não ter autorização para comentar o assunto. A administradora de empresas Adriana Prado Scott conta que ela e mais um grupo de amigos davam as boas-vindas para a publicitária e empresária Fernanda Sansão, que chegou recentemente da Suíça, quando de repente ela mostrou a forte luz branca.
"Foi incrível porque, seja lá o que for, tinha uma luz muito branca e bonita. Passou numa velocidade lenta e todos vimos. Fiquei emocionada, arrepiada, impressionada, surpresa. Eu que sempre fui cética passei a duvidar e até a pensar na possibilidade de existir vida em outro planeta." O filho de Adriana, Diego Prado Scott Dias, 8 anos, também viu o fenômeno e para não assustá-lo Adriana preferiu dizer que era um cometa. "Não quis criar nenhum tipo de expectativa e por mais que ele tenha contado na escola e a professora tenha dito que foi uma estrela cadente, nós sabemos que não foi", afirma. O repórter-fotográfico do Diário da Região, Rubens Cardia, seguia pela Br-153, próximo a Promissão, quando viu a forte luz. "Na hora até pensei que era uma estrela cadente, mas não era porque estava lenta e seguia pela horizontal. Além disso, vi fragmentos saindo em paralelo ao solo de modo retilíneo", diz.
A publicitária e empresária Fernanda Sansão faz a mesma descrição de Cardia e ressalta que não foi possível especificar o que era. "Fiquei curiosa, é algo que nunca vi antes. Foi uma sensação esquisita e parece que o objeto deu uma parada e de repente seguiu rapidamente", afirma. Já a administradora de empresas Cláudia Bassitt teve insegurança e medo do desconhecido. "Imagine aquela cascata que se faz ao soltar fogos de artifício, aquela chuva de prata, só que ao invés de cair na vertical seguia pela horizontal. Foi mais ou menos isso o que vimos e na hora fiquei tão assustada que nem sei como consegui bater uma foto."
Coincidência ou não, o que deixou os rio-pretenses ainda mais intrigados, no domingo (22), o Fantástico mostrou uma reportagem sobre uma comissão de ufólogos (pesquisadores de objetos voadores não identificados) que foram recebidos no Cindacta por oficiais da Aeronáutica brasileira. Os ufólogos puderam entrar em contato com documentos do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra) e a partir deles irão continuar os estudos sobre um dos temas mais misteriosos da atualidade.
Astrônomo aposta em meteoro O coordenador do Centro Integrado de Ciências (CIC) de Rio Preto, Nelson Falsarella, astrônomo amador há 33 anos, afirma que pela descrição e esboço apresentados a imagem é típica de um meteoro. Ele explica que o meteoro é uma rocha, um fragmento de asteróide, que em contato com a atmosfera queima a uma velocidade de 40 quilômetros por segundo aproximadamente. Dependendo do local onde se encontra, essa rocha recebe um nome, sendo que enquanto está no espaço é chamada de meteoróide, no céu de meteoro, e ao atingir o chão sua denominação passa a ser meteorito.
Falsarella esclarece que durante seu vôo atmosférico, a rocha é freada pela própria atmosfera e ao mesmo tempo isso gera um desgaste que provoca um rastro, composto de poeira e de ionização do ar. "É um fenômeno físico, a ionização do ar gera luminescência em decorrência do atrito do objeto com o ar e é esta luminescência que dá a impressão de ser uma forte luz", afirma. Para os leigos entenderem melhor, Falsarella explica que não existem apenas planetas no universo. Há asteróides, meteoróides - que são fragmentos destes asteróides, também chamados de filhos de asteróides. O tamanho dessas rochas varia entre o de uma casa e o de uma bola de futebol, e todas giram em torno do Sol. "Inclusive há asteróides que podem cair na Terra e causar grandes catástrofes e estragos."
São milhões de rochas espalhadas pelo universo e é comum algumas delas entrarem em rota de colisão com a Terra, quando penetram e queimam formando os meteoros. A maioria deles se pulveriza no ar, mas há alguns que chegam a cair no solo. Existem meteoros que além de produzir a luminescência fazem ruídos e isso também é um fenômeno físico, já que devido à altura, nestes casos, o som chega junto com a luz. O provável meteoro visto na sexta-feira (20) deveria estar entre 80 e 100 quilômetros de altura, conforme calcula Falsarella. Por isso, várias pessoas em locais diferentes o viram. Falsarella acredita em vida fora da Terra, porém afirma nunca ter visto, em seus 33 anos de estudos do céu, um objeto que não pudesse ser explicado cientificamente.
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